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Armazéns de Mattanchery

Armazéns de Mattanchery

  • Local: mattanchery
  • Categoria:
  • Visita: 29 Aug, 2015

Na atual área de Mattanchery, designada pelos portugueses como Cochim de Cima, estende‐se sobre as margens do canal Vembanad um conjunto de edifícios com a fachada principal formada por dois pisos sobre a rua, traseiras em pátio e um pequeno ancoradouro para cargas e descargas fluviais.

Na sua estrutura, estes edifícios constituem‐se com uma forte unidade tipológica: um corpo principal retangular e duas alas de armazéns, formando um U aberto sobre o ancoradouro.
O corpo principal de dois pisos apresenta, nos casos mais antigos, escada de madeira directa para o primeiro andar, com afinidades ao edifício urbano dos séculos XVI e XVII.

Esta tipologia, de forte pendor mercantil, parece encontrar a sua génese em edifícios igualmente mercantis que surgiram na Lisboa do século XVI.
A título de exemplo,  Alfândega de Lisboa e as chamadas teracenas das Portas da Cruz, igualmente com uma estrutura aberta em três corpos cercando um pátio e cais privativo, virado a nascente.

Voltamos a confirmar a presença desta tipologia no desaparecido palácio dos marqueses de Castelo Rodrigo, junto do Palácio da Ribeira, que apresentava, até ao terramoto de 1755, dois corpos baixos perpendiculares ao Rio Tejo, ladeando um cais privativo.

Numa análise mais detalhada destes edifícios portuários de Cochim de Cima, verificamos que as paredes do corpo principal de dois pisos são de laterite, apresentando frequentemente o seu exterior um ritmo de pilastras salientes, de inspiração maneirista, com afinidades à arquitetura goesa dos séculos XVII e XVIII.

Com funções estruturais, encontramos ainda a utilização de contrafortes, de tradição popular do sul de Portugal, que nos remetem aqui para uma tradição vernácula mais antiga, do século XVI.

Quanto à análise da estrutura interior do corpo principal, estes edifícios apresentam uma modulação em dois ou quatro compartimentos, em desenvolvimento aditivo, que se afasta das estruturas tipológicas autóctones que temos vindo a inventariar.

Se não conseguimos identificar esta tipologia no núcleo antigo da cidade de Santa Cruz de Cochim, onde não existem casas sobre as margens do estuário, Baldeus fornece‐nos uma interessantíssima informação a este respeito. Ao referir as melhores casas da cidade, o autor, que viveu em Cochim logo após a ocupação holandesa, descreve que as mais belas casas da cidade voltavam as traseiras sobre as margens do rio.
Estas casas seriam naturalmente residências dos grandes mercadores, que se situariam não no interior da cidade, mas nos seus arredores, como acontecia em Goa e em outras cidades do Oriente.

 

fonte
HPIP

 

 

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