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Forte de Kayts (Cais)

Forte de Kayts (Cais)

  • Local: kayts
  • Categoria:
  • Visita: 23 Jul, 2015

Kayts é o nome de uma ilha fronteira à cidade de Jaffnapatnam (Jaffna), no extremo noroeste do Sri Lanka.

O nome parece remontar ao topónimo português “Ilha do Cais” ou “Cais dos Elefantes”, o qual remete para o tradicional comércio dos paquidermes de Jaffna para a Índia.

Durante o período holandês (1658‐1796) a ilha foi ainda denominada Leiden, adquirindo o nome atual com a dominação britânica (1796‐1947).

Aqui existiu um porto chamado Uraturai, que desempenhou um papel importante na civilização de Polonnaruwa (séculos X‐XIII). Na parte menos povoada da ilha, perto da sua ponta ocidental, encontram‐se atualmente as ruínas, relativamente bem conservadas, de uma pequena fortaleza do período português.

Conservam‐se três lanços de muralha daquilo que foi uma estrutura quadrangular. Os restos das muralhas elevam‐se até cerca de três metros de altura, tendo sido construídas em aparelho de dimensões pequenas-médias, de tipo irregular.

Os dois lanços perpendiculares à linha da água, geralmente bem conservados, encontram‐se pontualmente destruídos por uma estrada em terra batida, a qual atravessa a antiga estrutura em paralelo ao mar.

O lanço que liga estes dois panos na parte do interior da ilha está coberto de vegetação.

O pano de muralha fronteiro à água, por sua vez, encontra‐se inteiramente desmantelado, sem traços visíveis de derrube. Notam‐se no chão estruturas em pedra que poderão corresponder às suas fundações.

Junto a um dos panos de muralha prependiculares à linha de água é possível ver ainda parte da pequena Capela, com tecto abobadado, e o seu altar.

Este forte foi contruído em 1629, a expensas de Miguel Pereira de Sampaio, em contrapartida pela doação régia da vizinha Ilha de Karaitivu.

Esta iniciativa vinha no âmbito de um movimento mais vasto para a fortificação do litoral ceilonês com o qual os portugueses tentaram, na década de 1620, isolar o reino interior de Kandy e consolidar a sua presença face aos novos desafios europeu, nomeadamente os ataques da pirataria holandesa e inglesa.

A ideia inicial havia sido de transferir o quartel‐general português do reino de Jaffna da cidade homónima para a Ilha do Cais, por razões de ordem estratégica. No entanto, com a construção das fortificações de Jaffna (1629‐1632), este plano tornou‐se obsoleto. A partir daí, a fortaleza do Cais serviria em teoria para defender o acesso marítimo a Jaffna.

No entanto, a sua utilidade sempre foi considerada discutível, levando ao abandono em 1651.

Fontes da época referem referem, em consequência, a demolição de estruturas, o que parece ter sido parcial, a avaliar pelos restos atualmente visíveis. Derrubou‐se apenas a face marítima do edifício, sem a qual este se tornava inútil.

Junto ao forte existia uma pequena povoação e uma igreja, dos quais hoje nada subsiste.

 

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