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Margão (magdan)

Margão (magdan)

  • Local: margão
  • Categoria:
  • Visita: 24 Sep, 2015

Situada no território de Salcete junto ao Rio Sal, a vila de Margão desenvolveu-se em torno da Igreja Matriz e do vasto terreiro que se estende à sua frente.

Designado por Povoação, este núcleo cristão foi também o centro do lugar antes da presença portuguesa, tendo sido igualmente um importante centro de vida religiosa hindu.

A poente do terreiro situava-se o mercado a céu aberto, descrito como grande e abundante, e a sul deste existia o bairro hindu mais antigo da vila, denominado Comba.
Era também a poente do terreiro que se localizava a antiga Câmara Municipal (1873). Vila desde 1779, Margão era referida, até ao final do século XIX, como o maior e mais populoso aglomerado do território goês.
Nele tinham as suas sedes o Município de Salcete, a Câmara Agrária, a Comarca, bem como o Comando Militar da Província, com tropas portuguesas estacionadas em permanência.

Com a definição do Largo dos Quartéis e a construção dos aquartelamentos em 1811, a malha urbana começou a estender‑se para sul.
O largo tinha uma configuração regular e os seus limites eram definidos do lado poente e norte pelos quartéis, a nascente por quartéis e pela Igreja da Graça e a sul por casas particulares.
Ainda a sul, um pouco mais distantes, existiam algumas casas com carácter rural.

Não existem muitos relatos exatos de obras realizadas em Margão, mas ficaram alguns testemunhos que permitem saber que, em meados do século XIX, a vila sofreu diversos melhoramentos e nos dão uma imagem de como se desenvolveu.

Lopes Mendes (1862‑1871), Tomás Ribeiro (1870) e José Nicolau da Fonseca (1878) referem obras em edifícios públicos e melhoramentos nesta época.

Em 1841 foi construído o edifício do Tribunal, a poente do terreiro, e dez anos depois construiu‑se perto o Mercado.
Pelo menos desde 1840 a vila tinha posturas municipais que previam medidas de controlo sanitário e regulavam a construção.
Ainda nessa década, como tentativa de conter as muitas epidemias que a vila sofria, foi construído um cemitério a sudeste da povoação, nos limites da malha urbana.
Aí perto, em 1867, foi lançada a primeira pedra do Hospício do Sagrado Coração de Maria, e entre 1864 e 1870 foi aberta a Rua Padre Miranda.

A vila cresceu em torno dos dois terreiros e ao longo da Rua Abade Faria, que os ligava.

A proporção de habitantes cristãos (10.878) para não cristãos (1.347) referida por Lopes Mendes, permite entender a concentração na zona cristã e a baixa densidade de construção na restante malha urbana, ou seja, à medida que se ia progredindo para sul, a densidade de construções diminuía.

As casas das quintas de brâmanes cristãos situavam‑se ao longo da Rua de São Joaquim – estrada que fazia a ligação a Raia – para nascente do Largo da Igreja.
Esta implantação prolongava‑se ao longo da rua, já para uma zona periférica.
As casas eram quase todas de um só piso, apalaçadas com balcões e jardins.

A vila distinguia‑se por possuir uma sociedade com prestígio e uma vida intelectual rica, quer no que diz respeito à sociedade católica, quer à hindu.

A atividade intelectual da vila refletia‑se na existência, na década de 1860, de dois teatros e na publicação de oito jornais.

As grandes alterações no desenho da cidade deram‑se na transição do século XIX para o XX, época em que Margão ganhou uma nova dinâmica e nova centralidade. Estas transformações foram impulsionadas pela construção do caminho-de-ferro (1881-1888) e a consequente instalação da estação ferroviária na zona sul da vila.

A escolha da localização da Câmara Municipal, em 1902, a meio caminho entre o Largo dos Quartéis e a linha de caminho‑de‑ferro, foi uma clara aposta na expansão urbana para sul.
Criou-se um espaço urbano cujas características faziam lembrar o terreiro na antiga zona central da vila, imagem que foi alterada, já depois de 1961, com a criação dos jardins municipais.
Entretanto, também já se tinha instalado uma área de mercado nesta zona.

Ainda em 1902 foram revistas as posturas municipais, que relativamente às construções definiam, entre outras coisas, as dimensões mínimas de vãos, o afastamento entre construções, as distâncias aos arruamentos, etc.

Em 1907 e em 1911, foram feitos dois planos para Margão. O primeiro foi fundamental no crescimento da cidade e abrangia os bairros de Comba e D. Affonso (zona do Mercado Novo), prevendo a abertura de arruamentos e a construção de edifícios. Estes bairros tiveram um desenvolvimento significativo nos anos seguintes. O segundo plano foi aprovado em 1918, prevendo uma transformação profunda da vila. Para além das obras ao nível urbano diversos edifícios foram construídos, entre eles o do lado poente do município e a ampliação do Hospital. A importância deste, não só para a cidade como para a região, deve ter levado à construção da rua que o liga à zona sul, perto da estação do caminho‑de‑ferro.

Nos anos seguintes, os trabalhos em Margão prosseguem, mais uma vez, como os dos outros aglomerados: a vila foi elevada a cidade em dezembro de 1933. Fizeram‑se obras a nível urbano, entre as quais se destaca a expropriação, em 1936, de terrenos no Largo dos Quartéis e na Praça Municipal para a abertura de ruas em torno do jardim municipal e da praça de automóveis, alguns dos edifícios então desenhados não chegaram a ser construídos.

Na década de 1950, fez‑se o abastecimento de água à cidade, e em 1961, trabalhava‑se no Plano de Urbanização.

 

fonte
HPIP

 

 

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