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A presença portuguesa foi particularmente forte na região que actualmente é ocupada pelo Estado de Myanmar (Birmania) nos século XVI e XVII, sobretudo em Pegu, actual Bago e capital do antigo Reino de Arrakan.

Entre as grandes feitorias que os portugueses tiveram na região, destaca-se a de Serião (1599-1613).

Muitas palavras birmanesas são de origem portuguesa:

Lelain- Leitão;

Tauliya-Toalha;

Natatu-Natal;

Balon-Bola, Balão,

Waranta-Varanda, etc

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Com a devida vénia a Elsa Resende da Agência Lusa, aqui fica um dos seus trabalhos feito aquando da visita ao país de um grupo de jornalistas portugueses, organizada pela Embaixada da Tailândia em Lisboa.

Portugal/Tailândia: O país dos queques e dos fios de ovos

Lisboa, 12 Jun (Lusa) – Por “culpa” dos portugueses, os primeiros europeus a chegarem à Tailândia, os tailandeses comem queques e fios de ovos, nome por que são também conhecidos os jogadores da selecção de futebol das “quinas”.

Os doces genuinamente tailandeses são confeccionados com arroz e leite de coco.

Maria de Guiomar Pina, filha de uma portuguesa e de um japonês, resolveu baralhar os tailandeses, introduzindo na sua gastronomia doces feitos com açúcar e ovos.

Os portugueses aportaram ao antigo Sião em 1511, quando o governador da Índia, Afonso de Albuquerque, enviou à capital do reino, Ayutthaya, um embaixador, Duarte Fernandes.

Maria de Guiomar Pina pisou território tailandês anos mais tarde, no século XVII, para fugir à perseguição aos católicos no Japão.

Casou-se com o grego Constantino Phaulkon, que se tornou confidente pessoal e primeiro-ministro do rei siamês Narai.

Com a morte do marido, que foi executado por o Sião temer uma tomada do poder por parte da França devido às fortes relações de Phaulkon com o rei francês Luís XIV, a luso-japonesa foi integrada na corte siamesa, onde, nas cozinhas reais, transmitiu a receita dos fios de ovos e queques, que ainda hoje são confeccionados artesanalmente em Thon Buri, numa das margens do rio Chao Phraya, em Banguecoque.

“Os queques apresentam formato semelhante aos nossos [portugueses], sendo o sabor ligeiramente diferente”, refere a historiadora Maria da Conceição Flores, autora de “Os Portugueses e o Sião no Século XVI”.

Também os fios de ovos, uma sobremesa fina usada em festas e celebrações religiosas especiais, como a ordenação de monges budistas, têm na Tailândia um paladar distinto dos de Aveiro.
“São feitos com ovos de pato e não de galinha”, aponta o embaixador José Melo Gouveia .

“E podem levar aroma de jasmim”, adianta Ganjanawan Grabgraigaew Cirne, co-proprietária de um restaurante de comida tailandesa em Lisboa que deixou a Tailândia, onde nasceu, para casar com um português com quem vive há sete anos.

Ora, é pelo nome de fios de ovos, “Foi Tong” em tailandês, que os jogadores da selecção portuguesa de futebol, são chamados, conta, por sua vez, Nuno Caldeira da Silva, conselheiro político da União Europeia radicado há cinco anos em Banguecoque.

Mas, se a origem portuguesa dos doces com ovos na gastronomia siamesa é consensual para lusos e tailandeses, o mesmo já não se pode dizer da comida picante.

Para os tailandeses, a malagueta chegou à Tailândia no século XVI pela mão de missionários cristãos portugueses que serviam no Brasil.

O investigador Miguel Castelo-Branco, a residir há cerca de dois anos em Banguecoque onde prepara a sua tese de doutoramento sobre as relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia no período 1782-2009, dá outra versão.

“O picante da comida tailandesa é originário”, desde o século XII, “da Índia”, aonde os portugueses aportaram três séculos depois, em 1498.

A sua chegada à Tailândia só ocorreu passados 13 anos.

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O título de “Veneza do Oriente” não caracterizou apenas Bangkok no decorrer dos séculos, mas também já era aplicado à antiga capital do Sião, Ayutthaya e, por extensão, a todo o antigo reino siamês. Significativamente, uma obra recentemente publicada traz esse título ((Derick Garnier, Ayutthaya: Venice of the East, Bangkok: River Books 2004 ISBN 974 8225 60 7).

Fundamentos históricos: viagens mercantís e luta contra o predomínio comercial islâmico

A chegada oficial dos portugueses ao Sião deu-se apenas 11 anos após a Descoberta do Brasil.  Também no Sião os portugueses alcançaram uma região de luxuriante natureza, coberta de florestas tropicais, rico em madeiras, de riquíssima fauna, e em ambos os casos foram recebidos com amizade pelos habitantes, ainda que o contraste entre o modo de vida dos indígenas do Brasil e a magnificência que encontraram no Sião não pudesse ser maior. Ao chegarem ao Sião, os portugueses já traziam experiências decorrentes de décadas de muitas décadas de viagens marítimas, de descobrimentos e contatos com povos de diferentes continentes.

O descobrimento do Brasil deu-se no decorrer de viagem de frota à Índia, após ter sido descoberto o caminho marítimo em contorno à África, ou seja, de passagem em empreendimento voltado ao Oriente. O seu principal objetivo foi o de superar a muralha criada pelo poderio islâmico e que punha um obstáculo ao intercâmbio comercial entre a Europa e as fontes dos produtos no mais longínquo Oriente. Tratava-se, assim, não apenas de um contorno continental, geográfico, mas de uma esfera de poder e que se encontrava em expansão.

O confronto com o poderio islâmico estabelecido em entrepostos comerciais e centros-chave das mercadorias a serem transportadas em rêde de navegação também dominada pelos árabes surgia como inevitável. Esse confronto oferecia-se como um processo de dimensões globais, e os europeus da Península Ibérica traziam em si a confiança que podiam vencê-lo, confiança basada na experiência histórica da Reconquista com a expulsão dos mouros e na própria fé religiosa. Sob essa perspectiva, o confronto entre cristãos e mouros adquiria uma dimensão universal, senão cósmica, e que poderia ser vista, em termos atuais, como que de natureza sistêmica, inerente ao edifício das concepções e imagens do mundo e do homem. 

No desafio pela concorrência e no confronto com os detentores do poder econômico nos pontos cruciais do espaço geográfico-comercial do Oriente, nutrido por fundamental inimizade, a máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” não poderia deixar de vigorar. Compreende-se, assim, que a entrada dos portugueses em rêdes e campos de tensões estabelecidos não podia deixar de representar interferências em situações políticas internas locais e regionais. Alianças com grupos e povos subalternos, subjugados ou sujeitos ao predomínio dos detentores de poder econômico e de posições-chave nas rêdes comerciais representaram em vários casos o caminho natural para o estabelecimento dos portugueses no jogo de relações comerciais e, gradualmente, no seu assentamento.

Alguns passos dessa entrada lusa no Oriente já foram considerados em textos anteriores da Revista Brasil-Europa. As naus aportaram às costas do Malabar na ilha de Cochim, dando-se a “reconquista” de Goa por Afonso de Albuquerque deu-se em 1510. A procura das fontes de proveniência das mercadorias impeliu os europeus mais ao Oriente. Com a conquista de Malaca, em 1511, tomavam posse do principal empório comercial de toda a esfera oriental, até então em mãos muçulmanas.

As mercadorias, porém, provinham em grande parte de regiões ainda mais distantes, das quais eram trazidas também por comerciantes árabes. Dessas terras, o reino do Sião se salientava, pois muitos bens transportados a Malaca por mercadores muçulmanos provinham de Ayutthaya, a sua capital. Na vasta rêde comercial, esses mercadores chegaram a contar com depósitos em Horrmuz. Para aqui transportadas, com escalas em pontos do golfo da Pérsia, as mercadorias adquiridas em Malaca passavam a negociantes persas e árabes e, através, deles, a europeus, atingindo portos de Veneza, Genova e outros.

Quadro histórico dos caminhos que se abriram com a tomada de Malaca

O contexto que elucida o início dos contatos dos portugueses com o Sião foi considerado de forma expressiva por Joaquim Veríssimo Serrão no seu “Portugal no Mundo” (Portugal en el mundo: Un itinerario de dimensión universal, Madrid: Mapfre 1992, 276-278). Já antes da conquista de Malaca os portugueses procuraram entrar em contato com Ayutthaya. Diogo Lopes de Sequeira teria reconhecido a vantagem de enviar um mensageiro à capital do Sião para dar a conhecer ao rei os objetivos da ação portuguesa no Oriente. Além do mais, baseando-se em Castanheda (História, livro III, cap. LVII, 145, cit. op. cit. 277), Veríssimo Serrão considera que o governador queria ter o rei do Sião como amigo, aspirando a uma aliança que também possibilitaria a obtenção de víveres em caso de necessidade. Assim, as relações encontraram-se desde o início sob o signo de uma desejada amizade, ainda que a serviço de interesses pragmáticos. (loc.cit.)

Em meados de 1510, aproveitando o retorno à China de um junco de chineses que havia ido a Malaca, os portugueses enviaram um emissário ao Sião, acompanhado por Duarte Coelho, Antonio de Miranda e outros portugueses. Ainda que o nome desse emissário seja desconhecido, dominava provavelmente a língua, o que faz supor, pelo menos, que mantinha contatos com comerciantes siameses que visitavam Malaca.

É significativo para o estudo da situação política da época o papel desempenhado pelos mercadores chineses nos contatos com o Sião e que, pelo que parece, diferia da posição oficial do representante da China em Malaca. Os chineses de cinco jungos que haviam sido detidos pelo soberano de Malaca com o objetivo de usá-los contra o rei de Daru, indignados, ofereceram-se para auxiliar os portugueses. Ainda que esse auxílio tenha sido recusado por motivos políticos por parte de Afonso de Albuquerque, os juncos foram aceitos para o desembarque dos portugueses. Bem impressionados, os chineses ofereceram-se para transportar os portugueses ao Sião, na viagem de regresso à China.

Uma carta de Afonso de Albuquerque ao rei D. Manuel, de 1513, citada por Verissimo Serrão (op.cit. 277) salienta a magnificência da recepção dada aos portugueses pelo rei do Sião e o deslumbramento causado pelo brilho do cerimonial e do modo de vida da Côrte. Tem-se, assim, já no início da história das relações luso-tailandesas, menção ao significado das expressões culturais e à sua exuberância na representação do reino e no encontro diplomático que marcaria o Sião aos olhos da Europa através dos séculos. A expedição retornou com uma carta a D. Manuel com presentes de objetos artisticamente trabalhados em ouro e pedras preciosas.

Após a conquista de Malaca, Afonso de Albuquerque enviou mensageiros ao Sião e a outras regiões, entre elas Maluku, Pegu, Java e China, fato registrado por João de Barros (Decada III, Livro II, cap. VI, cit. Veríssimo Serrão, op.cit. 292), o que marcou o início das relações dos portugueses com os reinos vizinhos. Segundo o historiador português, o rei siamês ficou satisfeito com a conquista de Malaca pelos portugueses,  o que faz supor uma situação de inimizade entre o Sião e os detentores islâmicos de poder em Malaca. Em 1513, o Sião enviou uma embaixada a Malaca, ali recebida com muita honra e salvas de artilharia da fortaleza. O Sião tornou-se conhecido na Europa pela sua grandeza e riqueza, onde havia, além de muito arroz, laca, benjui e também pau-brasil, como documentado já em carta de 1514. (op.cit. 278)

Tomando conhecimento da importância de Ayutthaya, e a sua posição de preeminência na península, A. de Albuquerque enviou Antonio Miranda de Azevedo como embaixador, que, apesar de viajando modestamente a bordo de uma barca chinesa, levou consigo, com credenciais oficiais, presentes ao rei siamês. Um português de nome Manoel Fragoso viajou com o objetivo de ali permanecer dois anos e escrever um relato.

Ao tomar conhecimento de sua chegada, o rei mandou que fossem recebidos e acompanhados por 200 soldados ao palácio. Centenas de pessoas ocorreram para ver os portugueses. O rei, Rama Thibodi II, por sua vez, enviou um embaixador na viagem de retorno dos portugueses.

Tratado de amizade e comércio – consequências de obrigações de amizade

Em 1518, fechou-se um tratado de amizade e comércio, o primeiro entre Ayutthaya e uma potência ocidental.

Se o início das relações entre o Sião e Portugal pode ser explicada através do contexto político na região, no qual a ação dos portugueses teria vindo de encontro aos interesses siameses, a aliança então estabelecida levou a que os portugueses passassem a apoiar o Sião no complexo campo de tensões em que se encontrava já há séculos. Uma arma de fogo portuguesa encontrada em Ayutthaya indica a entrada de armas ocidentais no reino através dos portugueses. Um contingente de portugueses atuou quando o reino de Chiang Mai anexou Sukhothai e Kamphaeng Phet, cidades da esfera de poder do rei Rama Thibodi II.

Também os burmeses passaram a experimentar a força das armas que agora os siameses possuiam. Ao atacarem Ayutthaya, em 1549, foram recebidos com armas de fogo. Entretanto, ainda que de forma ainda não suficientemente explicada, também êles eram acompanhados por um contingente português.Assim, portugueses teriam passado a lutar de vários lados nos exércitos locais. Quando o rei Naresuan atacou os cambodjanos, encontrou portugueses entre os cativos.

Esse fato, salientado por D. Garnier (op.cit.), indica a complexidade do desenvolvimento das relações dos portugueses com os diferentes povos da região. Tendo-se originado supostamente de mecanismos de aproximação e de conquista de simpatia similares àqueles com o Sião, as alianças criadas com fins pragmáticos passaram a exigir o apoio dos aliados lusos nos conflitos locais. Constitui uma tarefa de estudos mais aprofundados comparar essa situação com a participação de portugueses em conflitos entre povos indígenas no Brasil.

Situação de dependência, apoio militar e internacionalização de conhecimentos

Um outro fato considerado por D. Garnier chama a atenção a um fator significativo para o estudo de mecanismos integrativos de portugueses na sociedade siamesa. O autor salienta que o rei Chai Rajathirat, que subiu ao trono pouco após a chegada dos portugueses, teve um contingente particular constituido por portugueses para a sua guarda pessoal. Como estrangeiros, sujeitos à benevolência real, eram mais leais e tendiam menos à insubordinação. (op.cit. pág. 71) Teriam passado, assim, a ocupar posições mais próximas à autoridade constituída pela sua própria situação de dependência.

Para além de homens de combate, os portugueses granjearam nome como construtores de fortes e fortificações. Em 1550, após a primeira vitóri de Ayutthaya sobre os burmeses, o rei Chakraphat, ao derrubar os antigos muros para substituí-los por construções mais sólidas,foi auxiliado por portugueses que planejaram muros e bastiões projetados a modo ocidental.

Essas atividades militares eram porém decorrentes das circunstâncias, assim como também os atos de conquista haviam servido a interesses comerciais. A intento português era sobretudo o do comércio, e como comerciantes passaram a atuar no contexto siamês, intensificando trocas.

Apesar da predominância de comerciantes muçulmanos e chineses em Ayutthaya, havia espaço para mercadores farang. Avalia-se que, em meados do século XVI, ca. de 300 portugueses viviam no país, formando o cerne de uma povoação localizada fora de Ayutthaya, com ca. de 2000 fogos e 3 igrejas, a aldeia dos portugueses, o Ban Portuguete. Era uma situação insular sob diferentes sentidos, a “ilha dos portugueses”, uma vez que era circundada por um canal. O português tornou-se lingua franca para mercadores estrangeiros em Ayutthaya, mantendo-se como linguagem internacional até o século XIX. Até hoje usam-se palavras portugueses na língua tai, no exemplo da designação do pão (khanom pang) ou do uso do termo sala.

Casamentos mistos e surgimento de comunidade luso-siamesa

As famílias que viviam no Ban Portuguete eram originadas de casamentos entre portugueses e siamesas, após terem estas se convertido ao catolicismo. D. Garnier salienta o significado da miscigenação na ação dos portugueses no mundo, em parte derivada das circunstâncias, em parte refletindo uma estrategia política de assentamento e criação de uma população marcada por elos de lealdade. Os filhos desses casamentos tornavam-se artesãos, construtores de navios no país em que nasciam, ou sacerdotes. Se essa política de miscigenação foi vista negativamente por observadores ocidentais, que diziam dela ter surgido uma semi-casta pobre de mestiços, não bem vistos nem pelos europeus nem pelos nativos, D. Garnier a considera, ao contrário, como inteligente e esclarecida.

(…)in countries where the Portuguese settled and traded, he encouraged his men to marry the local women. Their children would become the clerks, the artisans, the shipbuilders in the country of their birth. This discustet narrow-minded westerners: ‘their children, got upon black women’, as Kaempfer wrote with disdain in the seventeenth century, ‘a poor, gibbering half-caste’, as Crawfurd wrote of the port official sent to meet his party in the early nineteenth century. In fact, it was a clever and an enlightened policy” (op.cit. 70)

O fomento de casamentos mistos de portugueses com mulheres nativas não deveria porém ser visto apenas como resultado de exigências, circunstâncias ou com intuitos refletidos de criação de uma população leal a Portugal, mas sobretudo sob o aspecto do dever de cristianização e de expansão do Cristianismo que sempre acompanhava a ação portuguesa.

Sob o ponto de vista teórico-cultural, pode-se supor que esse caminho na formação de uma comunidade luso-siamesa teve características e consequências comparáveis àquelas estudadas em de outros contextos, em particular brasileiros, fundamentando complexos processos de identidade derivados da instabilidade e de impulsos de integração e auto-afirmação. O estado das pesquisas, porém, pouco permite que se analise as características da sociedade luso-siamesa que existiu em Ayutthaya até 1767, quando então transferiu-se para Bangkok.

Para D. Garnier, as expectativas que os portugueses teriam nutrido a respeito de um papel de particular importância a ser exercido por Ayutthaya no novo contexto das relações econômicas e políticas não foram totalmente cumpridas. O desenvolvimento das ações lusas passou a ter um redirecionamento, levando a reconfigurações estratégicas das relações internacionais. Com os sucessos em outras regiões, os portugueses passaram a comerciar com portos no golfo pérsico, na Arábia e no Mar Vermelho a partir de Goa; passaram ao Ceilão e exploraram as costas orientais da Índia, Arakan, Pegu e Sorian, extenderam-se ao longo das costas de Annam, Champa e Tonkin até chegarem à própria China, onde se assentaram em Macau e passaram a explorar a China e o Japão. Sobretudo Macau passou a constituir por séculos o centro principal da rêde lusa no Extremo Oriente. Mercadores passaram a comprar e vender bens nas ilhas das especiarias, em Sumatra, Java, nas Molucas, Ternate, Tidore, Celebes; alcançaram Borneo, Banda, Bintang, Sunda, Flores e Timor, possivelmente até mesmo a Austrália (op.cit. 67)


D. Garnier menciona que portugueses enviavam arroz, marfim, índico, laque e madeira para outras regiões, trazendo traziam de volta sobretudo objetos de metal. Do Brasil, os portugueses teriam levado ao Sião batata doce e milho, tomates, agrião, couve, repolho, ocra e pimentos. Entre as frutas, goiaba, mamão e abacaxi. (op. cit. 69)

Da perspectiva histórica a partir das fontes à consideração da memória nos estudos culturais

O fato de Bangkok ter herdado a designação da antiga capital do Sião chama a atenção do observador a um aspecto de fundamental significado para os estudos referentes à Tailândia e mesmo de relevância para os estudos culturais em geral. Trata-se do fato de ter sido a história do país marcada pela destruição de Ayutthaya – até então metrópole de primeira grandeza do Sudeste da Ásia – e o deslocamento da capital do país a Bangkok, hoje uma das maiores metrópoles do globo.

Um cisão marca, assim, a decorrência histórica do Sião, uma discontinuidade decorrente da interrupção causada pela destruição de Ayutthaya, e, ao mesmo tempo, uma retomada da continuidade em Bangkok, uma reconstrução e reedificação de um passado no local de transferência. Consequentemente, à primeira vista, o observador supõe que os monumentos de Bangok, na sua impressionante aparência de vetustas expressões culturais de passado de séculos, sejam de origem muito mais remotas do que são, surpreendendo-se em constatar que muitos de seus templos e palácios são de construção relativamente recente, do século XVIII, XIX e mesmo XX. Longe de diminuir o significado desse patrimônio monumental, tem-se aqui um fato de extraordinário interesse para a história cultural da Humanidade e que abre perspectivas inusitadas para a avaliação da obra de construção da imagem e identidade da nação levada a efeito no periodo iniciado com Bangkok e mesmo para os estudos do Exótico em geral, esses de relevância também para o Brasil.

Na procura de uma aproximação adequada aos estudos das relações entre a Tailândia e o mundo de língua portuguesa, essa singularidade do desenvolvimento histórico do país não pode deixar de ser considerada.

Uma visão linear da história, do remoto passado ao presente, não corresponde à linha de continuidade histórica interrompida, continuidade que foi antes reatada, retomada numa determinada época a partir de tradições e da memória.

A reconstrução e revitalização de um passado lembrado marcaram a edificação e a vida cultural da nova capital e do país na sua nova localização. A apreciação de sua realidade construída não pode ser alcançada em consideração linear, de “trás para a frente”, não se encontrando, nesse procedimento, explicação para as suas características, em particular para o esplendor de suas expressões.

Essa sua magnificência apenas pode ser compreendida como concretização de surpreendentes esforços de recuperação e afirmação de um passado que surgia, na memória, como iluminado. A reconstrução de um patrimônio, com a consequente presentificação de imagens obedeceu a finalidades político-culturais da dinastia e, em termos atuais, à objetivos de consolidação e mesmo criação de identidade cultural e consciência nacional.

Assim considerando, o reino do Sião, a partir de Bangkok, exige a revisão de concepções relativas ao Historismo e ao Exotismo, até hoje exclusivamente baseadas no contexto europeu e suas irradiações no mundo.

Bangkok testemunha que também em outras regiões do globo houve esforços de reatamento com o passado e de revitalização de correntes e conteúdos, em particular de fundamentação religiosa. Bangkok surge como um fenômeno nessa visão global de reatamentos históricos, até mesmo antecipador, e o o encanto exótico que o Ocidente nele encontrou no século XIX representa uma expressão de uma reconscientização do próprio patrimônio histórico.

Ayutthaya ressurgida em esplendor na cidade real de Bangkok

O núcleo real de Bangkog apresenta uma singularidade de implantação urbana que já havia caracterizado a antiga capital do Sião Ayutthaya: a do fato de ser edificada numa ilha artificial, definida por um lado pelo rio Chao Phraya e por outro separada da terra firme por um canal (Khlong Lord). Essa medida tem sido vista sobretudo como expressão de uma necessidade de defesa, tal como aquela dos fossos de castelos medievais europeus. Entretanto, há uma dimensão que ainda não tem sido considerada e que diz respeito à ilha como figura, como o da terra firme que se eleva das águas.

O Palácio Real de Bangkok foi construido segundo o plano do palácio destruído de Ayutthaya, o Wang Luang. Representa, assim, a edificação de um propósito, o de fazer ressurgir o antigo reino em todo o seu brilho. Esse foi o intento de Rama I (Phra Phuttayodfa Chulalok) ao lançar os fundamentos da nova cidade real à margem oriental do rio Maenam Chao Phraya. Sendo uma região de várzea, inundável, a construção exigiu a sua drenagem, dando-se prosseguimentos a trabalhos já anteriormente iniciados com a construção de um pequeno canal. Supõe-se que a comunidade de comerciantes que ali já vivia apoiava o Wat Pho, sendo solicitada a ceder a área, transferindo-se para outra região.

De construções provisórias, de madeira e trançados de palha, construiu-se, aos poucos, um conjunto voltado a restaurar antigas edificações em todo o esplendor fixado na memória. Também a cêrca de paus deu lugar a um muro de alvenaria. Os elos com a antiga Ayutthaya se manifestaram também no fato de se de lá trazer materiais para as novas construções. Em 1785, o palácio pôde ser inaugurado com alguns de seus edifícios, terminados à época da subida ao trono de Rama I. A principal construção de toda a área foi aquela destinada a abrigar a imagem do Buda Esmeralda, de extraordinário significado simbólico para a monarquia, o Wat Phra Kaeo.

Essa singularidade das origens do plano arquitetônico da cidade real, fundamentalmente de natureza reconstrutiva, de revitalização de uma antiga cidade, parece explicar também o fenômeno das constantes remodelações e reconfigurações de edifícios, possivelmente no intuito de adequá-los a imagens e memórias que surgiam à nova luz e a novos impulsos recebidos de contatos.

Cultura luso-siamêsa em Bangkok sob o signo do ressurgimento e da memória

Com a deslocação do centro do reino da destruída Ayutthaya a Bangkok, também a comunidade luso-siamêsa, de secular história, foi transferida. Participou, assim, no plano – e no sonho – do ressurgimento da antiga potência em todo o seu brilho da nova dinastia. Também as suas origens deram-se, assim, antes sob o signo da memória do que da história na sua continuidade linear.

Esse fato não tem sido considerado nos estudos respectivos. O caminho percorrido tem sido aquele aberto pela pesquisa de fontes históricas a partir do século XVI, procurando-se, com base em referências esparsas, reconstruir a história a partir dos primeiros contatos no seu desenvolvimento linear. Nesse procedimento, cria-se um quadro marcado por duas fases, a da antiga Ayutthaya e a da nova em Bangkok, a de uma era remota, encerrada, e a do desenvolvimento histórico que leva à comunidade que ainda hoje se mantém, não se considerando a continuidade possibilitada pela memória.

Há a tendência de julgar-se que a internacionalização do Sião tenha sido um fenômeno desse século: um país marcado por cultura original, autêntica, de remotas origens, ter-se-ia ocidentalizado no contato e no confronto com nações européias de intuitos coloniais e imperialistas. Esquece-se, nessa visão histórica, que o antigo Sião de Ayutthaya já havia tido não apenas uma história marcada por intensas relações internacionais, mas possuia até mesmo parcelas populacionais de europeus e seus descendentes.

Foi com base na memória desses contatos seculares que a história das relações políticas, diplomáticas e culturais do século XIX se desenvolveu, uma vez que elos seculares eram lembrados em atos e tratados. O extraordinário significado da diplomacia cultural na consideração do reino do Sião no século XIX, conhecido na Europa pelo brilho e fascínio exótico das cerimonias e pelos gestos de amizade e cordialidade de seus reis e autoridades parece ter aqui a sua explicação.

Entrega de terreno a Dominicano por Rama I: Campo do Rosário

A própria cessão do terreno aos portugueses para a construção de uma feitoria e de uma igreja por Rama I em 1786, logo após a inauguração do Palácio que retomava Ayutthaya no novo local ocorreu na consciência desse passado marcado por amizade. O rei anunciou essa cessão em carta à Rainha D. Maria I em resposta a uma proposta que esta lhe havia feito de auxiliá-lo na luta contra os birmaneses que haviam invadido o território. Agradecendo, Rama I comunicou-lhe não ser necessário enviar tropas nem materiais bélicos, pois esperava, com as próprias forças obrigá-los a pedir paz. Pedia apenas que desse ordens ao Governador de Goa para este lhe enviasse 3000 espingardas, que as pagaria. O terreno cedido foi entregue ao Fr. Francisco das Chagas O.P., enviado pelo Governador de Goa, com as espingardas, passando a ser conhecido por Campo do Rosário. De documentos conservados em Macau, coligidos e estudados por Beatriz Basto da Silva, o pesquisador tem hoje a possibilidade de obter a elucidação de um caso que já deu ensejo a discussões (Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau II: Século XVIII,  Macau: Direcção dos Serviços de Educação e Juventude 1993, 141)

A oferta de D. Maria I em correr em auxílio ao reino do Sião nessa época crucial de sua história apenas pode ser compreendida sob o pano de fundo de longa história de relações amigáveis e mesmo de favores anteriormente prestados. Assim, o Sião havia apoiado econômicamente Macau com alentados empréstimos em época de necessidades e era um parceiro significativo no comércio.

Já em 1688, quando de uma revolução no Sião, reuniram-se homens de influência na Casa da Câmara de Macau para deliberarem sobre o envio ou não de um barco ao Sião. Decidiu-se enviar uma nave para felicitar o novo rei e para tomar conhecimento se os franceses ainda continuavam senhores das fortalezas de Bangkok. (op.cit. 147). Em 1669, registrou-se a entrada no porto de Macau de um patacho de Miguel Grimaldi, comandado por José Pinheiro, trazendo parte de um empréstimo feito a Macau pelo rei do Sião, no total de 665 cates de prata. O Leal Senado de Macau cabaria de reembolsar esse empréstimo, em prestações, apenas no primeiro quartel do século XVII, como o registra uma notícia de 1718 (op.cit. III, 42). A entrada e a saída de outros barcos documenta intensos contatos entre o Sião e Macau (op.cit. I, 136).  Em 1722, o Praklang do Sião escreveu ao Leal Senado pedindo-lhe remessa de mais alcatifas da Pérsia à Côrte siamesa, que seriam pagas pelo próprio rei. (op.cit. III, 53).

O fato do terreno ter sido recebido por um dominicano, enviado com as armas encomendadas, também não pode ser compreendido sem os seus pressupostos históricos. Também aqui retomava-se um passado, fazia-se com que a comunidade no novo local fosse fundada sob o mesmo signo da ação dominicana como o fora há séculos.

fonte:
Revista Brasil-Europa
Grupo de trabalho sob a direção de
Antonio Alexandre Bispo

 

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A ilha Tioman, no mar do sul da China, desempenhou um importante papel na expansão marítima portuguesa para Oriente.

Nela aportavam para abastecimento de água potável (fazer aguada) nas carreiras entre o Japão, Macau, o Reino de Sião (hoje Tailândia) e a praça portuguesa de Malaca a caminho de Goa.

Por Tioman passou o maior aventureiro português: Fernão Mendes Pinto.

 

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As igrejas portuguesas e os outros edifícios religiosos desapareceram, à exceção da igreja dos jesuítas, da Igreja de São Lourenço e da Igreja de São Pedro, posto que o edifício desta date já do início do século XVIII, quando os portugueses tinham há muito perdido o controlo da cidade. O Colégio da Companhia de Jesus, de cuja igreja ainda se conservam as estruturas, fica situado no ponto mais elevado da cidade, em posição dominante. Inicialmente era uma construção muito fraca e pequena, situação que se manteve até cerca de 1566. O templo primitivo foi doado aos jesuítas pelo bispo de Goa, em 1548 ou 1549, e entre 1561 e 1564, o padre Cristóvão da Costa deu início a um novo edifício. Em dezembro de 1566, essas obras já tinham terminado, faltando apenas forrar os cubículos, mas para isso já havia no local a madeira necessária. No ano seguinte a igreja estava acabada, com os seus vinte e quatro metros de comprimento, dez de largura, e quase nove de altura. A construção definitiva foi planeada pelo visitador Alessandro Valignano, um italiano muito prático em coisas de arquitetura, e que também traçou o primeiro projeto da Casa Professa do Bom Jesus de Goa. Quando esteve em Malaca, em 1577, e viu as instalações dos jesuítas ficou desconsolado com o seu estado, exiguidade e modéstia, decidindo deitar tudo abaixo e fazer uma nova igreja e um novo colégio. Nos oito meses seguintes, deu tal aviamento às obras que as concluiu. Resta hoje uma igreja sem cobertura no corpo, com nave única e larga, e capela‐mor quadrangular, através da qual se acede à sacristia, e daí à torre. Existe um portal axial e mais dois laterais com tratamento sóbrio. Uma outra porta, já próxima do arco‐cruzeiro, dava acesso à zona residencial. Durante o período de domínio holandês, o corpo da igreja foi utilizado como cemitério. Um documento do Arquivo de Haia relativo à remodelação das fortificações da cidade mostra como era a igreja em 1641. É a única imagem que conhecemos do edifício íntegro, com a igreja, a residência e o colégio anexo.

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Pedro Dias
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Em 1690, os ingleses estabeleceram‐se nas três aldeias que viriam, mais tarde, a dar lugar à cidade de Calcutá. Estas aldeias localizavam‐se a cerca de quarenta quilómetros a sul de Hooghli e desde meados do século XVI que os mercadores portugueses aí fixavam residência temporária. Entre aqueles que se transferiram para a nova feitoria britânica contava‐se uma comunidade significativa de indo‐portugueses ou portugueso‐descendentes.
Apoiados por missionários agostinhos, aqueles prontamente fundaram uma primeira igreja, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Esta estrutura, destruída após três anos, foi reconstruída em 1700 na zona de Murghibatta (Bazar das Galinhas), onde morava a comunidade de portugueso‐descendentes. Próximo desse local, iniciava‐se à altura o primeiro Forte William de Calcutá. A igreja beneficiou de obras em 1720, conforme constava de uma inscrição na fachada. Era construída em tijolo e iluminada por janelas abertas próximo da cobertura, sendo descrita como de “estilo ibérico simples”.
Com o saque da cidade pelo nababo de Bengala, Siraj Ud Daulah, em 1756, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi pilhada e um ano mais tarde, com o regresso dos ingleses, transformada em igreja protestante. Esta situação manteve‐se até 1760, quando os missionários do padroado foram reinstalados.
Em 1797, a igreja foi completamente reconstruída segundo projeto do arquiteto inglês Thomas Sayrs. A família Barretto, da comunidade de portugueso‐descendentes de Calcutá, contribuiu para o financiamento das obras, concluídas em novembro de 1799. Atualmente é conhecida como a Catedral de Calcutá, mantendo muito pouco – ou nada – da estrutura de 1700.
Existem ainda duas outras estruturas religiosas construídas pelos missionários portugueses em Calcutá: a Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Bhoitakhana ou Boitaca (1810) e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus (1834). Contudo, estes edifícios dificilmente poderão ser considerados património de origem portuguesa, visto refletirem a influência dominante da administração colonial britânica sobre uma comunidade praticamente desligada do Estado da Índia Portuguesa.

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Em 1511, após a conquista, Afonso de Albuquerque pôs em prática um programa de fortificação, construindo uma fortaleza de tipo tradicional, ao lado da cidade malaia, que a refrega não destruíra. Numa primeira fase, as fortificações definiram a estrutura urbana, pois a segurança dos portugueses aqui residentes foi uma das primeiras preocupações, ocupando a guarnição e as poucas famílias portuguesas ou portugueso‐malaias o interior da fortaleza albuquerquiana.
Uma nova muralha, que circundava o núcleo urbano essencial, fora começada cerca de 1526, no tempo do vice‐rei Pedro de Mascarenhas, mas levou tempo a concluir. Só com Estêvão da Gama, entre 1534 e 1539, é que foi dada ordem expressa para que se levantasse uma muralha do lado de terra, obra que terminou já em tempo do capitão Pêro de Faria. Porém, foi necessário logo de seguida construir uma fortificação com cortinas boas e fortes e baluartes eficazes, que defendessem o núcleo urbano principal, onde tinham sido construídos os principais edifícios públicos e religiosos: a Igreja Matriz e a Casa da Câmara, a Misericórdia, o Hospital dos Pobres, o Hospital Real, o Colégio da Companhia de Jesus, o Paço Episcopal, o Convento de Santo Agostinho e o de São Domingos.
O desenho de 1568 que acompanha o texto da auto‐ ria de Jorge de Lemos, História dos Cercos de Malaca, como o de Gaspar Correia, mostra uma povoação pequena, dividida em duas partes, a da fortaleza, reservada aos europeus, e a que ficava do outro lado do rio, onde viviam portugueso‐malaios, alguns portugueses já estabelecidos e com família, e outras comunidades, que era defendida pela tranqueira, um muro que estava na sua extremidade. No início do século XVII, o núcleo essencial da povoação portuguesa estava ainda dentro da fortaleza, funcionando o velho castelo construído por Albuquerque como casa do capitão.
A cidade buliçosa, do comércio e da pequena indústria, dos armazéns e também de algumas igrejas e templos das outras religiões, ficava do outro lado do Rio de Malaca, atravessável por uma ponte, que arrancava do Terreiro, onde estava também o pelourinho.
Mas nada melhor para perceber a malha urbana de Malaca, nos últimos tempos da administração portuguesa, do que a breve descrição que o seu mais ilustre cronista, e também um dos seus mais ilustres filhos, Manuel Godinho de Erédia, escreveu numa obra que intitulou Informação da Áurea Quersoneso: “Malaca está plantada na costa ocidental da Áurea Quersoneso, quase na barra, e bem ao pé de um formoso outeiro, e ao longo de um caudaloso rio, e a povoação ao presente está dividida em quatro partes e porções. A primeira delas é a do povo da cidade e fortaleza, que toda está cercada de fortes e grossos muros, e soberbos baluartes fabricados de pedra e cal, com muita artilharia de bronze. A segunda povoação é a do povo de além do rio, que se diz a terra de Tanjon Upe, que se estende para a parte mistral ou Noroeste, que tanbém se diz a terra da tranqueira ou do bendara. A terceira povoação é a do povo de Ilher e Buquetchina, que da fortaleza se estende para a parte siroco ou sueste. A quarta povoação é a do povo que vive ao longo do rio, que propriamente se chama povoação (de) Sabá, que se estende com o mesmo rio para tramontana ou Norte”.
Dentro das muralhas os portugueses construíram nos espaços disponíveis, tendo em conta a difícil orografia, com o Morro de Nossa Senhora da Anunciada muito inclinado e custoso de vencer. As ruas, plataformas e escadas conformaram‐se a esta elevação e ao traçado das muralhas. Se excetuarmos os três quarteirões situados por trás da primeira fortaleza e estruturados a partir da Rua Direita, parece não ter havido qualquer planeamento.
À igreja e Colégio da Companhia de Jesus chegava‐se por ladeiras íngremes e sinuosas, que só permitiam construções muito modestas e pequenas. No entanto, do outro lado, dado que tinha um declive menos acentuado, foi possível estruturar uma rua reta, a partir da frontaria das instalações dos jesuítas. As outras linhas de circulação fácil eram as que se situavam ao longo das cortinas, por dentro, quebrando nos baluartes de ângulo.
As ligações entre as ruas internas e os caminhos externos levaram à abertura de quatro portas, além da principal, que dava diretamente para o Terreiro da Alfândega. Uma estava ao lado do Baluarte de São Domingos; a segunda ficava virada ao rio, a norte do Terreiro, e junto do Baluarte de São Domingos; outra ligava a Rua Direita à Rua da Madre de Deus, caminho que ultrapassava a linha de água de Aerlele, e era defendida pelo baluarte com esta última invocação. A última era a Porta de Santiago, situada no seguimento da descida da igreja dos jesuítas, que ainda hoje existe, e que continuava exteriormente pela rua que ia para Ilher.
Enquanto o bairro de entre muros ficava tolhido, prosperava a chamada povoação, que não tinha outros limites que não fossem os meandros do rio e a tranqueira, de onde lhe adveio também a designação de “bairro da tranqueira”, ou trankera, como ainda hoje se diz. Ainda assim, foi construída nova cortina com dois baluartes em frente do paret china, em torno da casa do bendara, o governador e senhor nativo, como as plantas holandesas atestam.
Como as plantas holandesas feitas em 1641 muito bem comprovam, a rede viária estava estabelecida e de forma ordenada por bairros étnicos, baseada em longas e retas vias estruturantes: o campon bendara, o campon chelin, o campon china, e a travessa do bendara, que acompanhava a linha da própria tranqueira, embora algumas dezenas de metros afastada dela. A zona de maior densidade de ocupação, já com ruas a cortarem‐se ortogonalmente e a formar blocos retangulares, ficava junto à margem do Rio de Malaca, em frente da fortaleza e a escassa distância da ponte. Estes documentos gráficos provam claramente que a povoação do tempo dos portugueses ainda existe, e que o seu traçado está intacto.
Do ponto de vista urbanístico, esta área da cidade de Malaca é das mais bem conservadas de todas as que os portugueses tiveram na Ásia, e até muitas das casas, posto que restauradas ou modernizadas, são ainda anteriores ao ano de 1641, quando os holandeses se apoderaram da cidade.

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Pedro Dias
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Como se de um conto de fadas se tratasse, quando habitualmente se aborda a história de Bombaim – hoje Mumbai, Mumbaim ou Mombaim em muitos documentos e cartografia portugueses – começa‐se com o relato de um dote, o de D. Catarina de Bragança por ocasião do seu casamento com Carlos II de Inglaterra, contratado em 1661 e celebrado um ano depois. Nesse dote estavam incluídas duas posições portuguesas, Tânger e Bombaim. É isso que encontramos nos guias de viagem, nas crónicas inglesas, nos panfletos turísticos, etc.
Numa perspectiva mais aberta não é mentira, apenas uma verdade mitigada sobre o arquipélago, hoje assoreado em península, que tomou o nome da ilha que João de Barros batizou a partir do nome da deusa Mumbadevi, adorada pelas comunidades autóctones de kolis (pescadores). Mas os portugueses, cujas naus cedo ali começaram a proteger‐se dos rigores do mar e a fazer aguada e outras provisões, chamaram‐lhe também, enfaticamente, Ilha da Boa Vida. Em todas as ilhas, além de aldeias de pescadores e de um conjunto decadente de tanques e grutas de culto hindu, apenas a cidade de Taná era, no fundo da baía, uma preexistência relevante do ponto de vista da urbanidade e do edificado.
Por si só, a história da Ilha de Bombaim antes da soberania inglesa até não terá muito que seja digno de especial registo. Talvez apenas o facto de ali ter residido Garcia de Orta (1500‐1568), o célebre médico e cientista português do Colóquio dos simples e drogas he cousas medicinais da India…, cuja Casa Grande acolheu a sede de poder inglês. Segundo uma tradição, dela conservar‐se‐á pelo menos um relógio de sol que, contudo, tem inserido o brasão de um governador inglês… Significativamente, em quase todas as abordagens este relógio é o bem que representa um tempo do qual raramente se quer saber algo mais, o tempo de BBB, Bombaim antes dos Ingleses…, designação de um projeto de investigação referenciado na bibliografia, de cujos resultados saiu toda a informação que aqui se sintetiza.
Porém, a Bombaim a que aquelas abordagens se referem foi desde cedo mais do que aquela ilha na entrada da baía do mesmo nome, uma das sete que então a fechavam por oeste. Em muitas delas, a presença portuguesa deixou marcas bem mais significativas e influentes na contemporaneidade que o hipotético relógio de sol de Garcia de Orta. Nos textos de contextualização inicial desta sub‐região foram já registados alguns dados sobre o espaço geográfico e o processo histórico português – designadamente do padroado – no que hoje é a área metropolitana de Bombaim, a Greater Mumbai, que de forma grosseira se delimita entre a ponta de Colaba (sul) a Gorbandel (a norte, frente a Baçaim), a Taná e Caranjá (a nascente).
Importa ainda referir que, face à extensão atual de Bombaim, que inclui núcleos que durante a soberania portuguesa estavam separados, os respectivos edifícios e raras estruturas urbanas dignas de nota são também autónomos. Se aqui nos ativéssemos apenas à original Ilha de Bombaim e ao que nela resta de vestígios da soberania portuguesa, além da referência ao relógio de sol nada mais poderíamos acrescentar, uma vez que não é possível entrar no perímetro militar (a Base Naval de Bombaim), onde se encontra. Mas fotografias de há cerca de um século permitem suspeitar que ainda ali poderão existir mais alguns elementos da Casa Grande de Garcia de Orta. Outras construções de origem portuguesa, como igrejas, já há muito desapareceram ou foram substituídas, do que é bom exemplo Nossa Senhora da Esperança, erguida pelos franciscanos cerca de 1565 e que se localizava bem próximo do atual VT (Victoria Terminal), um dos dois mais importantes terminais ferroviários da cidade. Dela subsiste apenas, em Cross Maidan, o cruzeiro que delimitava o adro.
Segundo John Fryer (1672‐1681), na vila de Bombaim viviam confusedly portugueses e indianos das mais diversas castas. As casas eram pequenas, caiadas, com janelas de carepas e cobertas com colmo, com exceção para os edifícios públicos, que eram cobertos com telha. Refere ainda como na vila da ilha vizinha de Mazagão existia uma Igreja de Nossa Senhora da Glória e um santuário numa colina, bem como em outra ilha, Mahim, uma Igreja de São Miguel. Ambas as invocações subsistem em edifícios mais recentes onde, apesar de tudo, inscrições e pedras tumulares, entre outros elementos, denunciam de forma clara as origens dos templos e comunidades. São meros exemplos de situações recorrentes.
Seguindo o critério geral da obra, se ficássemos pela Ilha de Bombaim ou até adicionando‐lhe as outras seis do arquipélago, ficaríamos sem aqui poder deixar uma nota específica sobre o que da antiga soberania portuguesa na Greater Mumbai é, de facto, mais relevante: como na articulação estruturante da grande metrópole têm papel os antigos núcleos com origem ou influência portuguesa, que vão bem além do que era o perímetro da ilha e, bem assim, além do seu arquipélago de origem. Núcleos que, quando conservam vestígios arquitetónicos de origem portuguesa já identificados, são nesta obra tratados em diversas entradas com localização toponímica autónoma [e.g. Bandra, Belapur (Belaflor do Sabayo), Dongri, Erangal, Ghodbandar (Gorbandel), Karanja (Caranjá), Mandapeshwar (Manapacer), Manori, Nandakal, Thane (Taná)], mas também nos textos genéricos “Arquite‐ tura Religiosa” e “Arquitetura Militar” desta sub‐região/ secção, a Província do Norte.
O contrato de casamento celebrado entre as coroas portuguesa e inglesa incluía Bombaim no dote da princesa portuguesa, sem contudo definir com detalhe o que isso significava, o que gerou um conflito de contornos e história imbricados quando os ingleses se apresentaram no local para tomar posse. No essencial, para os portugueses o objeto do contrato era a Ilha de Bombaim, para os ingleses o conjunto de ilhas que incluía o arquipélago de sete pequenas ilhas onde aquela se insere – Colaba, Old Woman’s Island (Colaba Pequena), Bombaim, Mazagão, Worli (Varoli), Mahim, Parel – e as de Salcete, Trombay (Turumbá) e Karanja/ Uran (Caranjá), ou seja, toda a envolvente da baía que, grosso modo, hoje compõe a Greater Mumbai. Por fim, em 1665 Portugal cedeu as ilhas de Bombaim, Mazagão e Parel, o que na prática e a prazo significou ceder as referidas sete ilhas, mantendo apenas Salcete, Turumbá e Caranjá, as maiores e separadas do continente apenas por rios e canais estreitos. São aquelas sete ilhas que hoje constituem a cidade de Bombaim propriamente dita, ainda que já seja difícil distingui‐las do contínuo urbano que a rodeia, designadamente de Salcete.
Na realidade os ingleses não desistiram e não só foram desenvolvendo algumas ações de provocação, como tiraram o proveito possível da conquista marata, que culminou com a perda de toda a Província do Norte em 1740, para depois, no eclipse do poder destes nas últimas décadas do século XVIII, acabarem soberanos de todo o território até à Independência da Índia em 1947. As características de segurança intrínsecas à situação insular, aliadas à proximidade do continente e às excelentes características portuárias da baía (abrigada dos ventos dominantes e de águas profundas) determinaram‐lhe um desenvolvimento ímpar e necessariamente unitário.
O centro do poder inglês na região estabeleceu‐se na antiga casa senhorial fortificada de Garcia de Orta, que desenvolveram, cedo ganhando maior dimensão e expressão urbana e militar. Em 1687, o centro de operações da Companhia Inglesa das Índias Orientais de Surate mudou‐se para ali, sendo que as ilhas inglesas lhe foram alugadas no ano seguinte. Em 1718, o núcleo urbano desenvolvido em torno das estruturas portuguesas iniciais foi envolvido por um forte. Fort é hoje o centro do centro histórico de Bombaim e dali irradiou o processo de sprawl que, com diversas ações de aterro para ligar as várias ilhas, foi aglutinando os pequenos núcleos rurais e urbanos com marcas portuguesas, que por sua vez tinham crescido por si próprios.
Mazagão (de que subsistem algumas estruturas no bairro de Mathar Packadi), Parel, Mahim e Sião eram, nas sete ilhas, os principais núcleos urbanos com alguma relevância, uns com vocação piscatória, outros agrícola. Hoje são bairros ativos na morfologia e complexa vivência da cidade. Também aldeias de pescadores como Varoli, Girgão (de que subsistem algumas estruturas no bairro de Khothachi Wadi), Kalbadevi, Vadala e Dadar são hoje bairros da cidade. São referidas nos documentos e nos magníficos levantamentos cadastrais britânicos de Oitocentos – Thomas Dickinson (1812‐1816) e G. A. Layghton (1865‐1872) – na maior parte dos casos como Portuguese Church e Portuguese Manor.
Esse crescimento em sprawl pouco estruturado, do tipo a que o jargão especializado designa pormancha de óleo, integrou assim o que foi encontrando pelo caminho, pouco ou nada destruindo, mas transformando, ampliando, adaptando sucessivamente às novas realidades. Só de há alguns anos a esta parte, o extraordinário surto económico indiano tem desencadeado em Bombaim ações imobiliárias e de infraestruturação que, pela sua natureza, escala e dinâmica, estão a obliterar muito do que de origem ou influência portuguesas era possível encontrar no meio daquela sempre complexa e buliçosa metrópole.
O assoreamento natural e os aterros ligaram, de forma por vezes quase irreconhecível, as sete ilhas que constituem a cidade cabeça da metrópole e permanecem separadas da maior de todas, Salcete, pelo esteiro de Mahim. Entretanto ligaram‐se a Turumbá e esta a Salcete. Esta ilha é bem maior do que todas as demais e está separada do continente por um rio‐canal, o Ulhas, que em tempos permitia a sua circum‐navegação, ou seja, da baía até ao mar por norte. Foi no ponto mais estreito desse canal, hoje assoreado, que se desenvolveu o primeiro pólo regional, Taná, uma antiga capital regional e próspero centro de produção de têxteis, de que os portugueses se assenhorearam a partir do acordo de 1534, que lhes concedeu a soberania da região da cidade de Baçaim. Esta foi uma cidade que desenvolveram a partir de uma feitoria implantada da banda norte da barra daquele rio.
Não só pela sua dimensão e relevância económica, mas também pelo facto de a soberania portuguesa ali se ter mantido por mais três quartos de século, Salcete é, em toda a Greater Mumbai, a área que conserva mais elementos edificados de origem portuguesa. Era uma ilha rica e bastante povoada, aliás dotada de diversos conjuntos de templos, tanques e grutas sagradas de culto hindu, com especial destaque para as que hoje se encontram dentro do grande parque natural de Kanheri, a única grande área dentro da Greater Mumbai que não está e não será urbanizada. Em Salcete persistem grandes comunidades católicas, sendo talvez o seu principal centro Bandra, no extremo sudoeste da ilha. Mas em Ambolim, Daravi, Erangal, Gorai, Gorbandel, Goregão, Madh, Marol e Versova sucede o mesmo, e por ali existem ainda relevantes testemunhos edificados da sua origem.
Por substituição, um número considerável de espaços sagrados hindus foi local de fixação da missionação do Padroado português, aqui especialmente protagonizado por franciscanos e jesuítas, que também fundaram igrejas junto das aldeias de camponeses e pescadores. Também os foreiros portugueses – nem todos reinóis, pois muitos deles eram goeses a quem o Estado da Índia assim reconhecera serviços – ergueram casas ou torres, porque a isso eram obrigados pelo estatuto da sua concessão. A coroa considerava essa, a milícia, uma das melhores formas de segurar o território, o que dava origem a que muitas dessas casas, como aliás também alguns conventos e igrejas, fossem fortificadas.
A tomada de soberania pelos ingleses e maratas forçou os portugueses a retirarem‐se do território, o que foi extensivo ao clero. No entanto, a medida não abrangia os indianos, e assim a presença do Padroado manteve‐se. No texto de enquadramento deste volume, a questão do conflito entre o Padroado e a Propaganda Fide para a jurisdição do espiritual católico no que é hoje a Greater Mumbai foi já suficientemente caracterizada. No entanto, faltou dizer que muitas das igrejas portuguesas foram sendo paulatinamente substituídas por outras, por vezes mudando a invocação, o que hoje dificulta a respectiva localização. São muitos os casos e, assim, não cabe aqui a sua listagem. De qualquer das formas, o mapa em anexo dá‐nos uma ideia da sua quantidade e densidade, a qual por vezes teve implicações toponímicas. Note‐se, por exemplo, como até há relativamente pouco tempo o aeroporto internacional de Bombaim tinha como designação a do local onde se implantou: Santacruz.
Além das casas, conventos e igrejas fortificados, a segurança do território era provida com uma rede de torres e pequenos fortes, dos quais subsistem elementos com presença assinalável, por vezes profundamente transformados pelos ingleses. Bandra, Madh, Dongri, Versová, Belaflor do Sabaio, Colaba, Caranjá e Taná são alguns dos seus locais, lista sempre conspícua, sendo que o último é, por certo, o mais impressionante, em especial se relacionado com o conjunto de estruturas mais pequenas, dispostas sistemicamente ao longo do rio. São marcas indeléveis na paisagem da Greater Mumbai, tal como os dois grandes eixos de acesso viário ao centro da cidade, no extremo da península que hoje é aforma urbis de Bombaim. Resultam do cerzir sequencial das vias que inicialmente atravessavam as ilhas e eram marcadas quase sistematicamente pela implantação dos templos católicos. Ainda atualmente quando, por exemplo, os percorremos no táxi que nos leva do aeroporto ao centro, vamos passando sucessivamente pelas igrejas que substituíram as que os agentes do Padroado ali foram erguendo.
Espera‐se que, uma vez lido este texto – e, essencialmente, observado o mapa que para ele se elaborou, onde as seis dezenas de itens assinalados correspondem a elementos que, adulterados, arruinados ou renovados, existem – essa percepção deixe de ser inocente, passando‐se a sentir o quanto a antiga soberania portuguesa marcou a paisagem e a estrutura urbana de uma das mais fascinantes metropoles da Ásia. Espera‐se pois, que para além do dote de D. Catarina de Bragança ser o tema de abertura de qualquer abordagem à história de Bombaim, se perceba que, através dele, também a futura metrópole foi dotada de um indelével conjunto de marcas de origem portuguesa.

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Walter Rossa
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São raras as cidades urbanisticamente fundadas ou estruturadas pelos portugueses que completaram o seu ciclo de vida, mais ainda se tiveram uma prestação comparativamente relevante. Assim aconteceu com Baçaim, versão portuguesa de Vasai (Baçaim de Cima). Na prática foram apenas dois séculos (1534‑1739), uma vez que antes e depois da vivência portuguesa a consistência e a relevância urbanas nunca ali coexistiram. Desde logo e em suma, se existiu uma cidade exclusivamente portuguesa no Oriente essa foi, decerto, Baçaim.
Tudo isso foi reforçado precisamente pelo facto de ter sido abandonada e se ter mantido selvaticamente desocupada até há muito pouco tempo, como se se tivesse mantido portuguesa enquanto se arruinava. Ganhou, aliás, o estatuto local de cidade fantasma, para o que contribuiu de forma determinante o considerável conjunto de lápides funerárias que permaneceram no solo das igrejas. Nelas lemos o estatuto senhorial dos seus moradores, o que levaria o padre Manuel Godinho a escrever em 1655 serem “em Baçaim tantos os dons, assim de homens, como de mulheres, que vieram a chamar a aquella cidade dom Baçaim […] 300 fogos de portugueses, cristãos naturais 400”. É um epíteto que a história confirma, pois a cidade foi cabeça de um território – a Província do Norte – no qual os portugueses, pela primeira vez fora da Europa, desenvolveram uma ocupação terratenente de matriz feudal. Mas nisso teve papel crucial a Igreja, e não apenas uma fidalguia embarcada.
Não foi obra do acaso. Ao longo da longa governação de Nuno da Cunha (1529‑1538), foi evidente como a consolidação e fortalecimento do ainda imberbe Estado da Índia passava, em muito, pelo fortalecimento da capitalidade de Goa e obtenção de território que não só pudesse fornecer bens básicos de subsistência, como terra que sedimentasse uma estrutura nobiliárquica de apoio. Contingente que de forma alguma seria exclusivamente português, integrando também goeses das castas mais altas. Um tipo de miscigenação que não é habitualmente referido enquanto tal e que se intensificaria em Goa a partir de 1543, com o crescimento do seu território bem para além da inicial Ilha de Tiswadi.
No processo de ocupação daquele território, após a instalação em Chaul e o assédio a Diu, foi determinante a pressão que o império mogol simultaneamente exercia sobre os domínios gujarates do sultão Bahadur, pois isso levou‑o a procurar uma aliança com os portugueses após um primeiro ataque e razia em 1529, seguido de outro a 20 de janeiro de 1533. A pedra de toque dessa aproximação foi a cedência dos domínios do território de Baçaim e, menos de um ano depois, a autorização para uma instalação fortificada em Diu e também junto à feitoria entretanto erguida a cerca de três quilómetros a sul da cidade de Vasai, sobre a margem norte do Rio Ulhas. No seu todo, Vasai era também uma ilha, separada do continente por um canal norte‑sul que unia aquele rio ao Vaitarna, a norte. O episódio da tomada de posse do território correspondente, em dezembro de 1534, é simbólico e praticamente único na história da presença portuguesa no Oriente, pois consistiu num autêntico ato de prestação de vassalagem.
Nuno da Cunha fez‑se representar por Martim Afonso de Sousa e outros oficiais, incluindo o futuro feitor. Segundo Gaspar Correia, em Lendas da Índia, o representante de Bahadur chamou a Vasai “todolos tanadares das terras, e a todos mostrou a chapa do Badur que mandava que todos avião d’acudir com as rendas ao feitor, que lho mostrou, e em todo lhe avião d’obedecer como fazião a ElRey; o que todos a huma voz outorgarão, pondo as cabeças no chão, e cada hum meteo na mão do feytor hum raminho d’erva cheirosa, ou froles, em sinal de obediência.” Os chefes locais da área dominada pela cidade‑porto de Baçaim colocaram-se assim sob vassalagem portuguesa. Na realidade, a estrutura socioadministrativa existente era e permaneceu feudal. O tipo genérico para a unidade base da estrutura fundiária era o prazo, figura institucional senhorial muito semelhante à preexistente. Pela primeira vez no Oriente, os portugueses tinham rendimentos da terra.
Entre as anexações de Manora e Açarim (1556) e a cessão em dote à coroa inglesa das ilhas de Bombaim, Mazagão e Parel (1661‑1665), os limites do distrito de Baçaim sofreriam variações irrelevantes, apesar dos constantes conflitos diplomático‑militares com os vizinhos. Em 1557, a ocupação de Damão e a correspondente anexação dos territórios que compuseram o seu distrito consubstanciou a formação da Província do Norte, da qual Baçaim era a cabeça, a Capital do Norte. Para tal e como tal fizera-se cidade pois, a exemplo do que já sucedera em Cochim e Chaul e viria a acontecer em Damão, os portugueses não se instalaram na Vasai preexistente. Eram posições negociadas e autorizadas, não conquistas, do que são boas provas as garantias de manutenção de liberdade religiosa.
Continuando com o revelador discurso de Gaspar Correia, sabemos que desde logo Martim Afonso de Sousa ordenou a construção da feitoria no “lugar mais convinhavel pêra depois se fazer fortaleza, como se fez, porque do mar entrava hum esteiro pola terra, e fazia volta, que ficava como ilha. No qual logar fez huma grande casa com grande alpendere, e diante grande terreiro cerquado d’estacada, e entulhado, que ficava hum tavoleiro alto; e junto da casa outras, assy grandes, pêra alojamento de mercadarias; e fez casas pêra officiais, e pêra cem homens que avião de ficar ally com o feitor, porque ouve pedra e cal e muyto aviamento pêra isso: o que tudo foy cerquado de grossa estacada, e per dentro valados; onde a gente da terra acodio com cousas de comer a vender, em que se fez bazar, e botiqueiros canarys, e começou a crecer povoação, porque a gente daterra achavão nos nossos mais larguezas que nos mouros, e começarão acodir ao feytor com as rendas, em que o dinheiro foy muyto mais do que cuidou.” Assim floresceu Baçaim, ganhando a forma que, numa sua primeira representação iconográfica, Gaspar Correia juntou à sua narrativa.
Porém a essência da imagem urbana definitiva, até hoje patente no local, só ficou completa com a muralha abaluartada que, a partir da década de 1550, a foi envolvendo e destacando ainda mais do território circundante. Conforme já Gaspar Correia relatara, a cidade desenvolvera‑se sobre uma quase‑ilha no sul da Ilha de Vasai, uma vez que de sudoeste era limitada por mar, de sudeste pelo Rio Ulhas (hoje a praia está populosamente transformada na aldeia de pescadores e marnotos, da casta koli, Vasai Koliwada) e de nordeste por um esteiro que chegava a inflectir e a proteger parte da frente noroeste. Tudo numa configuração que lembra Chaul. Da muralha dá conta a entrada seguinte, sendo que aqui nos importa levar em linha de conta que envolveu a totalidade da cidade existente, mas também uma ampla área alagada a nordeste – cerca de um terço do total – na qual não só existia pesca, mas também se podia cultivar arroz.
Os outros dois terços eram a cidade em si, centrada na fortaleza inicial e na grande praça anexa. Ainda através de Gaspar Correia, confirmado por Castanheda, e apesar do que depois relata no trecho atrás transcrito, sabemos que, após um primeiro ataque e saque em 1529, os muçulmanos haviam iniciado a construção de estruturas defensivas no local, designadamente uma tranqueira e um forte, que os portugueses destruíram na incursão no dia de São Sebastião de 1533, pois “el Rey de Cambaya começava de fazer outro Diu”. Não sabemos até que ponto as ruínas dessas estruturas terão ou não sido aproveitadas posteriormente, como tantas vezes sucedeu, mas há fortes indícios dessa reconstrução/reutilização.
Castanheda relata que logo após a posse em finais de 1534 “mandou o governador fazer hua casa forte por não poder fazer logo a fortaleza, & esta serveria de feitoria”. Como vimos há pouco, menos lacónico foi Gaspar Correia. Logo no ano seguinte, e marcando o futuro centro urbano, foi erguida a igreja paroquial de Nossa Senhora da Vida. Numa cerimónia específica em março de 1536, Nuno da Cunha determinou o lugar e deu início à construção de um forte. Segundo Castanheda, “E por fazer honra a Antonio galuão […] quando ouve de abrir os alicerses da fortaleza, mãdoulhe que desse as primeiras enxadadas, & posesse a primeira pedra, estãdo hi Garcia de saa [primeiro capitão de Baçaim], & outros muytos fidalgos”.
A construção do Forte de São Sebastião levou três anos, tendo sofrido diversas obras posteriores, designadamente a construção em 1606 de um portal clássico monumentalizante. A rara forma do seu perímetro – um pentágono irregular com três baluartes cilíndricos, entre si quase equidistantes, e um arremedo de torre de menagem, que também funcionou como tronco – parece indiciar o aproveitamento de pré‑existências, tal como o poço/cisterna que ainda hoje serve a população de Vasai Koliwada e, senão todos, pelo menos o baluarte que divide os dois paramentos do lado norte. A nascente e no interior ergueu‑se a residência inicial do capitão. A poente, mas de fora e com uma implantação intrigante, surgiria pelos meados de Quinhentos a Igreja da Misericórdia que surpreendentemente tinha um dos acessos dando diretamente para o recinto do forte. No quarteirão, fronteiro desenvolver‑se‑iam as respectivas dependências assistenciais, as quais incluíam uma capela.
Por ordem de D. João III ao vigário‑geral de Goa e sobre um templo preexistente, em 1547 foi erguida em posição ribeirinha com a cabeceira contígua à feitoria (que por sua vez seria transformada em celeiro público) a Igreja Matriz de São José, curioso exemplar de nave única com torre/fachada axial sobre nártex. A renovação implementada pelo arcebispo Frei Aleixo de Meneses, durante a visita pastoral que realizou à Província do Norte em 1598, obra concluída em 1601, dotou o conjunto de uma escala e lançamento pouco comuns. O que resta da torre ergue‑se ainda a bem mais do dobro da altura do posterior muro defensivo adjacente, rematando-se em plano horizontal e com uma balaustrada em grade. É, sem dúvida, um exemplar raro entre a arquitetura portuguesa e com uma presença marcante na paisagem urbana. Era frequentemente designada por Sé, pese embora o facto de Baçaim não ser sede episcopal.
No extremo oposto da cidade, e no mesmo ano, os franciscanos abriram num edifício modesto um colégio. Ao lado, iniciaram a construção do Convento de Santo António, que, no essencial, ficou pronto numa década. É o conjunto conventual que, pese embora o adiantado estado de ruína, mais tem atraído os visitantes, até porque ainda possui um considerável número de pedras tumulares. Urbanisticamente relevante é a expressiva citação da galilé com terraço superior de São Francisco de Évora, que dava acesso ao templo e servia a portaria do convento e do colégio.
Daí caminhando em direção ao centro pela rua paralela ao perímetro sudoeste da cidade, encontramos o pouco que resta da casa agostinha. Na já referida visita apostólica de Frei Aleixo de Meneses, membro daquela congregação, receberam da arquidiocese a Igreja da Anunciada, a que de imediato acrescentaram as dependências conventuais, tudo comprimido entre franciscanos, muralha e jesuítas. O conjunto edificado destes – o Colégio Jesuíta do Sagrado Nome de Jesus – detém a frontaria de traça mais erudita da cidade e uma das arquitetonicamente mais importantes de todas quantas sob dominação portuguesa se ergueram na Índia. A Companhia decidiu instalar‑se em Baçaim em 1549 durante uma visita, a terceira, liderada por São Francisco Xavier que, aliás, em 1631 viria a ser nomeado padroeiro da cidade, substituindo São Sebastião. A construção do complexo só seria levada a cabo entre 1561 e 1563, ou seja, a par com a da muralha. A articulação dos módulos fundamentais do conjunto, igreja, colégio e retiro, é denunciada na organização da praça fronteira, uma das mais vivenciadas da cidade.
Contudo, no que respeita a tamanho, é o último dos conjuntos conventuais – o dominicano – o mais expressivo. Instalaram‑se em 1564 no limite edificável nordeste, a meio da cidade, ou seja, sobre a praça principal. É a única grande estrutura religiosa afastada de elementos defensivos, o que se explica pelo facto de, ao contrário das demais, ter sido iniciada com a muralha já cordeada. Igual sucedeu com os hospitalários de São João que, como em Damão, chegaram para substituir a Misericórdia na sua componente hospitalar. De forma modesta, instalaram‑se a norte.
O complexo dominicano e o Forte são as balizas essenciais do lugar central da cidade, a praça, não apenas pelas funções específicas do tipo ou dos equipamentos em presença, mas também pelo seu claríssimo papel de charneira na morfologia da cidade. Imediatamente a sul do convento ergueu‑se o Palácio do General do Norte, com a sua fachada principal organizada no piso inferior segundo nove portas sem hierarquia, a que correspondem no piso superior os elementos de uma arcaria delimitando um generoso e profundo balcão.
A uma centena de metros e olhando o nascente, opunha‑se‑lhe a Casa de Câmara e Cadeia, com construção epigrafada para o ano de 1639 e partido arquitetónico semelhante, mas em cinco módulos e arcaria no piso térreo, tudo de menor proporção. Ao centro, mas descaindo um pouco sobre o cilíndrico baluarte nordeste do Forte, erguia‑se, imprescindível, o símbolo urbano do poder: o pelourinho. Sobre o norte organizava‑se o mercado, sendo muito provável que o Bazar do Peixe, já quase sobre a reserva setentrional, contasse com uma estrutura edificada. Em posição que se desconhece, construiu-se em 1611 a Casa da Moeda.
Em perfeita articulação com as vias que partiam da ribeira e atingiam a praça, ruas tendencialmente retas estruturaram a noroeste uma malha de hierarquia rua/travessa de trinta e seis e vinte palmos, respectivamente. Assim se vislumbra um processo de racionalização do traçado urbano semelhante às criações e ensanches urbanos realizados em igual período por todo o universo português. No primeiro relance para uma próxima análise morfológica desse partido urbanístico, assumiram evidência não só as duas ruas que acediam à praça de sudeste e sudoeste, tendo no seu enfiamento a Casa de Câmara (a dos Ourives) e o Palácio do Governador (a dos Casados), mas também a implantada mais a sul, a Rua de São Paulo, pois sendo a única a não passar pelo largo, ligava a ribeira com São José, a porta do Forte, o Hospital dos Pobres e o conjunto conventual sudoeste.
Importantes eram ainda as ruas que ligavam a praça ao terreiro de São Francisco junto à Porta de Terra, a Rua Direita que enfiava opostamente as frontarias das igrejas da Misericórdia e de Santo António, a dos Nobres, que partia entre a Misericórdia e a Casa de Câmara e Cadeia e tinha a meio curso a Casa do Sal, erguida em 1617. Note‑se a vincada intencionalidade urbanística no cordeamento das ruas em função das frontarias de importantes edifícios públicos. Igual sucedia a partir da fachada principal da igreja dominicana de São Gonçalo.
Baçaim tinha as ruas pavimentadas, caso único entre as cidades portuguesas no Oriente, e três cisternas abastecidas de barco a partir das nascentes puras da outra margem do rio, para além de vários poços que ainda hoje servem. Estas infraestruturas eram o resultado ou corolário de um espaço público com características únicas em todo o Estado da Índia e que é essencial para a compreensão global da urbanística portuguesa. Ainda em 1726 comentava o deão da Sé de Goa, Henrique Bravo de Morais, nasNotícias do Arcebispado de Goa, que Baçaim era “uma das mais limpas [cidades] que hoje temos neste Estado, onde não se acham pardieiros como em Chaul, nem monturos como em Goa.”
Confrontando as múltiplas descrições com os vestígios existentes e descontando algo por conta do mito e dos incontornáveis encantos das ruínas, no seu todo a arquitetura seria de uma qualidade equiparável aos melhores recantos ou conjuntos portugueses de então (ver entradas relativas a algumas das ruínas). As questões fundiárias e, assim, socioeconómicas serão a melhor forma de compreender e explicar o investimento numa arquitetura e num espaço urbano qualificados. E para tal recordemos como Baçaim foi sempre um dos postos mais rentáveis de todas as posições portuguesas no Oriente.
Mas é também necessário levar em linha de conta que em 17 de maio de 1618 a cidade foi vitimada por uma catástrofe natural de consideráveis proporções. Uma terrífica tempestade seguida de terramoto e maremoto arrasaram a maior parte dos seus edifícios. Manuel de Faria e Sousa na Ásia Portuguesa – onde, aliás, data o acontecimento de 15 de agosto – lista dois mil mortos na povoação e na veiga e refere que “quase todos os templos foram deitados por terra”. A descrição publicada dois anos depois em Lisboa considerou o acontecimento castigo divino pelos excessos imorais na vivência da cidade e região. Contudo, a prosperidade económica conduziu a uma reconstrução relativamente célere que, por certo, não só atualizou como apurou a qualidade do edificado.
Note‑se, entretanto, que quando assim se caracteriza a cidade de Baçaim não se têm como referência edifícios de grande escala ou impacto estético polarizando sistemas urbanos, mas uma determinante harmonização, um equilíbrio, entre edifícios privados e equipamentos públicos e civis, para o que concorria a existência de uma sensível diferenciação de sectores.
Com menor artificialidade também internamente se definira o zonamento. O setor inicial, compreendido entre o Forte e a Alfândega e a meio do qual surgiria na muralha a Porta do Mar, agrupava pequenas comunidades de comerciantes e artífices, o que aliás definiu a toponímia (ruas dos Ourives, dos Sapateiros, etc.). Para aí adivinha‑se um traçado urbano algo difuso, com bem prováveis menores dimensões dos lotes e opulência arquitetónica. Entre o Forte e a Porta de Terra desenvolvia‑se o sector preferencialmente residencial, de maior regularidade e constância de traçado e onde as ruínas indiciam lotes mais generosos. Maioritariamente se ergueriam, em ruas como a dos Casados e dos Nobres, as casas dos fidalgos de Baçaim, algo repetitivas nos seus sobrados, amplos balcões, varandas e grandes vãos com gelosias e/ou caixilhos de carepas. Era esse bairro delimitado a sul por um cordão de instituições conventuais adossadas à frente marítima da muralha.
Paisagisticamente, o conjunto urbano era imponente, com edifícios na ordem dos oito a dez metros de altura média, igrejas com cornijas ou beirados a doze ou quinze metros e torres atingindo os vinte ou trinta. Tudo bem acima das muralhas, que têm em média nove a dez metros de altura e os muros do Forte de São Sebastião apenas metade.
Apesar dos estragos produzidos pelo terramoto de 1993, à data da nossa última visita a ruína, em 2007, era ainda imponente. Desde então, contudo, tem sido objeto de um programa de refuncionalização como atração turística, que não tem ido no sentido da valorização e salvaguarda, pese embora estar sob a alçada do Archeological Survey of India. O conjunto foi há muito esventrado por um arruamento este/oeste cuja implantação não é inocente e levou à demolição da muralha em dois pontos. Ao longo dessa via, para além de ter sido erguido um monumento a Chimaji Appa – o conquistador marata – surgiram dois pequenos conjuntos habitacionais para funcionários alfandegários. No centro da antiga cidade e fora da sua lógica urbanística erguem‑se dois templos modestos, igual sucedendo a meio do sifão da Porta de Terra, obstruindo a passagem.
Junto a esses templos existe grande charco, iludindo a velha praça. É o mais expressivo símbolo da decadência a que cidade e ruína têm estado sujeitas pois foi escavado para o abastecimento de água à refinaria de açúcar que em 1852 foi instalada na Igreja e Hospital da Misericórdia e na primeira Casa do Capitão, alugados para o efeito a um major do exército britânico. Com efeito, os ingleses, além de transformarem a cidade num inacessível posto militar (1818‑1830), aceleraram a destruição dos edifícios existentes, chegando a dinamitar alguns. Isso concluiu o abandono então em curso. Ao fim de poucos anos a fábrica falia. Baçaim passara definitivamente a Fort Vasai, o fantasma da cidade.
Após a rendição portuguesa em 16 de maio de 1739, a vida urbana sob domínio marata subsistiu por escassas décadas. A cidade passou a designar‑se Bijapûr e foi um dos palcos e pretextos da prolongada e complexa disputa anglo‑marata. Portugal, na sequência do ímpeto que levou às Novas Conquistas de Goa e ao ensaio pombalino de reforma do Estado da Índia em 1774, chegou a armar uma esquadra para recuperar a cidade, mas a Companhia Inglesa das Índias Orientais antecipou-se e a iniciativa foi gorada face à perspectiva de um embate insustentável. A queda de Baçaim e da Província do Norte fazia parte de uma conjuntura bem mais ampla e geograficamente extensa. Era o longo reajuste do Império face à nova realidade do Antigo Regime e do Novo Mundo, do qual o reformismo pombalino foi corolário e, simultaneamente, ocaso.
Nesse tipo de processos, o abrandamento da disciplina e dos costumes acaba por sempre ser causa e consequência. Não deixa de ser significativo que entre os frequentes surtos epidémicos a historiografia de Baçaim, por regra, apenas destaque o de 1719 que, pese embora o considerável estrago demográfico, foi mais desastroso no âmbito moral. A cidade já então lentamente se esvaziava da população que lhe dera sentido. O território dependente, de ameaçado passara a retalhado, primeiro pelos ingleses com a aquiescência portuguesa, depois pelos maratas com a ambiguidade britânica. Os rendimentos de tipo fundiário desapareciam e com eles a motivação, a razão de ali permanecer. O modelo sociocolonial adotado e intrinsecamente implementado com a formação da Província do Norte do Estado da Índia ruía e com ele ruiu a respectiva capital.

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HPIP
Walter Rossa
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O território original de Nagar‐Havelly foi cedido aos portugueses por tratado em 17 de dezembro de 1779 e alargado através de retificações em 1785. Contudo, por cláusula do primeiro tratado, os portugueses estavam impedidos de construir qualquer fortificação ou mesmo estrutura perene no território cedido.

Até 1851, data em que se estabelecem algumas repartições administrativas na aldeia de Dadrá, o território de Nagar‐Havelly não teve praticamente nenhuma interferência do estado português, ficando a sua exploração económica a cargo dos rendeiros das respectivas aldeias, sistema conhecido como de patelados.

A vila de Paço d’Arcos, mais conhecida por Silvassa, foi fundada em fevereiro de 1885 com o objetivo de se tornar sede do concelho da praganá Nagar‐Havelly, suplantando Dadrá. A fundação de um novo centro administrativo reflete a vontade de aprofundar a exploração económica do concelho, especialmente a indústria florestal. Localizada numa zona muito sub-desenvolvida e escassamente povoada por indianos de cultura tribal, Silvassa cresceu a partir de estruturas básicas.

Entre 1886 e 1892 construíram‐se três edifícios, apelidados de bangalós, onde ficaram instalados os elementos indispensáveis à administração: a casa do governador, os paços do concelho e dependências para um destacamento policial e funcionários públicos.
Culminou este processo a construção da igreja paroquial de Nossa Senhora da Piedade e a decisão de desligar a administração de Nagar‐Havelly de Damão, colocando‐a diretamente sob o governo de Goa em dezembro de 1899.

Em 1931 o centro de Silvassa compreendia um amplo terreiro, em redor do qual estavam implantados a igreja paroquial, o edifício onde funcionava a administração do concelho, os edifícios da fazenda, a ambulância e os correios e telégrafo.

A alguns metros para sul situava‐se a capela dedicada a São Francisco Xavier.
A norte do terreiro localizava‐se a esquadra da polícia e outras construções da municipalidade.
A poente ficava a casa do governador.

As ruas principais, dispostas segundo um traçado regular em quadrícula, eram ladeadas por árvores.
As casas particulares tinham geralmente um piso e amplos balcões cobertos.

Posteriormente, construiu‐se uma escola primária no lado poente do terreiro.

Em 1954 Nagar‐Havelly foi ocupado por forças insurgentes que colocaram o território sob a República Indiana.

Desde então o desenvolvimento de Silvassa tem acompanhado o da indústria estabelecida em redor, atraída por benefícios fiscais. Permanecem alguns edifícios da administração portuguesa – incluíndo um dos bangalós originais – e as duas edificações religiosas, embora muito alteradas.

O legado mais relevante talvez seja o traçado urbano, com escala desafogada e desenho regular.

fonte:
HPIP
Sidh Losa Mendiratta
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Localizado na margem norte do rio do mesmo nome, o Forte de Tiracol constitui o limite norte do território goês, numa zona já muito marcada pela influência do vizinho estado de Maharashtra.

Conquistado em 1746 à dinastia marata dos bonsulós (bhonsale) do reino de Sawantvadi, pelo vice‐rei marquês de Castelo Novo, no contexto do alargamento territorial de Goa, o Forte de Tiracol foi palco de revoltas e escaramuças até inícios do século XX.

Implantado em posição sobranceira ao rio, o forte apresenta uma forma retangular orientada a nascente‐poente.
A muralha norte contém dois baluartes em forma de tesoura e o flanco sul, rematado também por dois baluartes, apresenta uma estrutura de dois pisos ao longo de todo o seu comprimento.
A partir desta cortina sul parte uma couraça em direção ao rio e a um pequeno baluarte redondo.
Adossados ainda à estrutura do lado sul estão dois pequenos torreões. A couraça que acompanha o declive da encosta contém no interior uma escadaria que conduz até ao baluarte ribeirinho.

A entrada principal da fortificação situa‐se no flanco leste e abre para um terreiro; a ocupar toda a metade oeste deste terreiro está a Igreja de Santo António.
Esta estrutura religiosa apresenta uma fachada principal de desenho eclético, datável de inícios do século XIX mas com intervenções posteriores.

No segundo nível da fachada, a flanquear a janela sobre a entrada principal, encontram‐se esculpidas em relevo as imagens de São Sebastião e São Francisco Xavier.
A coroar a composição, e entre as falsas torres sineiras, situa‐se um nicho, provavelmente para a imagem de Santo António. O nicho está flanqueado por relevos com figuras de querubins e outros símbolos religiosos.

Ainda no terreiro, e perto da entrada do forte, ergue‐se uma estátua de Cristo‐Rei sobre um pedestal com a data de 1953.

O Forte de Tiracol voltou a ganhar importância nos últimos anos da presença portuguesa na Índia, quando foi atacado pelas forças do movimento anti‐colonial.

Datam provávelmente da década de 1950 várias obras de restauro e acomodações bastantes para receber uma guarnição efetiva.

Com a transformação recente em hotel, é provável que se tenham registado várias alterações nos espaços interiores da estrutura. Contudo, o seu conjunto e aspecto exterior mantêm as características essenciais do período português.

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hpip, wikipedia

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A construção do actual Forte de Chaporá foi começada em 1717, no início da governação do vice-rei conde da Ericeira (1717-1720), após as forças portuguesas haverem reconquistado as terras de Bardez, que se encontravam em poder dos maratas desde os anos oitenta da centúria anterior.

A sua conclusão, no entanto, só viria a ocorrer mais tarde, durante o governo de Francisco José de Sampaio e Castro (1720-1723), o que levou Pedro Dias a defender que pelo menos a parte final da obra seja da responsabilidade de Francisco Xavier da Fonseca, engenheiro do Estado da Índia.

Situada na margem direita do Rio Chaporá, a fortificação destinava-se não só a defender a entrada da barra, mas também a procurar travar as incursões maratas para lá da linha de água, que demarcava o limite setentrional dos territórios de Goa na altura.

Articulava, nessa frente defensiva, com as suas congéneres de Alorna, Arabó e Colvale, também elas localizadas ao longo do seu curso.

Implantada num alto outeiro que domina o estuário do rio, apresenta uma forma bastante irregular, em resultado da adaptação à topografia do terreno.
As muralhas são entrecortadas por cinco baluartes e três portas, embora apenas a principal e que se encontra virada a sul tivessem serventia, dadas as enormes dificuldades de acesso às demais.

Ocupada em 1739 pelas forças maratas dos bhonsles, foi reconquistada dois anos mais tarde pelos portugueses.

No início do século XIX, com o Forte de Chaporá já votado ao abandono, edificou-se um pequeno fortim à cota ribeirinha, a nordeste das estruturas preexistentes. Perto deste fortim, foram edificados em 1857 um cais, uma alfândega e ainda uma residência para um capitão, iniciativa do major engenheiro Possidónio Joaquim de Faria, de acordo com Ricardo Michael Telles.

Esta posição à borda de água foi igualmente desguarnecida nos últimos anos do século XIX.

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A Península de Aguada, localizada no lado norte da barra do Rio Mandovi, foi escolhida para a edificação de uma das maiores fortificações construídas pelos portugueses na Índia, comparável em dimensão às praças de Baçaim ou Diu.

A sua localização geográfica e características arquitectónicas apresentam fortes analogias com a Fortaleza de Mormugão, que defendia a embocadura do Rio Zuari.

Iniciada em 1604 pelo engenheiro Júlio Simão, é provável que o essencial das extensas obras em Aguada estivesse concluído em finais do século XVII, embora tenham existido várias reformas ou reconstruções pontuais em datas posteriores. Actualmente continua em funcionamento uma prisão, aproveitando as construções de origem portuguesa.

Desde muito cedo que as embarcações que demandavam o Rio Mandovi se reabasteciam de água nas nascentes do atual Morro de Aguada.
Em 1604 uma armada holandesa, composta por sete velas, fundeou durante um mês numa baía perto daquela península, não tendo os navios sofrido qualquer dano provocado pelos tiros da Fortaleza dos Reis Magos ou pela artilharia do Forte de Gaspar Dias.
Este incidente demonstrou a fragilidade defensiva dessa zona da barra. Consequentemente, o vice-rei Aires de Saldanha ordenou de imediato a edificação de uma nova fortificação que defendesse não apenas a zona de reabastecimento de água, mas também todo o flanco sul da península, de modo a guardar eficazmente a embocadura do rio e permitir a circulação de embarcações ao abrigo do varejamento da sua artilharia.

Em 1606 já se encontrava operacional a denominada Fortaleza Real, na zona ribeirinha do flanco sul da península, tendo sido concluída seis anos mais tarde, conforme uma inscrição no local.
Detinha um extenso parapeito (cerca de cento e quinze metros) de traçado irregular, a partir do qual poderiam disparar dezanove peças em seis ângulos diferentes.
Na parte norte da estrutura situavam-se as casas de sobrado do capitão, dispostas em redor de uma edificação principal, orientada a este-oeste.

Integrada nesta edificação, e a eixo dela, situava-se a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem. Mais para leste ficava o armazém de munições, mais tarde convertido em prisão militar; próximo deste edifício localizava-se ainda a Porta do Rio, sob uma estrutura que servia de aquartelamento de tropas. No extremo oposto da Fortaleza Real ficava a Porta Norte, protegida ainda por um baluarte cavaleiro. Coroando todo o complexo, numa elevação cerca de cento e setenta metros a norte, erguia-se um farol, equipamento que figura já num mapa datável de 1615. Concluída a construção deste primeiro núcleo lançaram-se, a partir da Fortaleza Real, várias muralhas ou couraças, tanto para norte, em direção à elevação do farol, e onde mais tarde se edificou a cidadela, como para oeste e leste, ao longo da orla da península.
De notar que, após 1961, a Fortaleza Real foi transformada na principal prisão do território de Goa, tendo as suas estruturas sofrido várias alterações, embora mantivessem no essencial a implantação e volumetria do período português.

Pouco tempo depois de se iniciar a Fortaleza Real, construiu-se uma cortina ribeirinha em direção a leste, até à zona das nascentes de água potável.
Estas foram canalizadas, em 1624, para uma fonte monumental que figura na vista das terras de Bardez incluída no códice de António Bocarro.
Esta área, situada cerca de duzentos metros a nordeste da Fortaleza Real, acabaria por congregar ainda a Bateria ou Baluarte do Mar, junto do qual se edificaram aquartelamentos e outras estruturas de apoio ao cais de desembarque que, em 1635, ainda não estava concluído. Para o lado oeste da Fortaleza Real partia outra cortina, acompanhando o desenho da orla numa extensão de aproximadamente setecentos metros e conduzindo até ao baluarte de oeste.
No lado noroeste da península, já sobre a praia de Candolim, foi edificado um baluarte de forma semicircular, unido à terra firme por aterro. Conhecido posteriormente como Baluarte de D. Maria, foi provavelmente edificado antes de 1635 mas sofreu intervenções posteriores.
A restante secção de muralha, que viria praticamente a unir o Baluarte de D. Maria ao Baluarte do Mar, rodeando os flancos norte, leste e sudeste da península, aparenta ter sido obra iniciada após 1635 e executada a ritmo mais lento. Incluía outros cinco baluartes e duas portas, sendo que a principal se integrava no Baluarte da Cava e era acedida por uma ponte levadiça.
Mais a leste, situavam-se os baluartes de Mamam e de São Lourenço, entre os quais havia uma extensão de orla não fortificada.

Todo este perímetro defensivo, situado à cota baixa da Península de Aguada, totalizava catorze baluartes e estendia-se por cerca de quatro quilómetros e meio, compreendendo aproximadamente cento e cinquenta canhoneiras.
A robustez deste perímetro defensivo era variável; contudo, as secções mais desenvolvidas, dos lados sul e noroeste, permitiam o transporte de peças de artilharia entre os baluartes. Na zona mais elevada do Morro de Aguada situa-se a fortificação outrora designada por Cidadela, unida à Fortaleza Real através de duas cortinas e ligada a outros pontos estratégicos da península por estradas.

De forma aproximadamente quadrangular, este forte compreendia três baluartes regulares e um quarto reduto, no canto sudeste, onde se localizava a torre do farol. As dimensões desta fortificação e o traçado dos seus baluartes têm claras afinidades com o Forte de São Jerónimo, em Damão.

Provávelmente, resultam da mão do arquiteto Júlio Simão em ambas as obras. Sabemos através de António Bocarro que o essencial da fortificação estava concluída por 1635, embora o fosso que a envolve aparente ser de uma data posterior, dado o desenho elaborado da sua contra-escarpa.
Os dois baluartes voltados a norte são os mais desenvolvidos, apresentando orelhões e casamatas de flanqueamento.
No reduto sudeste, no qual está o farol, situa-se a porta principal, defendida por duas canhoneiras. A sul deste reduto situava-se o paiol.
Daqui partiam as duas couraças que acompanhavam o declive da encosta até à fortificação ribeirinha.
Estas detinham baluartes a cotas intermédias. No interior do recinto da cidadela localiza-se ainda uma grande cisterna de forma quadrada. Para além destes dois grandes grupos de estruturas – perímetro ribeirinho e cidadela – existiam várias outras estruturas no interior da Península de Aguada, construídas a partir do século XVII. Destas, destacam‑-se a Igreja de Sinquerim e a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, para além de diversos edifícios de aquartelamento ou armazenamento.

O sistema fortificado de Aguada manteve algum do seu valor estratégico até meados do século XIX. Não só providenciava sinalização e água às embarcações que cruzavam a barra do Mandovi como mantinha ainda a prisão militar e estruturas para exercício das tropas.

Foi uma das três posições a ser ocupada pelos ingleses durante as guerras napoleónicas, entre 1804-1813, conjuntamente com Mormugão e Nossa Senhora do Cabo.

A extensão e complexidade deste sistema defensivo constitui um dos exemplos mais interessantes de todo o universo do antigo Império Português, resultando numa verdadeira lição sobre os modos e métodos de fortificação empregues pelos seus engenheiros militares.

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hpip, wikipedia

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O Forte dos Reis Magos localiza‐se no lado norte da barra do Rio Mandovi, defronte da zona do Bairro de Campal, pertencente à cidade de Pangim.
Edificado sobre uma posição defensiva pré‐portuguesa, o forte constituiu, conjuntamente com a igreja franciscana da mesma invocação, o epicentro da ocupação territorial das terras de Bardez durante a segunda metade do século XVI.

Após a construção da praça de Aguada, a fortificação dos Reis Magos perdeu grande parte do seu valor estratégico.
À data da conquista de Goa pelos portugueses, existia na embocadura do Rio Mandovi um castelo mandado construir por Adil Khân, sultão de Bijapur (1490‐1510). Esta posição foi ocupada em novembro de 1510, não apenas para melhor controlar a navegação no Mandovi mas também para estabelecer uma testa‐de‐ponte nas terras de Bardez. Contudo, a anexação definitiva da província de Bardez apenas se concretizou em 1543.
Neste contexto, e durante a governação do vice‐rei Afonso de Noronha (1551‐1554), iniciou‐se uma nova fortificação ribeirinha no mesmo local.

A partir de 1589 e nos anos subsequentes, o Forte de Reis Magos foi alvo de sucessivos melhoramentos, tendo sido reconstruídos nessa altura novos baluartes e plataforma à cota ribeirinha.
Visitada então pelo engenheiro‐mor da Índia João Baptista Cairato, a ele se ficou a dever o desenho.
Compreendia essencialmente dois baluartes de desenho quadrangular, unidos por uma cortina com seus parapeitos, com uma inflexão convexa a meio da implantação. As obras prolongaram‐se até 1605, altura em que ficou completada a zona da fortificação à cota mais elevada. Esta compreendia um forte de implantação aproximadamente triangular, com dois baluartes pronunciados, orientados a norte e a oeste, e um terceiro vértice a partir do qual se desenvolviam duas couraças que acompanhavam o declive da encosta até aos baluartes à borda de água.
Neste vértice situavam‐se ainda o paiol e um aquartelamento. Apesar destas intervenções, a fortificação dos Reis Magos revelou‐se de pouca utilidade para a defesa da barra do Mandovi face às incursões das embarcações holandesas, facto que levou à construção da fortaleza de Aguada em 1604.

Mais tarde, no início do século XVIII, e por ação do vice‐rei Caetano de Mello e Castro, construiu‐se nova bateria, denominada tenalha.

Em 1741, em conjunto com a fortaleza de Aguada, o forte dos Reis Magos viria a resistir à incursão das forças dos bhonsles de Kudal, que ocuparam a generalidade das terras de Bardez, fazendo perigar a capital do Estado da Índia.

Entre 1844 e 1850, por ação do governador José Ferreira Pestana, novos trabalhos de reparação da fortaleza foram realizados.

Hoje, o forte dos Reis Magos está adaptado num nucleo museológico cuja visita pode ser efectuada de terça a domingo.

fonte
hpip, wikipedia

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Velha Goa é, em boa medida, um mistério.
Encanta pelo mito, pelo lado maldito da sua história de paradoxos invocados pela serena majestade da ruína.
Já muito foi dito sobre o que possa fundamentá‑lo, mas no fundo tudo se pode resumir a uma frase: Goa, capital do Estado da Índia ou do Império Português no Oriente, não foi, não podia ter sido ali uma cidade feliz, mas Velha Goa é‑o enquanto resíduo monumental e de memórias.
Só por si Velha Goa invoca toda essa história, cujos inúmeros dados estão dispersos pela imensa bibliografia, documentação e iconografia disponível.

O sítio é um denso palmeiral, ondulando sobre uma topografia animada que desce em concha para os antigos terreiro e ribeira sobre a margem do Rio Mandovi.
A zona central, onde se concentra um maior número de edifícios da antiga cidade – esmagadoramente igrejas e conventos – é mantida como uma ampla esplanada cujo tratamento urbano, devido a uma ação programada em 1959, pouco ou nada herdou do primitivo tecido viário. Mesmo assim, vistos à distância, os edifícios com dimensão para tal emergem da efusiva mancha verde que, nas horas em que o sol roda mais a pique, a atmosfera quente e húmida carrega de turvação e filtros.

“Seis templos alvejando entre palmares” segundo Tomás Ribeiro (1831-1901), citado no relatório, publicado em 1960, de uma ação integrada nas Comemorações Henriquinas, referenciado na bibliografia.

A paisagem da Velha Goa é isso: um conjunto de igrejas desejávelmente brancas plantadas no meio do exuberante verde tropical.
Tal como hoje, pela qualidade, escala e quantidade, os edifícios religiosos foram sempre a pedra de toque do urbanismo de Goa, da sua existência e materialidade.
Foi o que marcou a sua imagem e pautou o seu desenvolvimento, o que retardou ao extremo a mudança da capital para um sítio mais conveniente, o que persistiu quando a cidade foi abandonada e condenada a desaparecer sob a floresta, o que a nova capital, Pangim, não pôde atrair, ficando assim privada de monumentalidade.

Em Velha Goa, além dos edifícios religiosos pouco mais é hoje identificável e visível da desaparecida Goa, que frequentemente mereceu o epíteto de Roma do Oriente.
Na realidade, a mudança oficial da capitalidade de Goa para Pangim (1843) – ainda que sob a fórmula simpática de uma Nova Goa que englobava ambas e Ribandar – só ocorreu após a extinção das ordens religiosas no espaço português (1834), ordens que desde sempre se haviam oposto e resistido a essa mudança, pois há relativamente pouco tempo tinham investido em instalações por regra sumptuosas.

Mas a sua consubstanciação como “cabeça e assento principal do estado que nas partes do Oriente tem a Coroa de Portugal” e “empório e feira Universal de todo Oriente” (Livro das Cidades e Fortalezas…, 1582) pela década de 1530 e, assim, muito pelo longo governo de Nuno da Cunha (1529‑1538), não ocorreu segundo desígnios do padroado (também ainda em consolidação), mas por razões geoestratégicas, onde o trato (o comércio e as suas rotas marítimas) teve um papel relevante, e também por necessidades de ordem militar e uma nova orientação territorializante para todo o mundo português, a qual apenas se viria a fazer notar algumas décadas depois.

A conquista de Goa ao sultanato de Bijapur foi um dos principais objetivos da governação de Afonso de Albuquerque (1509‑1515), durante a qual o espaço português na Ásia se alargou bem para lá do domínio inicial sobre a costa do Malabar. O seu empenhamento e mecenato não deixam dúvidas para o facto de, pessoalmente, a pretender desenvolver como sede do poder português no Oriente.
Foram necessárias duas tentativas para a conquista.
A primeira ocorreu a 17 de fevereiro de 1510, e teve como primeira reação apenas uma pequena escaramuça em Pangim. Tomou‑se e ocupou‑se a medina, mas uma vez cercados pelas tropas bijapuris que ali acorreram, em 31 de maio os portugueses acabaram por retirar para a frota que, entretanto, ficara retida pela monção e assim sujeita a permanentes ataques.
Só em meados de agosto puderam fazer‑se ao mar.
Regressaram no dia 25 de novembro, dia de Santa Catarina de Alexandria, e em poucas horas retomaram a cidade, ocupando‑a com uma atitude diversa, ou seja e fundamentalmente, não só provendo a sua defesa como expulsando todos os muçulmanos e confiscando os seus bens.
Voltariam para recompor a dinâmica mercantil da cidade‑porto, mas já sem o desígnio de apoiar uma retoma bijapuri.

O enorme esforço defensivo passou por um considerável volume de obras de engenharia militar.
Só assim se logrou resistir à reação bijapuri, mas foram precisas décadas para se conseguir respirar um aceitável ambiente de segurança na ilha e adquirir soberania estável sobre os territórios envolventes, as Velhas Conquistas (1543).

Em tudo foi valendo o envolvimento dos sultões de Bijapur nas lutas intestinas, no interior do Decão, do cindido sultanato de Bahmani.
Apesar de uma pequena medina, Goa era a segunda cidade e o principal porto bijapuri, tendo sido fundada precisamente quando a Ilha de Tiswadi, onde se situa, passou a integrar a soberania muçulmana de Bahmani em 1469.

A antiga capital do território, Goa Velha, situava‑se do lado sul da ilha, nas margens do Rio Zuari.
O local para a nova cidade fora escolhido por um soberano do interior para uma cidade de pequena ou média dimensão. Tinha como guarda avançada algumas estruturas fortificadas junto à barra do rio, sendo que em Pangim também já existia uma pequena casa palatina. Contudo, a principal defesa de Goa para os ataques do mar era a distância à barra de mais de uma dezena de quilómetros. Já a defesa de terra era difícil – obviamente irrelevante para os bijapuris, mas crucial para os portugueses – pois necessitava de dispositivos consideráveis, em especial em passos como o de Benastarim, que só foi conquistado dois anos após a conquista da cidade, assim se estabilizando o domínio sobre a Ilha de Tiswadi.

A localização de Goa era, pois, contrária aos mais elementares princípios habitualmente seguidos pelos portugueses, que procuravam sítios junto ao mar, bem defendidos de terra.
Até o porto não oferecia as melhores condições de acesso e fundeamento de frotas, situação que viria a piorar consideravelmente com o crescente assoreamento.
No fim de contas e pela primeira vez, mais que uma cidade‑porto, os portugueses conquistaram uma ilha, um território que poderia vir a funcionar como testa‑de‑ponte para uma outra fase da instalação na Ásia.

Em quase mil quilómetros de costa, Goa era a única porta geográfica franca na cordilheira dos Gates de acesso ao planalto interior, o Decão ou Meseta Indiana.
Ali aportava, entre outros, um intenso e muito rentável tráfego de cavalos provindo da Pérsia, fundamentais para as movimentações bélicas dos exércitos muçulmanos e, essencialmente, para o seu oponente hindu, o reino de Vijayanagar.

Goa tinha, pois, diversos atributos positivos e nada fazia prever a extraordinária explosão urbana que, em algumas décadas, iria sofrer. Até porque, no imediato, o principal centro de operações portuguesas na Ásia continuou a ser Cochim.
Tudo isso para aqui se indiciar porque é que a cidade conquistada acabou por responder mal aos requisitos que o futuro português lhe reservava.

Não era uma cidade nova portuguesa que, como Cochim, Chaul, Baçaim ou Damão, brotara junto a uma preexistente, mas mais próxima do mar.
Isto é, em Goa não se fez uma cidade‑de‑baixo, como naqueles casos.
Era uma cidade conquistada.
São inúmeros os documentos, relatos e relatórios que dão conta e prova dessa má resposta, por vezes em frases tão nuas e cruas quanto esta dos Comentários de Garcia y Figueroa, já em 1617: “el tienpo con evidente esperiencia tiene mostrado quan mala eleçion tuvieron [os muçulmanos], dexando el apazible y saludable sitio de Goa la Vieja”.

As condições sanitárias naturais não podiam ser piores, pois o local era abafado e pestilento, pouco varrido pelos ventos, o que o crescimento demográfico sem infraestruturação só piorou.
A população abastecia‑se em inúmeros poços com águas inquinadas e fazia os despejos onde calhava.
Sobre isso veja‑se, entre outros, o livro de Germano Correia de 1941, no qual recolheu incríveis dados sobre a mortalidade provocada pelas frequentes epidemias de cólera e varíola e o óbito muito frequente de vice‑reis, inquisidores, arcebispos e outros altos funcionários e fidalgos.

Por outro lado, à relativa tolerância religiosa e de costumes implementada por Afonso de Albuquerque, depois negociada e consagrada no famoso e polémico Foral de Usos e Costumes dos Gaucares – o dito Foral Mexia, promulgado por D. João III em 16 de setembro de 1526, mas preparado por Afonso Mexia, vedor da Fazenda da Índia –, seguiu-se um gradual zelo integrista, próprio do adensamento ideológico ocorrido ao longo de Quinhentos na Europa, de que apenas a Inquisição tem servido de emblema.

Como se tudo isso não bastasse, a vitória muçulmana sobre Vijayanagar logo em 1566 fez com que “o nosso Estado [ficasse] mui quebrado, porque o maior trato que todos tinham era o deste Reyno […] e a Alfandega de Goa o sentio bem em seu rendimento de maneira q de então para cá começaram os moradores de Goa a vir a menos”, segundo Diogo do Couto na oitava das suas Décadas da Ásia.

Como cidade Goa teve, pois, uma existência tão esplendorosa quanto fugaz, passível de ser cronografada em cerca de século e meio, a maior parte do qual já em franco declínio.

Quando em 1774 o Marquês de Pombal lançou o plano frustre da sua restauração, já se encontrava praticamente abandonada. Mas, paradoxalmente, a sua monumentalização, produzida através dos grandes conjuntos religiosos, ocorreu a partir das últimas décadas de Quinhentos e, essencialmente, nas primeiras décadas do século seguinte, ou seja, quando a decadência era já tão óbvia quanto irreversível. Irónicamente, a sua ascensão e queda acompanharam as do próprio Estado da Índia, sendo também por isso Velha Goa o seu principal símbolo material.
O desmonte gradual de Goa para se pôr a caminho de Pangim/Nova Goa – de que o relatório‑plano publicado em 1960 e referenciado na bibliografia dá excelente conta – corresponde ao desmonte do Primeiro Império, que sucumbe com a emancipação do Brasil em 1822, dando lugar a um novo baseado em África.
E desmonte é o termo, pois o reaproveitamento dos materiais em Pangim foi generalizado, em especial com o impulso dado pelo vice‑rei Diogo de Sousa, conde do Rio Pardo (r. 1816‑1821).

Para além do erro da escolha do sítio, a cidade bijapuri, cingida por uma cava e muralha com quatro portas (uma para cada ponto cardeal) e perímetro tendencialmente elíptico com um abcesso a nordeste constituído pelo castelo, era muito pequena, sendo que o seu eixo maior (este‑oeste) não chegava aos quinhentos metros e o menor (norte‑sul) teria pouco mais que quatrocentos, a que corresponde uma área de algo em torno de vinte hectares.

O perímetro abaluartado de Chaul, por exemplo, tem cerca de vinte e quatro hectares, o de Damão vinte e cinco, e Baçaim trinta e seis, sendo que neste caso a área efetivamente urbana é de apenas vinte e quatro. Ou seja, Goa conquistada ocupava uma área de cerca de dois terços do que em breve viria a ser a área das principais cidades portuguesas da Província do Norte. Isso para não se comparar com Cochim que, por razões peculiares, tinha uns exagerados cinquenta e quatro hectares de área muralhada.

Morfológicamente, nada leva a crer que a estrutura interna da Goa bijapuri tivesse qualquer matriz geométrica regular, o que inevitávelmente se manteve.
Garcia y Figueroa, que se refere ao todo e não apenas ao núcleo original, é uma vez mais límpido nos seus Comentários… (1617): “la çiudad es toda desordenada, desconpuesta y esparzida, mayormente sus extremidades, con muchos palmares y otros generos de arboles entre los edifícios, con las mas de las calles muy torcidas sin ninguna puliçia ni conçierto, de manera que fuera de lo poco incluso en sus antiguos muros, lo demas tiene mas propria figura de un populoso y gran casar entre arboles que de çiudad ordenada.”

Por paradoxal que pareça, por entre a rica iconografia de Goa não contamos com exemplares que nos permitam ter uma percepção imediata e fiável desse tecido urbano, nem sequer da paisagem da cidade quando tinha vivência urbana. Contingência própria da cultura artística e visual portuguesa anterior a Setecentos, neste caso fatal porque quando aí se chegou já Goa deixara verdadeiramente de o ser.

A gravura inserta no primeiro volume da Civitates Orbis Terrarum (editado por Braun e Hogenberg em Colónia em 1578) é absolutamente fantasiosa até na data (1509).
A imagem de João de Castro no Roteiro de Goa a Diu (1538/1539) é sugestiva mas morfologicamente inútil, tal como a de Jan Huygen van Linschoten (1596) que, para além da falta de detalhe comprovável, se apresenta completamente desproporcionada. Tem, contudo, uma útil legenda e dados importantes sobre os edifícios em si.
Igual problema apresenta a Plantaforma da Cidade de Goa, de O Lyvro da Plantaforma das Fortalezas da Índia de Manuel Godinho de Erédia (c. 1620), mas como tem mais detalhe e é legendada, acaba por ser o melhor instrumento que possuímos para, em conjugação com os levantamentos atuais do pouco que subsiste, perseverarmos numa reconstituição séria do tecido urbano. Complementarmente, o mesmo cartógrafo deixou‑nos duas cartas da Ilha de Goa (Tiwadi) que incluem o traçado do circuito muralhado peri ou suburbano, que se começou a sistematizar na década de 1560. Também o levantamento do existente subjacente nos três planos pombalinos elaborados entre 1774 e 1777 é de uma extrema utilidade, pois dá‑nos com bastante rigor a localização e configuração planimétrica dos já poucos edifícios que então se conservavam.

Para uma pitoresca imagem geral, muito ingénua, distorcida e desproporcionada, mas in cluindo também a muralha periférica, veja‑se a do relatório de António Bocarro e Pedro Barreto Resende de cerca de 1635, retirada do álbum da Biblioteca Pública de Évora para se juntar ao da British Library.
O desígnio pombalino legou‑nos ainda levantamentos detalhados do Paço dos Vice‑Reis e da Inquisição.
Aliás, no que diz respeito à arquitetura desaparecida há muitos materiais de trabalho, entre fotografias antigas, desenhos e gravuras, de entre as quais se destacam as de Lopes Mendes.

O traçado da muralha islâmica é, contudo, fácil de seguir, sendo que ainda subsistem algumas marcas.
Entre diversas medidas imediatas à conquista da cidade, o processo de reforma do sistema defensivo nela integrado passou pelo seu reforço e aumento de altura. Foi também feito um atalho que isolou o espaço ocupado pelo castelo.
Era uma estrutura situada no extremo nordeste do perímetro urbano, posição da qual dominava o terreiro que mediava entre o perímetro muralhado e o porto, uma espécie de Terreiro do Paço então, e como o de Lisboa, em formação.

Os trabalhos foram dirigidos pelo mestre de obras Tomás Fernandes e descritos com bom detalhe nas obras de Gaspar Correia e Fernão Lopes de Castanheda que, contudo, têm sido interpretadas no sentido de uma renovação em tábua rasa do espaço urbano, o que não é verosímil.
Não só não era razoável, como não ocorreu em qualquer outro caso conhecido nem a resultante, como já se referiu, pode ser lida como algo de planeado. A única zona onde terá havido alterações de monta, inclusive no percurso amuralhado, foi a frente ribeirinha, precisamente aquela onde as muralhas eram mais fracas.

A exemplo do novo castelo e como foi corrente em todas as conquistas portuguesas desde a formação da nacionalidade no século XII, as principais estruturas edificadas foram reabilitadas e refuncionalizadas, sendo particularmente expressivo o caso da igreja do Convento de São Francisco que, diz‑se sem qualquer evidência material ou documental, foi materializada sobre uma antiga mesquita.

Residencialmente, os portugueses instalaram‑se um pouco por toda a cidade, mas como é óbvio ocuparam essencialmente casas deixadas vagas pelos muçulmanos que, como grupo dominante e de mercadores, eram as melhores. Aliás, e à imagem do que sucedeu um pouco por todos os núcleos urbanos portugueses no Oriente, as áreas residenciais foram‑se caracterizando e apartando mais por confissões religiosas do que por etnias, sendo contudo certo que a separação entre reinóis e cristãos da terra também se fazia notar.

O principal eixo viário, quer em termos morfológicos, quer do ponto de vista da vivência, era a Rua Direita, a qual ao longo de cerca de meio quilómetro ligava as principais portas da muralha islâmica, cada uma com os seus largos ou terreiros interior e exterior: uma, a do Cais ou da Fortaleza, dando para o terreiro onde existia o principal cais sobre o rio, que em 1597 foi reformada em Arco dos Vice‑Reis; e a oposta a sul, a dos Baçais (mercado do gado) junto à qual, pelo interior, surgiram a Igreja e a Capela da Misericórdia, que dava nome ao largo, a Igreja de Nossa Senhora da Serra, com o seu recolhimento, e o Bazar Velho, um conjunto de 48 boticas com projeto unitário em quadra, uma espécie de mercado inspirado nos fonduks islâmicos, senão mesmo o reaproveitamento de um.

Do lado de fora da muralha islâmica ficava o Largo do Pelourinho Velho, pois acabou mudado para um pequeno largo situado umas duas centenas de metros a sul.
Naquele largo confluíam sete arruamentos.
Era a encruzilhada onde o crescimento fora da medina de Goa se amarrara, substituindo ou representando a centralidade do núcleo islâmico inicial.

Regressando ao interior, importa registar que a Igreja de Nossa Senhora da Serra foi fundada em 1513 por Afonso de Albuquerque, no cumprimento de um voto feito em ocasião de apuro no Mar Vermelho, e durante meio século serviu de panteão ao próprio fundador. Foi implantada sobre a porta principal da muralha muçulmana, sendo por isso dotada de uma torre que podia ser usada como infraestrutura defensiva.
Subsistem alguns elementos da capela‑mor, que ainda desempenham funções cemiteriais.

A Rua Direita era também designada como Rua dos Leilões, sugestiva invocação da intensa atividade comercial que ali se desenrolava. A pretensa uniformidade da arquitetura que a ladeava, baseada na representação de um pequeno troço, precisamente o do Largo da Misericórdia, inserto na obra de Jan Huygen van Linschoten (1596), é desmentida por outros relatos e até pelo único vestígio que dela subsiste, uma porta de moldura com o recorte e gramática decorativa dita manuelina, a qual terá sido a entrada da Casa da Bula da Cruzada.

A axialidade e a relevância urbana induzidas pelo seu topónimo, recorrente nas cidades portuguesas, não se traduziam numa estruturação urbanística regular nas ruas que, de um e de outro lado, se abriam, aliás nenhuma em ângulo reto ou sequer repetido.

Sensivelmente a meio da Rua Direita, uma dessas aberturas não era mais do que uma passagem para poente, que conduzia à praça conhecida como Terreiro do Sabaio, onde em 1514 se ergueu a Matriz de Santa Catarina, com fachada orientada a norte; foi elevada a catedral com a criação do bispado em 1534 e depois substituída pelo majestoso edifício hoje existente – então orientado a nascente – obra iniciada em 1564, mas que se prolongou até 1652.
É o maior templo jamais construído pelos portugueses em todo o império e tem anexo o Paço dos Arcebispos, situando-se por trás do conjunto o complexo franciscano, as primeiras instalações de uma ordem religiosa na cidade, com as teatinas únicas dentro da medina.
Para a mesma praça davam, a norte, a Casa da Câmara e o Estanco Real dos Tabacos, e a Inquisição a sul, o que fazia desta praça um verdadeiro pólo institucional no centro da ex‑medina bijapuri.

A Inquisição ocupou o edifício que inicialmente serviu de residência aos vice‑reis e governadores, o qual já fora palácio do sultão de Bijapur e era conhecido como o Paço do Sabaio.
Também o Terreiro dos Vice‑Reis, interior à porta onde rematava a norte a Rua Direita, conduzia, desta vez a nascente, ao acesso corrente ao Palácio dos Vice‑Reis ou Paço da Fortaleza, pois o solene veio a ser uma escada que subia diretamente do terreiro do cais do lado poente da porta da muralha. Paço que resultou de uma profunda reforma, empreendida em 1554, no castelo mandado erguer por Afonso de Albuquerque sobre o palácio do Hidalcão, do qual se conservam, montadas, as molduras de um portal.
Como se poderá acompanhar na entrada que a esta se segue, a defesa de Goa passara a processar‑se num arco territorial mais vasto, de cerca de quinze quilómetros de perímetro, o que tornou obsoletas as estruturas defensivas baseadas na muralha urbana de origem muçulmana e integrou uma série de conjuntos religiosos, pequenos núcleos proto‑urbanos ou conjuntos edificados de que o desenho sobre fotografia de satélite que juntamos dá boa conta.
Já então o casario, aproveitando‑se, fazia submergir esse muro dentro de si.
Do lado sul daquele terreiro ficava o tronco, sendo que numa rua a poente se localizava uma outra dependência judiciária, o aljube, desta vez para o clero.
Também o Tribunal da Relação abria para o Terreiro dos Vice‑Reis, que no seu limite nascente viu ainda surgir um pouco mais tarde o complexo teatino de São Caetano com a Igreja de Nossa Senhora da Divina Providência, a qual ainda existe.

Ao longo da Rua Direita, mais precisamente nos dois terreiros dos seus extremos e com a extensão para o Terreiro do Sabaio, encontrávamos pois toda a base institucional da cidade e do Estado da Índia.
A via era obviamente herdeira do souk islâmico, tendo provavelmente sido reformada com o domínio português. E aqui é necessário fazer notar como se verifica uma primeira adaptação com indícios de ter seguido o que, cerca de dois séculos antes, havia sido comum na reocupação da soberania cristã dos atuais territórios português e espanhol, ou seja: ocupação racional dos principais pontos e edifícios com os novos equipamentos e símbolos do poder, mas obliterando o menos possível o edificado; sujeição do tecido urbano a uma reforma que eliminou os impasses, transformando os adarves e becos sem saída (de que carece a vivência islâmica do espaço residencial) em ruas.
Porém e com o tempo, muito provavelmente parte das próprias habitações sofreu reformas consideráveis, mudando-se a estrutura da casa‑pátio para o lote de tipo europeu, com casa à frente e logradouro/quintal atrás.
Entre outros, Linschoten deixa‑o bem claro quando descreve: “A cidade é bem coberta de construções, com casas e ruas à maneira portuguesa, porém um pouco mais baixas, devido ao calor. De modo geral todas têm os seus jardins e pomares atrás das casas, cheios de todo o género de frutas indianas.”
Tudo numa arquitetura corrente de síntese das culturas em presença em que, segundo descrições e a iconografia, a casa tipo era de dois pisos, construída em argamassa de cal e areia, coberta com telha e frequentemente pintada com aguadas de vermelhos e brancos. Disso é Pyrard de Laval quem, na primeira década de Seiscentos, melhor nos dá conta.
Nas fachadas pontuavam as janelas protegidas por grades e gelosias, no piso superior os balcões em muxarabi. Conchas de ostras polidas, carepas, cumpriam as funções do vidro. Importa, porém, fixar que terão sido essas alterações – de certa forma cirúrgicas, mas que no conjunto confeririam à medina um ambiente global de estaleiro – que, com as reformas na muralha e a reestruturação do castelo, levaram cronistas como Gaspar Correia e Fernão Lopes de Castanheda a relatar uma adaptação profunda que por alguns tem sido lida como uma razia seguida da construção de uma cidade nova, moderna ou manuelina. Seria algo nunca visto nem experimentado e que é desmentido pela morfologia urbana remanescente, que não indicia qualquer tipo de ordenamento regular dentro da ex‑medina bijapuri. No fundo, em Goa fez-se o que sempre se havia feito em situações similares na história, então recente, do urbanismo medieval meridional europeu. Inicialmente Goa era estrutural e urbanisticamente uma cidade medieval, o que o seu crescimento só confirmou.
A propósito, importa ainda referir a bem conhecida aplicação a Goa de todas as regras, regimentos, ordenações e benefícios comuns a Lisboa. De facto, em todo o universo português nunca duas cidades tiveram simultaneamente em comum tanta coisa, ou não fossem no sistema do Primeiro Império funcionalmente o complemento uma da outra.

Tal como em Lisboa, mais do que a sistematização ou reforma de novos equipamentos urbanos, foi a gradual uniformização da arquitetura corrente por via regulamentar o que dotou Goa de uma unidade à portuguesa. E, claro, há sempre aquela referência ao número de colinas e aquela equívoca frase feita, segundo a qual “quem viu Goa não precisa de ver Lisboa”. Relevante é o facto de duas ou três décadas depois (1550-1560) se ter iniciado uma renovação quase sistemática dos equipamentos ordenados por Afonso de Albuquerque, o que produziu uma nova e talvez mais profunda transformação da malha urbana. Por exemplo, a transformação do castelo em palácio, do palácio em Inquisição, da velha Matriz de Santa Catarina na majestosa e enorme Sé Metropolitana, do primitivo e modesto convento franciscano na grande estrutura ainda existente, terão implicado processos de demolição maciça de casario anexo, isso para além de alterarem indelevelmente a paisagem e os referentes urbanísticos.

Como acima se foi referindo, esta segunda reestruturação foi iniciada a par com o declínio comercial e urbanístico da cidade, quando o erro da escolha do local se começou a tornar epidémicamente evidente.
A cidade crescera rápidamente para fora da ex‑medina islâmica, o que ocorreu estruturalmente segundo dois desígnios.
O primeiro, essencialmente utilitário, ribeirinho e de iniciativa (vice‑)régia e/ou municipal, caracterizado pela infra estruturação portuária, levou à construção da alfândega junto ao rio no terreiro frente ao paço, o que desde logo faz lembrar o modelo lisboeta do Terreiro do Paço anterior à reconstrução pós‑terramoto de 1755.
Relação intensificada com a construção de um baluarte dentro do rio, no término de um trapiche (cedo desaparecido), a instalação da praça‑mercado (bazar) a nascente e do Cais dos Vice‑Reis (outra ponte‑trapiche) e da Ribeira das Naus (tercenas, estaleiro naval, arsenal, cordoaria, etc.) a poente, ou seja, nos dois últimos itens em posição invertida relativamente ao arquétipo lisboeta.
Acrescente‑se a isso, a poente e sul dos estaleiros, as casas‑oficina do vedor da fazenda, do guarda e do patrão‑mor do porto, bem como a fundição, a casa da moeda e o famoso Hospital Real de Todos os Santos (como o do Rossio de Lisboa).
É ainda possível estabelecer um paralelo entre as praças‑logradouro de acesso comum de ambos os paços, o Terreiro dos Vice-Reis em Goa e a futura Praça da Patriarcal em Lisboa, as quais eram um complemento funcional essencial dos terreiros de representação.

Sobre o rio, mas em local manifestamente inconveniente, porque a montante da cidade, instalaram‑se as alcaçarias (neste caso curtumes), o que contribuía para o incremento dos problemas sanitários. Imediatamente a nascente do paço ficava, entre outros diversos equipamentos urbano‑portuários, a Casa do Peso.
É na estruturação urbanística da zona em ensanche a poente do terreiro do paço, ou seja, a ribeira, que na iconografia se torna suspeita uma estruturação portuguesa do espaço sob um desígnio de ordem e regularidade, o que é absolutamente comum em todo o urbanismo português coevo.
Hoje apenas aflora à superfície um longo muro, que será o remanescente da vedação que encerrava os estaleiros e arsenal.

O outro desígnio, desta vez religioso e monumentalizante, influenciou o espalhamento da urbe por toda a área não ribeirinha em redor da ex‑medina e, significativamente, teve o seu início logo na ordem para a construção da Capela de Santa Catarina, junto à face exterior da porta da muralha (a da Ribeira) que servira de acesso à vitoriosa horda conquistadora portuguesa no dia de Santa Catarina de 1510. Curiosamente, o muro existente imediatamente a nascente da capela segue o traçado da antiga muralha islâmica.
Quase simultânea foi a ordem de Afonso de Albuquerque para a construção da ermida que, três décadas depois, deu lugar à Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Está no ponto topográficamente mais eminente das então imediações da cidade e, aliás, foi dali que Afonso de Albuquerque comandou o assalto.
Ainda hoje marca o início do espaço da cidade, numa posição de atalaia para quem vai subindo o rio. Essa elevação adquiriu a designação de Monte Santo, o que decorre do facto de, em torno de dois enormes terreiros – de Santo Agostinho e de Santo António – ali se terem vindo a instalar um número considerável de conjuntos religiosos como, aliás, em parte se pode ver no mapa junto.
Ali, por exemplo e na versão Velha Goa, encontramos as ruínas do Convento da Graça e do Colégio de Nossa Senhora do Pópulo dos agostinhos, apenas o fantasma do Colégio de São Paulo‑o‑Novo ou de São Roque dos jesuítas, a Capela de Santo António e, também, o dos hospitalários de São João de Deus, hoje um lar para idosos, e o gigantesco Convento de Santa Mónica, o único feminino em todo o Oriente português.
Outros conjuntos religiosos ocuparam rápidamente as demais elevações em redor da antiga cidade muçulmana, o que foi direcionando, sem regra explícita e, assim, menos ainda ordenada, o crescimento urbanístico, mas matizando a paisagem num sinal normalmente tido como barroco.
Por exemplo, o ponto mais elevado ainda hoje tem como remate a Capela de Nossa Senhora do Monte. Ao invés, e como por entre as colinas há, necessáriamente, vales, também estes foram ocupados por estruturas religiosas.
Significativamente, sucumbiram mais rápidamente que as demais, o que terá como principal justificação o facto de estarem em posições sanitáriamente ainda mais negativas.
Foi, por exemplo, o que sucedeu à enorme estrutura jesuíta do Colégio de São Paulo, ao Convento de São Domingos ou ao Convento dos Carmelitas Descalços, ambos localizados no lado oriental da cidade, documentadamente o mais flagelado pelos frequentes surtos epidémicos.
Para além do pano da fachada, deste colégio jesuíta conserva-se ainda a Capela de São Francisco Xavier, outrora situada na sua cerca, bem como vestígios da fachada e altar dos carmelitas.

Para essa catastrófica situação sanitária contribuía uma lagoa implantada segundo um eixo nordeste‑sudeste, cuja extremidade urbana quase irrompia pelo Largo do Pelourinho Velho onde, entre outros, se localizava o açougue e o acesso à porta que conduzia no interior da medina à Rua Direita.
A lagoa era ladeada, em ambas as margens, por vias que conduziam ao campo, as ruas de São Tomé e da Trindade.
A primeira, depois de passar pelo Colégio de São Paulo, pela Igreja de São Tomé e pelo lazareto, conduzia ao passo de Benastarim;
a segunda era marcada pela igreja, erguida por ordem do arcebispo sobre um templo hindu mesmo no final do século XVI.
No início, a Rua de São Tomé era conhecida como Carreira dos Cavalos, o que corresponde a um tipo urbano habitual nas cidades portuguesas medievais e de então.

Caminhando por fora da medina para poente, num outro largo surgia o imponente conjunto jesuíta do Bom Jesus, que ainda atualmente é uma das principais atrações de Velha Goa por conter o túmulo de São Francisco Xavier, o maior magnete de peregrinação católica da Ásia.

Mais para nascente, do sítio do Largo do Pelourinho Velho, verdadeira rótula viária de Goa, sai ainda hoje a Estrada da Luz que, passando pelo Pelourinho Novo, conduz ao que foi o grande largo periurbano, um rossio, de Nossa Senhora da Luz. Dali se acedia em rampa ao Convento da Cruz dos Milagres dos oratorianos, mas também ao hinterland goês, bifurcando para Moulá e Talaulim.
A urbe terminava ali, ainda que a nova e extensa fortificação perimetral iniciada na década de 1560, de que dá boa conta o mapa sobre fotografia de satélite anexo, tenha fixado um perímetro urbano bem mais vasto.

Cronológicamente e, assim, conceptualmente, o início do processo para a construção desse novo cerco coincide com o início da fase de monumentalização do tecido urbano preexistente e a dinamização do crescimento já acima por demais referenciados, tudo através de programas arquitetónicos religiosos de aparato. Paradoxalmente, estava‑se também a entrar no período do declínio.
A definição do novo perímetro, cujo traçado foi determinado por razões de lógica defensiva – essencialmente aproveitamento de estruturas anteriores e, ligando passos, de situações topograficamente mais favoráveis – teve também como efeito uma ainda maior descompressão do centro urbano, permitindo aos cidadãos ir habitar longe do pestilento centro, com a falível sensação de proteção conferida pela muralha.
Perímetro que incluía algumas fontes de água potável, como era o caso da Fonte de Banguinim, que chegou a ser canalizada para o centro da cidade.

De entre tudo tem especial expressão o número de estabelecimentos religiosos. No núcleo propriamente urbano, a vasta ação de monumentalização ocorre obviamente no período e sob os desígnios propagandísticos da Contra‑Reforma, tendo, entre alguns outros, sido marcante o papel de Frei Aleixo de Meneses (1559‑1617), arcebispo de 1595 a 1612, vice‑rei da Índia entre 1607 e 1609, presidente do Conselho de Portugal na corte filipina e, ainda, vice‑rei de Portugal em Lisboa entre 1614 e 1615.
Não se lhe devem todas as iniciativas, mas essencialmente a grande dinâmica que estabeleceu e que conduziu à exagerada fórmula de Goa como Roma do Oriente, o que dele faria o respectivo Sisto V. Mercê dos seus cargos e boa cotação junto da corte conseguiu libertar meios suficientes para produzir uma animação paisagístico‑urbanística, já de esboço barroco, na capital do Estado da Índia Portuguesa.
Diga-se ainda que a sua ação apostólica se estendeu a todo o estado, com particular relevância para as suas visitas à Província do Norte. Como no território europeu, mas aqui com expressões e dimensões nunca atingidas em qualquer outro ponto do império, o aumento de escala e esplendor da arquitetura religiosa era entendido como um elemento essencial no combate à heresia que, para além do mais, aqui dispunha de arquiteturas de grande impacto e qualidade.
É quase só parte desse programa arquitetónico o que constitui e se visita em Velha Goa, sendo ainda importante fazer notar como se tornara impossível para qualquer ordem ou congregação religiosa não ter uma casa em Goa. De facto, são muito raras as exceções. A descrição que acabo de fazer, apesar de longa não é, de forma alguma, exaustiva, tendo apenas como modesto objetivo dar uma ideia ao leitor da complexidade e organicidade da estrutura urbana de Goa e, assim, permitir‑lhe uma melhor leitura de Velha Goa. Como não é demais repetir‑se, são múltiplas as descrições de Goa, e os guias de Velha Goa – de entre os quais destaco o contido no livro De Goa a Pangim… de Pedro Dias (2005) – mas mesmo assim é demorada a apreensão da realidade desaparecida da primeira, que é absolutamente necessária à compreensão cabal da segunda. Para tal ajudarão muito as entradas que se seguem. Restam‑me agora duas pequenas referências a assuntos que também surgem em outros textos deste volume, o primeiro relativo à mudança da capital para Mormugão, o outro respeitante ao frustre plano pombalino de restauração. O primeiro caso arrastou‑se entre as últimas décadas do século XVII e as primeiras décadas do seguinte. Chegou‑se a fazer obra, a desmontar alguns edifícios de Goa para ali se reutilizarem os materiais, mas a resistência por parte das ordens religiosas foi inamovível. Algumas tinham mesmo acabado de se instalar. O mesmo não sucedia com os demais moradores, incluindo os titulares dos mais altos cargos da administração régia e os próprios arcebispos, que se foram perfilando ao longo da estrada até Ribandar, topónimo que, curiosamente, na língua local significa estrada ou porto real. E logo que, na década de 1630, a Ponte‑Açude do Conde de Linhares ligou Ribandar a Pangim, a migração estendeu‑se até esta última, prenunciando o seu futuro como centro de atividades de Nova Goa, designação oficial da capital instituída (ou reconhecida) em 1843, quando Goa passou a ser Velha Goa. No âmbito do seu vasto plano de reestruturação administrativa e territorial de todo o Estado da Índia, promulgado por cartas régias dos primeiros meses de 1774, o marquês de Pombal ordenou a reforma e saneamento da cidade de Goa, chegando a estabelecer medidas para o retorno compulsivo dos funcionários régios e, bem assim, das instituições de que dependiam. As obras foram iniciadas, tendo‑se, entre outras medidas sanitárias, selado múltiplos poços e outros focos infecciosos. Foram também construídas algumas habitações e recuperados diversos edifícios. O plano era, como sempre, exaustivo e fundamentado em memorandos extraordinariamente ricos e reveladores da situação concreta e do enquadramento ideológico de matriz iluminista. Os jesuítas, claro, eram apontados como os principais responsáveis pela decadência, e o seu património reutilizado como motor da restauração almejada. Também os planos são de uma enorme ambição e extraordinária utilidade para a nossa reconstituição mental da cidade. Porém a sentença de Goa estava ditada, até porque a atual Velha Goa já despontara, revelando‑se com a extinção das ordens religiosas, em 1834. Houve ainda tempo e ensejo para mais desmontes, pois a situação que chegou até nós deveu‑se mais a determinismo administrativo que a incúria. Depois de diversas ações esporádicas, no limite da existência do Estado da Índia o governo decidiu elaborar um ambicioso plano para a Reintegração da Cidade de Velha Goa no seu ambiente histórico, arqueológico, monástico e religioso. Para tal foi constituída uma comissão, cujo trabalho foi publicado no relatório datado de 1959. A implementação do plano foi iniciada, mas era tarde de mais para a administração portuguesa, e a administração indiana só decorridos bastantes anos se começou a interessar ativamente pelo problema, necessariamente com outra perspectiva. Em 1986, pelo seu passado, mas essencialmente pelo que conserva no presente, Velha Goa foi inscrita pela UNESCO na Lista do Património. A grande lição da história de transformação de Goa em Velha Goa resume‑se no fundo ao quanto foi vítima de si própria, pois pesem embora as inúmeras descrições e referências encomiásticas, não foi dotada pela natureza, nem pelos homens, de condições para se manter no espaço como a lenda a perpetua no tempo.

 

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Fontaínhas é um bairro da cidade de Pangim em Goa, na Índia.
Mantém até hoje características típicamente portuguesas, nomeadamente a nível arquitectónico, tais como ruelas estreitas, villas antigas, edifícios pintados em cores vivas e o nome das ruas e vielas.

O bairro oferece uma percepção de como era Pangim na época da governação portuguesa. É o mais característico e mais lusitano bairro da capital de Goa que se situa na zona oriental da cidade de Pangim, entre o morro do Altinho, o bairro de São Tomé e a chamada ribeira de Ourém.

Há cerca de 200 anos aquela área era um extenso palmar que começou a ser ocupado por moradores, quando a capital de Goa foi deslocada de Velha Goa para Pangim. Depois cresceu e, hoje, uma boa parte das suas casas datam do século XIX e são de arquitectura indo-portuguesa, com varandas, balcões e bonitas janelas. Não têm mais que dois pisos e a sua pintura usa cores mediterrânicas como o branco, o azul, o vermelho e o amarelo. As ruas do bairro são estreitas e sinuosas, havendo vielas, travessas, becos e escadarias.
O atendimento na farmácia, na confeitaria ou na ourivesaria, é muitas vezes feito em português.

Na promoção turística o bairro das Fontainhas é chamado o Bairro Latino e, desde 1974, beneficia de um regime de protecção municipal para evitar os efeitos da pressão urbanística e da especulação imobiliária.

Desde há alguns anos que, por iniciativa do Goa Heritage Action Group, uma ONG apoiada pelo Governo de Goa, se realiza o Fontainhas Festival of the Arts, com o objectivo de animar e de suscitar o interesse dos moradores e de outros interessados pelo rico património do bairro, mas também para sensibilizar as autoridades e outros possíveis parceiros públicos e privados para a sua preservação.

A originalidade desta iniciativa está nas artes que confluem nas casas antigas, através de exposições de pintura, azulejos, artefactos ou fotografia, na diversidade dos programas musicais, na animação das ruas e vielas, nos restaurantes ocasionais que apresentam as suas artes gastronómicas e nas milhares de pessoas que vêm assistir e tomar parte nesta festa.

Nas Fontaínhas fica a capela de São Sebastião, a delegação da Fundação Oriente e alguns restaurantes e bares, sendo a zona de Pangim onde mais se fala português e a zona mais procurada pelos turistas.

 

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Em 1541 foi fundada uma ermida, na encosta poente do Monte da Conceição em Pangim, virando-se para a foz do Rio Mandovi, tendo sido elevada a igreja paroquial em 1600.

Em 1619, o edifício primitivo foi demolido e a igreja reedificada, sendo dessa data o perímetro fundamental que hoje podemos observar.

A igreja é de nave única, com cobertura de madeira e telhado e capela-mor abobadada a pedra. Apresenta ainda um falso transepto.
A capela-mor, articulada por dois nichos semicirculares em cada lado, e a respectiva abóbada (de arestas com penetrações) correspondem a uma reforma arquitetónica datável da primeira metade do século XVIII.

Há um coro-alto ainda posterior.

A fachada até à cornija principal datará também da reforma setecentista.

Na década de 1870, foi introduzida a sineira, com o sino do antigo convento dos Agostinhos de Velha Goa, e fez -se a alteração do remate das torres.
Nessa mesma época construiu-se a escadaria, que veio até hoje e é a peça cenográfica que, com a fachada, constitui o monumento mais conhecido de Pangim.

Observando o desenho feito por Lopes Mendes pode ainda ver-se parte das escadarias mais antigas que subiam lateral e perpendicularmente à igreja, entre as quais existiria inicialmente um patamar ao nível da entrada, como podemos verificar em plantas dos finais do século XVIII.
No mesmo desenho distingue-se uma escada mais estreita, uma vez que coexistia com parte da escadaria antiga, e com um desenho um pouco diferente da que hoje existe.
Também a zona que atualmente corresponde ao primeiro patamar de escadas seria na altura uma plataforma onde se encontrava o cruzeiro. Assim, é provável que entre o final do século XVIII e 1870 tenha sido realizada uma primeira reforma na escadaria.

O cruzeiro foi retirado do local e alterado após as duas primeiras décadas do século XX.
O monumento à Imaculada Conceição, situado no adro da igreja, data dos finais de 1904; no seu pedestal encontra-se uma placa datada de 1954, ano comemorativo do centenário da instituição do dogma da Imaculada Conceição (e do cinquentenário do monumento).

A escadaria fazia decerto parte de um plano mais abrangente, que englobaria o Corte do Outeiro e o Largo Municipal e reforçou o papel cenográfico que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição sempre teve, como se pode observar desde as mais antigas representações conhecidas de Pangim.

 

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Pangim fica situada na margem esquerda da foz do Rio Mandovi.

Os testemunhos conhecidos referem que neste local existe uma pequena povoação, pelo menos desde o século XI.
Para os portugueses, Pangim era um ponto essencial do sistema defensivo da cidade de Goa e, por esse motivo, lugar de presença militar constante.

A construção da Ponte‑Açude ( Ponte‑Açude do Conde de Linhares), em 1633 possibilitou um acesso mais fácil entre Pangim e a cidade de Goa, reforçou a sua importância e iniciou a transformação física deste lugar. Porém, a incerteza relativamente à mudança da capital, discussão que se iniciou em 1684 e continuou acesa até ao início do século XX, levou a que Pangim crescesse lentamente, não havendo notícias de grandes planos ou transformações até à época pombalina.

Em meados da década de 1770 foram feitos dois levantamentos, onde se pode ver como era Pangim exatamente neste período.

Os esteiros das Fontainhas, a nascente, e de Santa Inês, a poente, constituíam as suas fronteiras naturais.
Nas Fontainhas desenvolvia‑se uma rua paralelamente ao esteiro, ao longo da qual existiam pequenas casas, enquanto ao longo do esteiro de Santa Inês se situavam casas de famílias mais abastadas, portuguesas ou luso‑descendentes.
Entre as ruas que então existiam, podem ainda identificar‑se as mais importantes nos atuais arruamentos. Na zona central, a Rua Dr. Dada Vaidya, que fazia a ligação entre o norte das Fontainhas e Santa Inês, contornando pelo sopé do monte os pântanos existentes, e a Rua Mahatma Gandhi, que cruzava os pântanos e os campos de arroz.

Nas Fontainhas, a Rua 31 de Janeiro, e a norte desta, a Rua João Castro.
A população fixou‑se sobretudo ao longo da Rua Mahatma Gandhi, cujo nome à época se desconhece, mas que, em 1870, se dividia em dois troços: a Rua Velha e a Rua Principal.
Estes nomes refletem bem a sua importância. Todas as construções assinaladas nos levantamentos eram casas particulares, com exceção do Palácio do Governador, do aquartelamento da companhia de cavalaria, situado no extremo norte das Fontainhas, da Igreja da Conceição e da Igreja de Santa Inês (1653).
Das casas particulares pouco resta, no entanto ainda hoje se pode observar a antiga casa da família Athaide Teive, mais conhecida por Palácio do Maquines, completamente transformada durante a segunda metade do século XIX.

O primeiro plano que se conhece para Pangim data do mesmo período (1776), embora as intenções de tornar a localidade numa cidade já existissem, pelo menos, quarenta anos antes.
O plano, desenhado pelo sargento-mor de infantaria José Antas Machado, previa uma malha ortogonal que se devia estender entre dois braços de rio perpendiculares ao Mandovi, no sopé de uma elevação a sul e sudoeste. Toda a zona central era aterrada, regularizada, e as suas margens definidas através de uma marginal que ia do norte das Fontainhas até Santa Inês.
O plano previa ainda uma praça de carácter militar junto ao rio, e uma segunda praça, a Praça do Pelourinho, situada na parte posterior da primeira. Mantinham-se todas as construções importantes, às quais se adaptava a nova malha urbana. A Rua Velha desaparecia, assim como todas as construções que a ladeavam.

A queda do marquês de Pombal em 1777, a falta de vontade e de poder de Lisboa face à população local e ao governo de Goa, bem como a constante discussão em torno da problemática da localização da nova capital foram certamente importantes contributos para o abandono do plano para Pangim e também dos planos efetuados na mesma época para a velha cidade de Goa.
Assim, e perante a indefinição geral, a mudança das instituições públicas para Pangim foi-se fazendo paulatinamente. Foi somente na segunda década do século XIX que Manuel de Portugal e Castro (1826-1835), último vice‑rei da Índia, fez obras de urbanização importantes, mostrando que a passagem da capital para Pangim era uma decisão sem retorno.
Manuel de Portugal e Castro foi responsável pela maioria dos trabalhos de modelação do terreno na zona central de Pangim, descritos detalhadamente por Louzada Azevedo. Aterrou os três grandes campos de arroz e duas linhas de água que atravessavam a parte central da cidade; para garantir o escoamento das águas, manteve o esteiro de Santa Inês e o esteiro junto ao Palácio do Governo, contendo as suas margens através da construção de muros e fazendo também aterros na marginal.
Estes canais eram atravessados por quatro pontes do lado do palácio e outras duas do lado do Campal que, apesar de transformado em passeio público, ainda era descrito como o último grande pântano da cidade.
As duas pontes que davam acesso ao Campal, a Ponte Minerva ou Alexandre Herculano (1829) e a Ponte de Santa Inês ou do Campal, ainda hoje existem. Terminada a maioria dos aterros, iniciou‑se nos primeiros anos da década de 1830 a abertura de praças e ruas e a construção de edifícios, dos quais sobressai o Quartel de Artilharia.

Em 1842, grande parte das obras estava concluída. Mesmo junto ao quartel, no Largo das Sete Janelas, hoje Azad Maidan, foi iniciado em 1843 o Monumento a Afonso de Albuquerque, no qual foram utilizados materiais vindos da velha cidade de Goa, nomeadamente do Convento de São Domingos. A sua autoria é atribuída a José da Costa Campos, Inspetor das Obras Públicas. Após 1961, a estátua de Afonso de Albuquerque foi retirada e a que hoje se pode observar é de Tristão de Bragança Cunha.

Nos anos que se seguiram, Pangim continuou a ter graves carências e dificuldades em atrair pessoas. As tentativas para a sua urbanização eram constantes, concedendo‑se privilégios a quem ai construísse, à imagem do que se fizera na velha cidade. No entanto, foi o trabalho de Manuel de Portugal e Castro que permitiu que, em 1843, D. Maria II criasse a cidade de Nova Goa e a elevasse a capital da Índia Portuguesa.

Nova Goa ocupava toda a margem esquerda do Rio Mandovi, desde a sua foz até Daugim.
Pangim, onde então se centralizavam as funções políticas e administrativas, era um dos seus bairros. Porém o desenvolvimento urbano, em detrimento do atrofiamento dos outros dois bairros, Ribandar e Goa, fez com que a capital fosse designada por Pangim ou Nova Goa indiscriminadamente.

Os meados do século XIX foram marcados por intervenções pontuais. Nas Fontainhas avançaram obras de reordenamento e melhoria das condições higiénicas. É normalmente atribuído ao governador Lopes Lima (1840‑1842) o início da transformação, com trabalhos na Rua 31 de Janeiro, que atravessava longitudinalmente o bairro. As obras prosseguiram lentamente.

Em 1845, no início da Rua de São Tomé, paralela à 31 de Janeiro, foi construída a capela dedicada àquele santo e posteriormente ampliada (1902).
Durante o governo do visconde de Vila Nova de Ourém (1851‑1855) foi criada a rua marginal que separava o bairro do esteiro, designada até aos nossos dias Rua de Ourém. Foi também no seu governo que a fachada da Fonte Fénix foi construída, promovendo assim a qualificação de uma área que era natural continuação das Fontainhas. Esta fonte foi descrita por Lopes Mendes como sendo mais importante que a Fonte Boca da Vaca, construída por Manuel de Portugal e Castro na zona central da cidade.

O conde de Torres Novas (1855‑1864) prosseguiu as obras nas Fontainhas, sendo responsável pela implantação da Câmara Municipal das Ilhas de Goa (1860) e pela definição do jardim/praça que se estendia à sua frente e dos arruamentos que a definiam.

O arranjo na envolvente da Igreja da Imaculada Conceição, com a redefinição da escadaria que a enquadrava cenograficamente, faz parte do mesmo plano de conjunto, um plano pontual que também englobaria o Corte do Outeiro, principal eixo de atravessamento da cidade.

A cidade continuou a crescer do lado poente, ao longo das ruas que já existiam, e no bairro das Fontainhas, que registava um crescimento mais acelerado. Em dezembro de 1878, no mesmo mês em que foi assinado o acordo entre Portugal e a Inglaterra que levou à construção do caminho‑de‑ferro, Caetano de Almeida e Albuquerque (1878‑1882) assumiu o cargo de governador‑geral, com instruções específicas de Lisboa para melhorar as condições sanitárias da capital.
Durante o seu governo terminaram-se a maior parte das obras de “modelação” dos terrenos do centro da cidade e do Corte do Outeiro. Abriram‑se ruas, fizeram‑se aterros e iniciou‑se a construção da muralha marginal. Especialmente importantes foram as obras nas Fontainhas, que se prolongaram até ao início do novo século, com a abertura de diversos arruamentos, entre os quais: a Rua Central, hoje Luís de Menezes; a conclusão da Rua de Ourém; a abertura da Rua de São Sebastião (1881‑1887) e a consagração da Capela de São Sebastião em 1888, após demolição da antiga, que se encontrava do lado oposto da rua.

Previu‑se também a primeira zona de expansão da cidade: o Altinho.
Pensado como um bairro para receber os desalojados das obras de melhoramento que se estavam a fazer na cidade, acabou por se transformar num bairro para famílias goesas abastadas e funcionários portugueses, feito à imagem de Malabar Hill, em Bombaim.
A urbanização decorreu a ritmo lento, e foram dois edifícios ligados à Igreja, o Palácio do Arcebispo e o Recolhimento da Serra, que impulsionaram a construção e consolidação do bairro.

Na primeira década do século XX, novas áreas de expansão foram planeadas. Com a construção da Avenida de Circunvalação, que ligava as Fontainhas a Taleigão e Santa Inês, pretendeu‑se urbanizar todo o monte a sul de Pangim.

A poente foi planeada a expansão até Carazalém. A única destas áreas que efetivamente avançou foi a do Campal. Com regras de construção bastante rígidas, que passavam pelo controlo de qualidade e pelos tempos de construção, a urbanização do Campal foi efetivamente concluída na década de 1930, ao contrário do que se passava no resto da cidade.

Com a República, chegaram novos planos e novas expansões.
Em agosto de 1911 foram nomeadas comissões encarregues de organizar planos de melhoramentos para cada uma das cidades, vilas e povoações do território. Provavelmente no seguimento desse trabalho, foi aprovado provisoriamente, em 1921, um novo plano para a capital, que previa o prolongamento e alargamento da Rua de Ourém e um novo bairro na parte oriental da cidade, hoje chamado Patto, no qual se previu uma avenida que iria estender‑se ao longo da margem oriental do esteiro das Fontainhas.
Algumas obras no esteiro das Fontainhas foram iniciadas certamente pouco tempo depois, dado que plantas posteriores apresentam a margem do esteiro muito bem definida e aterros feitos nesta zona.
Testemunhos da época mostram que nalguns terrenos no centro da cidade o nível freático era muito elevado, causando problemas à construção dos edifícios e tornando frequentes novos aterros nesta área.

Foi ainda em 1921, a 11 de janeiro, que se fez uma alteração significativa à divisão da cidade de Nova Goa, embora se mantivessem três bairros: estes passaram a ser Pangim, Ribandar e Santa Inês.
Acabava assim a ficção legislativa criada em 1843, e Velha Goa deixava de ser parte integrante da capital do Estado da Índia.

As obras a nível urbano continuaram, ainda que num ritmo menor. Nos anos que se seguiram, a atenção centrou‑se na resolução dos problemas de infraestruturas da cidade. O abastecimento de água, de eletricidade e a resolução do problema dos esgotos eram as prioridades da Comissão Administrativa de Melhoramentos Sanitários e Urbanos de Nova Goa, criada em 1929.

Em agosto de 1947, a Índia tornou‑se independente, alterando definitivamente toda a política portuguesa relativamente ao território goês. Uns meses antes, a 22 de maio de 1947, ficou estabelecido que os limites administrativos da cidade seriam fixados definitivamente aquando da elaboração do seu plano de urbanização.
O nome da cidade voltou a ser Goa, e incluía as freguesias de Santa Cruz, Mercês, Ribandar, Sé e Taleigão, voltando assim a incluir Velha Goa.

Entre 1950 e 1961, os trabalhos urbanos da cidade estiveram centrados na realização do seu Plano Diretor. Foi aprovado um Regulamento de Urbanização da Cidade de Goa, que permaneceria em vigor enquanto o plano não fosse concluído. Nele se definiam densidades, afastamentos e alguns princípios de construção. Foram feitos planos de pormenor e projetados muitos edifícios, a maioria dos quais nunca chegou a ser construída. Do mesmo modo, o plano global para a cidade nunca chegou a ser concluído.
Desconhece‑se o autor do plano que guiou Manuel de Portugal e Castro, ou mesmo se este foi efetuado durante o seu governo. Crê‑se, no entanto, que, com uma atitude pragmática, se adaptou o plano pombalino. O alvará de 1843 sustinha que a sede administrativa de Goa não mudava de cidade, mas de bairro. Uma ficção legislativa que conseguiu levar avante a transformação de Pangim, vencendo a resistência à mudança e as hesitações sempre presentes na história da cidade. Apesar da clara dificuldade de consolidação da malha urbana da cidade, para a qual contribuía o facto de Goa ter uma população predominantemente rural, os portugueses sempre tiveram grandes planos para a capital do Estado da Índia, como o demonstram os sucessivos planos de expansão.

 

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Os vestígios do sistema fortificado de Mormugão situam‐se num istmo no lado sul da barra do Rio Zuari, em redor de um amplo planalto a partir do qual se domina uma extensa área circundante.

Em vários aspectos, a praça de Mormugão é equiparável à de Aguada. Contudo, salientam‐se duas diferenças fundamentais: o facto de se ter intentado edificar uma cidade no recinto de Mormugão, e as profundas alterações nele ocorridas, dada a construção de um porto de mar em finais do século XIX.

Com a chegada dos holandeses às costas goesas, tornou‐se indispensável defender as barras dos rios Mandovi e Zuari. Este último, para além de conduzir a passos importantes na Ilha de Tiswadi e nas terras de Salcete, permitia o abrigo a embarcações de grande tonelagem durante o período da monção. Assim, e após os primeiros bloqueios por parte dos holandeses às referidas barras, surgiu uma ordem régia para a edificação de uma fortificação em 1620, tendo sido colocada a primeira pedra da obra quatro anos mais tarde.

O essencial do primeiro período de obras no sistema de Mormugão deve‐se ao engenheiro Júlio Simão. Como em Aguada, o núcleo central deste sistema com‐ preendia um forte numa zona ribeirinha, unido a um cais através de uma estrada coberta pontuada por baluartes e ligado também a um forte situado a uma cota mais elevada através de duas cortinas ou couraças que acompanhavam o declive do terreno.
Esta posição sobranceira foi edificada após o forte ribeirinho, não figurando na vista das terras de Salcete desenhadas por Pedro Barreto Resende para o Livro das Plantas de todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental…

Nesse relatório, concluído em 1635, António Bocarro, o respectivo cronista, refere a porta principal da fortificação à cota inferior, realçando as pedras lavradas do frontispício e também as casas largas e de boa traça pertencentes ao capitão, no interior do recinto.
Estes dois elementos ainda permanecem em Mormugão, inseridos na estrutura portuária que veio a ser edificada no século XIX.
No piso térreo das casas do capitão ficavam os aquartelamentos dos soldados e os armazéns de munições.
Defronte deste edifício existia uma ampla plataforma com canhoeiras.
O forte à cota superior, comparável à cidadela de Aguada, foi iniciado em 1638, conforme uma lápide que existia na porta principal.

Dada a ruína do sector nordeste, e a falta de uma intervenção arqueológica no local, apenas com a ajuda da cartografia oitocentista é possível apurar que a sua forma seria irregular e triangular, contando com três baluartes robustos de traça apurada. No centro dos vestígios do forte permanece um cruzeiro.

As campanhas posteriores de obras resultaram da decisão de mudança de capital de Velha Goa para o planalto de Mormugão. Esta decisão, proposta pelo vice‐rei Rui de Távora, foi aprovada pelos principais representantes da cidade de Velha Goa em janeiro de 1684 e sancionada pela metrópole. Contudo, desenvolveu‐se uma tenaz resistência ao projeto. Os principais argumentos a favor da mudança radicavam na defensibilidade da península de Mormugão e na salubridade do local comparativamente à situação de Velha Goa.

Contra alegava‐se a falta de recursos para a edificação de uma nova cidade e de novas casas religiosas. Apesar da resistência, realizaram‐se ou iniciaram‐se uma série de estruturas militares, urbanas e residenciais entre 1687 e 1707.
Este estaleiro esteve a cargo dos jesuítas Teotónio Rebelo e, mais tarde, Manuel Carvalho.
É difícil descrever a sua forma ou cronologia, dado o facto de as estruturas terem sido quase todas demolidas durante a construção do porto de Mormugão e subsequente desenvolvimento urbano da cidade de Vasco da Gama.
Contudo, através de documentação coeva e cartografia oitocentista, compreendemos que as obras principais ocorreram no lado leste e nordeste da península, onde foi levantada uma extensa muralha com aproximadamente dois mil e duzentos metros, intercalada por baluartes, que ia terminar perto do cais principal, ligado à fortaleza ribeirinha.

Junto a esta muralha edificaram‐se vários equipamentos. Aparentemente não se efetuaram obras ou arruamentos à cota do planalto, questão que só o desaparecido projeto de nova cidade para Mormugão poderia vir a esclarecer.
Uma série de outros baluartes pontuava as zonas mais expostas e estratégicas da restante orla da península, a sul e oeste.

Segundo Pedro Dias, todo o conjunto totalizava vinte baluartes, entre estruturas isoladas ou integradas no sistema de cortinas. Dos equipamentos urbanos, a maior parte terá sido apenas iniciada e, posteriormente, servido de fonte de material para outras construções.
Em 1878, os governos de Portugal e Reino Unido celebraram um tratado que previa a construção de um porto marítimo mecanizado em Mormugão e de uma via férrea que o ligasse ao território britânico de Hubli, atravessando a barreira montanhosa do Gates.

Esta iniciativa teve consequências superlativas para o desenvolvimento de Goa. As obras, iniciadas três anos mais tarde, permitiram a acostagem do primeiro vapor a Mormugão em 1885 e culminaram com a inauguração da linha ferroviária em 1888. Apesar de a nova cidade de Vasco da Gama ter sido começada apenas trinta anos mais tarde, todo o processo continuado de desenvolvimento portuário e urbano de Mormugão até os dias de hoje levou à profunda descaracterização do sistema defensivo dos séculos XVII e XVIII.

 

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À saída da cidade de VAsco da Gama, ao longo da costa em direcção a Panjim, encontramos a ilha de São Jacinto, ligada ao continente por uma ponte de vias largas.

Na ilha, com algumas casas, existe a Igreja de S. Jacinto em estilo colonial à qual foi acrescentada um telheiro em telha tradicional.

De nave simples rectangular, ostenta na sua frontaria duas torres sineiras.

A reduzida população da ilha é maioritáriamente constituída por pescadores.

Na altura da minha visita a Igreja encontrava-se fechada.

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Fortificada em 1624, a península de Mormugão, localizada na foz do Rio Zuari, foi vista desde cedo como um local com condições naturais excecionais. Foi por essas qualidades que rivalizou durante quase três séculos com a Ilha de Goa como localização da capital.

As tentativas de mudança da administração pública foram‐se sucedendo entre 1687 e 1734, e diversas obras chegaram mesmo a ser feitas.

O Palácio do Governo, a Alfândega e o Hospital foram alguns dos edifícios construídos de um modo disperso junto à linha de muralha.
No entanto, a maior parte destas construções encontrava‐se em avançado estado de degradação, quando no século XIX se fez uma nova tentativa de edificar aqui uma cidade.

Com o início das obras de construção do caminho‐de‐ferro, em 1881, a companhia inglesa responsável considerou de importância vital a construção de uma cidade nesta zona.
Foram muitos os avanços e recuos entre portugueses e ingleses.
Em 1885, a companhia inglesa apresentou uma proposta de assumir os custos de construção de uma cidade, embora não excluísse a hipótese de o fazer sob um plano português.
Essa proposta desenvolvia na parte baixa da baía a cidade industrial e comercial, e nas colinas ao seu redor, as construções urbanas.
Os outeiros de Mormugão e dos Alparqueiros, localizados respectivamente a poente e a nascente da baía, para além da parte residencial, teriam diversos equipamentos ligados à saúde e ao lazer.

A proposta, recusada pelo governo português por motivos patrióticos, era semelhante à que fora feita para Lourenço Marques. No entanto, Portugal comprometia‐se a avançar com as obras.

No ano em que se realizou a Conferência de Berlim, onde a importância da ocupação histórica dos territórios foi substituída pela sua ocupação efetiva, a decisão portuguesa não podia ser outra.
Assim, em 1886, o governo português iniciou a expropriação de terrenos, construiu uma avenida com quinhentos metros de comprimento e designou o projeto pelo nome de “futura cidade de Vasco da Gama”.
Mas, as hesitações do governo português continuaram.
As opiniões encontravam‐se divididas relativamente à mudança da capital, e a cidade não se desenvolveu como era esperado.
Datam de 1888 os desenhos que se conhecem da cidade, elaborados pela Direção das Obras Públicas.
Este plano desenvolvia‐se na zona da baía em quarteirões definidos por ruas paralelas e perpendiculares à linha‐férrea e ao porto.
Da estação partia a avenida principal, a única construída até então. Para além da planta definiram‐se perfis transversais de diversos tipos de ruas. Estes desenhos provavelmente seguiam a proposta inglesa, feita pelo engenheiro Ernest Edward Sawyer com a colaboração do engenheiro Cândido Xavier Cordeiro, que representava cada uma das partes no terreno.

A zona da baía seria a parte comercial da cidade, ficando no planalto a parte residencial e representativa.
Contudo não se chegaram a tomar medidas concretas, e foi só perante a pressão dos ingleses que o processo avançou.

Nos anos seguintes fizeram‐se expropriações e deram‐se facilidades a todos os que quisessem construir.
Porém, nenhuma das medidas tomadas nesta época e nas duas décadas que se seguiram tiveram qualquer efeito no desenvolvimento da cidade.
Em setembro de 1917, a designação oficial da cidade passou definitivamente a Vasco da Gama.
Anunciavam‐se tempos de mudança, que se seguiram à criação da Comissão de Melhoramentos de Mormugão, em novembro de 1919.
Criada através do empenho direto de Luís Maravilhas, que ocupou diversos cargos na administração pública de Goa entre 1915 e 1921, a comissão seguia o modelo inglês dos Improvement Trusts e deveria desaparecer quando a cidade estivesse criada, passando as suas responsabilidades para a Câmara Municipal.
Não se defendia a transferência imediata da capital para Mormugão, pois entendia‐se que isso traria graves prejuízos a Pangim.
A proposta assentava na estratégia inglesa, abrangendo também diversas zonas que juntas compunham a cidade: Planalto de Mormugão, Vasco da Gama (zona da baía), Outeiro dos Alparqueiros e ainda Driver’s Hill (zona a sul da linha de caminho‐de‐ferro).

Apesar de o desenho da cidade ter sido mantido na generalidade, supõe‐se que algumas alterações tenham sido introduzidas nesta época, nomeadamente a subdivisão dos lotes mais próximos da estação de caminho‐de‐ferro.

No ano seguinte, 1920, a aprovação do Fundo de Fomento para o território mostrou que Mormugão e Vasco da Gama não faziam parte das suas prioridades. Mas, mesmo sem dinheiro, as obras avançaram: aterraram‐se pântanos, abriram‐se e pavimentaram‐se ruas.

Em março de 1922, a Comissão de Melhoramentos organizou uma festa de inauguração da cidade, em que o governador, o engenheiro Maravilhas e seus convidados percorreram as ruas da cidade.

A maioria dos arruamentos hoje existentes estava já aberta ou iniciada, mas as obras prolongaram‐se durante toda a década de 1920.
Em setembro desse mesmo ano (1922) foi desenhado um plano de expansão que previa a urbanização de todo o planalto de Mormugão, que não se chegou a concretizar, tendo sido aprovado um regime especial de concessão de terrenos na cidade e nos seus subúrbios.

Nos anos seguintes (1926‐1940), procedeu‐se à construção da maioria dos edifícios públicos da cidade, todos implantados na avenida que liga a estação à baía, a antiga Avenida Freitas Ribeiro, ou na antiga Avenida General Craveiro Lopes, avenida paralela ao caminho‐de‐ferro.
É ao longo desta última que podemos encontrar a Escola Primária (1927), os jardins municipal e infantil (inaugurados em 1939), o Mercado ou as construções privadas mais interessantes da cidade, na sua maioria construídas nas décadas de 1920 e 1930.

Como nas outras cidades, o último período de governação portuguesa ficou marcado pela preocupação com as infraestruturas e com o desenho do plano diretor da cidade, em 1959, no qual se considerava que Vasco da Gama ainda estava numa fase embrionária.

 

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Situada no território de Salcete junto ao Rio Sal, a vila de Margão desenvolveu-se em torno da Igreja Matriz e do vasto terreiro que se estende à sua frente.

Designado por Povoação, este núcleo cristão foi também o centro do lugar antes da presença portuguesa, tendo sido igualmente um importante centro de vida religiosa hindu.

A poente do terreiro situava-se o mercado a céu aberto, descrito como grande e abundante, e a sul deste existia o bairro hindu mais antigo da vila, denominado Comba.
Era também a poente do terreiro que se localizava a antiga Câmara Municipal (1873). Vila desde 1779, Margão era referida, até ao final do século XIX, como o maior e mais populoso aglomerado do território goês.
Nele tinham as suas sedes o Município de Salcete, a Câmara Agrária, a Comarca, bem como o Comando Militar da Província, com tropas portuguesas estacionadas em permanência.

Com a definição do Largo dos Quartéis e a construção dos aquartelamentos em 1811, a malha urbana começou a estender‑se para sul.
O largo tinha uma configuração regular e os seus limites eram definidos do lado poente e norte pelos quartéis, a nascente por quartéis e pela Igreja da Graça e a sul por casas particulares.
Ainda a sul, um pouco mais distantes, existiam algumas casas com carácter rural.

Não existem muitos relatos exatos de obras realizadas em Margão, mas ficaram alguns testemunhos que permitem saber que, em meados do século XIX, a vila sofreu diversos melhoramentos e nos dão uma imagem de como se desenvolveu.

Lopes Mendes (1862‑1871), Tomás Ribeiro (1870) e José Nicolau da Fonseca (1878) referem obras em edifícios públicos e melhoramentos nesta época.

Em 1841 foi construído o edifício do Tribunal, a poente do terreiro, e dez anos depois construiu‑se perto o Mercado.
Pelo menos desde 1840 a vila tinha posturas municipais que previam medidas de controlo sanitário e regulavam a construção.
Ainda nessa década, como tentativa de conter as muitas epidemias que a vila sofria, foi construído um cemitério a sudeste da povoação, nos limites da malha urbana.
Aí perto, em 1867, foi lançada a primeira pedra do Hospício do Sagrado Coração de Maria, e entre 1864 e 1870 foi aberta a Rua Padre Miranda.

A vila cresceu em torno dos dois terreiros e ao longo da Rua Abade Faria, que os ligava.

A proporção de habitantes cristãos (10.878) para não cristãos (1.347) referida por Lopes Mendes, permite entender a concentração na zona cristã e a baixa densidade de construção na restante malha urbana, ou seja, à medida que se ia progredindo para sul, a densidade de construções diminuía.

As casas das quintas de brâmanes cristãos situavam‑se ao longo da Rua de São Joaquim – estrada que fazia a ligação a Raia – para nascente do Largo da Igreja.
Esta implantação prolongava‑se ao longo da rua, já para uma zona periférica.
As casas eram quase todas de um só piso, apalaçadas com balcões e jardins.

A vila distinguia‑se por possuir uma sociedade com prestígio e uma vida intelectual rica, quer no que diz respeito à sociedade católica, quer à hindu.

A atividade intelectual da vila refletia‑se na existência, na década de 1860, de dois teatros e na publicação de oito jornais.

As grandes alterações no desenho da cidade deram‑se na transição do século XIX para o XX, época em que Margão ganhou uma nova dinâmica e nova centralidade. Estas transformações foram impulsionadas pela construção do caminho-de-ferro (1881-1888) e a consequente instalação da estação ferroviária na zona sul da vila.

A escolha da localização da Câmara Municipal, em 1902, a meio caminho entre o Largo dos Quartéis e a linha de caminho‑de‑ferro, foi uma clara aposta na expansão urbana para sul.
Criou-se um espaço urbano cujas características faziam lembrar o terreiro na antiga zona central da vila, imagem que foi alterada, já depois de 1961, com a criação dos jardins municipais.
Entretanto, também já se tinha instalado uma área de mercado nesta zona.

Ainda em 1902 foram revistas as posturas municipais, que relativamente às construções definiam, entre outras coisas, as dimensões mínimas de vãos, o afastamento entre construções, as distâncias aos arruamentos, etc.

Em 1907 e em 1911, foram feitos dois planos para Margão. O primeiro foi fundamental no crescimento da cidade e abrangia os bairros de Comba e D. Affonso (zona do Mercado Novo), prevendo a abertura de arruamentos e a construção de edifícios. Estes bairros tiveram um desenvolvimento significativo nos anos seguintes. O segundo plano foi aprovado em 1918, prevendo uma transformação profunda da vila. Para além das obras ao nível urbano diversos edifícios foram construídos, entre eles o do lado poente do município e a ampliação do Hospital. A importância deste, não só para a cidade como para a região, deve ter levado à construção da rua que o liga à zona sul, perto da estação do caminho‑de‑ferro.

Nos anos seguintes, os trabalhos em Margão prosseguem, mais uma vez, como os dos outros aglomerados: a vila foi elevada a cidade em dezembro de 1933. Fizeram‑se obras a nível urbano, entre as quais se destaca a expropriação, em 1936, de terrenos no Largo dos Quartéis e na Praça Municipal para a abertura de ruas em torno do jardim municipal e da praça de automóveis, alguns dos edifícios então desenhados não chegaram a ser construídos.

Na década de 1950, fez‑se o abastecimento de água à cidade, e em 1961, trabalhava‑se no Plano de Urbanização.

 

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Goa

Goa

Goa (concani गोंय, Goem) é um estado da Índia.
Situa-se entreMaharashtra a norte e Karnataka a leste e sul, na costa do Mar da Arábia, a cerca de 400 km a sul de Bombaim.

É o menor dos estados indianos em território e quarto menor em população e o mais rico em PIB per capita da Índia.

A sua língua oficial é o concani, mas ainda existem pessoas neste estado que falam português, devido ao domínio de Portugal na região por mais de 400 anos.

As suas principais cidades são Vasco da Gama, Pangim, Margão e Mapuçá.

A partir de 1510, Goa foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada na União Indiana após ter sido invadida pelo exército indiano em 1961.

As suas igrejas e conventos encontram-se classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.

A primeira investida portuguesa deu-se em 1510, de 4 de Março a 20 de Maio. Nesse mesmo ano, em uma segunda expedição, a 25 de Novembro, Afonso de Albuquerque, auxiliado pelo corsário hindu Timoja, tomou Goa aos árabes, que se renderam sem combate, por o sultão se achar em guerra com o Decão. Nesse período, um cronista português descreve Goa, no período de 1512-1515

“Os gentios do reino de Goa são mais válidos que os do reino de Cambaia. Têm formosos templos seus neste reino, têm sacerdotes ou brâmanes de muitas maneiras. Há entre estes brâmanes gerações muito honradas deles, não comem coisa que tivesse sangue nem coisa feita por mão de outrem (…). As gentes do reino de Goa por nenhum tormento não confessarão coisa que façam. Sofrem grandemente e soem ser atormentados de diversos tormentos. Antes morrem que confessar o que determinaram calar. E as mulheres de Goa são jeitosas no vestir, as que dançam e volteiam o fazem com melhor maneira que todas as destas partes. (…) E costuma-se grandemente neste reino de Goa, toda mulher de gentio queimar-se por morte de seu marido. Entre si têm todos isto em apreço e os parentes dela ficam desonrados quando se não querem queimar e eles com admoestações as fazem queimar. As que de má mente recebem o sacrifício e as que de todo ponto não se queimam ficam públicas fornicárias e ganham para as despesas e fábricas dos templos donde são freguesas. Este gentios têm cada um uma mulher por ordenança, e muitos brâmanes prometem castidade e sustêm-na sempre. Nos outros portos de Goa se carrega muito arroz, sal, bétele, areca.” (A ‘Suma Oriental’ de Tomé Pires. Ed. Armando Cortesão, 1978. p. 212-218.)

Uma outra descrição coeva fornece maiores detalhes

“[Goa] é habitada de muitos mouros honrados, muitos deles estrangeiros de muitas partidas. Eram homens brancos, entre os quais, além de muito ricos mercadores que aí havia, eram outros lavradores. A terra por ser muito bom porto, era de grade trato, onde vinham muitas naus de Meca e da cidade de Adem, Ormuz, de Cambaia e do Malabar (…). É a cidade mui grande, de boas casas, bem cercada de fortes muros, torres e cubelos; ao redor dela muitas hortas e pomares, com muitas formosas árvores e tanques de boa água com mesquitas e casas de oração de gentios. A terra é toda arredor muito aproveitada (…). Neste porto de Goa há grande trato de muitas mercadorias de todo o Malabar, Chaul e Dabul, do grande reino de Cambaia, que se gastam para a terra firme. Do reino de Ormuz vem aqui cada ano muitas naus carregadas de cavalos, os quais vêm aqui comprar muitas mercadorias do grande reino de Narsinga e Daquem, e compram cada um a duzentos e trezentos cruzados e segundo é, e vão-nos a vender aos reis e senhores aqui das suas terras, e, todos, uns e outros, ganham nisso muito e assim el-rei nosso senhor, que de cada cavalo tem quarenta cruzados de direitos.” (Livro que dá relação do que viu e ouviu no Oriente Duarte Barbosa. Lisboa: Ed. Augusto Reis Machado, 1946. p. 89-91.)

Com a derrota dos muçulmanos da região, em 1553 um quinto dela estava sob domínio português, recebendo o nome de «Velhas Conquistas».

Os governadores portugueses da cidade pretendiam que fosse uma extensão de Lisboa no Orientee para tal criaram algumas instituições e construíram-se várias Igrejas para expandir o cristianismo e fortificações para a defender de ataques externos.

A partir de meados do século XVIII verifica-se um alargamento dos territórios de Goa, que passam a integrar as «Novas Conquistas».

Apesar de, com a chegada da Inquisição (1560–1812), muitos dos residentes locais terem sido convertidos violentamente ao Cristianismo ameaçados com castigos ou confisco de terra, títulos ou propriedades, a maior parte das conversões foram voluntárias tendo muitos dos missionários que aí pregaram alcançado fama.

Entre estes conta-se São Francisco Xavier, que ficou conhecido como o “Apóstolo das Índias” por ter exercido a sua missionação não só em Goa, mas também noutros pontos da Índia, como Uvari que não se encontravam sob domínio Português.

A decadência do porto no século XVII foi consequência das derrotas militares dos portugueses para a Companhia Holandesa das Índias Orientais no Oriente, tornando o Brasil e, mais tarde, no século XIX, as colónias africanas, o centro económico de Portugal.

Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-1798 e 1802-1813) e poucas outras ameaças externas após este período.

Durante o domínio britânico na Índia, muitos habitantes de Goa emigraram para Mumbai, Calcutá, Puna, Karachi e outras cidades. O isolamento de Goa diminuiu com a construção das vias férreas a partir de 1881, mas a emigração em busca de melhores oportunidades económicas aumentou.

Em 1842 foi fundada a Escola Médico-Cirúrgica de Goa que formou médicos que viriam a exercer em todo o Império Português.

Em 1900 Goa teve seu primeiro jornal bilingue gujarati-português.

No contexto da descolonização, após os Ingleses terem deixado a Índia (1947) e os Franceses Pondicherry (1954), o governo Português, liderado por Dr. António de Oliveira Salazar, recusou-se a negociar com a Índia.

Por essa razão, de 18 para 19 de dezembro de 1961 uma força indiana de 40.000 soldados conquistou Goa, encontrando pouca resistência.

À época, o Conselho de Segurança das Nações Unidas considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

A maioria das nações reconheceram a ação da Índia, mas Portugal apenas a reconheceu após a Revolução de 25 de Abrils, em 1974.

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Este conjunto de 4 pequenas ilhas situa-se no Mar Arábico a cerca de 6km de distância da cidade costeira de Malpe, no estado de Karnataka.

Segundo informações, cuja veracidade necessita de ser confirmada, o nome de Ilhas de Santa Maria (St Mary’s islands) foi dada pelo navegador e explorador português Vasco da Gama que aqui teria aportado em 1498 na sua viagem de Portugal até à Índia.

Vasco da Gama teria colocado aqui uma Cruz e baptizado as ilhas de Padrão de Santa Maria, seguido depois para Calicute, terra firme do continente indiano onde aportaria na praia de Kappad.

 

 

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Designada por Batecala pelos portugueses, esta cidade portuária do estado de Karnataka entrou para a história de Portugal nos principios do séc XVI quando o rei Krishnadevaraya autorizou os portugueses a construir um forte nas redondezas.

Desse forte já nada resta por ter sido abandonado em detrimento de Goa e posteriormente ter sido sujeito à erosão e destruíção pelo tempo.

 

 

 

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A influência europeia na cidadde de Mangalore data de 1498, quando o explorador português Vasco da Gama fundeou nas ilhas que viria a denominar de St Maria, ao largo da cidade, aquando da sua chegada à India.

No sec XVI os portugueses implantaram-se na região e obtiveram substanciais direitos comerciais.

Krishnadevaraya (1509 – 1529), o então rei do império Vijaynagara manteve relaºões amistosas com os portugueses.

O poderio comercial português começava a faer-se sentir fazendo uma concorrência cerrada ao comércio árabe,  qual desejavam destruir.

Em 1524, quando Vasco da Gama soube que os comerciantes árabes de Calecute tinham agentes em Mangalore e Basrur ordenou o bloqueio dos rios que lhes davam acesso.

Em 1526, os portugueses sob o comando de Lopo Vaz de Sampaio apoderam-se de Mangalore tendo o comércio passado, finalmente, das mãos árabes para os portugueses.

Em 1550, Sadashiva Raya, o rei de Vijayanagara atribuiu a administração da região costeira de Canara a Sadashiv Nayaka de Keladi e 4 anos mais tarde conseguiu o domínio político da costa sul de Canara.

Em 1695 a cidade de Mangalore foi tomada e saqueada pelos árabes em retalia,ão das restrições de comércio impostas pelos portugueses.

 

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Em 1505, acabado de chegar à Índia, o vice-rei Francisco de Almeida decidiu erguer uma fortificação, obtendo a anuência do rei local, o Kõlathiri.

A decisão teve origem no crescendo de tensão com a comunidade muçulmana, uma das mais importantes do Malabar.

O sítio tinha boas condições naturais de defesa, reduzindo a necessidade de implantar um forte dispositivo militar.
O assédio marítimo era impossível, já que a península era cercada de grandes rochedos, sendo a acostagem apenas viável na baía, ao passo que a frente de terra era reduzida.

A fortaleza foi batizada Santo Ângelo, precisamente por estar situada sobre água, como o castelo de Roma.

O dispositivo foi esboçado pelo vice-rei, que deixou a traça ao capitão Lourenço de Brito.
Consistia numa muralha e num fosso que isolavam a península da terra firme. A terra e pedras recolhidas na escavação do fosso foram aproveitadas na edificação do muro, que se construiu combinando madeira e outros elementos perecíveis com pedra e cal.
Foram reaproveitados materiais da desmantelada Fortaleza de Angediva, designadamente molduras de vãos provindas do reino.

No início de 1506 os trabalhos estavam avançados, existindo um recinto defensivo fechado e uma torre de menagem.

Segundo o cronista Gaspar Correia, o perímetro tinha planta quadrada, com pouco mais de oitenta metros de lado.
Nas extremidades existiam quatro cubelos com um sobrado. A torre de menagem, com dois andares, implantava-se no centro do pátio.

Em 1507, a capacidade militar da fortaleza foi posta à prova.
A sucessão dinástica local ditou um herdeiro menos favorável aos portugueses e mais aberto a pressões muçulmanas.

No decorrer do cerco e dos recontros travados a propósito do abastecimento de água, que se fazia num poço situado no exterior da fortificação, foi construído um túnel suportado por arcos de pedra, sob direção do mestre-de-obras Tomás Fernandes.
Antes da derrota dos sitiantes foram abatidas as palmeiras que se encontravam junto à fortaleza para melhor utilização da artilharia.

Em 1514 existiam já problemas de conservação da torre de menagem, erguida em alvenaria de pedra e barro, e a sua localização revelava-se desajustada à proteção do porto.
Afonso de Albuquerque sugeriu, então, que esta fosse refeita de pedra e cal, no canto da fortaleza e contígua ao cais, mas cinco anos depois mantinham-se os problemas estruturais, levando ao seu abandono.

Em 1520, o capitão Aires da Gama deu início ao plano gizado por Albuquerque, abrindo-se também uma cisterna e poços e instalando-se um grande forno de cal para as obras, lideradas pelo mes tre Pêro Álvares.
O sistema defensivo de Cananor era então com‐ posto por três espaços distintos.
A norte havia um vazio entre a fortaleza propriamente dita e a muralha e fosso exteriores, local de futuro desenvolvimento urbano.

Aquelas estruturas incluíam um muro espesso equipado com bombardeiras, com duas torres nas extremidades, e uma cava com cerca de sete metros de largura.
O segundo espaço era a fortaleza, dominada pela enorme torre de menagem, com balcão assente em cachorrada na face voltada a sul e nos vértices.
Adossada à torre estava a casa do capitão, bem outras pequenas casas térreas.
A torre implantava‐se no canto norte de um recinto conformado por muros de pouca espessura.
Só no sector virado a terra havia uma composição mais robusta, com muro dotado de adarve e ameias de corpo largo.
No lado oposto ao da menagem existia uma torre poligonal acasamatada com bombardeiras no nível inferior, de cronologia imprecisa. A extremidade ocidental da península constituía o derradeiro espaço da área fortificada. Não tinha inicialmente qualquer defesa edificada.

O surgimento do poderio otomano levou à reparação da Fortaleza de Cananor, em 1526. A obra incluiu a edificação de dois baluartes na cortina exterior e o conserto do fosso, refazendo‐se com pedra e cal as construções mais frágeis.

Talvez date também desta época o muro desenhado por Correia em redor da parte ocidental da ponta.

Estas iniciativas ficaram cristalizadas no desenho do cronista, salientando‐se o formato ultra‐semicircular dos citados baluartes, baixos, espessos e dotados de canhoneiras, representando um estágio mais evoluído na arte de fortificar da primeira metade de Quinhentos.

As obras reformaram profundamente a estrutura defensiva externa do dispositivo militar, passando a centrar‐se aí o essencial da sua força.
Este sistema defensivo manteve‐se quase inalterado.

Em 1635, António Bocarro confirmou o seu perímetro como de pouco mais de quinhentos e sessenta metros, acrescentando que a fortaleza tinha os “muros muito imperfeitos”, totalmente colapsados na banda do mar.

A degradação vinha de finais de Quinhentos, dizendo‐se em 1613 que “está tão danificada que não tem nenhuma defesa”, ou mesmo que “está quase no chão”.
Nesta data ponderou‐se o seu abandono, dados os custos da reedificação e a inexistência de um bom porto ou rio para abrigo de armadas.
Na verdade, a fortaleza continuava a cumprir a sua função, como no ataque muçulmano de 1617. As obras de reparação determinadas pelo rei só tiveram curso nos inícios da década de 1620, sob a direção do engenheiro Júlio Simão, que reconstruiu o baluarte central na banda de terra.
O baluarte mais importante continuava a ser o que confinava com a baía, denominado couraça por conduzir a um desembarcadouro, visto proteger a porta e confinar com o bazar dos mouros.

Em 1635, segundo António Bocarro, a frente da baía era ainda protegida por outros elementos defensivos.
Para além da fortaleza, os portugueses dispunham ainda das “tranqueiras de fora”, uma cortina que cercava o arrabalde.
Em 1558 foram consideradas velhas, pois constituídas “de taipas muito fracas, com alguns andaimes e guaritas”.
Em 1635 tinham cerca de 1.500 metros de perímetro, quatro de altura e muitas guaritas e baluartes. As obras pontuais da década de 1630 não serviram senão como paliativo, pelo que em fevereiro de 1663, face à ameaça holandesa e muçulmana, a fortaleza foi considerada indefensável, por ter “muros muito velhos e fracos” e “cava entupida”, “tudo obra antiga”.
O núcleo mais antigo de Cananor desapareceu após a conquista holandesa.

 

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Em 1502 os portugueses ergueram o seu primeiro estabelecimento permanente no porto de Cananor, uma feitoria dedicada particularmente ao resgate de gengibre, assaz abundante no reino de Kõlathunãd.

O local de implantação foi aquele onde se veio a desenvolver a fortaleza portuguesa, uma longa ponta de terra reentrante sobre o mar, plana e de baixa altitude, dominando a Baía de Cananor.
Era então um espaço quase inabitado, marginal ao povoado autóctone.

A primitiva povoação portuguesa implantou‐se na extremidade dessa península, sendo a feitoria, construída em 1502, o edifício fundacional do pequeno burgo.
Defendida de eventuais incursões por terra pelo sistema defensivo, que se entrepunha ao continente, e circundada de todos os outros lados por costa rochosa, encontrava‐se claramente isolada do meio local.

Quatro anos depois deu‐se início à edificação de uma grande sala para armazenamento de mantimentos e ao levantamento de uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Vitória, comemorando o sucesso naval alcançado ao largo pelos portugueses, sob a liderança de Lourenço de Almeida.

A possibilidade de acostagem nesta península do lado da baía levou a que fosse construído um cais.

No ano seguinte, durante o cerco ao recinto defensivo orquestrado pela comunidade muçulmana mapila, deflagrou um incêndio na casa da feitoria, com cobertura de ola, espalhando‐se rapidamente pelas casas contíguas, todas de materiais inflamáveis.

Este facto comprova a existência da povoação naquele sector desde época recuada, sendo representada em meados de Quinhentos por Gaspar Correia.
O desenho e o texto do cronista são coincidentes no que se refere à presença dos edifícios públicos citados, dispostos em torno de um terreiro, utilizado no tratamento e acondicionamento do gengibre.

Junto à porta do cais e servindo de fecho do perímetro defensivo para a baía erguia‐se de pedra e cal, com dois pisos, a casa da feitoria; ao piso térreo, sem janelas, acedia‐se por duas portas, ao passo que a entrada em altura do piso superior, iluminado através de quatro grandes janelas, se fazia por escada exterior adossada.
500 m no lado oposto, junto ao mar, localizavam‐se o armazém de mantimentos e munições, edifício térreo adossado à muralha, e o hospital, talvez estabelecido por Francisco de Almeida, mas certamente em funcionamento na segunda década de Quinhentos, como se comprova pelos provimentos de enfermeiros e boticários.
Era então considerado o melhor equipamento do género na Índia, acorrendo a ele gente de outras fortalezas.
Contudo, deixou de funcionar até 1554, sendo a pequena casa que o albergava transformada em armazém de munições e pólvora.

As cerca de trinta casas, praticamente todas térreas, organizavam‐se também em torno daquele grande espaço público, para o lado da extremidade da península, a sul, contornando a orla marítima.

A parte norte do terreiro fazia a articulação com a fortaleza.
Na extremidade da ponta estava a Ermida de Nossa Senhora da Vitória, construção alongada com telhado de duas águas.
Provavelmente ainda na primeira década de 1500, os cerca de vinte casados portugueses e oitenta elementos da guarnição passaram a privilegiar a fixação a noroeste da torre de menagem, portanto confinando com o muro exterior e fosso, alegadamente porque as casas da ponta eram assaz incómodas durante a monção.

O desenho de Gaspar Correia mostra este espaço plenamente urbanizado em meados deste século, com duas portas para terra, em lados opostos junto ao mar e à baía.

Apenas esta subsistiu fortificada, segundo o testemunho de António Bocarro (1635). Este sector organizava‐se em torno de dois eixos de circulação: uma rua quase perpendicular à frente do mar, que unia a porta do recinto junto à torre de menagem ao Convento de São Francisco; outra rua, quase perpendicular a esta, que conduzia à serventia para o exterior do complexo.
O ponto de cruzamento era o Largo da Matriz, o principal espaço público.
Uma série de ruas secundárias, tendencialmente ortogonais, compunham quarteirões.
O casario era quase todo de habitações térreas, delimitando‐se nas traseiras, com estacarias, pequenas hortas que preenchiam o interior dos quarteirões.
Algumas casas encostavam à muralha.

Durante o governo de Francisco de Almeida iniciou‐se o levantamento da igreja matriz, com a evocação de Santiago.
Consertada, ornamentada e dotada de novo sino em 1514, a pequena construção era cinco anos depois considerada incapaz de albergar toda a população cristã.

Localizada dentro da fortaleza, tratar‐se‐ia do edifício estreito e alongado, com portal em arco perfeito encimado por janela e telhado de duas águas com estrutura sineira no beirado, que Correia legenda como Misericórdia.

Aquela instituição, dotada de espaço de culto próprio em meados do século XVI, deve ter‐se para ali mudado após a edificação da nova “igreja principal”, erguida entre 1523 e 1524 “dentro dos muros”.
Fez‐se então um templo de “boa quantidade e de grandura […] com uma capela em uma das ilhargas”,certamente o edifício representado por aquele cronista no centro do espaço urbanizado entre a torre de menagem e o muro e fosso exterior.

Com telhado de duas águas, tinha uma volumosa torre sineira.
Implantava‐se em espaço desafogado, murado e sobrelevado, a que se acedia por escada, sensivelmente no centro da povoação.

A igreja principal de Cananor estava muito danificada nos inícios de Seiscentos.
Em 1619, o rei insistiu para que se procedesse ao seu conserto, gorando‐se então a hipótese de esta ser beneficiada durante a empreitada de reparação do sistema defensivo, dirigida pelo engenheiro Júlio Simão.

O derradeiro espaço religioso a ser levantado em Cananor foi o convento dos franciscanos observantes.
Já em 1518 estes aventavam a hipótese de estabelecer ali um oratório, na sequência das edificações em Goa e Cochim.

O rei começou por impedir este intento, mas em 1542 os frades já se tinham estabelecido e, três anos depois, o novo custódio da ordem veio do reino com autorização para o efeito.

Em 1549 a obra estava quase acabada, aprovando‐se em capítulo estabelecer ali um colégio.
Dez anos depois, o complexo era constituído pelo Mosteiro de São Francisco e pela Igreja de Santo António.
Implantava‐se na extremidade oeste da povoação, junto à muralha exterior e ao fosso.

O desenho de Pedro Barreto Resende no relatório de António Bocarro evidencia o engrandecimento do conjunto, com a ereção de um claustro, provavelmente levantado após o encerramento da porta da fortificação que ali existiu.

Quanto à povoação original, na extremidade da península, foi desaparecendo paulatinamente, talvez devido à exposição às intempéries, a ponto de nas primeiras décadas de Seiscentos a Ermida de Nossa Senhora da Vitória, acrescentada de uma torre sineira e aparentemente renomeada Nossa Senhora dos Milagres, se implantar isolada em espaço ermo. Ainda na primeira metade do século XVI alguns portugueses foram habitar para fora do recinto militar, juntamente com os indianos convertidos.

Em 1519 era difícil acoitar tanta gente no espaço intramuros e quatro anos depois, quando se iniciou a construção da igreja principal, foi necessário derrubar casas para implantar o novo edifício, evidenciando a extrema densidade do espaço habitado entre a torre de menagem e a muralha e fosso exteriores.

Existiam então vinte e cinco casados portugueses, com setenta crianças, mas naquele ano tinham ali invernado mais de duzentos portugueses, habitando também setecentos “cristãos da terra”.

Em meados desse século, Gaspar Correia representou uma linha de casas térreas fora da fortificação, bordejando a baía, e um local de desembarcadouro, espaço demarcado pela presença de cruzeiros.
Contudo, certamente pela falta de separação física deste arrabalde face ao povoado muçulmano – o denominado bazar dos mouros – que se firmava em zona contígua também na orla marítima, este espaço foi queimado em data anterior a 1554, levando à morte de alguns dos seus habitantes e lançando os sobreviventes na miséria.

Cinco anos depois já existiam “tranqueiras que cercavam a povoação de fora”, segundo Diogo do Couto, confirmando a organização de um espaço urbano exterior à fortaleza protegido por estruturas defensivas, mesmo que frágeis, embora os seus habitantes não combatentes recolhessem à fortaleza nos tempos conturbados.

Este aglomerado, como primeira linha defensiva do estabelecimento português, continuou a ser fustigado por escaramuças orquestradas pela comunidade mapila, liderada por Ali Rãja, havendo notícias pontuais de que os muçulmanos lograram queimar parte das casas aí existentes, por exemplo na década de 1630.
Nessa data era uma povoação com casas de pedra e cal, telhadas e circundadas por hortas e quintais “muito largos”, com pouco menos de 1.500 metros de perímetro. Cananor nunca dispôs de verdadeiro estatuto urbano, sendo nomeada fortaleza, nunca vila.
O impulso inicial de povoamento em torno da fortaleza não deu lugar à constituição de um aglomerado significativo.
Os europeus permaneceram confinados a uma pequena península. Era uma posição que se justificara inicialmente pelo trato de gengibre, produto que tendeu a sofrer grande concorrência de outros mercados coloniais, pelo que a presença portuguesa se justificou sobretudo por razões estratégicas, relacionadas com a tentativa de controlo das operações das comunidades muçulmanas do Malabar.

 

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HPIP

 

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Kappad ou Kappakadavu, em mailayan, é hoje uma famosa praia que dista 18km da cidade de Calecute, no estado de Kerala.

Foi nesta praia, a 20 de Maio de 1948, que o explorador português Vasco da Gama desembarcou, tornando-se assim o primeiro europeu a chegar à Índia por via marítima e estabelecendo a rota do Cabo como o “Caminho Marítimo para a Índia”.

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Kappad marca o início do grande Império Português do Oriente.

Hoje, uma singela colunata marca, a algumas dezenas de metros da costa marítima, o exacto local onde Vasco da Gama pôs os pés na Índia.

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Sabemos que Vasco da Gama foi o primeiro europeu a chegar à India por via marítima, tendo desembarcado em 1498 nas praias de Kappad, a cerca de 18km de Calicute.

Em 1500 Pedro Álvares Cabral tentou erigir uma feitoria para o comércio de especiarias, mas sem êxito, pois os locais saquearam a construção e massacraram dezenas de portugueses.
Nessa revolta, pereceu em combate, Pero Vaz de Caminha.

Em 1510, foi empreendida uma mal-sucedida tentativa de conquista da cidade.
A expedição foi organizada por dom Fernando Coutinho, o Marechal do Reino, que levara para a Índia ordens específicas para o efeito.

O objetivo de estabelecimento de uma feitoria só seria alcançado com Afonso de Albuquerque, que ali ergueu a Fortaleza de Calecute (1513), abandonada a partir de 1525, em razão do deslocamento do eixo do comércio de especiarias para outros locais, como Diu.

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Numa representação de Calecute, datada do século XVI, a legenda assinala:

“Calecvv – O Rey de Calecvv cõ temor que os nosos tomariã dele vinganca da morte do Marichal cõ muitos rogos Afonsdalboquerque lhe asentou paz fazendo esta fortaleza a sua custa que esteve em muita paz ate o ano de 1525 que Dõ Joam de Lima sendo capitam alevantou gera e se desfez esta forteleza em tempo do Governador Dom Anrique de Meneses.”

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wikipedia

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O forte hexagonal de Palipuram, situado a vinte e quatro quilómetros a norte de Cochim, e constituído por uma Torre simples, é tradicionalmente considerado um das mais arcaicas e antigas estruturas europeias em solo indiano.

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Contudo, a data da fundação permanece indeterminada e as suas características arquitetónicas apontam para intervenções posteriores a 1661, altura em que os holandeses tomaram esta posição defensiva.

Designada como Paliporto pelos portugueses, desde cedo esta povoação, situada na barra do Rio Cranganor, esteve no centro dos conflitos entre as forças do rajá de Cochim, apoiado pelos portugueses, e as de Calecute, procurando ambas controlar os fluxos da pimenta que dos Gates afluíam à costa do malabar.

Logo em 1504, o capitão Lopo Soares de Albergaria e os seus homens, no contexto de um ataque a Cranganor, fundearam aí uma parte significativa da sua força naval.

Mais tarde, em meados da década de 1530, foi edificada uma estância na barra de Palipuram, tendo ficado por capitão Simão Botelho, futuro vedor da Fazenda do Estado da Índia, com a incumbência de travar a passagem dos paraus de Calecute.

Esta primeira posição defensiva foi posteriormente substituída por uma pequena fortificação, descrita por António Bocarro, cerca de 1635.

São as ruínas desta reconstrução que ainda permanecem em Palipuram, embora, na opinião de Pedro Dias, esta posição tenha sofrido ainda uma intervenção holandesa após 1661.
Constituída por três pisos, o forte/torre apresenta três aberturas sobrepostas e de forma aproximadamente quadrada em cada flanco; sob o piso térreo existe uma cave e uma pequena cisterna.

As alvenarias são de pedra laterítica caiada, sendo que no centro do pavimento do piso térreo ainda se nota o embasamento de uma coluna central a partir da qual se estruturava o madeiramento necessário aos pavimentos superiores, acessos respectivos e cobertura.

 

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HPIP e IAI

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A igreja de Chelanam deve a sua importância, sobretudo, ao programa urbanístico adoptado no seu grande largo fronteiro.

Situada no topo de um vasto retângulo, a igreja organiza à sua volta um conjunto de edifícios que, incluindo casa paroquial, escola, cemitério, cruzeiro e habitações, estruturam só por si toda a vida religiosa e social desta pequena comunidade de pescadores macuas.

Dotado de uma marcada unidade, este conjunto edificado corresponde a um raro e notável programa de aldeia jesuíta, que aqui aparece como uma precoce experiência urbanística.

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Casa paroquial e escola formam uma frente urbana de notável qualidade, com uma fachada que, desdobrando‐se em arcarias e colunatas, propicia um quotidiano ao ar livre.
Com um primeiro piso de cinco janelas sobre uma arcada, a casa paroquial apresenta‐se como um raro exemplo de arquitetura doméstica.
Se no desenho da fachada o edifício parece aproximar‐se dos modelos europeus do século XVI e XVII, a estrutura interna revela uma profunda influência indiana, testemunhando a primeira fase de formação de um modelo de casa colonial que se virá a divulgar na região do Kerala por influência portuguesa.
Na sua estrutura interna, o primeiro andar desenvolve‐se com um amplo corredor‐galeria em U, que se estende às duas fachadas laterais, envolvendo um núcleo interior de quartos.
Afastando‐se de qualquer modelo europeu, a estrutura deste edifício conforma‐se em dois retângulos concêntricos: um de maior proporção, correspondendo às paredes exteriores do edifício, e um segundo retângulo interior, mais pequeno, correspondendo à habitação propriamente dita.
As circulações realizam‐se entre as paredes dos dois retângulos, funcionando este corredor‐galeria como caixa‐de‐ar de arejamento e proteção solar, sem qualquer relação com o desenho da fachada.
Ao nível do piso térreo, a fachada da residência de Chellanam abre‐se numa galeria de arcos de volta perfeita interrompidos por pilastras, num desenho de inspiração clássica que veremos repetir‐se em vários casos mais tardios, tornando‐se uma característica deste modelo.

De salientar, para a compreensão dos fenómenos de inter‐influência cultural que este caso representa, que a utilização do arco era desconhecida na arquitetura do sul da Índia, sendo estas arcarias um dos elementos arquitetónicos mais característicos da influência portuguesa nesta área.

Como complemento do conjunto urbano do terreiro ergue‐se, ao fundo, um cruzeiro que, em contra‐ ponto com a igreja, dota este espaço de um ambiente propício às funções litúrgicas e a uma marcada ritualidade, como é típico dos terreiros dos templos hindus.

Contrariamente aos edifícios da casa paroquial e da escola, que mantiveram a sua estrutura original, a igreja sofreu, ao longo do século XIX e XX, significativas transformações.

No século XIX, a fachada sofreu alterações no desenho dos vãos das janelas, tendo sido reformulada, no século seguinte, a capela‐mor numa estrutura de betão armado.

O interior preserva, no entanto, a estrutura original da nave, com duas interessantes galerias laterais.

 

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HPIP

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O Palácio de Mattanchery foi construído pelas autoridades portuguesas, cerca de 1555, para ser oferecido ao rajá de Cochim, Vira Kerala Varma.

Para além de um gesto diplomático que visava consolidar relações, as razões da construção do palácio prendiam‐se com a tentativa de fixação do rajá e da sua corte, perto da cidade que os portugueses tinham construído na embocadura do Lago Vembanad.

Contrariando uma tradição antiga, em que família real e corte tendiam a deambular por palácios de pequenas proporções, construídos em requintadas estruturas de madeira, o novo palácio ergue‐se de forma compacta e monumental, na tradição dos grandes palácios construídos pelos portugueses para os seus governadores e vice-reis.

De grossas paredes em laterite rebocadas a cal, pela sua solidez esta nova arquitetura afirmava‐se de grande resistência face aos constantes conflitos que assolavam a região e opunham o rajá de Cochim ao samorim de Calicute.

Afastando‐se das tradições indianas, onde o modelo de casa tradicional autóctone se caracterizava por um piso térreo assente sobre uma plataforma, o programa arquitetónico do palácio contempla dois pisos, com uma larga escada exterior em pedra, na tradição das casas senhoriais e palácios portugueses do século XVI.

Testemunhando uma progressiva influência portuguesa na arquitetura da região, é este novo modelo de casa, com dois pisos e paredes de laterite, que virá a ser assimilado pela arquitetura local corrente, vindo nos séculos seguintes a ser integrado no modelo de casa tradicional.

Cruzando tradições autóctones com tradições portuguesas, o palácio apresenta uma estrutura em pátio interior, onde se recolhe um pequeno templo dedicado à divindade tutelar da família real, Pazhayannur Bhagwati.

De inegável valor patrimonial, ao longo dos séculos o palácio recebeu magníficas pinturas que decoram várias salas dos seus interiores, pinturas essas que atestam a emergência, no século XVI e XVII, de uma escola de pintura de grande qualidade estética no Kerala.

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Nas divisões contíguas à grande sala central, com cobertura em pau‐rosa, encontram‐se pintadas cenas da iconografia de Shiva e Vishnu.

Noutros compartimentos, podemos observar representações da vida de várias divindades.

No interior do palácio recolhe‐se um conjunto de pedras lavradas ao gosto manuelino, correspondendo em princípio a uma antiga janela do palácio.

Aqui encontra‐se instalado desde 1985 o Mattanchery Palace Museum, sob a tutela do Archaeological Survey of India.

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Nossa Senhora da Vida de Mattanchery é uma das primeiras igrejas construídas pelos portugueses nos arredores da cidade de Santa Cruz de Cochim.

Na sequência da construção, na segunda metade do século XVI, de um primeiro edifício em madeira e com cobertura vegetal, a igreja vem a sofrer profundas transformações, passando a estrutura de pedra e cal, acompanhando a tendência geral da evolução das igrejas desta zona.

No início, a igreja servia sobretudo a comunidade de cristãos de São Tomé que habitavam a área e se dedicavam ao comércio da pimenta.

Em 1622, o terreiro da igreja foi local de reunião de um numeroso grupo de cristãos de São Tomé que, junto da cruz da entrada, celebrou um juramento solene, cujos desenvolvimentos resultaram num complexo processo de oposição entre esta comunidade e as autoridades religiosas portuguesas.

No século XIX, a igreja voltou a ser palco de confrontos, agora entre partidários do Padroado Português do Oriente e da Propaganda Fide, recebendo profundos restauros após os conflitos.

Embora com grandes transformações, a antiguidade da construção pode ser atestada pela capela‐mor, marcada por grossas colunas toscanas que remontam à estrutura primitiva do século XVI. Desta época é ainda o portal da entrada principal, acusando uma estética manuelina aferida às primeiras décadas de Quinhentos.

O seu desenho, muito semelhante ao do portal da Igreja de Nossa Senhora da Esperança, de Vaipim, traduz um arcaísmo que tentava perpetuar a memória do período manuelino, de grande hegemonia militar portuguesa no Oriente.

No seu programa arquitetónico, a igreja corresponde a um primeiro modelo de igreja maneirista, divulgado em meados do século XVI, caracterizado por um interior de nave simples, sem galerias laterais, muito idêntico ao da Igreja de Nossa Senhora da Esperança, de Vaipim.

A fachada apresenta‐se dividida em três andares, divididos por largos frisos e molduras, rematados lateralmente por grandes enrolamentos e pináculos, com o tramo central mais elevado e encimado por frontão.
Verticalmente, a fachada da igreja é dividida por pares de colunas geminadas, com três andares marcados por frisos, acompanhando uma estética maneirista difundida a partir da segunda metade do século XVI.

Agregada à fachada principal, desenvolve‐se uma pequena escada exterior de acesso ao campanário, acusando a permanência de uma solução muito antiga que encontramos nas igrejas de Vaipim e de Narakal.

Recebendo uma clara influência dos templos hindus, a igreja recolhe‐se no interior de um terreiro, envolvido por altos muros com a entrada enfatizada por um portal.

O terreiro é marcado por um belo e monumental cruzeiro com um forte pedestal de desenho maneirista.

A completar o conjunto, ergue‐se ainda neste terreiro uma antiquíssima casa paroquial de graciosas proporções.

 

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HPIP

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Na atual área de Mattanchery, designada pelos portugueses como Cochim de Cima, estende‐se sobre as margens do canal Vembanad um conjunto de edifícios com a fachada principal formada por dois pisos sobre a rua, traseiras em pátio e um pequeno ancoradouro para cargas e descargas fluviais.

Na sua estrutura, estes edifícios constituem‐se com uma forte unidade tipológica: um corpo principal retangular e duas alas de armazéns, formando um U aberto sobre o ancoradouro.
O corpo principal de dois pisos apresenta, nos casos mais antigos, escada de madeira directa para o primeiro andar, com afinidades ao edifício urbano dos séculos XVI e XVII.

Esta tipologia, de forte pendor mercantil, parece encontrar a sua génese em edifícios igualmente mercantis que surgiram na Lisboa do século XVI.
A título de exemplo,  Alfândega de Lisboa e as chamadas teracenas das Portas da Cruz, igualmente com uma estrutura aberta em três corpos cercando um pátio e cais privativo, virado a nascente.

Voltamos a confirmar a presença desta tipologia no desaparecido palácio dos marqueses de Castelo Rodrigo, junto do Palácio da Ribeira, que apresentava, até ao terramoto de 1755, dois corpos baixos perpendiculares ao Rio Tejo, ladeando um cais privativo.

Numa análise mais detalhada destes edifícios portuários de Cochim de Cima, verificamos que as paredes do corpo principal de dois pisos são de laterite, apresentando frequentemente o seu exterior um ritmo de pilastras salientes, de inspiração maneirista, com afinidades à arquitetura goesa dos séculos XVII e XVIII.

Com funções estruturais, encontramos ainda a utilização de contrafortes, de tradição popular do sul de Portugal, que nos remetem aqui para uma tradição vernácula mais antiga, do século XVI.

Quanto à análise da estrutura interior do corpo principal, estes edifícios apresentam uma modulação em dois ou quatro compartimentos, em desenvolvimento aditivo, que se afasta das estruturas tipológicas autóctones que temos vindo a inventariar.

Se não conseguimos identificar esta tipologia no núcleo antigo da cidade de Santa Cruz de Cochim, onde não existem casas sobre as margens do estuário, Baldeus fornece‐nos uma interessantíssima informação a este respeito. Ao referir as melhores casas da cidade, o autor, que viveu em Cochim logo após a ocupação holandesa, descreve que as mais belas casas da cidade voltavam as traseiras sobre as margens do rio.
Estas casas seriam naturalmente residências dos grandes mercadores, que se situariam não no interior da cidade, mas nos seus arredores, como acontecia em Goa e em outras cidades do Oriente.

 

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HPIP

 

 

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A instalação portuguesa em Cochim foi concluída em 1503, correspondendo ao primeiro posto português no Oriente bem sucedido. Porém tal facto, bem como a forma recheada de significados em que tudo decorreu, justifica que aqui se desenvolva o processo de instalação algo mais do que noutras entradas equivalentes.

As tentativas iniciais de estabelecimento de relações comerciais com o principal porto da Costa do Malabar, Calecute (hoje Kozhikode), resultaram não só infrutíferas como no desenvolvimento de uma fortíssima e durável animosidade entre as partes.

A feitoria portuguesa, ali instalada em finais de 1500 – em casas para tal cedidas pelo samorim no âmbito de um acordo dificilmente logrado por Pedro Álvares Cabral – desde logo foi boicotada através da recusa em fornecer‐lhe especiarias e, depois, atacada e arrasada numa ação de que resultou a morte do feitor e de muitos dos seus homens, entre os quais o célebre Pêro Vaz de Caminha.

Foi a reação pronta a um ataque que os portugueses fizeram a um dos navios fundeados no porto.
Esse ambiente de provocação mútua, em ambiente crescente de parada‐resposta, foi instigado pelos mercadores muçulmanos nativos ou ali instalados, os quais viam ameaçada a sua atividade centrada na exportação de especiarias para o Mar Vermelho e, assim, para a Europa.

O processo foi tão rápido que coube ainda àquele almirante português não só assistir ao ataque, como retaliar sob a forma de um feroz bombardeamento ao porto e cidade.

A quarta armada e segunda comandada por Vasco da Gama ainda abordou Calecute com vista ao estabelecimento de relações comerciais, mas o resultado foi uma ainda maior animosidade.

Sob a ação imediata de Pedro Álvares Cabral, os portugueses voltaram‐se desde logo e definitivamente para um súbdito, Una Goda Varma Koil Tirumulpad, rajá de Cochim, porto rival de Calecute, cidade situada a cerca de uma centena e meia de quilómetros a sul, em plena Costa do Malabar, capital de um pequeno território.

Já no dobrar de 1500 para 1501, chegado precisamente da liça de Calecute, Pedro Álvares Cabral encontrou ali um excelente acolhimento. O soberano local jogava forte para se libertar da suserania de Calecute, no que foi seguido por outros como o de Canannor (cerca de oitenta quilómetros a norte de Calecute) e Coulão (cerca de cento e vinte e cinco quilómetros a sul de Cochim).

Em pouco tempo a sua estratégia levaria à superação do que por certo imaginara, pois o comércio com os portugueses fez de Cochim o principal entreposto comercial do Malabar, estatuto que ainda hoje conserva e desenvolve, sendo Calecute uma pálida sombra do que foi.

Segundo Gaspar Correia nas suas Lendas da Índia, “ElRey [de Cochim] deu grandes casas ao feitor” da armada de Pedro Álvares Cabral, nas quais se negociou o necessário para encher as naus de especiarias.

Os procedimentos foram rápidos, pois o samorim de Calecute pusera uma esquadra a caminho para impedir o negócio.
Com o apoio do soberano local, a armada portuguesa rapidamente se fez ao mar de regresso a Lisboa, deixando no local um pequeno grupo de feitores que não só foram preparando a carga da próxima armada, como desenvolveram a instalação.
Assim o confirmou a armada seguinte, capitaneada por João da Nóvoa, que ali carregou na primavera de 1502.

A zona de Cochim é constituída por uma costa muito baixa, recortada e repleta de rios, na foz dos quais despontaram os principais núcleos urbanos.

No território do então reino de Cochim acrescenta‐se a tudo isso um conjunto e extensão consideráveis de ilhéus e canais interiores – as backwaters – onde ainda hoje a navegação é mais fácil que os percursos por terra.

Esse meio aquático é sazonalmente invadido pelas águas das enxurradas da monção, as quais ali se fundem com o mar que enchem dos detritos vegetais das montanhas, os Gates.

Toda a área é coberta por uma vegetação exuberante e densa, que invade e refresca os centros urbanos mais densos.

Cochim reduzia‐se então a um pólo urbano virado para o principal desses canais, o paralelo à linha de costa, situando‐se a cerca de quilómetro e meio da principal das cinco barras por onde esse sistema interior comunicava com o mar.

O estabelecimento português deu‐se precisamente ao longo dessa barra da banda de sul, o que deu origem à referência em muita documentação a uma Cochim‐de‐Cima e uma Cochim‐de‐Baixo, hoje integradas, o que também aconteceu em Chaul e Baçaim, na Província do Norte.
Entre ambas as Cochins desenvolveu‐se uma relevante judiaria, onde se instalaram com liberdade muitos cristãos‐novos portugueses, a qual ainda hoje persiste.
Porém o actual sistema urbanístico‐territorial de Cochim é ainda bem mais complexo do que isso, pois do outro lado do canal, em terra firme, despontou Ernakulam e, no meio, partindo de um banco de areia, a colonização inglesa desenvolveu uma ilha, Willingdom, onde hoje está o aeroporto militar e parte determinante da infraestrutura portuária da metrópole Cochim‐Ernakulam.

No local do outro lado da barra, designado Vaipim (Vypim), os portugueses viriam a instalar algumas estruturas, designadamente uma residência episcopal e uma paróquia.

Cochim‐de‐Baixo ou Santa Cruz de Cochim é hoje uma área significativamente designada por Fort Kochi, sendo ainda bem evidente a estreita linha de água que a delimitava por sul e, assim, a separava das terras de Cochim‐de‐Cima, hoje o bairro de Mattancherry.

A cidade portuguesa ocupava uma mancha segundo uma elipse muito irregular, cujos eixos maiores mediam cerca de 1.600 e 450 metros.
Com a já referida visita, exclusivamente comercial, da armada de João da Nóvoa, ficaram na feitoria mais uma meia dúzia de homens, os quais prepararam a carga que a segunda armada de Vasco da Gama ali foi buscar.

Pouco depois da sua partida e perante o reforço crescente dos laços comerciais entre os portugueses e Cochim, o samorim de Calecute ocupou a cidade, refugiando‐se os portugueses e o rajá em Vaipim, situação com a qual se deparou Francisco de Albuquerque ao ali chegar em 1503.

Dias depois, chegou a outra parte dessa quinta armada, capitaneada pelo seu primo Afonso de Albuquerque.

Era tempo de se segurar Cochim e o seu soberano, pois isso significava segurar a primeira e principal base logística portuguesa no Oriente.

Foi assim fácil obter autorização para a construção de um forte, que designaram de Manuel, o qual tinha em primeira linha ao longo da barra uma tranqueira, que também aconchegava a feitoria e uma igreja, de São Bartolomeu, e um espaço vazio para a ribeira, ou seja, o porto.
A tranqueira teria algo como uns impressionantes quatro metros e meio de espessura e nas extremidades duas plataformas para artilharia, esboços do que viriam a ser baluartes. Tudo feito em madeira, palma e terra de enchimento, não só pela urgência e gradualidade, mas também pela ausência de pedra no local e imediações.

Coube a Gaspar Correia descrever com algum detalhe e simbolismo o momento de fundação deste primeiro posto português no Oriente:

no dia 27 de setembro de 1503, o rei de Cochim “veo pelo rio com os Capitães […] e com todos falando mostrou o lugar onde se fizesse, que era a ponta de hum palmar de terra alagadiça, que esteiro rodeava d’ágoa do mar, que ficava como Ilha. Onde logo o Capitão mor [Francisco de Albuquerque] tomou huma enxada, e cavou, dizendo «Em nome e louvor da fé de Christo, que cavando se descobrio a Sancta Vera Cruz, que Nosso Senhor quis mostrar a Sancta Elena». E cavando, e outros tirando a terra, fez uma cova em que se metteo hum pao, e outra cova fez o feitor, e outra Pêro d’Ataide, e outra Duarte Pacheco, nos lugares que ElRey mostrou, que ficarão em quadra, e de dentro grande campo, […] e com muytos carpinteiros fizerão huma grande estacada pólo rio, do cairo que ElRey posera, e por fora fizerão outra, e entulharão de terra e rama antre huma e outra, que terão duas braças de largo. […] e da tranqueira ao longo do rio ficou grande praça para a ribeira, e por derredor das casas assim muyto campo

Segundo Fernão Lopes de Castanheda, a estrutura teria um perímetro interior livre de cerca de vinte metros e fosso em redor, ao qual se seguia uma área desmatada, uma esplanada.
Forte Manuel foi inaugurado em festa a 1 de novembro de 1503, dia de Todos‐os‐Santos.
Embora muito modesto e dele nada reste, não podemos deixar de aqui o celebrar como a primeira construção portuguesa no Oriente.

Ali se estabeleceu uma guarnição permanente, sendo o espaço vedado à frequência de quem não fosse reinol.

Com a partida da armada dos Albuquerques, ficou como capitão de Cochim Duarte Pacheco Pereira, que teve grande azáfama para repelir os sucessivos ataques lançados pelo samorim de Calecute, ao que parece então também assessorado por dois venezianos.
Recorde‐se como a nova rota para o tráfego das especiarias também arruinava os mercadores venezianos, que até então eram o último elo da cadeia que transportava aqueles produtos do Golfo Pérsico e Mar Vermelho para a Europa.

Essa defesa foi essencialmente produzida nos canais de acesso ao território, não tendo então os ataques chegado à(s) cidade(s) de Cochim.

Além de outras estruturas precárias (estacadas, correntes, etc.), a meia légua rio acima foi erguida uma torre que perdurou, designada na documentação como Castelo‐de‐Cima.
Entretanto, erguiam‐se ali outras estruturas de apoio ao trato com os portugueses.

O primeiro vice‐rei, Francisco de Almeida (1505‐1509), teve a incumbência de reforçar o dispositivo defensivo, erguendo sobre o primeiro forte em madeira e palma um forte em pedra e nas imediações um pequeno hospital e tercenas.

O forte era quadrangular e com torres nos cantos e foi erguido com o concurso dos pedreiros Pêro Vitorio, Gaspar Pereira e João Banha, este carpinteiro, todos da armada do vice‐rei.
Já com uma série de alterações – a grande maioria das quais produzidas por Afonso de Albuquerque durante o seu governo – e com outras funções (alfândega, cadeia, casa da câmara, casa do capitão), surge representado no desenho de Cochim do álbum de António Bocarro e Pedro Barreto Resende (c. 1635) que, com as legendas que surgem na respectiva cópia publicada por Manuel de Faria e Sousa e, essencialmente, pela matriz de ambos nas Plantas de Praças das Conquistas de Portugal, de Manuel Godinho de Erédia (1610), é um dos dois mais reveladores retratos portugueses da cidade.

Ao ponto do irreconhecível, os holandeses transformaram o forte na magnífica estrutura que hoje alberga uma conhecida empresa de trading a meio da barra de Cochim.

Com o governo do Estado da Índia por Afonso de Albuquerque (1509‐1515), o processo de expansão da Cochim portuguesa tornou‐se evidente e constante.
É de assinalar o seu empenho e dificuldades na construção de uma primeira igreja em pedra – três naves com cruzeiro, capelas abobadadas, coro sobre a entrada e uma torre sineira ao meio da fachada – a matriz da evocação da Santa Cruz, a qual estava finalmente em construção avançada em 1514.
Situava‐se imediatamente a poente do forte e definia à ilharga sul uma praça, onde pontificavam o pelourinho, a torre do forte onde se instalou a Câmara, o Palácio Episcopal a poente e a Misericórdia a sul.
Em suma: o conjunto completo das instituições que habitualmente definiam a centralidade urbanística das cidades portuguesas de Quinhentos.

A esse processo de gestação e crescimento urbanísticos opuseram‐se sempre dois obstáculos relevantes: a ausência de pedra nas imediações e a má qualidade da trazida do interior, o que levou a que muitos fossem os carregamentos em naus; o imperativo de agir com todas as cautelas e diplomacia para não levantar suspeitas de soberania ao rei local que, pelo menos formalmente, continuou a ser o detentor de todo o espaço ocupado pelos portugueses.

Mas Cochim‐de‐Baixo foi ganhando expressão e dimensão, autonomia funcional e complexidade, tornando‐se gradualmente uma cidade portuguesa, estatuto que adquiriu em 1527, quando lhe foi instituído município, com direitos idênticos aos de Évora.

No Livro das Cidades, e Fortalezas (1582) lê‐se

Que por razaõ do trato dos Portugueses e com o nosso favor foy pello discurso do tempo crecendo demaneira em grandeza do pouo, e em sumptuosidade de edeficios, templos, e casas de nossos naturaes (de que viuem nella muitos de assento) que he ao presete a mayor e mais rica cidade da India depois de Goa […] A qual he da nossa jurdição, gouernada pellas leis e ordenaçoes de Portugal, como cada hu ̃ a das cidades delle: e todos os moradores della, assi Mouros, como Gentios, e Christãos da terra são sogeitos e gouernados per ellas: e Cochi de cima he da jurdição do Rey della

As estruturas portuárias, incluindo os armazéns e peso das especiarias e um pequeno forte, estavam mais dentro, pois as fortes correntes de maré na barra dificultavam a manobra das pequenas e abarrotadas embarcações de mediação.
Foi essa necessidade que ditou o alongamento da forma urbana para nascente, fazendo com que a área urbana que veio a ser cintada por uma muralha atingisse a inusitada expressão de cerca de 54 hectares, mais do dobro da que tiveram cidades da Província do Norte (Chaul, Baçaim, Damão).

Perto daquele bazar e peso instalar‐se‐iam os agostinhos.
Alguns portugueses habitavam fora do perímetro português, surgindo também desde bem cedo por aí algumas igrejas (São Tomé, Nossa Senhora da Graça, São Lázaro, Nossa Senhora da Vida).
Aliás, os missionários já então espalhavam pelo território pólos católicos, cuja expressão é hoje muito evidente.

Claro que o processo de crescimento urbano foi aditivo e, assim, sem um modelo urbanístico formal.
Aliás, nem sequer se pode dizer que durante os primeiros anos fosse clara a ideia de construção de uma cidade, como ocorreria em alguns outros locais posteriormente.

Aprendia‐se então o Império, e fôra a necessidade que levara à construção e desenvolvimento de um núcleo urbano português.
Não tivesse ocorrido a oposição do samorim de Calecute e talvez nunca os portugueses tivessem erguido as estruturas urbanas e edificadas que ergueram no Malabar, ou mesmo instalado um tão grande número de efetivos.

Só na área mais a poente, já sobre o mar e por tudo isso decerto a ocu­pada mais tardiamente, se encontrava uma morfologia urbana denunciando um planeamento prévio, um “caseamento” similar ao que já há muito em Portugal e um pouco por toda a Europa se produzia nas “vilas novas”, mais do que regular, claramente regulado.

Por ali se instalaram os franciscanos (Santo António, 1518, com profundas reformas em 1580), os jesuítas (1549­ 1561), e os dominicanos (1557), algo mais para dentro.

Por várias outras razões, em 1530 a capitalidade portuguesa no Oriente passou de Cochim para Goa, o que não teve um impacto na cidade tão grande quanto à primeira vista poderá parecer.
Na rea­ lidade, Santa Cruz de Cochim não poderia ter crescido muito mais sem que isso tivesse gerado problemas de relacionamento com o soberano local, o maior aliado de sempre dos portugueses no Oriente, relação que era fundamental para que as especiarias continuassem a afluir aos armazéns portugueses.
Para além do mais, além de irem a Goa, as naus da Carreira da Índia continuaram a frequentar a cidade, bem como quase todo o tráfego que do Extremo­ Oriente (Malaca) rumava a Goa.

Os desenhos portugueses acima referenciados, a par com os levantamentos e desenhos efectuados pelos holandeses logo após a tomada de Cochim em 1663, permitem­-nos ter ideias razoavelmente claras sobre a configuração geral da Cochim portuguesa, a localiza­ção dos principais marcos urbanos e conjugar tudo isso com a morfologia atual.

Além das estruturas já referi­ das, surgiu o Hospital dos Pobres e, importa referi-­lo, uma lista impressionante de igrejas a juntar às exterio­res, à Matriz (depois Sé), à Misericórdia, às conventu­ais e a São Bartolomeu: Nossa Senhora de Guadalupe, São Sebastião, Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora da Piedade, Santa Bárbara, Nossa Senhora dos Anjos e Anunciada. Um total de quinze igrejas, para uma cidade com uma área algo em torno dos cinquenta e quatro hectares.

Porém, a presença holandesa obliterou quase total­mente a imagem da cidade portuguesa, o que é muito claro na igreja franciscana, primeiro panteão de Vasco da Gama e onde subsistem alguns registos inequívo­cos da arquitetura manuelina, quiçá das mãos do pri­meiro mestre português de pedraria estacionado na Índia, Tomás Fernandes.

Do convento e do seminário anexos, cuja construção só estaria concluída em 1552, apesar de iniciada de imediato, hoje nada de significa­tivo se pode encontrar.

À exceção desta Igreja de Santo António, que depois de um incêndio renovaram em 1779, os holandeses destruíram ou transformaram pro­fundamente todos os templos católicos da cidade.

A Matriz de Santa Cruz, erguida em catedral com a cria­ção do bispado em 1557 – e que sofrera uma reforma profunda no início dessa década – desapareceu sem outro rasto que a invocação, pois a atual basílica e sede episcopal de Santa Cruz resulta da transformação da irreconhecível estrutura dominicana.

O conjunto jesuíta foi arrasado ao ponto de o local ser hoje um terreiro de jogos. Significativamente, também em 1557, os portugue­ses ofereceram ao rei de Cochim um palácio cons­truído de raiz no meio da sua capital.
É hoje conhecido como Dutch Palace ou Mattancherry Palace, pois os holandeses alteraram­-no significativamente, não sendo claro se o essencial do seu partido arquitetónico – dois pisos e um pátio central onde foi implantado um templo hindu – é de matriz portuguesa.
No jardim fron­teiro existem ainda algumas molduras de vãos de lavra manuelina.

No texto inicial do volume e no de contextualiza­ção desta sub­região, ficou claro como o declínio do Malabar português e a sua conquista pelos holandeses decorre no âmbito de um inevitável processo de opções, face ao gigantismo do Império e às ameaças crescentes sobre os seus mais diversos postos.

É nesse amplo contexto que temos de interpretar as razões habitualmente invocadas para o facto de Cochim não ter sido fortificada, como o foram outros postos que continuaram sob soberania portuguesa após o grande assédio holandês: a Província do Norte, Goa e Macau, para apenas referir o que está compreendido neste âmbito geográfico.

Para além das dificuldades materiais – pedra, homens e dinheiro que lá se foram arranjando para outras situações análogas – também não houve um especial empenho em demonstrar ou impor ao sobe­rano local a necessidade de fortificar de forma efi­ciente, o que teria sido obviamente possível, até por­ que de imediato o fizeram os holandeses, recorrendo à solução de atalho.

Porém, projetos e assistência téc­nica não faltaram, pois estão documentados para João Baptista Cairato, Júlio Simão e António Pinto da Fon­seca, três dos mais distinguidos engenheiros militares do Estado da Índia.

Alguns desenhos e a documenta­ção que a tal se refere entre 1589 e 1613 permitem­nos saber que já existia um ou outro baluarte, os quais seriam integrados e reformados numa nova estrutura perimetral.
Tirando a frente para o mar e um ou outro ponto onde efetivamente se ergueram cortinas e baluartes atualizados, o circuito fechou-­se com base em muros simples, alguns de vedação de quintais.

O desenho de Erédia (1610) acima referido apresenta­-nos o único testemunho de um grande baluarte sobre o mar, já arruinado.
No fundo, à data da conquista holandesa, 1663, a fortificação era pouco mais do que simbólica.

O processo do imediato empenho holandês em fortificar a cidade revela também um outro aspecto fundamental: o perímetro era enorme – cerca de 3.750 metros – para a densidade urbana em presença. A ordem expedida da sede da VOC em Batávia (Jacarta), com desenho que se conserva, foi a de se erguer no centro um pequeno forte quadrado com baluartes nos ângulos, arrasando a cidade em redor.

No fundo, pretendia‐se um entreposto comercial fortificado, não uma cidade e muito menos missionar. Ordens idênticas foram expedidas de Batávia para Malaca, Colombo e Negapatão, por exemplo.

O comandante holandês no terreno, Van Goens, objetou argumentando que o custo da destruição de um tão grande número de igrejas e casas, bem como da abertura de um fosso em redor do novo forte seria excessivo, sendo que esse forte seria, mesmo assim, de fácil assédio.
Bateu‐se por um forte maior, com cinco bastiões orientados e molhados pelo mar e pelo canal e encostado aos terrenos pantanosos que tantas dificuldades lhes haviam levantado no ataque.

No fundo, era uma muralha urbana abaluartada, não um forte, que recorria ao vulgar processo de atalho e que demonstrava que os holandeses não tinham experiência na construção de fortes de raís mas sómente na transformação dos que tinham conquistado, nomeadamente portugueses e onde o acual Sri Lanka é demonstrativo.

Reduzia‐se ssim a área urbana, deixando de fora e, assim, arrasando alguns conjuntos conventuais.

Apesar da relutância expressa das autoridades batavas, o projeto proposto por Van Goens foi implementado, não sem que o orçamento inicial derrapasse para o dobro e a eficácia defensiva não tivesse sido arduamente criticada.
Quando olhamos ambos os desenhos e as magníficas e detalhadas vistas de Philippus Baldeus publicadas em 1672, pelo menos dois factos podem causar‐nos admiração: as autoridades máximas da VOC deveriam estar certas; apesar de o projeto executado ter, mesmo assim, arrasado parte da cidade portuguesa e alguns dos seus principais edifícios, a insistência de Van Goens logrou conservar muito da antiga cidade de Santa Cruz de Cochim, que nessas vistas surge densa e monumental, provavelmente algo mais do que alguma vez terá sido.

Entretanto, muito mais se perdeu, incluindo quase todo o edificado, mas a morfologia urbana atual oferece ainda muitas oportunidades de pesquisa a quem nela queira encontrar evidências da arquitetura e urbanismo portugueses da sua fundação.

O património de origem portuguesa em Cochim é claramente urbanístico, por isso imaterial, mas muito expressivo da história da primeira sede da presença portuguesa no Oriente.

Por solicitação do bispo, a Fundação Calouste Gulbenkian financiou a construção de um edifício nos jardins do Paço Episcopal expressamente projectado para albergar o Museu Indo‐Português (que também organizou).

O Museu é essencialmente dedicado a meio milénio de arte sacra produzida na diocese.

fonte
HPIP

 

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A chamada Vasco House, situada junto da Igreja de São Francisco, apresenta‐se não só entre os casos arquitetónicos mais interessantes do núcleo urbano português de Cochim como é, talvez, o seu exemplo mais bem conservado.

Numa típica tipologia de edifício urbano tardo‐medieval, a fachada apresenta‐se com dois pisos e um alpendre ao nível do primeiro andar, com patamar de escadas salientes sobre a rua, mostrando notáveis afinidades com outros edifícios desenhados por Gaspar Correia nas Lendas da Índia.
Referimo‐nos às representações de Cranganor e de Diu, em concreto à feitoria da primeira e a certas casas incluídas no núcleo urbano de Diu, caracterizadas no seu conjunto por um modelo de edifício de dois pisos com alpendre saliente sobre a rua.

No seu programa distributivo, a “Casa Vasco” desenvolve‐se em três corpos que, rematados por um alto muro, formam um pátio interior com um poço.
Ao nível do primeiro piso a entrada, em corredor, permite o acesso lateral às salas e, no topo, um acesso direto às zonas mais íntimas da casa.

Neste esquema de distribuição, que encontramos igualmente na arquitetura goesa, transparece uma adaptação do programa da casa às tradições culturais indianas, em que a vida doméstica devia permanecer radicalmente separada do contacto com elementos exteriores.

Além dos típicos bancos‐conversadeiras das janelas de peito, as portas do salão apresentam exóticos espelhos de fechadura, em latão recortado, semelhantes aos espelhos das gavetas dos contadores indo‐portugueses do século XVII.

 

Da análise aos edifícios mais antigos de Cochim, apercebemo‐nos de que o modelo de edifício urbano de dois andares com vãos simples de janelas de peito tende a organizar o seu programa distributivo em função das traseiras, afastando‐se do modelo original português.

Numa quase oposição à fachada principal, as traseiras abrem‐se para um pátio‐jardim através de amplas varandas, com prumos e guardas em estrutura de madeira.

Tornando‐se a zona privilegiada de estar, esta varanda estabelece‐se como elemento estruturante do programa distributivo, funcionando como charneira de ligação a vários compartimentos interiores.

Com a nova situação de relação que a varanda estabelece com todo o seu programa interior, estas casas constituem‐se como uma nova tipologia, por assimilação de condicionantes climatéricas e de dados culturais autóctones.

fonte
HPIP

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A pimenta-preta (Piper nigrum), também conhecida como pimenta-redonda e, no Brasil, como pimenta-do-reino, é uma das mais antigas especiarias conhecidas.

O comércio da pimenta era bastante ativo no subcontinente indiano, de onde era trazido por mercadores muçulmanos para o Ocidente, e distribuída por genoveses e venezianos.

Assim sendo busca por essa especiaria, utilizada e valorizada desde tempos imemoriais, foi uma das principais causas da expansão – e apogeu – do império português.

Portugal conseguiu quase que o monopólio do comércio da pimenta e tansplantou algumas das suas plantas para as suas colónias em África e para o Brasil.

Lisboa passou a ser o local de comércio de especiarias originando o início da queda das Repúblicas de Veneza e Génova.

O seu valor chegava a ser tão alto que ela foi utilizada como moeda: conta-se que Alarico I, o Visigodo exigiu de Roma um resgate de ouro, prata e pimenta.

Naquela época, 1(um) quintal de grãos de pimenta (60 kg) chegou a valer, 52 gramas de ouro.

Nos tempos que correm, os seus grãos, secos e moídos, são muito usados na culinária de diversos países.
Tem um sabor forte, levemente picante, proveniente de um composto químico chamado piperina.

As pequenas verduras provêm das bagas da pimenteira, uma planta trepadeira Piper nigrum L. da família Piperaceae, que se desenvolve nas florestas equatoriais da Ásia.

Estas bagas quando imaturas apresentam a cor verde, tornando-se vermelhas com a maturação.

 

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A malagueta (Chili pepper) é originária das Amérias.

Depois da descoberta do continente americano, a planta espalhou-se pela Europa e consequentemente pelo Mundo inteiro deviao aos Descobrimentos Portugueses. Na altura era utilizada como condimento para a comida assim como na medicina.

A malagueta foi itroduzida na Ásia pelos navegadores Portugueses durante o sec XV-XVI influenciando a culnária de todo o continente asiático, havendo uma directa equivalência entre o consumo da malagueta na ásia e a presença portuguesa nesse continente.

Lisboa era, à época o maior centro de comércio desta especiaria.

A malagueta é um a especiaria essencial na culinário GOESA (veja-se por exemplo o VINDALOO, uma transcrição goesa de um tipico prato português – carne de vinha de alho).

A malagueta viajou depois pela Ásia Central chegando à Turquia (Império Otomano) e à Hungria onde se tornou na especiaria nacional com o nome de “paprika”.

A malagueta chegou ao Japão em 1542 levada por missionários portugueses e alguns anos mais tarde entra na cozinha Coreana.

Hoje, a Índia é o maior produtor mundial de malagueta, assim como o maior consumidor e exportador.

Guntur, no estado indiano de Andhra Pradesh produz 30% de todas as malagueta produzidas na Índia, contribuindo com 75% das suas exportações.

 

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A Costa do Malabar é uma faixa estreita e longa de costa no sudoeste do sub-continente indiano que ocupa os estados de Karnataka e do Kerala.

Geográficamente compreende as regiões húmidas do sul da Índia devido à intercepção das chuvas da monção pelas montanhas dos Gates.

O Termo “COSTA DO MALABAR” é também, por vezes a denominação usada para designar toda a costa ocidental indiana, mas na realidade a Costa estende-se desde o sul de Goa até ao Cabo Comorim, na ponta sul da India.

É nesta Costa que os portugueses chegam em 1498 e por aqui fundam feitorias para o comércio das especiarias, especialmente a Pimenta do Reino

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A igreja, oficialmente designada como Igreja de Santo André (St. Andrew’s Forane Church) foi originalmente construída pelos missionários portugueses no séc, XVI.

A Igreja tem uma história fascinante.

A Igreja foi reconstruída em 1584, pelo então vicário FR. Jacoma Fenicio, de quem os deotos dizem ser possuídor de poderes de cura de males de corpo e mente.

Os seus devotos referem-se a ele como Arthunkal Veluthachan, que se pode traduzir em português para “bondoso padre magrela”.

O Padre Fenicio morreu em 1632.

Oito anos mais tarde a igreja foi de  novo reconstruída, desta vez com a fachada dirigida para oeste em direcção das imensas praias de areia branca do Mar Arábico.

Em 1647, a estátua de S. Sebastião, com o corpo ensanguentado cravejado de setas (S. Sebastião foi executado por ordem de um Imperador Romano por ter abraçado a fé cristã) esculpida em Milão foi trazida para a Igreja de Arthunkal.

A Igreja de Arthunkal a primeira Sé da Diocese de Allepey foi elevada à categoria de Basílica a 9 de Julho de 2010, tornando-se na primeira Basílica da Diocese de Allepey e a 7ª Basílica do estado indiano de Kerala e a 3ª Basilica Católica Romana  (rito latino) de Kerala.

fonte
wikipedia

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Os vestígios da fortificação portuguesa em Coulão, na zona de Tangasséri, representam um dos escassos exemplos de estruturas militares do período manuelino a sobreviver até hoje na esfera do Índico.
Apesar da sua conquista pelos holandeses, em 1661, a fortaleza primitiva foi por estes aproveitada, tendo ficado arruinada apenas com a ocupação britânica, em 1795.

O porto de Coulão, situado na costa de Travancore a cerca de cento e trinta quilómetros a sul de Cochim, era conhecido, no início de Quinhentos, não só como uma importante escápula de pimenta e gengibre, mas também por possuir uma comunidade relativamente numerosa de cristãos de São Tomé, que aí se encontravam estabelecidos desde o século VII, razões que levaram os portugueses a procurarem instalar ali uma fortaleza.

Após um primeiro contacto, estabelecido por Vasco da Gama na sua segunda viagem, viria a ser firmado, ainda em 1503, um acordo comercial entre Afonso de Albuquerque e as autoridades locais, que autorizaram o estabelecimento de uma feitoria, ficando António de Sá como feitor.

A fortificação da feitoria foi ordenada pelo rei D. Manuel em fevereiro de 1505.

Todavia, a irrupção de um conflito com os mercadores muçulmanos locais provocou não só a destruição da feitoria e da antiga Igreja de São Tomé, mas também a morte dos portugueses que ali se encontravam.

Este facto, aliado à adopção pelo vice‐rei de uma política de concentração de forças em torno de Cochim, com o objetivo de assegurar o regular abastecimento das naus da Carreira da Índia, obrigou a que a sua construção só se viesse a concretizar bastante mais tarde, em 1519.

Nomeado feitor de Coulão em 1517, Heitor Rodrigues recebera ordens para restabelecer a presença portuguesa no local e iniciar uma nova fortificação.
De acordo com Gaspar Correia, escolhida a praia de Tangasséri como local de edificação da fortaleza, a construção foi‐se fazendo muito lentamente e o seu artilhamento com berços, falcões e camelos foi conseguido de forma sub‐reptícia, de forma a não acirrar os ânimos da população.
Fernão Lopes de Castanheda também refere que, para maior recato da obra, foi feita uma cerca de paus e canas, tendo sido lançados os alicerces sob a direção de um mestre‐de‐obras levado de Cochim para o efeito.

Foram construídas três torres, “a de menagem e outras duas que ficam em triângulo, que quando jogasse a artilharia uma não pudesse fazer nojo à outra”.
A área amuralhada media cerca de 185 palmos (40,7 metros) de comprimento por 75 palmos (16,5 metros) de largura, tendo as muralhas uma altura de cerca de dois homens.

Com o correr dos meses foi ainda construída uma couraça para a praia e levantadas as paredes de um cubelo que estava mais dentro de terra, ao mesmo tempo que se defenderam as entradas com portas fortes com alçapão.

A conclusão da obra viria a ocorrer já durante a governação de Diogo Lopes de Sequeira, em setembro de 1519, em resultado do acordo secreto firmado por Heitor Rodrigues com a rainha de Coulão e o seu ministro Chânai Pillai.

Passado pouco tempo, Coulão foi cercada por forças indianas.
Não obstante tratar‐se de uma pequena fortificação, de planta irregular e bastante diferente dos castelos marítimos construídos nesta primeira fase de estabelecimento português no Oriente – como se comprova pelo desenho de Gaspar Correia das Lendas da Índia – permitiu ao reduzido número de portugueses que a defendiam resistirem durante meses e prevalecer face aos sitiantes.

Quilon_1505_verbessert

Ao longo dos anos a fortaleza de São Tomé foi sendo alvo de reparações, em especial a couraça, que ruiu ainda durante a capitania de Rodrigues, e a área envolvente do poço que, por se encontrar fora do perímetro amuralhado inicial, foi defendida com um importante reparo para evitar que a água fosse envenenada.

Em finais da década de 1580 novas obras de fortificação foram efetuadas, como o comprova a missiva da câmara de Coulão para o rei, em que agradece as diretivas emitidas no sentido de serem terminadas as obras de reparação iniciadas.

Em meados da década de 1630, de acordo com os desenhos e a descrição feitos por António Bocarro e Pedro Barreto Resende, a fortaleza, fruto da ação erosiva das marés, encontrava‐se significativamente mais próxima da linha de água, sobretudo na “banda de Leste, que é a mais perto do mar”, onde perdera aproximadamente quinze metros dos vinte a que se encontrava inicialmente.

Isso provocou, por mais do que uma vez, a queda dos muros que lhe serviam de reparo.
Esse conjunto arquitetónico mantinha a estrutura inicial de três torres “para as quais se entra por uma porta, por que se sobe por quinze degraus para um balcão ou guarita coberta de telha”, ao nível do qual se encontrava um revelim artilhado com dois falcões e que dava acesso à torre de menagem.

Esta, “que é a maior, a que se encosta o dito balcão, tem pegado de si outra, que fica com o corpo sobre si pegada somente com a grande no lugar em que tem uma porta, por onde se entra nela”.

Ambas as torres eram de três sobrados “e no meio fica uma sala de dois sobrados, que ambos estão caídos, por onde se vai à terceira torre que, como as outras é também de três sobrados”.

Esta fortificação encontrava‐se então “muito danificada e quase para cair”, em virtude de, desde a sua construção, nunca ter sido “reedificada e raro concertada”.

Contudo, nesta altura os portugueses preocupavam‐se sobretudo com as obras de recuperação e, porventura, de fecho do largo perímetro amuralhado construído em redor da fortaleza primitiva e da povoação que lhe estava adjacente.

Os cerca de mil passos (cerca de um quilómetro) que compunham a muralha encontram‐se exaustivamente descritos por António Bocarro: existiam seis baluartes ou guaritas artilhadas, três baluartes ou revelins não artilhados e, ainda, duas portas.
Algumas destas posições não figuram no desenho anexo à descrição.

Todo o conjunto fortificado se viria a revelar impotente para, em 10 de dezembro de 1661, travar o assalto da poderosa esquadra holandesa de Rijkloff van Goens, que rapidamente conquistou a praça.

Na vista de Coulão inserida na obra de Philippus Baldeus (1671), está representada a muralha portuguesa e o desenho de uma nova linha de defesa, mais regular e de menor circuito, embora não seja certo que esta tenha sido efetivamente construída em detrimento da estrutura portuguesa.

Mas sabe‐se que o núcleo manuelino de Coulão, a Fortaleza de São Tomé, foi restaurada e aproveitada pelos holandeses.

Actualmente, as ruínas de um dos três torreões dessa fortaleza ainda subsistem entre as palmeiras da enseada de Tangasséri.

fonte
Sidh Losa Mendiratta, Vítor Luís Gaspar Rodrigues

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Coulão (Kollam em malaiala) é uma cidade do estado de Kerala, na Índia.
Existem também as grafias alternativas de Coullam ou Quilon.

Em 1505 os portugueses foram os primeiros europeus a estabelecer aqui uma feitoria tendo-se tornado o centro do comércio da pimenta.

Em 1518 Portugal estabeleceu a sua soberania através da construção do Forte de São Tomé.

A cidade foi cedida aos Países Baixos em 1661.

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O Estado da India foi um dos grandes símbolos da gesta guerreira da nobreza portuguesa. Extendia-se desde a região do Cabo (África do Sul ) até ao confins da Ásia, abrangendo também a Oceania. No imaginário português representou também um espaço de diálogo e confronto de religiões, onde o cristianismo travou uma luta titânica para se impôr.

Séc. XVI

Quando Vasco da Gama chegou à India em 1498, encontrou uma região profundamente dividida, onde o Império Mongol emergia como a potência em ascensão. Depois de 1526 cerca de dois terços da India farão parte deste Império.

Em clara inferioridade númerica, mas sem rivais nos mares, a estratégia dos portugueses foi a de dominaram o litoral, construíndo ao longo das costas da India uma redes de fortalezas, à volta das quais acabaram por surgir muitas cidades indianas.

Esta estrutura militar era acompanhada pela construção de igrejas e difusão de missões religiosas.

Principais cidades portuguesas no século XVI:

Região do Norte

– Diu (1535 -1961)

– Damão (1539 -1961)

– Goa (1510 -1961).

– Bombaim (1534 -1661).

– Chaúl (Revdanda). A 100 km de Bombaím (1521-1739/40)

– Baçaim. A 70 km de Bombaim (1536-1739/40).

Região do Malabar:

– Cochim (1503-1663). Em 1663 a fortaleza foi tomada pelos holandeses que destruíram todas as igrejas locais, com excepção da Igreja de S. Francisco.

– São Tomé de Meliapor (1523-1640)

– Cranganore ou Cranganor (Kodungallor): (1536-1663)

Nos séculos XVI e XVII, os portugueses exploraram todo o sub-continente indiano, fazendo um levantamento exaustivo dos seus povos, tradições e reinos.

Desde que chegaram à India que todos os anos saíam de Lisboa navios rumo a esta região, naquela que foi uma das mais antigas e seguramente a mais longa carreiras da história na navegação a nível mundial. Dois anos levava um navio a ir e vir da India. É impressionante a lista dos navios que naufragaram e dos portugueses que morreram nestas viagens.

Séc. XVII

Devido à destruição da marinha de guerra portuguesa durante a ocupação do país pela Espanha (1580-1640), a defesa do Estado da India torna-se vunerável às investidas dos muçulmanos e dos protestantes Holandeses e Ingleses.

Após terem recuperado a independência, em 1640, os portugueses constatam que já não possuem grande parte das suas possessões e não têm meios para defenderem a quase totalidade das que ainda lhes restam no Oriente. A sua estratégia foi a de se concentrarem num número reduzido de regiões com uma forte carga simbólica, mas também onde havia um forte implantação do cristianismo. O Estado da India reduz-se praticamente a Goa, Damão, Diu e Bombaim.

A cidade de Bombaim foi dada pelos portugueses aos ingleses, em 1662, como contrapartida pelo seu apoio na guerra que Portugal travou contra a Espanha (1640-1668).

Séc. XVIII

Apesar da situação ser muito complexa, o território de Goa é triplicado. Portugal adquire aos maratas os enclaves de Dadrá e Nagar Aveli ( 1779-1954 ), situados no actual Estado do Gujarat.

Séc. XIX

A presença de Portugal na India está longe de ser simbólica, sobretudo em Goa. Em 1843 Pagim passa a ser a nova capital do Estado Português da India.

Séc. XX

Após a IIª. Guerra Mundial (1939-1945) desenvolveu-se na India um movimento nacionalista que conduziu à expulsão dos ingleses (1947) e à formação da União Indiana (U.I.).

Nos anos 50 seguiu-se a expulsão dos portugueses dos territórios que aí ocupavam. Em 1953 a U.I. decreta um bloqueio económico aos territórios portugueses. Um ano depois, a 2 de Agosto ocupa os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli.

Para ultrapassar o isolamento, em 1955, Portugal constrói os aeroportos em Dabolim (Goa), Damão e Diu, fundando uma companhia aérea (TAIP-Transportes Aéreos da Índia Portuguesa).

A situação torna-se insustentável. Em 1961 Goa, Damão e Diu são ocupadas pela U.I. A ONU condena a ocupação, sendo resolução que exigia a retirada das tropas indianas vetada pela URSS (1961).

A partir dos anos 60 os nacionalistas indianos começam um destruição sistemática de tudo que possa testemunhar a sua presença dos portugueses na região.

Depois do 25/4/1974, as relações diplomáticas que haviam sido cortadas desde 1964 voltaram a ser retomadas, reconhecendo Portugal a soberania da U.I. sobre os territórios que a mesma havia ocupado em 1954 e 1961.

Como reconhecimento do legado católico, em 1986, o Papa João Paulo II visita Goa.

No ano seguinte, passa a ser o 25º estado da União Indiana e o concani é reconhecido como língua oficial de Goa.

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Bayila (também conhecido como baila) é uma forma de música popular no Sri Lanka e em partes da Índia.

Este género musical “nasceu” à séculos entre os ” cafres do Sri Lanka ‘ ou comunidades afro-cingaleses (comunidades mistas de Português, Africano e Shinaleses Nativo). Ele utiliza principalmente instrumentos europeus e ritmos encontrados em Portugal , Sri Lanka, África e Índia.

As músicas Bayila são tocadas durante festas e casamentos em Mangalore e Goa , acompanhado de dançar.

 

Bayila música, como uma forma de arte popular, tem sido popular por séculos no Sri Lanka. Durante o início da década de 1960 ele entrou na cultura mainstream do Sri Lanka, principalmente através do trabalho do polícia que virou cantor Wally Bastian .

Ele começou a adaptar os ritmos 6/8 ” para acomodar letras em kaffirhina Sinhala. Pelos músicos dos anos 1970, incluindo MS Fernando e Maxwell Mendis tinha ajudado Bayila crescer em um estilo bem conhecido e respeitado do Sri Lanka música popular.

Mais sobre o legado músical que os portugueses deixaram no Sri Lanka

Sunday Times

Serendib

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A poucos quilómetros a sul de Mannar, ergue-se um pequeno forte com 2 bastióes, construído pelos portugueses para que, juntamente com o de Mannar controlar a orla marítima do conquistado Reino de Jaffna e simultâneamente cercar, isolando, o poderoso Reino de Kandy, com o qual os portugueses sempre mantiveram um estado de guerra latente.

Como aconteceu com todos os outros fortes no Sri Lanka, também este foi tomado pelos holandeses aquando da sua conquista das posições portuguesas na ilha.

De pouca importância no contexto das fortificações portuguesas no Sri Lanka este forte encontra-se em algum estado avançado de destruíção, não justificando a sua ignorância numa visita.

À sua roda ergue-se hoje um povoado de gente maioritáriamente dedicada às lides das pescas artesanais.

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O primeiro estabelecimento português no reino de Jaffna, no norte de Ceilão (hoje Sri Lanka), deu‐se na Ilha de Mannar, onde trabalhavam desde a década de 1540 missionários do Padroado Português do Oriente.

A presença militar na Ilha de Mannar remonta a 1560, ano da campanha de Constantino de Bragança contra o rei de Jaffna.

Manuel Rodrigues Coutinho, primeiro capitão da fortaleza, encaminhou para as redondezas algumas centenas de pescadores paravas da Costa da Pescaria, incluindo moradores de Punicale.

A fortaleza de Mannar servia para pressionar o rei de Jaffna, controlar a navegação no Golfo de Mannar e a pescaria do aljofre, e ainda para socorrer a praça de Colombo.

Mannar foi também o centro de um sistema tributário que os portugueses estabeleceram no norte e leste de Ceilão ao longo das décadas de 60, 70 e 80 de Quinhentos, conforme mostra o regimento da fortaleza, dado em 1582.

O forte em si aparece nas fontes iconográficas portuguesas do século XVII como um edifício quadrangular dotado de três baluartes, com forma e posição aparentemente idênticas às da atual fortaleza.

Numa visita aprofundada pode-se verificar in locco as alterações efectuadas pelos holandeses aquando da tomada deste forte em 1658.

O forte, globalmente bem conservado, situa‐se na ponta oriental da Ilha de Mannar, junto ao canal que a separa da terra firme e à ponte que estabelece a ligação entre as duas. Nota‐se o aspecto particular do pano de muralha oriental, construído num aparelho mais irregular que as outras partes do forte e dotado de ameias que poderão remontar ao período português. As restantes partes, incluindo os baluartes, ostentam um aparelho muito regular, de aspecto mais moderno. É portanto possível que os holandeses tenham melhorado ou remodelado toda a estrutura, à exceção do pano de muralha oriental.

Contudo, é precisamente num dos baluartes (no canto nordeste) que existe uma guarita circular de aspecto português. Junto à muralha oriental dotada de ameias situa‐se, no interior da fortaleza, a ruína de uma igreja que poderá também datar do período português, onde se distinguem, na face meridional, um altar ladeado de duas portas em arco completo para acesso à sacristia.

Algumas partes destas estruturas mais pequenas constituem‐se de um aparelho miúdo e irregular de pedra e cal.

 

fonte:

Hpip e Hernani Cardoso

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O Forte de Pooneryn foi construído pelos portugueses no norte da ilha do actual Sri Lanka para proteger a sua Praça de Jaffna.

O Forte tem uma planta quadrangular com 2 bastiões que se opunham nos seus cantos.

A muralha tinha cerca de 30 metros e esteve guarnecido até finais do séc XVIII.

Os holandeses atacaram e tomaram o Forte tendo-o perdido por seu lado para os ingleses.

Os ingleses contruíram uma casa de repouso e utilizaram o forte até 1805.

Desde 1983, devido à Guerra Civil no Sri Lanka, o Forte foi guarnecido pelo Exército do Sri Lanka até à sua retirada da zona de Pooneryn em 1991 data em que foi tomado pelas forças dos Tigres de Libertação Tamil Eelan.

O Forte foi recapturado pelo Exército do Sri Lanka em 2008 e desde essa data o Forte, ou o que resta dele, está aberta à visita do público, no centro da vila de Pooneryn.

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Também conhecida por Forte Hammenhiel foi construida em 1618 pelos portugueses numa ilha de coral a oeste de Jaffna com a finalidade de controlar o acesso maritimo a esta cidade.

Com uma planta octogonal, a Fortaleza Real foi mandada erigir pelo então Governador de Jaffna o português António do Amaral Menezes na ilha de coral que se situa entre Kayts e a ilha de Karaitivu.

Em 1658, e após 3 meses de cerco, a Fortaleza Real foi conquistada pelos corsários holandeses que o rebatizaram de Fort Hammenhiel.

Actualmente a Fortaleza Real está adaptada a um Resort de Luxo gerido pela Marinha de Guerra do Sri Lanka.

 

http://forthammenhielresort.lk/

 

 

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Kayts é o nome de uma ilha fronteira à cidade de Jaffnapatnam (Jaffna), no extremo noroeste do Sri Lanka.

O nome parece remontar ao topónimo português “Ilha do Cais” ou “Cais dos Elefantes”, o qual remete para o tradicional comércio dos paquidermes de Jaffna para a Índia.

Durante o período holandês (1658‐1796) a ilha foi ainda denominada Leiden, adquirindo o nome atual com a dominação britânica (1796‐1947).

Aqui existiu um porto chamado Uraturai, que desempenhou um papel importante na civilização de Polonnaruwa (séculos X‐XIII). Na parte menos povoada da ilha, perto da sua ponta ocidental, encontram‐se atualmente as ruínas, relativamente bem conservadas, de uma pequena fortaleza do período português.

Conservam‐se três lanços de muralha daquilo que foi uma estrutura quadrangular. Os restos das muralhas elevam‐se até cerca de três metros de altura, tendo sido construídas em aparelho de dimensões pequenas-médias, de tipo irregular.

Os dois lanços perpendiculares à linha da água, geralmente bem conservados, encontram‐se pontualmente destruídos por uma estrada em terra batida, a qual atravessa a antiga estrutura em paralelo ao mar.

O lanço que liga estes dois panos na parte do interior da ilha está coberto de vegetação.

O pano de muralha fronteiro à água, por sua vez, encontra‐se inteiramente desmantelado, sem traços visíveis de derrube. Notam‐se no chão estruturas em pedra que poderão corresponder às suas fundações.

Junto a um dos panos de muralha prependiculares à linha de água é possível ver ainda parte da pequena Capela, com tecto abobadado, e o seu altar.

Este forte foi contruído em 1629, a expensas de Miguel Pereira de Sampaio, em contrapartida pela doação régia da vizinha Ilha de Karaitivu.

Esta iniciativa vinha no âmbito de um movimento mais vasto para a fortificação do litoral ceilonês com o qual os portugueses tentaram, na década de 1620, isolar o reino interior de Kandy e consolidar a sua presença face aos novos desafios europeu, nomeadamente os ataques da pirataria holandesa e inglesa.

A ideia inicial havia sido de transferir o quartel‐general português do reino de Jaffna da cidade homónima para a Ilha do Cais, por razões de ordem estratégica. No entanto, com a construção das fortificações de Jaffna (1629‐1632), este plano tornou‐se obsoleto. A partir daí, a fortaleza do Cais serviria em teoria para defender o acesso marítimo a Jaffna.

No entanto, a sua utilidade sempre foi considerada discutível, levando ao abandono em 1651.

Fontes da época referem referem, em consequência, a demolição de estruturas, o que parece ter sido parcial, a avaliar pelos restos atualmente visíveis. Derrubou‐se apenas a face marítima do edifício, sem a qual este se tornava inútil.

Junto ao forte existia uma pequena povoação e uma igreja, dos quais hoje nada subsiste.

 

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Também conhecido por Forte de Delft, foi construído pelos portugueses na ilha de Neduntheevu, denominada por eles Ilha das Vacas por aí existirem muitas vacas (o que na actualidade ainda se verifica).

Este forte controlava o estreito de Palk que separa o actual Sri Lanka da Índia.

Foi tomado pelos holandeses que construíram uma barraca perto do forte, e renomearam a Ilha das vacas, como os portugueses a chamavam por ilha de Delft.

O forte foi contruído por rochas de corais.

Embora em ruínas, o inglês Ralph Henry Bassett descreveu o forte como “um forte muito robusto” no seu livro Romantic Ceylon: Its History, Legend and Story

 

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A Fortaleza de Nossa Senhora dos Milagres de Jafanapatão, também referida como Fortaleza de Jafanapatão e hoje conhecida como Forte de Jaffna, localiza-se na atual Jaffna, no Sri Lanka. Revestiu-se de importância estratégica por se encontrar na península de Jaffna, sobre o estreito de Palk, que separa o Sri Lanka da Índia.

A presença portuguesa em Jaffna remonta a 1543 quando o soberano local, Cankili I, sequestrou alguns portugueses que haviam naufragado naquela costa e, em seguida, começou a perseguir os seus súbditos na vizinha ilha de Mannar, cristãos recentemente convertidos por São Francisco Xavier. Estes pertenciam a uma casta inferior de pescadores, dedicando-se à apanha de pérolas, item cobiçado pelos comerciantes muçulmanos de Calicute que com frequência lhes roubavam as capturas. A conversão havia lhes dado o estatuto de súbditos portugueses e a esperança de proteção militar. A resposta portuguesa só teria lugar em 1558 quando D. Constantino de Bragança capturou Jaffna, obrigando Sankili ao exílio em Trincomalee. Para a sua defesa ergueram uma fortificação sob a invocação de Nossa Senhora dos Milagres.

Em 1570 os interesses portugueses conduziram Periyapulle ao trono. Este veio a ser derrubado em 1582 pelo filho de Cankili I, Puviraja Pandaram, que iniciou uma política anti-portuguesa, aliando-se ao Samorim de Calicute e atacando Mannar, sem sucesso.

Em 1591 forças portuguesas marcharam sobre Jaffna, derrubando o soberano e substituindo-o por Ethirimana Cinkam, que reinou até à data em que faleceu, 1617. A regência foi entregue a Arasakesari e existiam três pretendentes à sucessão: a filha do soberano, um grupo de mudaliares, pró-portugueses, e Cankili II, sobrinho do falecido. Este último promoveu um golpe e um massacre palaciano que o conduziram ao poder sob o nome Segarasasekaran VIII. Para consolidá-lo, solicitou o reconhecimento português em Colombo. Sem resposta, e defrontando-se internamente com oposição mudaliar pró-portuguesa, o novo soberano pediu auxílio militar a corsários naiaques de Thanjavur, e permitiu a corsários do Malabar que utilizassem uma base em Neduntivu, o que constituía uma ameaça à navegação portuguesa através do estreito de Palk.

Em resposta, em junho de 1619, uma força combinada portuguesa foi enviada contra Jaffna. As forças navais foram derrotadas pelos corsários do Malabar. As de terra, entretanto, constituídas por 5000 homens sob o comando de Filipe de Oliveira, derrotaram as de Jaffna, capturando o soberano e conduzindo-o a Goa, onde foi executado na forca. Os membros diretos da família real que sobreviveram, foram deportados para Goa, tendo diversos sido encorajados (e mesmo forçados) a ingressarem como monges e freiras em diversas ordens religiosas, como medida de prevenção de futuras pretensões ao trono daquele reino. Com a execução de Segarasasekaran VIII, a linha dos reis Aryacakravarti que tinha governado o reino de Jaffna durante mais de três séculos, extinguiu-se e os portugueses passaram a assumir diretamente o governo.

À época, Filipe de Oliveira descreveu os habitantes de Jaffna como “pacíficos e fracos” e um seu oficial superior, Lançarote de Freitas, como “sossegados, calmos e sem experiência militar”.

Nas décadas seguintes, registaram-se três rebeliões contra o domínio português, sendo duas lideradas por Migapulle Arachchi. Durante esse período, os portugueses destruíram todos os templos Hindu e a biblioteca Saraswathy Mahal em Nallur, repositório real para toda a produção literária do reino. Por força dos excessivos impostos a população diminuiu e muitos habitantes mudaram-se para Ramanathapuram, na Índia, e para os distritos de Vanni mais ao sul. O comércio exterior do antigo reino teve um impacto negativo, ainda que os elefantes, principal item da pauta de exportações de Jaffna, fossem negociados por salitre com diversos reinos na Índia e enviados para Lisboa. O declínio no comércio dificultou o pagamento das importações essenciais, que se reduziram significativamente ou cessaram. De acordo com o manuscrito do jesuíta frei Fernão de Queiroz (Goa, 1688), principal fonte sobre a presença portuguesa no Sri Lanka à época, o povo de Jaffna foi “reduzido à miséria extrema” durante a era colonial portuguesa.1

Em 22 de junho de 1658 forças holandesas, sob o comando de Rijckloff van Goens conquistaram Jaffna sem resistência. A fortificação foi então reforçada e aumentada.

Posteriormente, em 1795 a cidade foi conquistada pelos britânicos, permanecendo na sua posse até 1948.

Em função da guerra civil do Sri Lanka, o forte foi cenário de confrontos e cercos em diversas ocasiões.

De 1986 a 1995 esteve sob controle do Tigres de Liberação do Tamil Eelam quando foi reconquistada pelo Exército do Sri-Lanka após um cerco de 50 dias durante a “Operação Riviresa”.

No interior da fortificação encontra-se a chamada “Casa da Rainha”, o terrapleno, quartéis da polícia e diversos edifícios que remontam à época portuguesa.

 

fonte: wikipedia

 

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Cidade situada nas margens do maior porto natural do actual Sri Lanka, na foz do Mahaweli Ganga no nordeste da ilha, aparece nas fontes portuguesas com o nome de “Triquilimalé”.

O primeiro projeto para uma ocupação portuguesa do lugar, da autoria de Miguel Ferreira, data da década de 1540. A região beneficiava então de larga autonomia política, embora estivesse na esfera de influência do reino de Kandy.

Este reino, situado no centro da ilha, comunicava com o exterior através de Batticaloa e Trincomalee.

A partir de finais da década de 1610, Lisboa ordenou a fortificação de ambos os lugares. As ordens foram transmitidas pelo vice‐rei D. Francisco da Gama ao capitão‐geral de Ceilão, Constantino de Sá de Noronha, que procedeu à fortificação do lugar em 1623 com a assistência do engenheiro militar Francisco Pinto Pimenta.

O lugar escolhido para o forte era adjacente ao templo de Konesar (Tiru Koneswaram), prestigioso local de peregrinação hindu que, em 1620, havia já servido de quartel a uma fracassada expedição dinamarquesa. Constantino de Sá mandou demolir o templo, usando alguns dos materiais para a construção de um forte algumas centenas de metros mais a oeste.

A demolição deste templo está retratada numa pintura no interior do actual templo, contruido no lugar do antigo.

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A estrutura erguida em 1623 era triangular.

O baluarte meridional (Santa Cruz), virado para a entrada da baía, corresponde ao actual baluarte sudoeste, notando-se nele as alterações efectuadas pelos holandeses.

O baluarte noroeste do forte português (Santiago) sobrevive na estrutura atualmente existente no seu lugar, embora a extensão exata das obras holandesas posteriores esteja por estabelecer.

No canto nordeste (Santo António) aparece num desenho português de 1624 uma estrutura sub‐hexagonal com o comentário “este baluarte se acomodou ao sítio”.

No seu lugar, demasiado rochoso para obras maiores, o atual forte não apresenta nenhum baluarte saliente. Os três baluartes portugueses estavam ligados por panos de muralha, dos quais o setentrional, assente sobre as rochas do litoral, terá sido inicialmente o mais frágil. A leste do forte, no promontório assim separado da terra firme, estabeleceu‐se uma comunidade de casados. O pequeno povoado estruturava‐se ao longo de um eixo que deverá remontar a épocas anteriores (dando na origem acesso ao edifício principal do templo) e sobrevive hoje como espaço público.

O Forte de Trincomalee foi tomado pelos holandeses em 1639 e sujeito, nas décadas seguintes, a obras de consolidação e beneficiação, passando‐se nomeadamente de uma planta triangular para uma planta sub‐quadrangular.

É de salientar, no entanto, que as chefias da Companhia Holandesa das Índias Orientais consideraram entregar o lugar ao rei de Kandy, o que justificaria alguma moderação nas obras. Estabeleceu‐se finalmente, sob o comando de Rijckloff van Goens, uma série de cinco outros fortes menores para a proteção da baía.

 

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Batticaloa é uma cidade situada numa ilha interior em torno de uma vasta lagoa do litoral oriental do Sri Lanka.

As primeiras navegações portuguesas pela face oriental da ilha encontram-se documentadas a partir da década de 1540.
A região beneficiou de larga autonomia política durante todo o século XVI, integrando o chamado “reino de Batecalou”, mas entrando progressivamente na esfera de influência do reino de Kandy.
Este, situado no centro da ilha, resistia às pressões portuguesas e comunicava com o exterior através de Batticaloa e Trincomalee.
Por isso se deram repetidas ordens em Lisboa, desde finais da década de 1610, no sentido de fortificação de ambos os lugares.
A ideia foi posta em prática, no caso de Batticaloa, por Constantino de Sá de Noronha em 1628.

Sá e Noronha chegou a Trincomalee com três navios em Março de 1628, onde reforçou a guarnição, marchando a seguir para Batticaloa à frente de uma força de cem portugueses e dois mil lascarinos.

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O local escolhido para a construção do forte foi a pequena ilha de Puliyantivu, numa laguna, protegendo a baía, e que só podia ser alcançada por navios durante a maré alta.

Em Julho do mesmo ano, a construção do forte foi confiada a Damião Botado, e posto sob a invocação de Nossa Senhora da Penha da França.

Recebeu uma guarnição de 40 a 50 soldados, um capitão, um representante da lei, um capelão e 20 casados.

O local escolhido para a construção do forte tinha vários pontos fracos, entre os quais destacavam-se a falta de uma fonte de água potável para o abastecimento da guarnição, o canal que separava a ilha da costa era muito raso e estreito, não impedindo a passagem de tropas em caso de ataque, e o acesso ao mar era difícil e ficava a quase cinco quilómetros do forte.

Poucos anos depois de sua construção, foi proposta uma reconstrução em local melhor, mas a crónica falta de fundos de Goa não permitiu que isto acontecesse.

Tendo o rei Rajasinghe de Kandy solicitado o auxílio holandês na sua luta contra os portugueses, esta foi a primeira praça a ser capturada pelas forças holandesas no Ceilão (18 de maio de 1638).

Após a sua tomada, os holandeses procederam a algumas modificações no forte e a alteracão da frontaria da entrada principal,. O forte ficou conhecido, erradamente como forte holandês, pois na sua “história” os holandeses afirmam que destruiram o forte para voltar a recontruir. O estranho é que são poe demais visiveis as adaptações holandesas, demosntrando que este não foi contruído de raíz como afirmam.

A partir de 1772 a fortificação passou para a posse Britânica.

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O Forte de Matara foi construído em 1560 pelos Portugueses.

O forte, que consiste numa muralha fortificada de pedra ocupa uma península que sepra o rio Niwala da lagoa e do oceano Indico.

A primeira fortificação construída pelos portugueses foi em 1595 com a ajuda de D. Joáo Dharmapala, o Rei de Kotte.

Em 1640 os holandeses capturaram Matara aos Portugueses e em 1645 alteraram a estrutura herdada dos Portugueses.

fonte
wikipedia

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Só a partir da chegada dos Portugueses se deu um encontro consequente entre a Cristandade e a civilização cingalesa. Nos primórdios de Quinhentos, a ilha de Ceilão encontrava-se dividida em três reinos autónomos: o reino de Jaffna, o reino de Kandy, ou Cândia, nas montanhas centrais, e o reino de Kotte, a sul, que se desdobraria, em 1521, dando origem ao aparecimento de mais uma força política, o reino de Sitawaka.

Em 1506, algumas naus lusas, comandadas por D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei D. Francisco de Almeida, depois de uma investida nas costas das Maldivas, com o propósito de intercetar o tráfego de navios mouros, viram-se arrastadas até ao porto de Gale, no reino de Kotte, afamado pela sua primazia no trato da canela e das pedras preciosas. Neste primeiro encontro, foi erigida uma pequena capela na capital, Colombo, em honra de São Lourenço, onde se celebrou uma missa presidida por Frei Vicente.

A partir de então, em todos os tratados de amizade e comércio que se ratificaram entre a coroa portuguesa e os reinos locais figurava uma cláusula que assegurava a liberdade para evangelizar o povo cingalês. Contudo, a missionação portuguesa, aqui como em todo o Oriente, só se tomaria sistemática na década de 1540.

Entre 1515 e 1534 Ceilão pertence à diocese do Funchal, passando então à diocese de Goa até 1557, data em que é erigida aquela que será a sua futura diocese até 1836, Cochim.

Os primeiros anos da presença portuguesa na ilha foram muito pouco significativos no que respeita à evangelização. O projeto de construir uma fortaleza em Ceilão, que consta já das instruções de D. Manuel a D. Francisco de Almeida, foi sendo adiado, para se vir a concretizar apenas em 1518; mas logo em 1524 foi a fortaleza de Colombo desmantelada por parecer inconveniente.

A fortaleza foi, entretanto, um espaço de comércio e de missão, uma vez que, como acontecia um pouco por toda a parte, estava provida de um capelão e alguns clérigos, cujo sustento era assegurado pelo Estado.

O primeiro vigário de Ceilão foi o padre Luís Monteiro de Setúbal, que ali viria a ser enterrado em 1536. Além do cuidado espiritual dispensado aos cristãos da guarnição da fortaleza, é provável que aqueles clérigos tentassem algumas incursões apostólicas nas terras vizinhas, a fim de catequizarem os infiéis que espontaneamente se sentissem atraídos pela nova doutrina que lhes era apresentada.

Em carta de 5 de Março de 1521 D. Manuel lembrava ao capitão da fortaleza a sua responsabilidade em fomentar a dilatação da fé. D. João III, em alvará de 4 de Março de 1533, dispunha que, em todas as fortalezas e feitorias, os escravos que, com verdadeira sinceridade, se fizessem cristãos ficariam livres da escravidão.

Sabe-se que o alvará joanino produziu os seus efeitos, que redundariam numa série de abusos de que se queixava o rei de Kotte, Bhuvaneka Bahu. De facto, muitos dos naturais que se convertiam eram antigos escravos que, conseguida a almejada liberdade, deixavam de pagar os direitos senhoriais e reais a que estavam obrigados, o que provocava uma certa animosidade contra os missionários, apenas refreada por necessidades impostas pela conjuntura interna na ilha desde finais da década de 1530.

A partir de 1539, Bhuvaneka Bahu viu, de facto, nos portugueses os aliados de que precisava para travar as ofensivas de Mayadunne, rei de Sitawaka, sobre os seus domínios e para ver reconhecido o seu neto Dharmapala como legítimo sucessor do seu trono.

Entretanto, um franciscano, que se encontrava na sua corte, Frei Henrique, aconselhou-o a pedir a Portugal missionários para Ceilão, pois o clero era insuficiente para o número de convertidos; Bhuvaneka Bahu aproveitou esta sugestão, com o fito de mais facilmente atrair o apoio da coroa portuguesa à sua causa, no que foi bem sucedido.

Em 1543, a embaixada que enviara a D. João III regressava a Colombo acompanhada de sete franciscanos, à frente dos quais vinha Frei João da Vila do Conde, franciscano capucho da Província da Piedade, com as seguintes disposições da parte de D. João III:

Dharmapala era reconhecido como herdeiro de Kotte e os recém-convertidos continuariam sujeitos à jurisdição local. Bhuvaneka Bahu acolheu muito bem estas notícias, dando plena liberdade de pregação aos missionários franciscanos, mas, contrariando as expectativas trazidas por aquela embaixada, mostrou-se claramente adverso à ideia de se batizar.

De qualquer forma, incumbiu Frei João da educação do seu neto e, talvez movido pelas ameaças constantes de Mayadunne, que tomavam premente o auxílio português, procurou continuar a conquistar a sua benevolência através de um explícito favorecimento dos convertidos ao cristianismo, permitindo-lhes, por exemplo, que retivessem os bens transmitidos em herança, mesmo os de doação régia precária, que pela lei geral do reino deveriam voltar às mãos do rei.

Perante tal clima de tolerância, as missões cristãs foram crescendo e construíram-se igrejas em Colombo, Negumbo, Gale, Lycão, etc. Em 1557, a conversão de Dharmapala (1551-1597), o neto de Bhuvaneka e seu sucessor, que passou a chamar-se D. João, arrastou consigo quase toda a corte, o que foi muito motivador para os demais súbditos.

Entretanto, outros senhores de Ceilão equacionavam a conveniência de terem os portugueses como aliados militares contra o avanço das forças de Mayadunne. No reino de Kandy, o soberano facilitava a penetração dos franciscanos e disponibilizava-lhes terreno para a construção de uma igreja e de uma residência.

A manifesta receptividade do rei Jayavira para com o cristianismo teve como corolário o seu batismo sob o nome de D. Manuel, em 1546; mais tarde, porém, viria a apostatar, desiludido com a diminuta ajuda que lhe prestara a milícia portuguesa. O seu filho, que tomou o nome de Jayavara II, reencetou boas relações com os missionários, vindo a pedir o batismo a Frei Pascoal, provavelmente na década de 1550, no que foi seguido por vários senhores do seu reino, que passou a ser marcadamente pró-português.

No caso do reino de Jaffua, a iniciativa de uma aproximação à fé cristã não partiu da hierarquia política. Desta feita, foram os pescadores da ilha de Manar que, seduzidos com o que se falava acerca de São Francisco Xavier e dos prodígios que lhe imputavam aquando da sua pregação aos paravás da costa da Pescaria, requereram a presença do santo para os doutrinar também a eles.

Impossibilitado de ali acorrer por se encontrar ocupado com a cristandade de Travancor, Xavier enviou em novembro de 1544 um seu companheiro que converteu toda a casta dos careás de Manar. O rei hindu Sankily (1519-1561), tomando este acontecimento como um golpe infligido à sua autoridade, ordenou o extermínio dos cerca de 700 batizados.

O efeito foi contraproducente: sensibilizados com o martírio coletivo que acabavam de testemunhar, muitos parentes do rei de Jaffna aderiram ao cristianismo. Apenas o reino de Sitawaka continuava a ser completamente impermeável ao Evangelho. Mayadunne arvorava o budismo como estandarte nacional congregador dos seus súbditos e como chamariz às populações dos reinos vizinhos que não aderiam à doutrina anunciada pelos missionários.

Nos finais do século XVI, começava uma nova fase para as missões portuguesas, sob os bons augúrios vindos de Kotte e de Jaffua. Em 1580, depois de suportar durante quase dois anos um cerco infligido por Raju, filho de Mayadunne, o rei de Kotte doava os direitos de soberania do reino de Kotte à coroa portuguesa. Em 1597, à morte de D. João Dharmapala, aquele reino era-lhe definitivamente legado pelo seu testamento.

Quanto ao reino de Jaffua, a partir de 1560, terminadas as hostilidades de Sankily, iniciou-se um período de alguma paz. Aquela região estava ordenada por paróquias, cada uma com uma residência destinada ao padre franciscano que a servia e, caso se justificasse, com uma capela-escola. Foram talvez esses bons auspícios que atraíram outras ordens religiosas.

Desde 1560 os franciscanos ombreiam em Manar com os jesuítas. Em 1578, os agostinhos estabeleceram um pequeno convento em Colombo, onde serviam a população depauperada dos arredores, o que lhes exigia um esforço financeiro por vezes difícil de suportar.

Nesta cidade a missão dos jesuítas começou por volta de 1602, vindo a construir-se o primeiro colégio em 1605; parece que aí estiveram os filhos do rei de Uva e do rei das Sete Corlas. Em Jaffua, a companhia teve uma missão entre 1623 e 1640.

Dos frades dominicanos, conhecem-se residências em Colombo, Jaffna e Gale, em 1627. Conhece-se a existência de um padre dominicano natural de Ceilão; sabe-se também de um padre de Malaca e de três indianos, seculares, que trabalhavam com os jesuítas.

Apesar dos progressos conseguidos, os missionários portugueses, para além da postura hostil dos monges budistas, tiveram de contar com novos adversários, quando o século XVII trouxe consigo os primeiros holandeses.

Em Maio de 1602 aportava em Baticaloa, no reino de Kandy, Joris Van Spilbergen, um enviado de Maurício de Nassau, que foi recebido com grande entusiasmo por Wimala Dharma, que desde então se tomou inimigo dos portugueses.

Em 1614, o rei de Kandy proibiu a construção de edifícios eclesiásticos para os missionários católicos. A pouco e pouco a perseguição aos católicos começou a ter forma de lei. Num tratado assinado em 1638 entre Holandeses e Rajasinha II (1635-1687), rei de Kandy, uma das cláusulas proibia a admissão de clero católico romano, acusado de induzir o povo a desmandos contra as autoridades locais.

Perante a crescente intolerância religiosa, foi ganhando força a resistência católica que prefere agora o interior da ilha, nomeadamente o reino de Kandy, onde Rajasinha II, desiludido com os holandeses, volta a acolher os portugueses.

Entre 1638 e 1658, os holandeses vão-se apoderando das posições portuguesas da ilha. Este avanço holandês faz-se acompanhar de toda a espécie de interditos, de que se pode destacar o de 19 de setembro de 1658, que proibia, sob pena de morte, que se albergassem ou ocultassem sacerdotes católicos. Mesmo assim, o empenho posto na protestantização da ilha não conseguia superar a influência do clero católico que, em segredo, continuava o seu apostolado.

O exemplo mais notável é o do Beato José Vaz (1651-1711), um padre goês, fundador da Congregação do Oratório de São Filipe de Néri, em Goa, que se fez passar por escravo para poder entrar em Ceilão, onde teve por costume visitar as casas católicas, a fim de assegurar o acesso aos sacramentos. Em 1694, chegou a conseguir permissão da parte do rei de Kandy para reconstruir as igrejas católicas nos arredores da cidade. Além disso, com o seu zelo missionário, restaurou a antiga pujança da cristandade de Jaffua e de Manar. Até 1711, quando veio a falecer, converteu cerca de 30 000 cingaleses.

Ao longo do século XVIII, as repetidas proibições aplicadas à administração dos sacramentos católicos fazem crer que o Beato José Vaz deixou continuadores na ilha. A testemunhar a vivacidade de algumas comunidades católicas temos o exemplo da reacção protagonizada pelos crentes de Negumbo que, em 1750, se insurgiam contra o programa governamental de educação protestante para todas as crianças

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São José Vaz (Goa, Estado Português da Índia, 21 de abril de 1651 — Kandy, Sri Lanka, 16 de janeiro de1711) foi um missionário conhecido como o Apóstolo do Sri Lanka, onde actuou desde 1687 até o fim de sua vida em 1711.

Dedicou-se principalmente a cuidar dos enfermos, enfrentando a resistência dos holandeses calvinistas, colonizadores do então Ceilão.

Foi canonizado pelo Papa Francisco no dia 14 de janeiro de 2015, em uma cerimônia realizada na cidade de Colombo, no Sri Lanka.

Infância
José Vaz foi o terceiro dos seis filhos do casal cristão Christopher Vaz e Maria de Miranda. Frequentou a escola primária em Goa, onde aprendeu o latim e a língua portuguesa, decorrente da colonização da Índia por Portugal.

Juventude
Frequentou a Universidade dos Jesuítas em Goa, onde estudou Humanidades e depois Filosofia e Teologia na Academia de São Tomás de Aquino. Ordenou-se em 1676, abrindo em seguida uma escola de latim para os seminaristas em Goa. Em 1677 consagrou-se como “Servo de Maria”, através de um documento conhecido como “Carta de Servidão”.

Actuação no Ceilão
José manifestou o desejo de exercer sua missão no Ceilão (atual Sri Lanka) ao saber que a religião católica local estava sendo perseguida pelos holandeses calvinistas, que eram os colonizadores na época. Não havia lá nenhum sacerdote católico há mais de cinquenta anos.
Enquanto não se concretizava este seu desejo, formou uma pequena congregação de sacerdotes em Goa com a Igreja da Santa Cruz dos Milagres. José foi o superior na congregação, estabelecendo um estatuto canônico definitivo àquele Oratório, introduzindo exercícios religiosos e obras de caridade, preparando assim seus membros para a missão.
Demitiu-se daquela obra em 1686, viajando para o Ceilão disfarçado de trabalhador ambulante, para evitar a perseguição dos calvinistas. Na Páscoa de 1687, desembarcou em Jaffna, ao norte do Ceilão.
Iniciou sua missão entrando em contato com católicos, sem despertar a atenção dos holandeses. Administrava secretamente batismos à noite e atendia as aldeias de população carente, tornando-se logo conhecido também dos holandeses. Em 1692 foi encarcerado junto com outros católicos, acusado pelos calvinistas de ser um espião português.
Em 1696, uma grande seca se abateu sobre aquela região. Conta-se que José teria pedido para erigir um altar e uma cruz em um campo de Kandy. Depois de suas orações, choveu abundantemente, ficando secos José e o altar.

Este facto teria sido o início de uma maior liberdade em sua missão, pois a partir de então o rei pediu que José fizesse orações por todo o reino.
Com o passar do tempo, chegaram novos missionários de Goa, para auxiliar no trabalho de José. Em 1710, apesar de já apresentar alguns problemas de saúde, empreendeu uma nova viagem missionária e assim que retornou a Kandy caiu enfermo seriamente. Chegou a se recuperar, mas já debilitado, morreu no ano seguinte, em 16 de janeiro de 1711.

Beatificação e canonização
José Vaz foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 21 de janeiro de 1995 e canonizado pelo Papa Francisco em 14 de janeiro de 2015. Tanto a cerimônia de beatificação como a de canonização aconteceram em Colombo, no Sri Lanka. A canonização do beato foi por decreto, chamada de equipolente ou equivalente, quando há um longo tempo como beato, sendo já popularmente venerado como santo. Neste caso não é necessário o processo para a comprovação de milagres.

Fonte: wikipédia

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O Forte de Galle localiza-se na baía de Galle, na costa sudoeste da ilha de Ceilão, atual Sri Lanka.

Galle é considerada o melhor exemplo de cidade fortificada erguida pelos Europeus no sul e sudeste da Ásia, testemunho da interação entre estilos de arquitetura Europeus e tradições do sul da Ásia.

Essa combinação assegurou ao conjunto a classificação como Património Mundial pela UNESCO desde 1988.

O primeiro contato dos portugueses com Galle, o principal porto da ilha desde a Antiguidade, ocorreu em 1505 quando aqui aportaram sob o comando de D. Lourenço de Almeida, inaugurando uma nova etapa na história da ilha graças à amizade que estabeleceram com o então soberano da ilha, Dharmaparakrama Bahu (1484–1514).

Uma fortificação portuguesa, em troncos e terra, sob a invocação da Santa Cruz, foi erguida em Galle, junto com uma capela franciscana em seu interior (hoje em ruínas), em 1541. Essa primitiva fortificação foi utilizada mais tarde como prisão para Cingaleses que se opuseram ao domínio Português.

Os Portugueses deslocaram os seus interesses de Galle para Colombo. Em 1588, entretanto, foram ali atacados pelas forças Cingalesas do Raja Singha I (1581–1593) do reino de Sitawaka, que as obrigou a retornar para Galle.

Estes, sob o comando de Matias de Albuquerque conquistaram Galle e reformularam a sua fortificação, erguendo uma torre elevada que dominava o acesso a uma robusta couraça. O conjunto era completado por outros elementos de defesa, ficando a povoação cercada pelo lado de terra por uma muralha com 660 metros de extensão e três baluartes.

A FORTIFICAÇÃO

Concebido essencialmente para enfrentar forças locais, não servia para controlar eficazmente o surgidouro na Baía de Galle, do lado oriental da península por isso se tornou rapidamente obsoleto e, nas duas primeiras décadas do século XVII, saíram do reino repetidas ordens para a construção de fortificações mais sólidas.

Em 1619, o capitão‐geral de Ceilão, Constantino de Sá de Noronha, fez demolir as estruturas iniciais para mandar construir outras de raiz.
Estas englobaram toda a Península de Galle, que ainda hoje acolhe o centro histórico colonial da cidade.
As novas estruturas portuguesas compunha-se de:
um baluarte na ponta sul da península, controlando a entrada da baía;
um forte erguido diretamente sobre o porto, na face oriental da península, numa pequena língua de terra virada para nordeste;
uma muralha de mar a mar separando a península inteira da terra firme, na parte setentrional.

A restante circunferência de Galle ficava protegida graças ao litoral rochoso e, nas partes mais baixas e acessíveis desde o mar, por estruturas feitas de terra compactada e de madeira.

Os trabalhos efetuaram‐se numa primeira fase até 1623, sob o comando do capitão Fernão Pinhão, durante a capitania‐geral de Jorge de Albuquerque.

A obra ficou incompleta e foi retomada em 1627, nomeadamente no tocante à muralha de mar a mar, reforçada então com três baluartes:
dois à beira da água
um na parte central,
correspondendo talvez à posição dos três baluartes holandeses hoje existentes, embora a estrutura portuguesa apareça mais torcida num desenho de 1638.

O plano para a escavação de um fosso fronteiro a esta muralha foi abandonado por falta de fundos.
A documentação da década de 1630 revela continuados problemas com todas as estruturas defensivas de Galle.

Após a captura pelos holandeses em 1640, Galle serviu de capital aos holandeses em Ceilão até à tomada de Columbo, em 1656. Durante estes anos, reforçaram-se as estruturas defensivas portuguesas, sendo o traçado da principal muralha de mar a mar mantido aproximadamente inalterado.

As estruturas portuguesas acabariam por ser quase totalmente integradas em fortificações maiores durante as obras de beneficiação e modernização da primeira metade do século XVIII, ficando assim em boa parte invisíveis.

Permanecem no entanto visíveis alguns restos na zona chamada Black Fort, onde se situava o forte erguido frente ao porto, numa pequena língua de terra do lado nordeste da vila, em pedra e cal – o “sítio da fortaleza” no Códice de Saragoça, de 1638.

Para além das estruturas militares, é ainda de referir a plausível origem portuguesa de um ou dois arruamentos principais no sentido norte‐sul, e de pelo menos alguma da arquitetura civil mais antiga de Galle, nomeadamente no tocante às casas coloniais, geralmente atribuídas ao período holandês.

Independentemente do momento da sua edificação, que no geral se desconhece, estas casas poderão indiciar a existência local de um tipo de casa com varanda colunada de possível raiz portuguesa.

Fontes:
HPIP, Wikipédia

 

 

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A história da cidade de Malé não é bem clara até à Era Moderna, sendo que povos oriundos do sub-continente indiano habitavam algumas ilhas dos atóis que hoje constituem a República das Maldivas.

O certo é que a cidade de Malé foi fundada em 1507 por D. Lourenço de Almeida que aí instalou uma feitoria para o comércio das especiarias que funcionou durante quinze anos, tendo sido expulsos numa revolta local.

O governo deste território estava subjugado a GOA a quem deveria pagar impostos.

A cidade de Malé dos dias de hoje foi quase totalmente reconstruída depois de todos os edificios relaccionados com a Monarquia, Palácio Real, alguns fortes e bastiões, terem sido destruídos pelo ex-presidente Ibrahim Nasir.

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No século XVI, entre 1558 e 1573, os portugueses estabeleceram uma pequena feitoria nas Maldivas, que administraram a partir da colónia principal portuguesa de Goa.

Por quinze anos dominaram as ilhas, mas a actuação do feitor foi muito impopular.

Quinze anos passados um líder local chamado Muhammad Thakurufaanu Al-Azam e seu irmão organizaram uma revolta popular e expulsaram os portugueses das Maldivas.

Este acontecimento ainda hoje é celebrado como dia nacional das Maldivas e num pequeno museu e memorial em honra do herói nacional e depois Sultão Muhammad Thakurufaanu Al-Azam na sua ilha natal Utheemu no sul do atol Thiladhummathi.

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Negombo é uma cidade de população maioritariamente católica situada cerca de trinta quilómetros a norte de Columbo, no litoral ocidental do Sri Lanka.

Um primeiro forte português foi aqui construído em meados da década de 1590 por Lourenço Teixeira de Macedo, a mando de Jerónimo de Azevedo, primeiro capitão‐geral de Ceilão. A estrutura original terá sido concluída em 1597 ou mesmo antes, servindo para defender o acesso a uma zona rica em canela (Pitigal, Beligal e Alutkuru). Macedo recebeu a capitania vitalícia de Negumbo e manteve a posição com uma pequena tropa de quinze a vinte portugueses auxiliados por lascarins, à custa dos impostos portuários e das aldeias associadas à fortaleza.

Perto do forte viviam menos de uma dezena de casados com as respectivas famílias. A estrutura foi mantida e consolidada sob o comando de Lourenço Teixeira de Macedo, sendo considerada apta para a defesa do litoral na década de 1620, período de grande reestrutração das defesas portuguesas em Ceilão. Era quadrangular ou romboide, mas possuía apenas três baluartes (Nossa Senhora da Vitória, Espírito Santo, São Lourenço), guarnecidos com algumas peças de artilharia pequena. O canto destituído de baluarte, de ângulo mais aberto, ter‐se‐ia situado, segundo um desenho de 1638, a oeste, mirando a foz do rio. É próximo dessa foz, em lugar que corresponde à situação dos vestígios hoje preservados, que o forte se encontra representado nos desenhos portugueses e holandeses do século XVII.

O Forte de Negombo foi tomado pelos holandeses em 1639, sendo reconquistado pelos portugueses no ano seguinte e submetido a obras de melhoramento, mas novamente perdido em 1644.

Durante o período holandês, fizeram‐se repetidas obras (por exemplo, em 1678 e em 1717‐1720) que, no entanto, não alteraram a configuração original do forte até à conquista inglesa (1796).
Negombo terá talvez sido uma das estruturas portuguesas menos alteradas durante o período holandês, junto com Batticaloa. Já sob domínio britânico, foi em grande parte desmantelado, aproveitando‐se o lugar e os materiais para a construção de uma prisão, ainda em funcionamento. Deixou‐se de pé, no entanto, um troço de muralha correspondente ao pano oriental, estando os restos dos baluartes quase irreconhecíveis nas suas extremidades. A meio deste pano resta uma entrada com dois arcos em tijolo, que poderá remontar ao período português, ainda que uma inscrição aí existente se refira às obras holandesas de 1678.
É de mencionar ainda a existência em Menikaddawara, perto de Negombo, de um forte português, do qual Tikiri Abeyasinghe na década de 1960 ainda referiu os restos em terra compactada, junto com uma pedra lavrada com as armas de Portugal. Em Mottapuliya, H.C.P. Bell encontrou na década de 1910 os restos de uma tranqueira que poderá remontar ao período português.
Por fim, R. Raven‐Hart refere um forte em Holombuwa.

Zoltán Biedermann
fonte: HPIP
PS: Estranhamente, ou talvez nao, o Forte de Negombo CONSTRUIDO PELOS PORTUGUESES e conhecido e referenciado como FORTE HOLANDES.
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Sri Lanka (Taprobana)

Sri Lanka (Taprobana)

Sri Lanka (Taprobana)

As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram

in OS LUSÍADAS

1ª estrofe, 1º canto

LUIS DE CAMŌES

Os portugueses fixaram-se no actual Sri Lanka em 1505 onde criaram importantes feitorias:

  • Colombo (1518-1656), a cidade mais importante do reino de Cota e da Ilha de Ceilão;
  • Galle (Galo), a fortaleza mais importante do extremo sul do Ceilão (1589) ;
  • Jafanapatão (1560); 
  • Negumbo (1643);
  • Batecalau (1628-1638);
  • Triquinimale (1622).

No século XVII, fragilizados pelo domínio espanhol (a partir do qual o Império Português se começou a desmoronar), os portugueses acabam por ser substituídos pelos holandeses (1658), que acabaram por ser dominados pelos ingleses (1796).

A presença portuguesa ainda hoje perdura em muitos vocábulos, mas também no nome de grande número de famílias (Silvas, Pereiras, Fernandos, Sousas, etc).

No Ceilão desenvolveu-se inclusivé um crioulo.

Sítios classificados pela UNESCO: Cidade Velha de Galle e suas Fortificações: http://whc.unesco.org/sites/fr/451.htm

Listagem de fortes existentes no Sri Lanka: http://en.wikipedia.org/wiki/Forts_in_Sri_Lanka

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Quelba é uma cidade localizada na costa este dos Emirados Árabes Unidos, encontrando­-se a uma distância de oito quilómetros de Furaijah, sendo delimi­tada a sul pelo Sultanato de Omã e a norte pelo enclave de Madha.

Esta cidade foi conquistada por Gaspar Leite, por ordem de Rui Freire de Andrade, em 1624.

O Forte de Quelba integrava o conjunto de fortifi­cações complementares à estrutura defensiva e comer­cial da praça de Mascate, em conjunto com as fortale­zas de Matara e Curiate.

De acordo com o traço de Pedro Barreto de Resende, o autor dos desenhos do Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental, pode dizer­-se que o Forte de Quelba, implantada numa enseada junto à praia, tinha uma con­figuração de planta quadrada, sendo dotada de quatro baluartes de figura poligonal, ou seja, um baluarte situado em cada um dos seus ângulos.

A partir dos dois baluartes localizados no muro oeste os panos de mura­lha prolongam­-se, formando uma cortina de muro que se estendia para cada um dos lados do quadrado.
Esta cortina terminava com dois pequenos baluartes de forma circular nos extremos, um de cada lado.

Segundo António Bocarro, os panos de muralha eram construídos em adobe, “ao modo dos mouros”, medindo dois palmos e meio de largura e quatro braças de altura, e não tinham parapeito.

Junto à praia, localizava­-se um outro baluarte mais pequeno, de configuração circular, consistindo numa construção isolada e complementar à fortaleza.
A guarnição existente era constituída por um capitão e trinta lascarins.

A fortaleza está atualmente implantada numa plataforma cujas paredes apresen­tam uma espessura significativa.

O edifício localiza-­se no final da plataforma, deixando à frente um grande espaço vazio.

O forte apresenta também um baluarte de configuração circular, localizado no ângulo sudeste, tendo aproximadamente ao centro uma torre quadrada.

A edificação subsistente foi recentemente restaurada, sendo possível que parte das estruturas das cortinas e dos baluartes que hoje se conservam sejam ainda as da época do domínio português.

fonte
HPIP

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A 16 de setembro de 1507, quando Afonso de Albuquer­que toma a cidade, Sohar é, no dizer de Brás de Albuquerque, “mui grande e mui formosa e de muito boas casas”, com uma fortaleza quadrada, seis torres de redor e outras duas grandes torres sobre a porta da for­taleza.

A muralha apresentava uma boa altura e razoável espessura.
A fortaleza assentava junto ao mar numa grande enseada, embora o porto fosse “mui aparcelado, estavam as nossas naus surtas em seis bra­ças e dali à terra havia grande meia légua”.

Este observador ficou tão impressionado com as dimensões da fortaleza que considerou serem necessários pelo menos mil homens para a defender, e também reteve as casas do alcaide, que sobressaíam pela sua beleza, e outras que se destinavam exclusivamente para a guarnição.
De facto, Sohar era a única cidade da costa de Omã que era fortificada à altura da campanha de Afonso de Albuquerque porque, então, esta era a cidade principal de todo o litoral.

Desde a antiguidade que este lugar desempenhou um importante papel no povoamento daquela costa, pois a região era rica em palmares que abasteciam os locais de víveres e frescos e o areal permitia fácil acesso ao mar farto em peixe.

No século X, Sohar era já considerado um dos princi­pais portos do Índico, sendo então ocupado pelos tur­cos seljúcidas, que o tomaram aos azd, uma tribo vinda do Iémen, que introduziu o islamismo em Omã, expul­sando os persas que eram os anteriores colonizadores.

António Bocarro refere­-se ao achado de moedas roma­nas do tempo do imperador Tibério, o que testemunha a importância da cidade na ocupação daquela costa.

Seria no entanto a ocupação portuguesa, ao fazer des­locar para Muscate o principal porto estratégico da costa, que deitou a perder, irremediavelmente e para sempre, a primazia de Sohar.

O FORTE

Por ter sido construída numa planície que dá sobre um extenso areal, Sohar não servia como principal porto para as naus portuguesas, que eram navios de grande calado, os maiores de então.

Para além de não abrigar as naus dos ventos, o areal não permitia um fácil movimento de homens e mercadorias.
A cidade não deixou contudo de ser importante; prova disso é a preocupação da coroa portuguesa em a conservar e fortificar, notícia que nos é dada através do levantamento feito no 
Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental por Pedro de Barreto de Resende/António Bocarro, que nos informa: “A fortaleza de Soar está sita pella costa adiante da Arabia em altura de vinte e quatro graos e meio da banda do Norte”.

A fortaleza apresentava a forma de um quadrado perfeito, com quatro baluartes nos cantos, com seus “traveses” e bombardas, “que se defendem huns aos outros cada quartina de muro será de setenta paços fora o âmbito dos mesmos baluartes que sam também coadrados cada hum do tamanho de hua caza de dez paços andantes de vão o muro he de adobes cozidos e barro comq fica bastantemente forte”.

Dentro do forte haveria alguns poços de água doce e casas para a guarnição, sendo que um dos baluartes funcionava como um armazém “por longo de hua das cortinas de muro entrando pella porta a mão direita q serve de recolher mantimentos p.a soldados, tem mais as cortinas dos muros hum modo da defença que os Parceos chamam Bugios que são hus escudos de ado­ bes armados sobre paos de banda de fora e abertos p.a o rosto que olhar a raiz do muro”.

Do lado de fora, a fortaleza, com seis peças de artilharia repartidas pelos baluartes, tinha uma barbacã quadrada, com as dimen­sões correspondentes à fortaleza com os baluartes, no interior da qual se construiu uma igreja, com espaço para agasalhar entre cinquenta a sessenta pessoas, que era dirigida por um frade agostinho.

Prova da impor­tância da fortaleza é ter sido recuperada aos persas por uma campanha do capitão geral do Mar Roxo, Rui Freire de Andrade, em 1623, como se refere nos Comentários de Rui Freire, ou, segundo António Bocarro, em 1616, por uma armada de uma galé e cinco fustas de D. Francisco Rolim, que viera de Muscate com a ajuda da armada de D. Vasco da Gama, capitão da armada do Estreito, que trazia debaixo do seu comando cinco navios.

Seja por D. Francisco Rolim em 1616 ou Rui Freire de Andrade em 1623, a recuperação da fortaleza segue­-se à ocupação persa que se dera em 1602, depois da queda do Forte do Barém, tomado pelo xá Abbas I da dinastia Salavid, porque esta ocupação provocava grande dano às alfândegas de Ormuz e Muscate.

Hoje, constactam-se três realidades: desapareceu a fortaleza interior, a barbacã construída pelos portugueses e representada por Barreto de Resende/Bocarro é um retângulo cujo lado menor é o que fica paralelo à praia e não o inverso; e a couraça até ao mar desapareceu também.

Às cinco primitivas torres redondas soma-­se mais uma, do lado oriental, e no ângulo de ligeira inflexão da muralha, junto à torre central no lado ocidental da muralha, nas­ ceu um torreão quadrangular tipo donjão.

A muralha junto ao donjão recebeu uns contrafortes em trabalhos de consolidação posteriores a 1982.

À semelhança do Forte de Qurayat, também o Forte de Sohar é toda ela caiada.

Também a envolvente foi alterada ao longo das duas últimas décadas, tendo desaparecido o bairro de “palhotas” que existia na cer­cania e decerto se assemelhava aos tempos de Albu­querque ou Gomes de Andrade, mantendo­se no entanto a intensa mancha verde de palmares já repre­sentada por Barreto de Resende/Bocarro.

A porta prin­cipal do forte, recolhida no lado da muralha que avista o mar, mantém a mesma estrutura, ou seja, está anexa a uma construção. O Forte tem aproximadamente 75 x 135 x 80 x 132 metros, contados a partir da mura­lha fronteira ao mar e no sentido dos ponteiros do reló­gio.

Em 1643, Sohar caiu definitivamente nas mãos do inimigo, ao ser conquistada pelo imã Nassir ibn Mur­shid; nessa ocasião, naturalmente, perdeu­-se também a igreja que os agostinhos tinham na cidade.

O forte fica situado na costa dita de Batinah, e foi restaurado em 1985.

 

fonte
HPIP

 

 

 

 

 

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Lugar a cerca de setenta quilómetros de Mascate, Barka fica situado na costa de Batinah.
Ultrapassado o Cabo de Ras al Hamra, na cidade de Qurm, que inte­gra a área metropolitana de Mascate, a costa baixa, a montanha recua e o areal espraia­-se até à Península de Musandam, território omanita que está separado do sultanato pelo emirato de Fujairah (EAU).
É nesta costa arenosa que se situam as cidades de Seeb, Barka e Sohar (Sohar), para além de outros lugares, como Liwa, e que os portugueses sempre quiseram domi­nar para impedir os locais de tomarem o litoral e lar­garem à conquista das rotas do Golfo de Omã.
O inte­rior, que os omanitas preferiram ao litoral, é dominado pela cordilheira das montanhas do Jabal Akdhar, que nasce a cerca de quarenta quilómetros da linha de costa e abriga os palmares por onde floresceram luga­res como al Hazam (al Hazam), al Rustaq e Nakhl.
Na atualidade, só as atividades produtivas, como a indústria e o turismo, ou as infraestruturas, como a universidade ou o aeroporto internacional (Seeb), têm feito crescer a ocupação desta costa, onde está implantada a cidade de Barka.
Quando deixou Mas­cate a caminho de Sohar, Afonso de Albuquerque passou ao largo de Barka e dos ilhéus que lhe ficam defronte.
Albuquerque ainda chegou a mandar inves­tigar se estes ilhéus seriam habitados, mas ao ser informado que Sohar estava umas léguas adiante não se deteve por ali.
O FORTE
De Barka nos fala António Bocarro quando refere que quem seguir a navegação junto à costa, a doze léguas de Mascate encontra a fortaleza portuguesa denomi­nada Borca; depois acrescenta:
“também situada em esta costa brava do mesmo talho que a de Sibo, em tri­ângulo com três baluartes dos quais um é mais emi­nente”.
O autor explica que o porto era o mais frequen­tado de todos os arábicos e das principais cidades de Arábia e informa que tinha capitão português, com o mesmo número que Sibo apresentava, ou seja, oito portugueses e trinta lascarins, que a vigiavam e defen­diam.
Segundo Bocarro, “ela era feita de adobes como são as mais das fortificações de Arábia tomou­-a o Capi­tão Geral Rui Freire de Andrade […] Tem este porto de Borca pelo lado do mar uns ilhéus que chamam de Suany abrigo próprio para pescadores”.
Rui Freire de Andrade aí teria criado feitoria, no ano de 1624.
Os for­tes de Seeb e Barka aparecem representados por Bar­reto de Resende/António Bocarro de forma muito idêntica: um triângulo com um lado paralelo ao mar sobre o qual fica a porta, com baluartes poligonais nos vértices.
A costa é plana e arenosa, no que coincide com a realidade.
No interior havia umas quantas casas dispersas, que pela cor parda se infere serem de palha, e umas construções aninhadas sobre o baluarte orien­tal que dava sobre a praia.
O Forte de Barka é hoje uma complexa estrutura que grosso modo se pode inscrever num qua­drilátero irregular com cerca de quarenta metros de largo e de onde emergem cinco torres – uma hexagonal, ao jeito de donjão, três redondas e possantes e uma última quadrangular, adossada à muralha.
Neste com­ plexo notam­-se múltiplas esplanadas em diferentes níveis.
O forte mantém a sua posição primitiva, que é de atalaia ao areal da costa, retilíneo e baixo.
Desco­brir a estrutura portuguesa no complexo, o triângulo de Barreto de Resende/Bocarro, é trabalho difícil.
Imagina-­se que o aludido triângulo com baluartes nos vértices e aresta paralela à praia possa ser o conjunto da torre quadrangular e circular mais próximas do mar, sendo que o terceiro vértice estará agora inserido na estrutura, tal como a torre de D. João II na cidadela em Cascais.
O forte foi recuperado com intervenção do Department of Forts and Castles do Ministry of Natio­nal Heritage and Culture, entre 1983 e 1985.
fonte
Eduardo Khol de Carvalho
HPIP
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A 22 de agosto de 1507, Afonso de Albuquerque deixa Qalhat (Calaiate) e vai a Qurayyat, que submete a ferro e fogo.

Na sua missão como ainda capitão do Mar da Arábia, Albuquerque com uma armada de seis navios e quatrocentos homens submeteu toda a costa de Omã entre 10 de agosto de 1507, dia da partida de Socotorá, e 25 de setembro do mesmo ano, data da sua chegada a Ormuz.

De Ras al Haad ao estreito, Albuquerque percorreu, dominou e inspecionou, conforme relatos de seu filho Brás de Albuquerque, toda a costa de Omã, que é naquela parte do Índico maioritariamente alta e rochosa, mas que dispõe não apenas de excelentes baías como as de Mascate e Mutrah, mas também de extensos areais como os de Birka e Sohar, tão bem descritos pelo cronista.

À vista de Qurayyat, o capitão do Mar da Arábia, para não acometer a cidade às cegas, mandou a Manuel Teles e António do Campo que inspecionassem o lugar:
“E porque neste porto está um ilhéu pegado na terra e de baixa‐mar podem passar a pé enxuto ao lugar e os mouros com pouca força que ali tivessem podiam defender a desembarcação a nossa gente, mandou Afonso de Albuquerque que a António do Campo que logo de noite fosse com cem homens tomar este ilhéu e se fizesse forte nele.”

Dando conta do perigo que poderia sofrer se do lado de um outeiro fosse atacado pelos mouros, Albuquerque tratou de o tomar também, até que com a sua gente entrou na cidade e “mandou pôr fogo ao lugar”; a devastação terá sido tão intensa que não ficou casa ou edifício em pé, incluindo a mesquita, considerada uma das mais belas da região.

Segundo os testemunhos, a cidade, que teria entre 5.000 a 6.000 mil habitantes, era grande e dispunha‐se ao longo do mar, embora se fosse espalhando para o interior.

“Curiate […] É escápula de muitas naus que vêm ali carregar tâmaras de que há muita quantidade, assim no lugar como no sertão e porque o porto é um pouco aparcelado e corre o mar, não há nele carregação de cavalos”.

Finalmente, em 1623, Rui Freire de Andrade, depois de perdido o Forte de Ormuz, vai com seis galeotas tomar vários portos da costa, entre os quais Qurayyat.

A propósito ainda deste lugar, Pedro Barreto de Resende/António Bocarro descrevem‐no e representam‐no no século XVII como estando localizado a doze léguas de Muscate, “pêra o Cabo de Rosalgate sita na costa braba a borda da praya”, não dispondo de um rio ou enseada apropriado para a navegação, mas apenas de um ilhéu que se ligava a terra firme e era alagado com as marés mais fortes.

No ilhéu existia um baluarte, “couza pequena do tamanho de uma caza de dez paços andantes de praça em quadro”, construído num outeiro para vigiar com a artilharia a terra e o mar, embora, na ocasião da visita dos autores que vimos seguindo, já não dispusesse de artilharia.

Quanto à Fortaleza de Curiate, localizada junto à praia, é um quadrado imperfeito, sendo “hu pouco mais comprida que largua, e terá de comprimento nos dous lanços de muro que vão da praya pera terra dentro sincoenta paços andantes e nos outros dous de largura que corre a borda da praia trinta”.

Os muros eram de adobe, como todos os que os mouros faziam na Arábia, e tinham quatro braças e meio de altura por três palmos de grossura, sem parapeitos “mais que seteiras” e quatro baluartes em cada um dos cantos do quadrado “com dez paços andantes de vão com seus sobrados, que serve hum vivenda do Capitão Português, que aqui assiste”.

Segundo os autores, “A fortaleza que dizemos esta mais interior desta fica hum tiro de falcão pella terra dentro entre huns palmares pêra os defender, he em triangulo; cada lanço de muro de dez paços andantes de comprimento três braças e m.a de alto, e dois palmos e m.o de largo de adobes sem parapeito e com seteiras”.

Terminam, lamentando que já não hou­vesse artilharia, restando as espingardas dos lascarins.

Em 1983 era praticamente esta a panorâmica que se podia ter do forte e do lugar de Qurayat, e dizemos praticamente e não exatamente porque dos quatro baluartes referenciados, apenas um de facto existia.

Restaurado pelo Ministry of National Heritage and Culture em 1983­-1986, o Forte de Qurayyat mantém até hoje a mesma estrutura, ainda que toda a envolvente tenha sido profundamente alterada.

Hoje, em vez do areal que separava o forte do mar existe uma marginal cortada por uma marina de embarcações de recreio, construída de então para cá e fruto da significativa transformação operada no sultanato nos últimos vinte anos do século passado, o que lhe roubou todo o encantamento que encontramos nas descrições de Brás de Albuquerque e António Bocarro e estava tão presente ainda no início da década de 80 do século pas­ sado.

António Bocarro diz, e os autores contemporâ­neos corroboram, que o forte tinha sido construído em adobe, segundo a tradição árabe, no entanto aqui, como em muitos outros lugares da costa de Omã, tal não se verifica, por ser toda ela rochosa.

Este Forte de Qurayat, bem como as torres mencionadas, a circular do ilhéu e a triangular do outeiro, são todos em alvenaria irregular rebocada, como são em alvenaria os outros fortes portugueses, nomeadamente todas as fortificações de Muscat, Mutrah, Birka e Sohar.

O Forte de Qurayyat era portanto em alvenaria rebocada e caiada, e assim se mantém.

O quadrilátero tem um portão virado a oriente e a torre é de secção redonda com dois pisos.

No outeiro em que Afonso de Albu­querque “fez forte” e que Bocarro tão bem descreve, encontra­-se também a torre triangular.

Ao tempo dos portugueses a importância da cidade na defesa desta costa de Omã permitia­-lhe ter uma igreja, então diri­gida pelos frades Agostinhos.

 

fonte
Eduardo Khol de Carvalho
HPIP

 

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No complexo sistema defensivo de Mascate, para além da citada muralha da cidade, destacam‐se o Forte Mirani e o Forte Jalali, cada qual construído em seu braço da baía.

O Forte Mirani, designação derivada do primitivo nome de almirante por ser este conhecido por Forte Almirante ou Capitão, dado que servia de residência ao capitão da praça, foi edificado no ano de 1588 por ordem do vice‐rei D. Duarte de Meneses, conforme reza a lápide ainda hoje existente: “Reinando ho mui alto he poderoso F(ilippe) primeiro deste nome R(ey) he S(enhor) Nosso no houtavo ano de seu reinado na croa de Portugal mandou por Don Duarte de Menezes seu Vizo‐R(ei) da Índia que se fizesse esta fortaleza a qual fez Belchior Cal(aça) seu primeiro capitão e fundador – 1588”.

A representação de Barreto de Resende e a descrição de António Bocarro atestam bem a irregularidade do forte, ditada pelo acidentado do relevo.

Bocarro começa por descrever o baluarte a que chamavam couraça, que fora construído junto ao mar e aos pés do forte.

A dita couraça terá sido levantada em 1610, para reforço da defesa do porto e para que se evitasse o desembarque de pequenos navios.
Uma lápide que assinala a construção deste bastião refere: “A experiência, o zelo e a verdade constituem para mim a protecção da cruz que me defende sobre a ordem do grande poderoso rei Filipe, terceiro do nome, no ano de 1610”.
A mesma inscrição desmente um documento que refere ter sido em 1612, e por carta régia de 26 de janeiro, dada ordem a Garcia de Melo que se fizesse a couraça e outras coisas necessárias, a que este terá dado princípio.
Da couraça se atingia a parte superior da fortaleza, galgados que fossem sessenta degraus. Alcançada a praça, aí se encontravam a cisterna e a ermida, que é hoje a igreja que resta das três construídas pelos portugueses.

A capela é um pequeno templo de planta circular e cúpula de inspiração islâmica.
Tem um interessante portal de duplo arco de volta perfeita com colunelos e motivos cordiformes e na parte exterior uma pia de água benta, onde se lê a inscrição em latim: Ave‐Maria gratia sancta plena Dominus tecum.
O arco da entrada, em calcário provavelmente vindo do reino, é um dos raros apontamentos manuelinos na Ásia.

Da esplanada, dizia então Bocarro, subia‐se a um orelhão onde ficava a casa dos capitães e se pretendia fazer um reduto que ligasse a outro reduto pequeno, que dava sobre a povoação e parece corresponder ao que veio a ser construído posteriormente, de que temos notícia pela campanha de melhoramentos ditada pelo Conselho de Estado da Índia em 1633.

Conforme documento coevo, nesta campanha o engenheiro Manuel Homem de Pina mandou proceder a importantes trabalhos, que ditaram, para além da construção sobre a cisterna da esplanada que está defronte da capela, o erguer de “um pedaço de muro com os seus travezes pelo espinhaço da serra até lhe chegar à guarita que está feita no alto da serra de Macallã”.

Ainda de acordo com as palavras de Bocarro, em saindo da casa do capitão descia‐se ao revelim, onde estava a porta, que tinha uma prisão escavada sobre a rocha.

Comparando o levantamento do século XVII, realizado por Barreto de Resende/António Bocarro, com o estado atual podemos confirmar a veracidade desta descrição, sendo que sobre a estrutura deixada pelos portugueses os locais terão feito pequenas intervenções apenas.

Destas se destaca a elevação da torre do dito reduto, que é a que sobressai na silhueta do forte e teria sido fruto de uma campanha no século XVIII.

De outra intervenção, datada já do final do século XX, é a torre que nasce junto ao mar e sobe até à parte superior do forte, construída para aí instalar um elevador.

O forte tem cerca de oitenta metros entre duas das pontas da “estrela” e outros cinquenta metros nas outras pontas, os quais outros trinta metros corresponderão ao referido prolongamento sobre a serra.

Os panos de muralha serpenteiam a montanha a diversos níveis, formando patamares onde se instalou o edifício de comando.

O Forte Mirani é atualmente ocupado pela Royal Oman Guard.

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Eduardo Khol de Carvalho
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Defronte do Forte Mirani, no outro lado do arco da baía, ergue‐se o Forte Jalali, que Bocarro chama Forte do Boqueirão.

Mandado construir por ordem do vice‐rei D. Duarte de Meneses em 1588, é uma robusta e impressionante massa arquitetónica à qual, segundo António Bocarro, se subia por uma escada de oitenta degraus, a meio dos quais ficava um revelim onde se fazia a vigia.

Na plataforma acima do boqueirão havia uma cisterna cavada na rocha, que Mariano Saldanha diz ser abobadada, e três casas, sendo a primeira para mantimentos, outra para munições e a última para o capitão.
Ainda segundo o cronista, daí se avistava um orelhão que era como que um pequeno baluarte com três peças de artilharia apontadas na direção de Qurayat.
Na parte esquerda deste baluarte, existia uma porta de acesso ao mar, que Barreto de Resende tão bem assinala na sua representação.

A realidade está conforme a descrição, pese embora a imagem diferente que dele toma quem está na cidade.
A elevação dos baluartes, em jeito das torres tão ao gosto dos locais, confere-lhe a imagem de castelo, que contrasta com a modernidade ao tempo da fundação.
Duas das torres são redondas, e as restantes quadrangulares. Um outro torreão nasce junto ao revelim que fica a meio da encosta e onde estaria instalada a casa da guarda.
Ao cimo, as ditas casas, construídas ao jeito de torres gémeas, têm guaritas muito semelhantes às do Forte de Jesus de Mombaça.

Um vasto pano de muralhas faz a unificação das torres, formando uma esplanada central para onde dão as casas da guarnição.
Na muralha, sobre o lado da baía, estão rasgados oito pares de janelões.

Aos primitivos baluartes, um quadrangular e outro poligonal, que espreitam a baía foi acrescentada, na parte oposta e sobre o sertão, exatamente no troço em que a muralha faz uma inflexão, uma torre de secção circular.

Em 1982, o Forte Jalali foi restaurado, sendo atualmente utilizado como museu. O forte tem cerca de duzentos e quarenta metros de perímetro, sendo que a frente sobre a baía tem aproximadamente cinquenta.

O nome de São João, pelo qual era conhecido o dito Forte do Boqueirão no tempo da presença portuguesa, derivou para a atual designação de Jalali.

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Eduardo Khol de Carvalho
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É durante os anos que permanece na região enquanto capitão‐geral do Mar Roxo, ou seja até à data da sua morte, em setembro de 1633, que Rui Freire manda fazer um forte onde assistiam, segundo António Bocarro, trinta lascarins e um capitão português.

Na gravura alusiva a Mutrah, António Bocarro descreve o forte como um quadrilátero com quatro baluartes poligonais nos seus vértices, o que não corresponde à realidade, pois a costa é muito acidentada e escarpada, não sendo por isso possível ali construir o referido forte de planta regular.

Não se pense no entanto que o traço de Pedro Barreto de Resende, autor dos desenhos do Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental, nos conduz por maus caminhos.
Com efeito, na gravura referente a Muscat, e na qual aparece a baía de Mutrah, a representação do forte, embora com sabor ingénuo, é corretíssima.

O Forte de Mutrah, tal como então nos é revelado e ainda assim permanece, é uma fortificação montada na penedia com dois bastiões redondos ligados por um pano de muralhas que caem sobre o mar de um dos lados, e sobre a baía – onde está a cidade – do outro.

Estes panos de muralha, apoiados na serra e construídos na direção noroeste‐sudeste, têm aproximadamente oitenta metros de comprido e distam entre si doze a catorze metros.
A torre de noroeste é baixa com canhoneiras, num belo exemplo de fortificação abaluartada, enquanto a outra, de dois pisos, terá sido, segundo a tradição local, posteriormente elevada.
A estrutura, ainda que pareça muito complexa quando vista de terra, devido à diferença de cotas em que os panos de muralha se movimentam, é na realidade bem mais simples, sendo essas mesmas muralhas construídas como se de escadas se tratassem.
A casa da guarda, do lado de terra, fica próxima do baluarte mais baixo.

O forte é em alvenaria de pedra e ao contrário do que alguns autores sustentam nunca terá sido de adobe, pois que a pedra é o material disponível em toda a serra.

Restaurado pelo Department of Forts and Castles do Ministry of National Heritage and Culture do sultanato, em 1982, o interior do forte mostra ainda um espaço cavado na rocha que alguns defendem tratar‐se de uma prisão, mas que, de acordo com as notícias referentes aos fortes de Muscat e à sua aparência, deverá ser antes uma cisterna onde se armazenava a tão preciosa água, bem necessária para um clima que na referência que nos traz Mariano Saldanha, nos anos idos de 1909‐1912, “era tão incrivelmente quente, que os estrangeiros se sentiam como que metidos em caldeirões ferventes ou em tinas sudoríficas”.

Pese algum exagero, podemos confirmar no entanto que a pressão do calor, especialmente entre maio e setembro, é tão forte que se torna muito difícil a qualquer ocidental suportar tão rigoroso clima.

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Eduardo Khol de Carvalho
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O Forte de Bukha situa-se na cista do Golfo Pérsico na Península de Musandam pertencente ao Sultanato de Omã.

Foi construido pelos portugueses no séc. XVI e renovado em 1990, albergando desde então um núcleo museológico.

Originalmente o

Forte estava à beira-mar, mas com o sucessivo assocreamento encontra-se agora um pouco afastado.

A sua construção, embora com uma área mais pequena, é semelhante à do Forte de Khasab, possuíndo 3 torreões rectangulares e o torreão de sudoeste é circular.

Na sua época 3 dos lados das muralhas do forte estavam protegidas com um fosso, que segundo a lenda local serviam para acorrentar os prisioneiros onde acabariam por morrer afogados pelas marés altas.

 

 

 

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Situada no extremo oriental da costa omanita, num vale abrigado pelas serranias da Península de Musan­dam, a vila portuária de Caçapo (Khasab), à semelhança de outros lugares e portos do reino de Ormuz, ficou tribu­tária da coroa portuguesa a partir de 1515.
O seu papel, contudo, até aos anos 20 do século XVII, foi relativa­mente marginal no contexto comercial e militar da região.
Tendo caído em poder dos persas em fevereiro de 1623, foi retomada no ano seguinte por Rui Freire de Andrade, tornando­-se a partir de então uma das praças portuguesas mais importantes do golfo arábico, numa primeira fase como ponto de apoio aos repeti­dos ataques para reconquistar Ormuz (que se perdeu em 1622), depois como atalaia avançada de Mascate e, finalmente, com a queda desta, em 1650, como base para as ações armadas que, em vão, nos anos seguintes, intentaram a sua recuperação. Abandonada em 1656, a Fortaleza de Caçapo simboliza o fim da pre­sença militar portuguesa no Golfo de Omã.

Hoje o Forte de Khasab (Khasab Fort) foi recontruído e alberga um Museu Regional onde se encontra retratado o estilo de vida local nas diversas exposições que se encontram patentes nas inúmeras salas, assim como algumas embarcações locais que se encontram no terreiro do forte.

Infelizmente nao existe nenhuma referência aos construtores (portugueses) deste forte, a náo ser num dos folhetos que o visitante recebe aquando da compra do ingresso que custa 500 baisas (meio rial).

 

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A presença dos portugueses na região foi muito intensa nos XVI e XVII.

O povo que aqui encontraram vivia na sua maior parte no deserto e tinha técnicas de navegação muito rudimentares.

Para controlarem a entrada do Golfo Pérsico, os portugueses construíram  aqui um vasto sistema de fortalezas:

1. Moscate ou Mascate (Muscat, Forte de São João (Jalali), Forte Mirani) 1552-1650).
2.Curiate (Kuriyat (Forte, 1507-1648);
3. Matara (Matrah, Forte,1588-1648);
4. Calayate (Qalhat or Kalhat, 1507-1523);
5. Sibo (As Sib, forte);
6.Borca (Barkah of al Batha, forte);
7. Caçapo ou Cassapo (Khasab);
8. Soar (Suhar, 1507-1643).

Esta forte implantação só foi possível devido às alianças que fizeram com os pequenos reinos locais (muçulmanos), que temiam  domínio do Império Otomano.

A fragilidade militar de Portugal, durante a longa guerra com a Espanha (1640-1668) é aproveitada pelos Otomanos para expulsarem os portugueses da região.

Os omanitas, proveitando as técnicas navais e de guerra aprendidas dos portugueses, acabam por criar um sultanato, expulsam os otomanos e constroem um vasto reino costeiro que se estendeu até Zamzibar (Tanzânia).

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Forte português do século XVI, construído da costa sudoeste da Ilha de Muharrak, no Emirato do Barém.

Trata-se de uma pequena fortificação de planta quadrangular com torres de secção cilíndrica aos cantos e uma barbacã que dá sobre um fosso.

A cintura de muralhas do forte está inscrita num quadrilátero de cerca de 30 x 35 metros, que por sua vez se inscreve numa barbacã com 50 x 50 metros.

As muralhas erguem‐se à mesma altura das torres.
No desenho de Pedro Barreto de Resende, do Livro do Estado da Índia Oriental de 1646, à guarda do British Museum, o Forte Arad aparece esquematicamente representado, sendo‐lhe atribuída uma dimensão desproporcionada e uma estrutura mais complexa do que a realidade evidencia.

Situado não muito longe do aeroporto internacional do Barém, o Forte Arad encontra‐se hoje bastante longe do mar devido à alteração da linha de costa motivada pelo progressivo assoreamento.

O forte deveria proteger o canal de passagem para a ilha principal, onde se encontra a fortaleza de Qal’at al Bahrain (Qal’at al Bahrain), a principal daquela região que controlava o eixo comercial no interior do Golfo.

O forte foi alvo de operações de restauro após missões de requalificação lideradas por Sir Bernard Feilden, em 1986 e hoje serve de palco para manifestações culturais.

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Eduardo Kol de Carvalho
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Inscrito na lista do Património Mundial Classificado pela UNESCO em 2005, o sítio da Fortaleza de Qal’at al Barein é um lugar ocupado pelo homem desde o ano de 2300 a.C., localizado a 26º14’N – 50º3’E.

Entreposto comercial na rota do Golfo Pérsico, entre a Mesopotâmia e o Estreito de Ormuz, entre as costas arábica e iraniana, no acesso à Índia e ao Extremo Oriente, a fortaleza, dita portuguesa, está implantada no topo de uma colina de 11,2 metros de altura, que não é mais do que o resultado de sucessivas ocupações do homem.
Construída frente ao mar, mas ligeiramente recuada da costa, a fortaleza tem uma forma irregular que se assemelha em planta a uma tartaruga em que a cabeça e as barbatanas estão representados pelos baluartes portugueses.

Os portugueses conquistaram‐na em 1521 a Migrin ibn Zamil, que pereceu na batalha, e acabaram por perdê‐la em 1602, quando foram expulsos pelo xá Abbas I. Em 1614, D. Garcia da Silva e Figueroa, embaixador do rei de Portugal e Espanha, foi à corte do xá com o intuito de celebrar um tratado de comércio entre os portugueses e os persas, que embora inicialmente da feição do xá, acabou por fracassar perante a exigência, transmitida pelo embaixador, de que a Fortaleza do Barém fosse devolvida à coroa portuguesa.

Durante os oitenta e um anos de ocupação, ainda que nas remotas paragens do interior do Golfo, esta fortaleza não deixou de ser alvo da atenção da coroa, nomeadamente durante a campanha de obras levada a cabo pelo arquiteto Inofre de Carvalho, mestre que é enviado por D. João III para a Índia em 1551.

Após a reconquista da fortaleza por D. Antão de Noronha, em outubro de 1559, Inofre de Carvalho está no Barém em 1561, e é ele que vai dar à fortaleza o aspecto que hoje apresenta, sobretudo através da introdução de baluartes que Rafael Moreira diz terem sido inspirados no tratado Quattro Primi Libri di Architettura, de Pietro Di Giacomo Cataneo, publicado em Veneza em 1554. Há 4.300 anos, o Homem procurou instalar‐se na costa norte da Ilha do Barém, não muito longe do continente, num local primitivamente a menos de cem metros do mar.

Ao longo dos séculos, numa imensa planície de palmares, foram‐se sedimentando os vestígios de diversas civilizações, marcadas sempre pelo tráfego comercial entre o Oriente e o Ocidente, até à chegada dos portugueses no século XVI.

Uma primitiva fortaleza, de que existem ainda as fundações e que está inscrita no conjunto classificado, teve origem provavelmente antes do século III.

Utilizada até ao século V e definitivamente abandonada depois do XIII, era uma construção de linhas medievais: os vestígios ainda existentes mostram um quadrilátero com cerca de 51,5 metros de lado, com torres circulares nos cantos e outras semicirculares a meio de cada pano de muralha.

Na muralha oriental abria‐se a porta principal, que era estreita, estava protegida por cubelos e dava sobre um pequeno pátio.
As muralhas tinham seteiras e um postigo dava sobre o mar.
As ruínas desta dita fortaleza, embora restauradas no século XIII, foram logo depois abandonadas devido à erosão e por se ter alterado a linha de costa, sendo parte do seu material substancialmente aproveitado para a reconstrução e ampliação da fortaleza dita do Barém.

Na representação de Pedro Barreto de Resende que consta do Livro do Estado da Índia Oriental, datado de 1646 e conservado no British Museum, a Fortaleza da Costa, como é conhecida, ainda que apresentada esquematicamente é de todas aquela que acaba por ser mais rigorosa.

Ao autor não escapa o pormenor de a desenhar a ponteado, como que definindo uma construção que não passa já de uma ruína e é apenas identificada pelos vestígios do arranque das estruturas ao nível das fundações, situação que ainda hoje se reconhece.

No fim do século XIV, início do século XV, a pouca distância da Fortaleza da Costa e para o interior do sertão, seria então construída nova fortificação.
Em 1529, esta fortaleza é descrita por João de Barros como fortificação num “teso” (elevação) sobre o porto que tem por abrigo uma ilhota em que se recolhiam pescadores, sendo a dita fortificação de pedra e cal e contendo o seu perímetro dezassete cubelos e uma barbacã cercada de um fosso e toda fornecida de troneiras.
Dizia então o cronista que a dita fortaleza tinha uma torre de menagem muito formosa e num dos cubelos estava a porta muito bem fortificada, acrescentando ainda que a barbacã era torneada de uma grande cava com a sua ponte levadiça.
Esta descrição corresponderá já às alterações introduzidas ao tempo do governador Badr al Din.

Até então os portugueses eram senhores do Golfo Pérsico e a posição dos turcos era dúbia, sendo que muitos desses reinos locais por vezes pagavam tributo quer à coroa portuguesa quer aos otomanos.
Numa política comum naquelas paragens, os portugueses confiavam a administração da praça a um governador local, no caso Badr al Din, que, possivelmente sob influência portuguesa, vai adaptar a fortificação às novas necessidades ditadas pelo uso da artilharia.

É assim que surge a cortina à distância de três a seis metros da muralha, bem como um vasto recinto de planta trian­gular a ocidente.
A nova estrutura, quatro a cinco metros mais baixa, forma um anel em torno da forta­leza primitiva, onde as esplanadas permitiam a circu­ lação e o uso da artilharia pesada.
A porta, agora colo­cada na extremidade sul, constituía o único e novo acesso à fortaleza, depois de ultrapassado o fosso.
A maior parte das estruturas interiores da praça data deste período, nomeadamente o donjão que sucede à torre de menagem.

Desta época será também a amplia­ção do bastião que protegia a entrada da cisterna. O donjão, pelo que as ruínas atestam e a representa­ção na Taboa de Barém, em gravura portuguesa de 1538, confirma, era uma imponente estrutura de planta quadrangular encostada à muralha sul com diversos pavimentos, certamente a residência do governador.

Nesta representação, embora muito esquemática, surge bem vincada a configuração pentagonal do amu­ralhado, o fosso e ainda um arco encimado por uma cruz que poderá ser o arco de cantaria que Rafael Moreira admite ser a entrada de uma capela e que, como acontece em Mascate, poderia ter vindo do reino.

É por esta data, em 1529, que Badr al Din, talvez por se sentir forte na fortaleza renovada, ou por saber que cada uma das partes – guarnição balushi, portugueses, ormuzis e ele próprio – defendiam interesses antagó­nicos, tenta rebelar-­se com oitocentos homens seus e seiscentos persas, que Simão da Cunha sitiou e domi­nou.

De acordo com o regimento de el­rei, Nuno da Cunha parte em abril de 1528 para a Índia com o firme propósito de ir ao Golfo Pérsico e apossar­-se da Ilha do Barém, missão essa que o governador vai cumprir quando demanda aquelas paragens.
A 19 de maio de 1529, Nuno da Cunha está em Mascate e daí vai a Ormuz, donde manda Simão da Cunha, seu irmão, cumprir o regimento real e tentar colocar no lugar de Bard al Din, Mir Aberuz, por ser pessoa de confiança. Simão da Cunha, com uma frota de cinco navios e qua­trocentos homens, parte de Ormuz a 8 de setembro, mas por dificuldades de navegação só chega ao Barém a 20 do mesmo mês.
Ali se reuniu a Belchior de Sousa, que patrulhava o golfo não fosse Badr al Din receber reforços dos persas. Depois de chegada mais artilharia e munições que pedira para Ormuz, Simão da Cunha e os seus homens desembarcaram na ilha, procurando a parte da muralha virada a sul por ser a dita mais fraca, tendo conseguido, com o uso da artilharia, derrubar a cerca da muralha.

Não foi Simão da Cunha felizardo no seu feito já que as pestes que assolavam as paragens por essa altura do ano dizimaram não apenas muitos dos seus homens, como ele próprio, que não resistiu a doença.

Na década de 50 do século XVI, todo o golfo volta a ser palco das investidas dos turcos, que disputam com os portugueses a supremacia naquelas águas, e o Forte do Barém não escapa a essas tentativas.

Em 1559, Murad, emir do Barém, resiste aos turcos com o apoio da armada de D. Antão de Noronha, e será essa tentativa turca para dominar o Golfo que ditará a nova campanha de trabalhos na fortaleza.

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Eduardo Kol de Carvalho
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Nesta ilha situada no interior do Golfo Pérsico, e hoje denominado por Reino do Bahrain os portugueses contruiram em meados dos século XVI, uma importante fortaleza –  o Forte do Bahrain (Qal’at al-Bahrain), conhecido pelos locais como o Forte Portugues, actualmente classificado como Património Mundial.

Existe outra fortaleza portuguesa (Forte Arad) e que se situa na ilha Al Muharraq. 

Os portugueses dominaram esta posição estratégica  entre 1521 e 1602.

 

bahrainrap

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Apesar das tentativas não consegui ir à ilha de Larak.

Não existem ligações marítima, isto porque a ilha é uma zona militar. De qualquer modo aqui fica a descrição do que se poderia ver na povoação da ilha de Larak, conhecida pelos portugueses como Laraque.

A Ilha de Larak era um dos pontos que, em ligação com Qeshm, ajudavam a controlar a navegação que circulava no estreito e entrava no Golfo Pérsico e, no conjunto, tinha Ormuz como o grande centro político e comercial.

Além destas funções defensivas, a pequena ilha, em conjugação ainda com a de Qeshm, era um dos pontos de abastecimento da grande cidade de Ormuz, cuja carência de água era crónica e um problema permanente sempre por resolver. Foi esta a razão que levou os portugueses, provavelmente nos finais do ano de 1550, a construir na ilha um pequeno forte.

Construído, segundo parece, de uma só empreitada, este pequeno forte segue as regras construtivas dos fortes da Renascença e da região, o que permite sugerir o nome de Inofre de Carvalho como responsável pelo projeto. O forte, situado perto da praia, apresenta um plano quadrangular, com quatro bastiões, também quadrangulares, onde as casamatas estavam dispostas em dois andares apresentando um caminho de ronda praticamente ao nível do telhado destas estruturas. No centro teria existido uma cisterna, mas, como todo o espaço foi alterado, é muito provável que tenha sido atulhada, pelo que é impossível comprovar tal hipótese.

Ainda hoje, através das imagens de satélite, o forte é perfeitamente visível, percebendo­se todas as estruturas referidas. Se quanto à forma primitiva a estrutura mantém as suas características, não é seguro avançar uma opinião na avaliação do estado de conservação das muralhas e bastiões.

Filipe Themudo Barata
fonte: HPIP
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Bandar Abbas é uma cidade portuária, capital da província iraniana de Hormozgan, localizada no Sudeste do Irão.

Ocupa uma posição estratégica na região do Estreito de Ormuz, sendo um dos mais importantes centros de comércio iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

Anteriormente era conhe­cida por Gameron, e referida pelos portugueses como Bandel de Comorão.

A Fortaleza de Comorão integrava o sistema defensivo da cidade de Ormuz, contribuindo também para o seu abastecimento, dada a inexistên­cia de água doce nesta ilha, bem como de lenha e de outros mantimentos necessários à vida da guarnição e da população da cidade.

As características geográficas do porto de Comorão permitiam a segurança das embarcações que ali procuravam abrigo, sendo prote­gido por uma cadeia montanhosa a norte.

A sul, as ilhas de Ormuz e de Queixome localizam-­se a três léguas de distância. A presença portuguesa nesta localidade apa­rece documentada desde 1521, tendo sido construída uma fortaleza que Nicolau de Orta Rebelo designa por Fortaleza de Bandel de Comorão, sendo uma constru­ção que “serve para franquear os mantimentos, e agoadas, que para a Ilha todos os dias passão”.

A referida edificação era de taipa e não estava preparada para dis­ parar peças maiores do que falcões, dada a sua fragili­dade.

De acordo com o Lyvro de Plantaforma das Fortalezas da India de Manuel Godinho de Herédia, pode dizer­se que a Fortaleza de Comorão tinha uma configuração de planta quadrada, sendo dotada de quatro baluartes, ou seja, um em cada ângulo.

Acerca do que subsiste desta fortaleza na atualidade, nada se pode acrescentar, dada a escassez de informação.

Fonte:Ana Margarida Martinho
HPIP
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A Ilha de Queixome (Qeshm), uma estreita faixa de cerca de cento e trinta quilómetros de comprido, alonga-­se perto da costa continental persa, duas léguas a sudo­ este da Ilha de Gerum (Djarum), onde se implantava a cidade de Ormuz, capital do reino do mesmo nome. Durante séculos, pertenceu a este reino próspero, constituindo fonte de aprovisionamento de víveres e de água potável para aquela ilha árida e seca. Território fértil, de grande produção agrícola e muitos poços de água, Quei­xome era frequentada pelas embarcações locais, as terradas, que asseguravam o transporte dos mantimentos e dos tonéis de água que abasteciam a urbe e as cister­nas da Fortaleza de Ormuz. Logo em 1507, Afonso de Albuquerque notara a relação que se estabelecera entre as duas ilhas: “A agoa que ha çidade bebe he de hua Jlha que esta duas legoas Dormuz, que se chama queixume, nesta jlha a cryação de guado e çemeão em ella triguo e çeuada e milho, he he maior que a ilha dormuz e tem ell Rey nella huas cazas em que pousa, quoando vay la a caça” (Smith, s/d, p. 9). Ainda que as necessidades da Ilha de Gerum pudessem ser providas no continente, pela Ilha de Laraque (Larak) ou por outras ilhas mais distantes, como aconteceu em situações de emergên­cia, era com Queixome que essa relação de dependên­cia era mais forte e duradoura. Estas circunstâncias mudaram em 1608, quando os persas ocuparam a Ilha de Qeshm e o território continental, junto às nascentes de Bandar­-Gombroon (Ban­ dar Abbas), onde os portugueses tinham um pequeno forte, e de onde foram expulsos em 1614. Ao mesmo tempo que ocorriam estas movimentações militares e se perdia o controlo das duas melhores fontes de água da zona, Filipe II desenvolvia iniciativas diplomáticas junto do xá Abbas a fim de contrariar estes aconteci­mentos, sem que no entanto se alcançassem resulta­ dos práticos. Ainda que o trato mercantil de Ormuz continuasse a decorrer, garantido pelos navios portu­ gueses que patrulhavam o Estreito, era visível o decrés­cimo do tráfego comercial e notória a crescente ame­aça persa, assim como a presença inglesa. Estas circunstâncias levariam o rei ibérico a orde­nar uma investida militar: o capitão Freire de Andrade é enviado para o Golfo à frente de uma poderosa armada, com o triplo objetivo de impedir quaisquer navios europeus de praticar o comércio, ocupar a Ilha de Queixome e ali levantar uma fortaleza. Esta última missão era controversa e punha em causa o sensível equilíbrio de forças na região. O capitão de Ormuz, Francisco de Sousa, e outros elementos com longa experiência na zona alertaram para o perigo de tal deci­são, que poderia provocar um ataque direto das forças do xá da Pérsia às posições portuguesas em todo o Golfo, colocando em risco a própria fortaleza de Ormuz. Os acontecimentos sequentes provariam que os seus receios tinham fundamento. A determinação régia foi avante, com o apoio do rei de Ormuz, que entendia fazer valer os seus direitos ancestrais sobre este e outros territórios. Uma armada com um contingente de “dois mil sol­ dados velhos Portugueses e mil Mouros Ormuzianos” abordou a ponta norte da Ilha de Queixome a 7 de maio de 1621 (Leite, 1940, p. 94). A defender a praia e os poços de água estava um exército persa de cerca de três mil espingardeiros entrincheirados e mil cavaleiros, que foi rapidamente desbaratado e posto em fuga pela artilharia de mar portuguesa. As tropas desembarcaram e a fortaleza foi levantada em escassos meses, mas pouco tardou para ser sitiada pelas forças anglo­persas, que entretanto haviam firmado uma aliança, com a participação dos niquilus. Resistiu durante nove meses. No início de fevereiro de 1622, acordaram-­se os termos da rendição da praça; três meses depois, tam­bém a Fortaleza de Ormuz capitulava. As palavras que o arcebispo de Goa, Frei Cristovão de Lisboa, dirige ao vice­-rei da Índia, Fernão de Albuquerque, são demons­trativas do quanto esta estratégia fora desajustada: “Não se entristeça Vossa Senhoria, nem tome paixão pelo sucesso de Queixome, porque não podia elle ter outro fim, pois se levantou aquella Fortaleza tão fóra de tempo, como sempre praticámos, e os Senhores do Conselho de Castella querem saber d’elle mais que nós cá entendemos e vimos”.

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ARQUITECTURA MILITAR

Hoje, ainda que a Fortaleza de Queixome padeça de ruína acentuada, sobrevivem numerosas e imponentes estruturas que revelam a sua configuração pas­sada: um quadrilátero irregular, de escala mediana, com baluartes nos ângulos, situando­-se a entrada num deles, com uma antecâmara abobadada a preceder o acesso em cotovelo para o interior. As muralhas, de grande espessura, proporcionavam um adarve largo e funcional e eram percorridas em toda a sua exten­são por um parapeito aberto a espaços por canhonei­ras. No troço amuralhado virado ao mar são visíveis diversas dependências cobertas por abóbadas, sobre as quais se podiam dispor peças de artilharia, refor­çando o poder de fogo sobre a praia. No subsolo do pátio, em posição central, abre­-se uma cisterna retangular de grandes dimensões (13 x 3,6 x 4,6 metros), com capacidade para cerca de duzentos e quinze metros cúbicos de água, e em que são detectáveis ves­tígios da sua cobertura abobadada, atualmente arrui­nada. No exterior, em redor da fortaleza, ainda é per­ceptível o traçado do antigo fosso.
As fontes históricas que se conhecem indiciam que a fortaleza foi erguida de raiz nos anos de 1621-1622. Contudo, os trabalhos de campo empreendidos recen­temente sugerem outra realidade. João Campos, que procedeu ao levantamento planimétrico das muralhas existentes e à reconstituição da planta da fortaleza, defende a preexistência de um forte no local, cujas estruturas teriam sido reforçadas, alargadas e alteadas em 1621, sob a direção do capitão Rui Freire de Andrade. Segundo este autor, existem diferenças de aparelho visíveis que revelam duas fases construtivas principais: a mais antiga, que classifica de manuelina (cerca de 1521 ou posterior), determinou a forma do recinto com baluartes circulares nos cantos e a segunda, realizada cem anos depois, veio reforçar e modernizar a obra existente (na primeira campanha, segundo observou, o material e a forma como foi dis­posto mostram semelhanças próximas com a segunda fase construtiva de Ormuz, iniciada em 1515, utilizando­ ­se pedra ocre característica de Gerum, que teria sido trazida, o que, naturalmente, contextualiza como por­tuguesa a fortaleza preexistente; na campanha seiscen­tista, a pedra utilizada é de origem local, o que se coa­duna com as circunstâncias de emergência em que decorreram as obras). O autor menciona ainda a forma arrendondada dos ângulos dos baluartes, que poderão ser reminiscências de uma campanha de obras inter­média orientada por Inofre de Carvalho, nos anos de 1558-1560, quando este arquiteto militar se encontrava em Ormuz.
Outros autores já tinham proposto a existência de uma fortificação anterior, como Francisco Bethencourt e, mais recentemente, Pedro Dias, que, baseando­-se nos estudos de Campos, descortina três etapas de construção: a primeira, “em que se fez a delimitação do espaço defensivo e os seus primeiros pontos fortes”, outra de aumento da espessura e elevação dos muros e a última, em 1621, de consolidação. Este autor refere a carta régia de 27 de janeiro de 1616, em que se aler­tava o vice­-rei da Índia para a necessidade de proteger as fontes de água de Ormuz e se comunicava a ida ao local do provedor das fortalezas daquele estado, António Pinto da Fonseca. Segundo o mesmo historiador, recomendou-­se a construção de “um muro de 680 pas­sos, com baluartes nas pontas, e outros mais pequenos ao longo dele”, o que, afirma, só teria sido concretizado em 1620, não identificando, contudo, a que obra cor­responde na estrutura geral erguida. Apesar do contri­buto destes autores, persistem diversas interrogações sobre a leitura histórica do processo construtivo da for­taleza, que só serão definitivamente respondidas com um trabalho de campo e uma investigação documen­tal mais aprofundada (note­-se que só recentemente se elaboraram estudos de cariz arquitetónico, que ultrapassam a mera referência). Algumas questões, no entanto, devem ser suscitadas. Em primeiro lugar, vários testemunhos documentais asseguram-­nos que não existia qualquer fortificação em Qeshm em inícios de Quinhentos. Este é, aliás, um dos locais que o vizir Cojeatar, em 1507, propunha a Afonso de Albuquerque para a construção da fortaleza, tentando demovê­-lo da sua preferência pela cidade de Ormuz. Nesse contexto, houve quem ali se deslocasse para observar o sítio: “ao outro dia chegou D. António de Noronha que fora com dois pilotos à ilha de Queixome ver o porto donde os mouros traziam água à cidade; e disse a Afonso de Albuquerque que na ilha havia um lugar grande ao longo da ribeira do mar, no qual o rei tinha umas casas velhas derrubadas e a água que dali se trazia para Ormuz era de uns poços que estavam afastados um pedaço de ribeira e tudo ao derredor da ilha era parcel de baixo fundo” (Albuquerque, 1990, p. 104). Mais tarde, depois de 1515, com o retomar da edificação da fortaleza de Ormuz e a vinda de muitos portugueses e trabalhadores de outras regiões próximas, as condições de apoio ao acondicionamento e embarque da água poderão ter sido alvo de melhoramentos, principal­mente o porto, mas a conjuntura favorável não justifi­cava a construção de qualquer fortaleza em Queixome. Nos anos 1521 e 1522, as revoltas violentas em Ormuz, ou, mais tarde, as razias perpetradas por piratas, pode­rão ter levado a construir um pequeno baluarte ou uma torre junto aos poços de água que abasteciam a urbe ormuzina. As fontes documentais, contudo, são omis­sas nesta matéria. Por outro lado, a ordem filipina de mandar erguer, em 1621, uma fortificação em Quei­xome, que equivalia a uma declaração de guerra ao xá da Pérsia, faz supor que, a existirem quaisquer estru­turas preexistentes, seriam pouco significativas ou estariam em ruína.
Não é conhecida, igualmente, nos relatos da época, qualquer alusão ao facto de as tropas persas, que defendiam os poços em 1621, terem ocupado ou tirado par­tido de estruturas fortificadas junto à praia. Também as forças portuguesas, quando desembarcaram, se ins­talaram num acampamento provisório e, para sua defesa, abriram uma trincheira: “se alojaram em estân­cias fazendo tendas das velas, e mandando desembar­car muitas pipas se entulharam e se fêz com elas pela parte do campo uma trincheira, que cercava o arraial de mar a mar” (Andrade, 1940, p. 96). As descrições que se conhecem sobre a construção empreendida em 1621 são omissas, de igual modo, quanto ao reaprovei­tamento de estruturas. Em concreto, os trabalhos de Freire de Andrade tiveram dois momentos: um pri­meiro, de construção do recinto e dos baluartes, e um segundo de reforço dessa estrutura, que passou pelo aumento da espessura e pela elevação dos muros. Registe-­se, a propósito, que a referência a um “muro velho”, no relato dos trabalhos empreendidos por Freire de Andrade, deve ser devidamente contextualizada, uma vez que parece reportar­-se, meramente, a uma etapa inicial da obra em curso: “Tratava o Capitão Mór de reforçar a fortaleza de maneira, que os soldados ficassem pelejando com menos risco, e sobroço, e assim mandou fazer um muro de pedra e cal de qua­tro palmos de largo, apartado dez palmos do muro velho, atravessando um e outro com paredes da mesma largura em proporção, que entulhados os vãos ficava o muro forte e espaçoso, e nesta ordem o cercou todo em redondo acrescentando nove palmos na altura do muro velho, que servia de parapeito, no qual se fizeram seteiras enviezadas” (Andrade, 1940, p. 130).
Por último, deve levar­-se em linha de conta, na lei­tura das estruturas remanescentes do forte, eventuais obras realizadas depois do abandono português, tendo­ ­se conhecimento, por exemplo, que Nadir Shah, em 1741, ordenou o restauro da Fortaleza de Queixome.
Seja como for, os trabalhos de 1621­-1622 foram de grande fôlego e moldaram, na prática, a fortificação que se conhece. A iminência de um ataque persa e a urgência em erigir a fortaleza ditaram as regras e as características da construção. Os portugueses tinham já longa experiência no uso de estruturas pré­-fabricadas e de técnicas de edificação rápida, assim como na adaptação às funções pretendidas e aos materiais dis­poníveis, aproveitando processos construtivos locais. Na Fortaleza de Queixome fez­-se recurso deste engenho e saber. Se a emergência da obra aconselhava um modo de construção relativamente célere, impunha­-se simultaneamente que a obra resultasse assaz robusta para absorver os embates da artilharia moderna. Assim, leva­-se à prática uma solução de compromisso entre as técnicas de execução rápida e outras mais duradouras, utilizando cofragens de madeira e preen­chendo o seu interior com pedra e um ligamento que resultava num duro cimento militar: “mandou o Capi­tão Mór trazer da armada grandes mastros e pranchas de tabuado, com que se fizeram quatro baluartes mui fortes, e repregados, e se entulharam até à altura de quatro braças com paredes de oito palmos de largura feitas de pedra, e um barro azul mui fino que ligava como cal” (Andrada, 1940, p. 96). Os panos de mura­lha que ligavam os baluartes parecem ter sido ergui­dos do mesmo modo desde as fundações até à altura do adarve. No nível superior, a partir do caminho de ronda, a espessura dos muros e parapeitos de todo o perímetro amuralhado diminui para “cinco palmos de largo”, utilizando-­se um aparelho de “pedra e cal”. Os quatro baluartes, que receberam os nomes de Madre de Deus, Espírito Santo, Santiago e Santo Antó­nio, foram equipados com três peças de artilharia de calibre 24, cada um. Em redor da fortificação abriu­-se um fosso “que tinha quatro braças de fundo até à nas­cença da água, e vinte passos de largo” (Andrada, 1940, p. 96). No conselho reunido em Goa em outubro de 1621, o governador Fernão de Albuquerque refere que “Rui Freire tinha edificado em Queixome um forte “feito de taboas e pedra, e barro com seus baluartes, e algua artelharia” (Couto & Loureiro, 2007, p. 95).
Em 1622, as forças anglo­-safávidas conquistam a fortaleza. Em dezembro desse mesmo ano é visitada por um viajante italiano, Pietro Della Valle, que deixou as seguintes impressões: “Qeshm não é uma fortaleza é um pombal […] razão pela qual muito admiro o valor do capitão Rui Freire e dos portugueses que se encon­travam no interior e a defenderam por tanto tempo, mesmo tendo em conta que os persas que a sitiavam não dispunham de artilharia” (Brancaforte, 2008, p. 204). Se Della Valle não se equivocou quanto à bravura dos soldados portugueses, faltou-­lhe referir, no que toca ao poder de fogo dos sitiantes, a poderosa ajuda dos ingleses, que chegaram no primeiro mês de 1622, bem artilhados em terra e no mar. Não compreendeu, porém, a função e a eficácia destes fortes de dimensões médias e planta tipificada, que serviram os propósitos defensivos ao longo de diferentes épocas, em muitos locais de presença portuguesa no mundo.

Maria de Fátima Rombouts de Barros
fonte: HPIP

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O Forte da Nossa Senhora da Conceição localiza-se na ilha de Gerun na actual República Islâmica do Irão.

Na sequência da afirmação da presença portuguesa na Índia, compreendeu-se a importância do controle do comércio com a península Arábica. Impôs-se assim a conquista de Ormuz, pela sua posição estratégica, dominando a entrada do golfo Pérsico. A outra rota passava por Áden, próximo ao Bab-el-Mandeb, por onde se acede o mar Vermelho.

Ormuz constituía-se em um dos mais importantes centros comerciais da região, em seu mercado sendo trocadas cavalos e pérolas, de tal como que viria a ser considerada por Afonso de Albuquerque como a “terceira chave” do Império Português na Ásia, juntamente com as praças-fortes de Goa e Malaca.

Albuquerque fez a primeira tentativa para controlá-la em 1507.
À frente de uma pequena frota de sete navios com uma força de quinhentos homens, dirigiu-se a Ormuz, tendo no percurso conquistado as cidades de Curiate (Kuryat), Mascate e Corfacão (atual Khor Fakkan) e aceitado a submissão das cidades de Kalhat e Soar (Sohar).

A frota portuguesa ancorou diante da cidade; o seu governante estava preparado para um ataque, contando com um efectivo que ascendia a de 15 a 20 mil homens de armas. Sem se intimidar, Albuquerque intimou-o a prestar-lhe homenagem e a tornar-se vassalo do rei de Portugal. Recebeu uma resposta evasiva, numa clara tentativa de ganhar tempo nas negociações. Ao final de três dias de espera, a artilharia portuguesa entrou em acção, tendo destruído a frota de Ormuz. Vendo as suas forças destroçadas, o soberano de Ormuz solicitou uma trégua oferecendo a cidade aos portugueses. Desse modo, Albuquerque concluiu, em Setembro de 1507, um tratado pelo qual o soberano de Ormuz deveria pagar um tributo anual ao rei de Portugal. Como fruto desse acordo, iniciou ainda uma fortificação, cuja pedra fundamental foi lançada em 24 de Outubro desse mesmo ano, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória.

Os trabalhos terão ficado a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes.

Durante esses trabalhos registou-se o chamado “Motim dos Capitães”, um episódio de insubordinação que culminou com a deserção de três capitães portugueses. Estes, com o apoio do soberano de Ormuz, deram combate às forças de Albuquerque no início de Janeiro de 1508.
Após alguns dias de batalha, Albuquerque e os seus viram-se forçados a retirar da cidade, abandonado o forte em construção.

Em Março de 1515, Albuquerque retornou a Ormuz, à frente de uma frota de 27 navios, com um efectivo de 1.500 soldados portugueses e 700 malabares, determinado a reconquistá-la. Bem sucedido, ocupou a posição da antiga fortaleza em 1 de Abril, retomando a sua construção, agora sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Hormuz_fort-Correia

Nessa época, os principais portos do golfo Pérsico e da Arábia, tais como Julfar, Barém, Calaiate (Qalhat), Mascate, Catifa (al Qatif), Corfacão, e as ilhas de Queixome (Qeshm) e Lareca, encontrava-se sob o domínio do reino de Ormuz.
Com a sua queda, todas as cidades e portos da região tornaram-se tributárias do rei de Portugal: o reino de Ormuz permaneceu como uma potência regional, em articulação com o Estado Português da Índia.
Sob esta fórmula, a presença portuguesa na região estendeu-se por mais de um século, até aos anos de 1620-1650.

Um documento coevo relaciona os portos que pagavam tributo a Portugal: Aigom e Docer “portos que estam na barra de terra firme”, Brahemim “porto que esta de fora da ilha d’Oromuz na terra firme”, Tezer “lugar na terra firme”, Beabom, Borate, Jullfar (Julfar), Callayate (Qalhat), Horfacam (Khor Fakkan), Caçapo (Khasab), Broqete “na ilha Qeixa”, Lafete “na ilha Qeixa”, Qeixa “na ilha Qeixa”, Garpez “na ilha Qeixa”, Rodom, Costaque, Chagoa, Callecazei e Lebedia (in: Rendimento da cidade de Oromuz e seus reinos, 1515.)

Em 1521, o soberano de Ormuz rebelou-se contra o domínio português, mas foi derrotado e destronado tendo um novo governante aliado ocupado o seu lugar.

Em 1523, D. Luís de Menezes ocupou Soar, que havia se revoltado e, após fazê-lo, prosseguiu para Queixome, onde um novo tratado foi celebrado com o novo governante, em virtude do qual uma feitoria portuguesa foi ali estabelecida.

Em 1526, o Vice-rei da Índia, Lopo Vaz de Sampaio (1526-1529), submeteu Mascate e Khalat que haviam se revoltado.

Em 1528 Cristóvão de Mendonça era Capitão-mor da Fortaleza de Ormuz.

Em 1542-1543, a totalidade das receitas aduaneiras de Ormuz foi destinada ao rei de Portugal.

O período entre 1550 e 1560 foi de guerra contínua com os Turcos pela supremacia no Golfo Pérsico.

Em 1550-1551, os Portugueses conquistaram aos Turcos o Forte de El Katiff (Al Qatif) na Arábia.

Em 1551-1552, os Turcos atacaram e saquearam Mascate.
Com a sua retomada pelos portugueses e para complemento da defesa de Ormuz, foi iniciada a Fortaleza de Mascate.

Em 1559, os Turcos sitiaram os Portugueses no Forte de Barém, mas, após vários meses de cerco, foram forçados à retirada.

Data deste período, o final da década de 1550, a intervenção do arquitecto obidense Inofre de Carvalho na fortificação de Ormuz.

No contexto da Dinastia Filipina, as possessões portuguesas em todo o mundo tornaram-se alvo de ataques dos inimigos de Espanha, e no golfo Pérsico, particularmente dos Ingleses.

Neste período conturbado, os eventos sucederam-se rápidamente, até à perda das praças portuguesas e do controle da região.

Por volta de 1591, com planos de Giovanni Battista Cairati, as defesas da fortaleza de Ormuz foram reforçadas.

O abastecimento de água potável de Ormuz era feito a partir dos poços em Comorão, na costa persa.
Aqui os Portugueses mantiveram um forte (Forte de Comorão, de que não existem vestígios), que capitulou ante os persas em 22 de Setembro de 1614.

Em 1619, a fortaleza de Ormuz contava com um efectivo estimado entre quinhentos a setecentos soldados.

Em Janeiro de 1619, Rui Freire de Andrada, “General do Mar de Ormuz e costa da Pérsia e Arábia”, partiu de Lisboa para a região, com instruções para dispersar os Ingleses, que haviam fundado uma feitoria em Jâsk desde 1616, pressionando os Persas, em parte desalojando-os da guarnição em Qeshm e ali erguendo uma fortificação portuguesa. A armada fundeou em Ormuz a 20 de Junho de 1620.

Em 8 de maio de 1621, forças portuguesas sob o comando de Rui Freire de Andrada iniciam a construção do Forte de Queixome (Qeshm), para assegurar o suprimento de água potável para Ormuz. Este ato foi considerado como um sinal de hostilidade declarada pelo Xá da Pérsia, que, em 1622, com o apoio de forças árabes, consegue capturar Julfar aos Portugueses.

Na sequência da queda do Forte de Queixome (11 de Fevereiro de 1622), uma flotilha do Xá Abas I, com mais de 3.000 homens e o apoio de seis embarcações Inglesas, colocaram cerco ao Forte de Ormuz (20 de Fevereiro). Os Persas ofereceram ao comandante português da praça a ilha de Qeshm em troca de 500.000 patacas e o porto de Julfar, na costa da Arábica, recém-conquistado aos portugueses.
A oferta, entretanto, foi recusada e, em poucos meses, Ormuz era perdida para os Persas e seus aliados Ingleses (3 de Maio).
A guarnição e a população portuguesa na ilha, cerca de 2.000 pessoas, foram enviadas para Mascate.

Ainda por uma década as forças Portuguesas, sob o comando de Rui Freire de Andrada, empreenderam diversas tentativas para reconquistar a fortaleza de Ormuz: militarmente em 1623, 1624, 1625 e 1627, e diplomáticamente em 1631, todas sem sucesso.

Com a queda de Ormuz, os Portugueses fixaram a sua nova base em Mascate, estabelecendo em 1623 uma feitoria em Baçorá, na foz do rio Eufrates.

Finalmente, em 1631, os Portugueses ergueram o Forte de Julfar, importante ponto estratégico na península Musandan: durante o domínio português esta cidade conheceu um período de grande prosperidade, na qualidade de entreposto comercial regional.

O principal personagem deste período na região, Rui Freire de Andrada, faleceu em Setembro de 1633, sendo sepultado na Igreja de Santo Agostinho, em Mascate.
Após a sua morte, no período que se estendeu até 1635, tratados de paz foram celebrados com os Persas e com os Ingleses.

De modo geral, considera-se que a presença Portuguesa no Golfo Pérsico ficou mais estável após a queda da fortaleza de Ormuz. De fato foram fundadas uma série de fortificações e feitorias como as de Soar, Julfar, Doba (Dibba Al-Hisn), Libédia, Mada (Madha), Corfacão (Khor Fakkan), Caçapo, Congo (Bandar Kong) e Baçorá.

 

fonte: wikipedia
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O domínio português do Golfo Pérsico no século XVI, fazia parte de uma estratégia global de cercar e atacar o Império Otomano pela retaguarda, conquistando no Oriente os seus principais bastiões.Desta forma a pressão que os turcos faziam no Mediterrâneo seria enfraquecida.

Os portugueses não contaram com a traição dos italianos (venezianos) e depois dos ingleses e holandeses que no Oriente se aliaram aos muçulmanos para os combater.

Para além da guerra, os portugueses estabelecerem um florescente comércio com os persas (actuais iranianos), importando nomeadamente grandes quantidades de tapetes.
Portugal continua a ter a maior colecção do mundo de tapetes persas dos séculos XVI e XVII.

Ormuz (Hormuz,Irão)
Cidade estratégica situada à entrada do Golfo Pérsico, foi conquista por Afonso de Albuquerque em 1515, onde estabeleceu uma poderosa fortaleza (Forte Nossa Senhora da Vitória), a que se seguiram outras importantes construções.

Com a dominação espanhola de Portugal (1580-1640), Ormuz fica particularmente vulnerável, à semelhança do que aconteceu a outras possessões e fortalezas portuguesas no mundo.

No século XVII, os ingleses aliando-se aos persas (muçulmanos), conquistam Ormuz em 1622, após um longo cerco. Os vestígios desta presença portuguesa na região continuam a impor-se na paisagem e nas tradições locais.

Ilha de Qeshm (sul do Irão)
A fortaleza de Queixome foi construída em 1507 por ordem de Afonso de Albuquerque e era um dos principais bastiões militares portugueses no Golfo Pérsico. Em 1999 foi alvo de importantes escavações arqueológicas, tendo-se encontrado entre outras coisas canhões, porcelanas chinesas, vidros de Veneza, etc.

Bandar Abbas (Comororão, Gameron ou Qamerun, sul do Irão)
Forte português.
Território português entre 1521 e 1615 fazia parte do sistema militar que controlava o Golfo Pérsico.

Ispaão
No início do século XVII o Xá da Pérsia (Abbas I) sente-se mais do que nunca ameaçado pelo Império Otomano e para lhes fazer frente torna-se mais tolerante com os católicos.
Os portugueses aproveitam um clima mais tolerante e pedem autorização para puderem realizar cultos católicos públicos em Ispaão.

Esta escolha prende-se com o facto de em 1605, terem sabido que haviam sido deportados cerca de 100 mil arménios para os arredores desta cidade, na recém criada Nova-Djulfa.

A comunidade estava a cargo da Ordem dos Agostinhos.
Em Ispaão foi então construído um convento, casas e uma magnifica Igreja.

Esta comunidade manteve-se muito activa 1747 quando foi proibida.

 

 

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A chegada dos portugueses ao Golfo Pérsico, no século XVI, alterou as relações de poder locais.

Nos actuais Emiratos estabeleceram-se na cidade de Julfar (forteleza, 1515 -1622) e em outros portos como:

Corfaçao (Khor Fakkan, Forte, -1666),

Libedia (Badiyah ?, Forte, -1623),

Quelba (Kalba, forte),

Doba (Diba al Hisn, forte, )

Mada (Mahdah, forte).

Trata-se de um impressionante sistema militar-comercial que foi sendo destruído ao longo de todo o século XVII, devido a sucessivas investidas de persas, turcos, ingleses e holandeses, para além de tribos locais.

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Durante a Dinastia Burji (em árabe: المماليك البرجية), uma dinastia mameluca de origem circassiana que governou o Egipto de 1382 até 1517, os egípcios foram aliados do Império Otomano na guerra contra os Portugueses na grande Batalha Naval de Diu (1509), da qual Portugal saíu vencedor e implantou assim a sua supremacia marítima no Oceano Indico.

A Dinastia Burji (mameluca) tinha suplantando anteriormente a dinastia Bahri.

Esta Dinastia Burji mostou ser especialmente turbulenta, com diversos sultões reinando por breves períodos de tempo.

Estratagemas políticos tornaram-se os factores importantes para a escolha do novo sultão.

Neste período, o Sultanato Mameluco do Cairo enfrentou Timur e derrotou o Chipre, porém as constantes intrigas incentivaram os turcos otomanos a desafiá-los.

Em 1515, irrompeu a guerra final contra o sultão otomano Selim I que levou à incorporação do Egipto e suas dependências ao Império Otomano.

O sultão mameluco Kansuh foi acusado por Selim de dar passagem para os enviados do persa safávida Ismail pela Síria que se dirigiam a Veneza para formar uma confederação contra os turcos e também de abrigar vários refugiados.

Na Batalha de Merj Debik em 24 de agosto de 1515, Kansuh foi morto, num combate onde a cavalaria mameluca não se mostrou capaz de enfrentar a artilharia turca e os janízaros.

A Síria passou então para as mãos otomanas, o que foi comemorado pela população local que enxergava os otomanos como libertadores do jugo mameluco.

Em 1517, os turcos otomanos liderados por Selim I derrotaram novamente os mamelucos e capturaram Cairo em 20 de janeiro. O centro do poder na região mudou para Constantinopla.

Porém, os otomanos mantiveram os mamelucos como a elite egípcia, com a família dos burjidas conseguindo manter muito de sua influência, mas sempre como vassalos dos otomanos.

O nome da dinastia burji significa “da torre”, uma referência à sede do governo burjida, a cidadela do Cairo.

 

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O maior piloto e o atleta mais bem pago do mundo de todos os tempos era luso!

O pequeno Gaius nasceu no ano 104 DC na Lusitânia que era então uma província Romana, ao tempo do imperador Trajano. Sabe-se que era muito interessado por carros e carroças, pois o seu Pai era um conhecido empresário ligado ao transporte de mercadorias.
Desde pequeno o Pai permitia-lhe o uso da sua carroça particular de transporte para o que deixava o seu cocheiro particular em polvorosa tal a temeridade e habilidade do pequeno Gaius. Primeiro às escondidas do Pai mas depois com a tolerância (apoio secreto) o pequeno Gaius começou a competir tornando-se aos 12 anos campeão Lusitano em Emerita Augusta (actual Mérida) e aos 14 Hispânico em Tarraco, (actual Tarragona).

Assim, aos 16 já tinha ganho tudo o que tinha a ganhar na Ibéria e com o apoio financeiro do pai e de um dos principais proprietários das salinas da cidade Imperial de Salácia (actual Alcácer do Sal) mudou-se de armas e bagagens para a capital do Império, Roma.

Com cerca de 18 anos Gaius começou a granjear fama de excelente piloto de competição e na altura em que era no Coliseu de Roma/Circus Maximus que as atenções se centravam neste desporto, pois era lá que se juntavam os melhores pilotos de todos os cantos do Império, ele estava lá e foi lá que imortalizou a sua fama.

Competiu na sua carreira em três equipas diferentes. Durante os primeiros 6 anos da sua carreira profissional e até aos 24 anos competiu pela equipa branca, nos seguintes 3 anos correu pela equipa Verde e posteriormente e até o fim da carreira com 34 anos correu sempre pela equipa vermelha tendo conseguido sobreviver, numa época em que os pilotos profissionais morriam em média com 5 anos de carreira, ao seu percurso desportivo. Morreu aos 42 anos de causas naturais.

GAIUS DIOCLES participou na sua carreira em cerca de 4257 corridas e em todas as categorias (2, 3, 4, 5, 6 e 7 cavalos) e foi o primeiro a competir com um 7 cavalos mas na disciplina mais importante (quadriga/quatro cavalos) foi onde ele reinou. Dessas 4257 corridas, ganhou em 1463.

Em 815 vitórias largou na pole position e liderou até ao fim e em 502 atingiu a liderança na última volta.

Na sua carreira atingiu ganhos monetários de 35,863 milhões de sestércios o que a dinheiro de hoje significava a módica quantia de 11,6 mil milhões de Euros, segundo a Universidade da Pensilvania citada pela “Expansion”, o que dava para alimentar Roma por mais de um ano tornando-o assim, sem dúvida, no desportista que mais dinheiro ganhou na história.Todos os dados da sua carreira encontram-se descritos na sua lápide em Roma e os seus feitos são cantados por grandes historiadores da Roma antiga.

Diz a lenda que a cor vermelha adoptada nacionalmente pelas equipas de fabricantes de automóveis de competição Italianas como a que actualmente a Ferrari utiliza é uma homenagem a GAIUS APPULEIUS DIOCLES “o maior piloto de competição que jamais existiu.”

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Depois do 25 de Abril de 1974, na chamada fase “revolucionária” (1974-1976) as posições políticas portuguesas foram de claro apoio à causa ao “povo palestianiano” e condenação da ocupação israelita.

Yasser Arafat (1929-2004), presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), vem pela primeira vez a Portugal, no verão de 1975, para participar em Lisboa num comício a favor da causa palestiniana.
É aplaudido como um herói.
Voltou em 1979, sendo então recebido oficialmente pela primeira-ministra da altura.
Em 1993 está de novo em Portugal, sendo recebido por Mário Soares (Presidente da República).

A mudança da política portuguesa, ocorreu em 1977, quando Portugal reconhece o Estado de Israel (12/5/1977), adoptando a partir daí uma posição mais prudente sobre o conflito que opõe israelistas contra palestinianos. 

Desde que passou a integrar a CEE/UE (1986), a sua politica para a Palestina é cada vez mais concertada com os restantes membros da UE. 

ATENTADOS

Portugal não tem passado ao lado dos mortíferos atentados contra israelitas e palestinianos:

No dia 13 de Novembro de 1979, ocorreu em Lisboa um brutal atentado contra a vida do embaixador israelita (Ephraim Eldar), tendo morrido três pessoas: o guarda e o motorista do embaixador, e um agente da polícia portuguesa. 

No dia 10 de Abril de 1983, no Congresso da Internacional Socialista, em Montechoro (Albufeira), o representante da OLP (Issan Sartawi) é assassinado pelo grupo de Abu Nidal.

 

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D. Gracia Mendes Nasi

D. Gracia Mendes Nasi

Lisboa / Tiberiades

D. Beatriz de Luna (nome cristão) ou Gracia Nassi NASCEU em Lisboa (PORTUGAL) em 1510 e é mais uma das figuras da nossa História que Espanha se apoderou, talvez por falta de gente famosa na sua história.

D. Gracia Mendes era uma das mulheres judias mais ricas da Europa Renascentista.

Casou em Lisboa com Francisco Mendes Beneviste (um influente mercador de pimenta negra, também conhecida por pimenta do reino) depois da descoberta do Caminho Marítimo para a Indía, pelo PORTUGUÊS VASCO DA GAMA, nascido em Sines.

D. Gracia Mendes Nassi e o seu sobrinho José Nassi contam-se entre os pioneiros do Estado de Israel.

Após a sua fuga de Portugal (devido à expulsão dos judeus) Gracia Mendes Nassi refugiou-se em Antuérpia, seguindo depois para Itália e Turquia, onde se estabeleceu em Constantinopla, tornando-se uma das maiores empresárias no comércio marítimo.

Nesta cidade existia uma importante comunidade de judeus portugueses.

Com José Nassi tentou fundar na Palestina, em Tiberíades, uma colónia para judeus dedicada à produção textil.

Neste século milhares de judeus portugueses viviam já em Jerusalém e Safed, disso mesmo dá conta Frei Pantaleão de Aveiro – Itinerários à Terra Santa (1563).

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Aristides Sousa Mendes

Aristides Sousa Mendes

Portugal / Israel

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasceu a 19 de Julho de 1885, em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), localidade situada a cerca de 30km a sul de Viseu.
Pertencia a uma família aristocrática e católica da Beira-Alta.
O pai, José de Sousa Mendes, terminou a carreira de juiz no Tribunal da Relação de Coimbra.
A mãe, Maria Angelina do Amaral e Abranches, também da região, descendia da “Casa de Midões”, uma Casa com tradições “Liberais”.
Aristides de Sousa Mendes tinha um irmão gémeo, César, e um irmão mais novo, José Paulo.

Aristides cursou Direito na Universidade de Coimbra, juntamente com seu irmão César, tendo sido um dos seis melhores estudantes do seu curso.
Depois de se licenciar, em 1907, com 22 anos, fez o estágio de advocacia, tendo defendido alguns casos no início da sua carreira.
Em 1910, ainda durante a monarquia, Aristides e César ingressaram na Carreira Diplomática. Aristides exerceu funções como Cônsul de Carreira na Guiana Britânica, em Zanzibar, no Brasil (Curitiba e Porto Alegre), nos Estados Unidos, (San Francisco e Boston), em Espanha (Vigo), no Luxemburgo, na Bélgica e, finalmente, em França (Bordéus).

Casado com sua prima direita Maria Angelina, em 18 de Fevereiro de 1909, a família de Aristides de Sousa Mendes foi crescendo a par da sua carreira diplomática.
Assim, quatro dos seus filhos nasceram em Zanzibar, dois no Brasil, dois nos Estados Unidos, um em Espanha, dois na Bélgica e três, perfazendo o total de 14, em Portugal.
Valorizando a presença da família, Aristides de Sousa Mendes optou por nunca dela se separar, assegurando a educação dos seus filhos, em todos os países por onde passou.
Para além da educação académica, todos tiveram acesso a aulas de pintura, desenho e música. “Lá em casa, havia uma verdadeira orquestra de câmara e, regularmente, convidavam-se pessoas para assistir a concertos. Tocava-se Chopin, Mozart, Bach, Beethoven, etc”, disse um dos filhos.

Detentor de uma grande cultura geral, era uma pessoa com muita delicadeza e “savoir-faire”. Fácilmente fazia amigos.
Em Zanzibar, por exemplo, o Sultão foi padrinho de dois dos seus filhos.
O Rei Leopoldo da Bélgica terá dito uma vez em público: “ah, voilà mon ami, le Consul Général du Portugal!”
Durante os 9 anos em que viveu na Bélgica, Aristides de Sousa Mendes conviveu com o dramaturgo Maeterlinck, Prémio Nobel da Literatura, assim como com Albert Einstein, que “lá foi a casa”, em 1935, quando deixou a Alemanha.

A vida de Aristides assume uma dimensão inesperada em 1940, em Bordéus, França, um posto que, do ponto de vista da Carreira Consular, não lhe trazia nada de novo.

Aristides vai para Bordéus, em Agosto de 1938, contrariado, não entendendo por que razão Salazar o não promove para um posto no Extremo Oriente, como ele tinha pedido.
Em Setembro de 1939, começa a Segunda Guerra Mundial, e logo em Novembro desse ano, Salazar, de forma clara, alinha-se ao lado do mais forte, Hitler, para poupar certamente Portugal a uma hipotética invasão nazi.

Esse alinhamento traduziu-se pela promulgação da Circular 14, através da qual Salazar proíbe a concessão de vistos a judeus, apátridas e outros “indesejados”.
Na prática, nenhum diplomata português estava autorizado a passar vistos de entrada, em Portugal, a judeus.

No início de 1940, Aristides é formalmente avisado por Salazar para não conceder mais vistos a judeus, pois “se o fizer, ficará sujeito a procedimento disciplinar”.

Paris, entretanto, cai ante o avanço das tropas nazis, a 14 de Junho, e, no dia seguinte, Bordéus fica submergida de refugiados.
É o salve-se quem puder! Bordéus, uma cidade de 200.000 pessoas, passa a ter um milhão!
É o pânico generalizado…”dir-se-ia o fim do mundo”, como escreveu, trinta anos mais tarde, nas suas “Memórias”, Pedro Teotónio Pereira, principal acusador do Cônsul.

O Governo francês recua também para Bordéus e inicia negociações com vista a um armistício com a Alemanha, o que veio a ocorrer a 22 de Junho 1940.
A 16 de Junho, Charles de Gaulle parte de Bordéus para Londres de onde transmite, através da BBC, o seu célebre “apelo à resistência”, a 18 de Julho 1940.

A autora de “Vidas Poupadas – a acção de três diplomatas portugueses na II Guerra Mundial”, Manuela Franco, menciona um telegrama de 21 de Junho, enviado por Aristides de Sousa Mendes ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde este confirma ter ordenado que se passassem vistos “indiscriminadamente e de graça”.

O historiador Yehuda Bauer, no seu livro “A History of the Holocaust”, escreve: “o Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, concede vistos de trânsito a milhares de judeus refugiados, em transgressão das regras do seu governo.
Talvez a maior acção de salvamento feita por uma só pessoa durante o holocausto”.
A 19 de Junho, Aristides segue para o Consulado em Bayonne, onde continua a maratona de concessão de vistos, na própria rua, uma vez que as escadas do edifício poderiam não suportar o peso de tão grande fila de espera.
Vai depois para Hendaye/Irun e continua de um lado para o outro, salvando pessoas nas estradas do sul de França, nas estações de caminhos-de-ferro, conduzindo mesmo um grupo de refugiados através dos Pirenéus, a pé e de automóvel.

Segundo os registos da polícia política PVDE, que a partir de 1945 se transformara na PIDE, entraram em Portugal, só nos dias 17, 18 e 19 de Junho de 1940, cerca de 18 000 pessoas com vistos assinados pelo “Cônsul desobediente”.

“Os guardas da fronteira de Vilar Formoso não se lembram de ter visto tanto movimento.”
O Alto Comissariado para os Refugiados da Sociedade das Nações calculou que nesse verão terão entrado, em Portugal, mais de 40 000 refugiados.

Esse número é confirmado pela organização judaica “Joint”.

Na sua casa em Cabanas de Viriato, Aristides recebeu dezenas de refugiados, sobretudo no Verão de 1940, nomeadamente as famílias dos Ministros belgas, no exílio, Albert de Vleeshchouwer e Van Zealand, um alto responsável das finanças belga, assim como muitas freiras e outros religiosos conhecidos do seu tempo de Louvain.

A 23 de Junho de 1940, Salazar determina o seu afastamento do cargo, e envia o Embaixador Teotónio Pereira.
Em Portugal, Sousa Mendes solicita, em vão, uma audiência a Oliveira Salazar, mas este Salazar determina, a 4 de Julho, a abertura de um processo disciplinar ao diplomata que é instaurado a 1 de Agosto de 1940.
Como consequência, Aristides de Sousa Mendes é afastado da Carreira Diplomática e afastado de qualquer actividade profissional, sendo ostracizado pelos seus pares, familiares e amigos.
Os filhos, perseguidos e não podendo encontrar trabalho em Portugal, são obrigados a emigrar.

Dois deles, logo em 1943, juntam-se ao exército americano e até participam na invasão da Normandia a 6 de Junho de 1944.
A 4 de Julho de 1940, Salazar ordena a abertura de um processo disciplinar contra Aristides de Sousa Mendes.
O processo é instruído por Francisco de Paula Brito Júnior a partir de 19 de Agosto.

A 30 de Outubro Salazar condena-o a «um ano de inactividade, com direito a metade do vencimento, devendo em seguida ser aposentado».
No entanto, esta determinação não é cumprida, sendo Sousa Mendes pura e simplesmente expulso da carreira, sem passar à situação de aposentação.
Fica interdito até de trabalhar como advogado.

Elabora a sua própria defesa, argumentando que agiu em defesa dos valores éticos e humanitários e solicita por diversas vezes uma audiência a Salazar, que nunca o recebe e se mantém implacável na sua decisão.

Entre 1940 e 1954, Aristides entra num processo de “decadência”, perdendo, mesmo, a titularidade do seu gesto salvador pois, Salazar apropria-se desse acto.

Através da propaganda do Estado Novo, os jornais do regime louvam Salazar: “Portugal sempre foi um país cristão” é o título de um Editorial do Diário de Notícias do mês de Agosto de 1940, em que Salazar é louvado por ter salvo refugiados no Sul de França.
Até Teotónio Pereira, reclama, nas suas “Memórias”, a acção de Aristides de Sousa Mendes como sendo de sua autoria!
O cônsul morre a 3 de Abril de 1954.

No seguimento da sua auto-defesa convicta, também os refugiados e os próprios filhos de Sousa Mendes continuaram a divulgar e a defender a sua actuação como Cônsul de Portugal em Bordéus, na fatídica semana de 17-23 de Junho de 1940, em que se disputava o futuro da França e da Europa em Bordéus.

Os depoimentos do Rabbi Chaim Krugger e de outros refugiados foram recolhidos e confirmados pelo Yad Vashem, que reconheceu Aristides de Sousa Mendes como Justo entre as Nações, “Righteous Gentile”, em Outubro 1966.

Entretanto, o seu filho Sebastião Miguel, que acompanhou todo o drama, tinha publicado um livro parcialmente romanceado com o titulo “Flight through Hell “ em que registou alguns dos principais eventos. A sua filha Joana redobrou-se a escrever cartas a várias entidades e ao próprio Salazar.

Na California, o seu filho João Paulo recolheu assinaturas numa petição a favor da reabilitação que foi entregue ao governo português.
Finalmente, em Maio 1987, o Presidente Mário Soares confere-lhe a titulo póstumo, a Ordem da Liberdade, que entrega á sua filha Joana na Embaixada de Portugal, em Washington, na presença de numerosos descendentes e representantes das comunidades judaicas e portuguesas.

Poucos dias depois, Aristides de Sousa Mendes é homenageado pelas comunidades portuguesas e judaicas em Newark, New Jersey.

Em 1989, a Assembleia da República finalmente reparou a grave injustiça que lhe fora cometida, reintegrando Aristides de Sousa Mendes no serviço diplomático por unanimidade e aclamação.

As homenagens sucedem-se desde então.

Homenagens, louvores e reconhecimentos (lista parcial)

Em 1994, o presidente português Mário Soares desvela um busto em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, bem como uma placa comemorativa na Rua 14 quai Louis-XVIII, o endereço do consulado de Portugal em Bordéus em 1940.

Em 1995, é-lhe concedida, a título póstumo, uma das mais altas condecorações nacionais, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo e a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP) cria um prémio anual com o seu nome.

Em Novembro de 1998 Aristides de Sousa Mendes é homenageado no Parlamento Europeu em Estrasbourg e, em 2000, nas Nações Unidas, em New York.

Em 2004 comemorou-se o 50º aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes e foram celebradas missas e outras cerimónias religiosas e ecumémicas em honra ao seu Acto da Consciência em mais de 30 cidades em todos os continentes.

Em 2007, Aristides de Sousa Mendes foi o terceiro mais votado entre os Grandes Portugueses de todos os tempos num programa de televisão da RTP.

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Os portugueses de religião judaica eram até finais do século XV muito numerosos, calcula-se que chegassem a representar mais de 10% da população.
Em numerosas de cidades e vilas de Portugal ainda hoje subsistem casas de antigas judearias.
Em Tomar, na antiga judearia, existe a maior das sinagogas medievais da Península Ibérica (século XV).
Um edificio magnifico à espera de ser devidamente valorizado.

A partir daqui, sob a influência espanhola, seguiram-se tempos de intolerância.
Em 1497, por exemplo, mais de 100 mil foram obrigados a converterem-se ao cristianismo, passando a ser designados por Cristãos-Novos.
Uma minoria saíu de Portugal, mas a maioria continuou no país praticando em segredo as suas crenças e ritos ou foi assimilada.

Século XVI

As perseguições foram ferozes ao longo deste século. Em 1506, os frades dominicanos mobilizam a população católica para uma chacina de judeus no Rossio (Lisboa). Cerca de 3 mil foram mortos.

A Inquisição (1536) e depois a ocupação Espanhola de Portugal (1580-1640) foram marcos nesta barbárie, provocando fugas em massa de cristão-novos. Os milhares que saíram neste século foram para cidades marroquinas, espalharam-se pelo Império Otomano (Tripoli, Salónica, Chipre, Damasco, Constantinopla, Drubrovnik/Rugosa, Jesusalém, Safed), mas também pe lo sul da França (Bordéus, Marselha,etc), Bélgica (Antuérpia) e Holanda (Amesterdão), Alemanha (Hamburgo, Altona), e daqui partiram no século XVII e XVIII instalaram-se noutros lugares (EUA, Inglaterra, etc).

Entre os judeus de origem portuguesa contam-se os pioneiros do estado de Israel: Gracia Mendes Nassi (c.1510-c.1569), o seu sobrinho e genro José Nassi. Todos eram oriundos de Lisboa. Gracia Mendes após a sua fuga refugiou-se em Antuérpia, seguindo depois para Itália e Turquia, onde se estabeleceu em Constantinopla, tornando-se uma das maiores empresárias no comércio marítimo. Nesta cidade existia uma importante comunidade de judeus portugueses. Com José Nassi tentou fundar na Palestina, em Tiberíades, uma colónia para judeus dedicada à produção textil.

Neste século milhares de judeus portugueses viviam já em Jerusalém e Safed, disso mesmo dá conta Frei Pantaleão de Aveiro – Itinerários à Terra Santa (1563).

Século XVII/XVIII

As comunidades de judeus portugueses desfrutam de um enorme poder e prestígio nos Países Baixos (Holanda, Bélgica), espalhando-se pelas Américas. Foram judeus portugueses que re-introduziram o judaísmo na Inglaterra onde havia sido banido.

Século XIX

No princípio do século começaram a chegar a Portugal muitos judeus vindos de Gibraltar e Marrocos, formando em Lisboa uma pequena comunidade(1800), surgindo pouco depois outra no Porto e nos Açores (1818). Após a restauração da liberdade religiosa, em 1822, surgiu uma nova comunidade em Faro (1830), onde oito ano depois foi criado um cemitério (1838-1932).

Nos Açores foram criadas comunidades judaicas nas Ilhas de S. Miguel, Terceira e Faial, tendo sido fundadas 5 sinagogas e vários cemitérios. A única que ainda funciona está em Ponta Delgada (S. Miguel).

Em algumas regiões do país antigas famílias judaicas, que haviam mantido secretamente as suas crenças e práticas (cripto-judaísmo), voltaram a manifestar em público as suas convicções religiosas, como ocorreu em Belmonte (Beira Interior) e em algumas aldeias de Trás-os-Montes.

Século XX

A comunidade judaica vive uma fase de grande actividade. A 25/5/1902 é lançada a 1ª. pedra da Sinagoga de Lisboa (Shaaré Tikvá -Portas da Esperança). A República, em Dezembro de 1912, reconhece os judeus cidadãos nacionais, até aí eram considerados estrangeiros. Apesar destes actos, monárquicos iberistas como António Sardinha (O Valor da Raça) vêem nestas acções o fim de Portugal.

Nos anos trinta, um simpatizante de Adolf Hitler – Rolão Preto – procura lançar uma campanha contra a vinda de judeus para Portugal, mas a Ditadura (1926-1974) acabou por o silenciar.
Na cidade do Porto, em 1938, é aberta uma nova Sinagoga.
Um caso único em toda a Europa.

Lar judaico

Na primeira metade do século discutiu-se intensamente a criação de uma colónia de judeus em Portugal ou numas das suas possessões ultramarinas, numa altura que aumentavam as perseguições em toda a Europa.
Um judeu português S.A. Anahory, em 1886, tem a ideia da sua instalação no planalto de Angola.
A idéia foi retomada por um judeu russo chamado W. Terló.
Em 1912 é discutida e aprovada no parlamento português, mas a ideia arrastou-se no tempo devido ao pouco interesse manifestado pelas elites judaicas mundiais.
Em 1933 volta de novo a ser colocada, devido à urgência de encontrar lugar para acolher os refugiados.
A Ditadura opôs-se à sua concretização, mas a imprensa mundial (Abril de 1934) acaba afirmar que cerca de 5.000.000 de judeus iriam para Angola.
Em 1938 o presidente dos EUA (Franklin D. Roosevelt) pressiona o governo português para aceitar a solução.
Salazar continua a opôr-se.
Em 1943 é a vez da Grã-Bretanha pressionar Portugal, mas igualmente sem êxito. (cfr. Expresso,20/8/2005).

Em Fevereiro de 1946, o rabino Solomon Schofeld, dirigente judaico de Londres, propõe a Portugal com o apoio da Grã-Bretanha a instalação de uma colónia de judeus nos Açores.
A ideia foi recusada por Salazar (cfr. José Freire Antunes, Judeus em Portugal, Lisboa, 2002).
Aristides20INos anos trinta e quarenta do século XX, dezenas de milhares de judeus são salvos dos campos de concentração nazis por diplomatas portugueses, como foi o caso de ARISTIDES SOUSA MENDES
Cerca de 60 mil fazem escala em Portugal a caminho da América.
Neste período, graças à acção de Amzalak, é autorizada a abertura em Lisboa do Joint American Jewish Committee que trabalhou em conjunto com a Comissão Portuguesa de Assistência aos Judeus Refugiados de Portugal no apoio e assistência aos judeus que passavam pelo país ou aqui se pretendiam fixar.

Muitos judeus portugueses estiveram ligados à criação do Estado de Israel.

Nas várias guerras entre Israel e os arábes, Portugal por força da sua aliança com os EUA tem dado um importante apoio a este país.
Durante a guerra israelo-árabe do Yom Kippur, em fins de 1973, a Base das Lajes nos Açores foi utilizada para abastecer de armamento o exército israelita num dos momentos mais críticos da sua história.

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O Império Otomano entre fins do século XV e o início do século XIX, esteve quase sempre em guerra com Portugal no Mediterrêneo e no Oriente.

No Mediterrâneo, os turcos tornaram-se numa enorme ameaça quando conquistaram todo o Norte de África até Marrocos e expulsaram em 1522 da Ilha de Rodes, os Cavaleiros de S. João (Ordem dos Hospitalários). A correlação de forças no Mediterrâneo foi então abalada, pois nada os parecia deter. Entre as várias expedições que os portugueses participaram contra os “turcos” destacam-se as seguintes:

– Em 1481 era organizada foi uma armada comandada pelo Bispo de Évora, D. Garcia de Meneses, toma aos turcos Otranto em Itália.

– Em 1535 expedição composta por 23 navios comandados por António Saldanha, para ajudar Carlos V a conquistar Tunes. Em 1538, nova expedição para reconquistar Tunes. Nova expedição em 1541 para conquistar Argel.

– Em 1715, os turcos apoderaram-se das últimas ilhas que Veneza ainda detinha no mar Egeu. Pedem auxílio, mas só Portugal se prontificou a ajudá-los. D. João V enviou Julho de 1716 uma esquadra, mas não chegaram a combater porque entretanto os turcos fugiram de Corfu que estavam a atacar.

– Em 1716 é de novo pedido auxílio a Portugal, pois Veneza estava a ser atacada pelos turcos. Em Abril de 1717 parte para Itália uma nova armada, onde virá a participar na célebre batalha do cabo de Matapão, tendo os turcos mais uma vez retirado.

No Oriente, a mais importante de todas as batalhas foi a batalha naval de Diu (1509), em que uma esquadra portuguesa derrotou uma frota conjunta do Sultanato Burji do Egipto, Império Otomano, Calecute e o Sultão de Gujarat.O poder dos Turcos Otomanos nos mares da Índia saiu da mesma profundamente enfraquecido..

Século XIX / XX.

As Invasões francesas (1807-1814) provocaram o impensável: uma aliança de Portugal com a Turquia contra dois inimigos comuns: os franceses e os espanhóis.

 

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Arcebispo de Mitilene (Archidiœcesis Mitylenensis) é um título eclesiástico, meramente honorário de in partibus infidelium, que desde o século XIX é geralmente concedido ao bispo-auxiliar que desempenha as funções de vigário-geral do patriarca de Lisboa.

O título corresponde à Sé titular da antiga arquidiocese católica romana de Mitilene, actualmente integrada na Igreja Ortodoxa Grega.

Entre 1718 e 1832 o título associado ao cargo de vigário-geral foi a arquidiocese titular de Lacedemónia.

A última nomeação para arcebispo titular de Mitilene ocorreu a 21 de março de 1978 com D. Maurílio de Gouveia, sendo substituído como vigário-geral do Patriarcado de Lisboa por um bispo auxiliar de Lisboa e sucessivamente ocupado por outros bispos auxiliares sem que houvesse nomeação para esta sé titular.

Actualmente o cargo de vigário-geral é ocupado por um cónego da Sé Patriarcal.

TITULARES
Os seguintes eclesiásticos foram detentores deste título:

Benedictus, O.S.B. (3 de Dezembro de 1459 — † 1481)
Genesius (27 de Maio de 1482 — † 1489)
Niccolò Serra (14 de Janeiro de 1754 — † 14 de Dezembro de 1767)
Patrick Everard (4 de Outubro de 1814 — nomeado arcebispo de Cashel (Cashel, Irlanda) em 15 de Dezembro de 1820)
Domenico Genovesi (17 de Dezembro de 1832 — † 8 de Janeiro de 1835)
Manuel Bento Rodrigues da Silva (24 de Novembro de 1845 — 15 de Março de 1852 confirmado bispo de Coimbra)
Domingos José de Sousa Magalhães (7 de Março de 1853 — † 19 de Fevereiro de 1872)
António José de Freitas Honorato (25 de Julho de 1873 — 9 de Agosto de 1883 confirmado arcebispo de Braga)
António Mendes Belo (24 de Março de 1884 — 13 de Novembro de 1884 confirmado bispo do Algarve
João Rebelo Cardoso de Meneses (13 de Novembro de 1884 — 14 de Março de 1887 nomeado coadjutor do bispo de Lamego)
Gaudêncio José Pereira (14 de Março de 1887 — 1 de Junho de 1888 confirmado bispo de Portalegre)
Manuel Baptista da Cunha (1 de Junho de 1888 — 23 de Maio de 1899 confirmado arcebispo de Braga)
Manuel Vieira de Matos (22 de Junho de 1899 — 2 de Abril de 1903 confirmado bispo da Guarda)
José Alves de Matos (25 de Junho de 1903 — 9 de Dezembro de 1915 nomeado arcebispo-titular de Pessinus)
João Evangelista de Lima Vidal (9 de Dezembro de 1915 — 23 de Maio de 1923 nomeado bispo de Vila Real)
António Joaquim Pereira (18 de Dezembro de 1924 — resignou em 1926)
Manuel Gonçalves Cerejeira (23 de Março de 1928 — 18 de Novembro de 1929 nomeado patriarca de Lisboa)
Ernesto Sena de Oliveira (27 de Maio de 1931 — 15 de Junho de 1944 nomeado bispo de Lamego)
Manuel Trindade Salgueiro (14 de Março de 1949 — 20 de Maio de 1955 nomeado arcebispo de Évora)
Manuel dos Santos Rocha (23 de Março de 1956 — 14 de Dezembro de 1965 nomeado bispo de Beja)
António de Castro Xavier Monteiro (3 de Fevereiro de 1966 — 1 de Julho de 1972 nomeado bispo de Lamego)
Júlio Tavares Rebimbas (1 de Julho de 1972 — 3 de Novembro de 1977 nomeado bispo de Viana do Castelo)
Maurílio Jorge Quintal de Gouveia (21 de Março de 1978 — 17 de Outubro de 1981 nomeado arcebispo de Évora)

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As comunidades portuguesas judaicas espalharam-se a partir do século XVI por todo o mundo, procurando manter sempre vivas as suas origens.

Fugindo à Inquisição, o judeu português José Nassi ( Joseph Nasi) estabeleceu-se no Império Otomano, onde acabou por ser nomeado Duque da Ilha de Naxos, no Mar Egeu.

Na cidade de Salónica (Thessaloniki), antes da II Guerra Mundial existia aqui uma importante comunidade portuguesa que foi praticamente dizimada após invasão alemã.

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O paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da #Lourinhã, é o responsável pela identificação dos primeiros fósseis de um dinossauro descobertos na Bulgária, cujas características levaram a concluir que é um #dinossauro raro na Europa.

Octávio Mateus disse que “é o primeiro dinossauro descoberto na Bulgária” e acrescentou ainda que se trata do “primeiro registo seguro de um ornitominossauro do Cretácico Superior da Europa”.

O osso do braço com dez centímetros já estava desde 2005 no Museu da Lourinhã, altura em que um estudante de mestrado búlgaro o levou para o museu, pensando tratar-se de um animal marinho. Octávio Mateus percebeu que “o osso era oco, o que ocorre apenas em mamíferos, aves, pterossauros (dinossauros voadores) e dinossauros carnívoros”, acrescentando que “pelo tamanho só podia ser de um dinossauro carnívoro”.

O paleontólogo conseguiu ainda constatar que “o osso não é cilíndrico e tem uma saliência que só existe no osso do braço”, dois dos traços característicos dos dinossauros carnívoros do grupo dos “ornitominossauros”, conhecidos dos filmes de Steven Spielberg, Parque Jurássico.

Os ornotominossauros, dinossauros carnívoros terópodes, eram animais que se distinguiam dos restantes pela sua cabeça pequena e pela grande agilidade, por isso são também apelidados de ‘dinossauros-avestruzes’.

Octávio Mateus estudou também os sedimentos rochosos que envolviam o fóssil e concluiu que se trata de um dinossauros que viveu há 65 milhões de anos, no Cretácico Superior, sendo contemporâneo do conhecido carnívoro tiranossauro rex.

Um artigo científico publicado em Novembro na revista da especialidade Lethara pelo português e por mais quatro paleontólogos estrangeiros (um inglês, um americano e dois búlgaros) permitiu validar a descoberta junto da comunidade científica.

O fóssil encontra-se no Museu de História Natural da #Bulgária.

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Apesar da distância muitos portugueses andaram na Ucrânia, nomeadamente ao serviço do Czar da Rússia.

No reinado de Catarina II, na segunda metade do século XVIII, Moscovo conquistou o Sul da Ucrânia ao Império Otomano.

Entre os militares ao serviço da Rússia que conquistaram praças como Ismail e Otchakov, estavam oficiais portugueses, nomeadamente Gomes Freire de Andrade.

Os navios portuguesestambém frequentavam o porto de Odessa, no Mar Negro, para onde levavam sal e peixe salgado, e traziam cerais.

Em 1871, por exemplo, partiu do porto de Olhão (Algarve) para Odessa, um caíque, capitaneado por António da Silva Guerreiro, para aí comprar cereais.

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A Roménia foi um antigo bastião cristão na Europa Oriental.

Desde o século XV que existem relatos na ligação entre portugueses e romenos.

O Infante D. Pedro, em 1427, foi à Transsilvânia com um exército para apoiar o principe romeno Dan II na luta contra os Turcos otomanos que se tinham instalado na Valáquia.

Após a independência da Roménia, em 1877, os dois paises reforçaram os seus contactos políticos.

Em 1896 a Roménia abre um consulado em Lisboa, tendo multiplicado esta rede consular durante a Iº Guerra Mundial (1914-1918).

Em 1922 abre o 1º. consulado português no porto de Brãila, a que se seguiu outro em 1928 no porto Constantza.

Durante a IIª Guerra Mundial, o último rei da Roménia – Carol Hohenzollern-Sigmaringen II (1893-1953) – exilou-se no Estoril, em Portugal (1940) onde faleceu, tendo sido sepultado no panteão dos Braganças no Mosteiro de S. Vicente de Fora (Lisboa).

Em 2003 foi transladado para a Roménia.

Entre os muitos romenos que se refugiram em Portugal anos 30 e 40 destacam-se:

Lucian Blaga (1938 e 1939), filósofo, poeta, dramaturgo e novelista.

Mircea Eliade (1940 a 1944),  professor, historiador das religiões, mitólogo, filósofo e romancista romeno, naturalizado norte-americano em 1970

Victor Buescu que fixou residência em Portugal, onde foi professor da Faculdade de Letras de Lisboa.

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Trata-se de uma das regiões mais instáveis da Europa, que registou apenas contactos esporádicos com Portugal.

A situação mudou completamente quando a antiga Jugoslávia se desmembrou, num conjunto de novos países e regiões que reclamaram a sua independência.

A Bósnia-Herzegovina e o Kosovo são administradas pela ONU e protegidas por tropas da Nato (OTAN), integrando desde o início um contingente português na KFOR.

No Kosovo a população é maioritariamente albanesa (islâmica de origem turca), embora pelo direito internacional pertença à Sérvia.

O contingente português instalou-se em 1999 onde permanece até à presente data.

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A ligação histórica de Portugal com a Bósnia Herzegovina resume-se à presença de forças portuguesas enquadradas na Força da ONU de manutenção de Paz após a guerra fracticida entre cristão e muçulmanos naquela zona da ex-Jugoslávia.

A juntar a esta situação a guerra de independência com a nação Sérvia.

A 5 de Janeiro de 1996 um pequeno grupo de militares, de várias Armas e Serviços do Exército, o Destacamento de Ligação, avançou para o terreno.

Com os pés bem assentes no chão, lidando com uma realidade por vezes cruel, quer no terreno quer na retaguarda em Lisboa, criaram as condições que permitiram a entrada atempada das forças portuguesas na Bósnia.

Por vários motivos, alguns até possivelmente justificados, mas cujos reais detalhes até hoje permanecem desconhecidos, o Destacamento de Ligação (DL), constituído pelos primeiros militares do Exército a participar na também primeira operação levada a cabo por este ramo na Europa desde a 1ª Guerra Mundial, teve, no seu todo, uma estadia relativamente curta no teatro de operações. Se o tempo de permanência não foi longo, o seu trabalho foi de importância capital para a entrada atempada, e nas melhores condições possíveis, do “grosso das tropas” no sector atribuído.

Antes de continuar um parágrafo para dizer que esta afirmação não quer de modo nenhum retirar mérito à participação de militares portugueses, do Exército e Força Aérea, como observadores ou em equipas médicas, na ex-Jugoslávia, desde 1991, ou ainda da Força Aérea e da Marinha, nas operações sobre esta região ou no Adriático desde 1992. Nem sequer valorizar o que vai ser dito em relação aos verdadeiros heróis desta missão inicial na Bósnia, os que se lhes seguiram, os militares do 2º Batalhão de Infantaria Aerotransportado (2º BIAT) e do Destacamento de Apoio de Serviços (DAS), que tantas dificuldades, privações, riscos, feridos e mortos, suportaram.

Quer apenas dizer, por um lado que na primeira operação terrestre lançada pela NATO, este Destacamento de Ligação abriu o caminho e, ao contrário do que muitos na altura por desconhecimento julgaram, teve um papel determinante nas primeiras semanas da operação. E por outro, tentar transmitir o espírito então criado, entre militares de várias armas e serviços do Exército com origens e percursos muito diferentes, o qual de tal modo neles se arreigou, que ocasionalmente (com uma ou outra falta) ainda se juntam para “almoçar e passar a tarde”.

Mas vamos à missão na Bósnia razão porque foi criado este destacamento.

O DL era constituído por 15 elementos e tinha, à partida de Portugal, a missão genérica de efectuar a ligação às estruturas multinacionais nas quais a força portuguesa se ia integrar.

A saber, a Brigada Multinacional Sarajevo-Norte de comando italiano, e a Divisão Multinacional Sudeste de comando francês. Todos os militares sabiam (melhor, julgavam saber!) para que funções iam.

Do contingente português na Bósnia viriam a fazer parte elementos da Força Aérea Portuguesa assim como do Exército.

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Diogo Pires (1517 – 1599), como muitos outros judeus, fugiu de Portugal na primeira metade do sec. XVI. A expulsão dos judeus que recusaram o baptismo em 1498 e o massacre que teve lugar em Lisboa em 1506, não prenunciavam nada de bom, tal como veio a demonstrar-se com a criação da Inquisição em 1536.

Ao contrário de muitos judeus portugueses com formação universitária que partiram para o estrangeiro, Diogo Pires não era médico, embora deva ter estudado medicina. Era sim um humanista e foi um poeta excelente em língua latina.

Nasceu em Évora em 5 de Abril de 1517.

Deverá ter sido baptizado, mas isso não lhe ofereceu suficiente segurança para ficar em Portugal.

Foi estudar para Salamanca em 1535, terá passado por Sevilha, Toledo e Paris, mas em 1536 aparece já em Liège.
Matriculou-se em Lovaina no início de 1536, o que lhe permitiu conviver com os literatos do seu tempo.

Esteve vários anos na Flandres, onde encontrou Girolamo Falletti, que mais tarde incluiu poemas dele nos seus livros.

Composições suas aparecem em diversos livros impressos na Flandres.

Diogo Pires era parente de João Rodrigues, de Castelo Branco, o célebre Amatus Lusitanus (1511-1568), médico ilustre que, na sua curta vida, publicou os relatos da sua vida de médico errante pela Europa, nomeadamente as sete centúrias, isto é, os sete livros em que descreve em cada um 100 curas que fez.

Por volta de 1540, Diogo Pires chega a Itália, e instala-se por uns tempos em Ferrara.

Em 1547, aparece como interviente em diálogos sobre a literatura inglesa, portuguesa e hispânica no livro Dialogi duo de poetis nostrorum temporum, de Lilio Gregorio Giraldi.

No início de 1549 vai para Ancona.

Em Maio e Junho de 1552, desloca-se a Roma, onde reinava então o Papa Júlio III, relativamente tolerante para com os judeus. Ali encontra D. Miguel da Silva, então ainda muito prestigiado.

Desde finais de 1552 até 1556, não há muitas notícias do paradeiro de Diogo Pires. Mas a recente tese de doutoramento do Prof. Andrade refere documentos que o dão em Londres por alturas do casamento da Rainha Maria Tudor , filha de Henrique VIII, com Filipe, filho de Carlos V, que foi coroado em 1556, como Filipe II, Rei de Espanha. O casamento foi celebrado em 25 de Julho de 1556.

Entretanto, a relativa bonança de que gozavam os judeus em Itália, terminou com a eleição do Cardeal Caraffa como Papa Paulo IV em 23 de Maio de 1555 e que lhes promoveu uma perseguição cerrada.

Os judeus portugueses de Ancona foram dos que mais sofreram.
O Prof. Andrade conclui que o pai de Diogo Pires, Henrique Pires ou Isaac Cohen foi queimado nos autos-de-fé que ocorreram entre 7 e 12 de Junho de 1556.

Em fins de 1556 ou princípios de 1557, Diogo Pires saiu de Itália para Ragusa, hoje Dubrovnik.

Dubrovnik (ex-Ragusa) e
ra na altura uma pequena república independente, que fazia a ponte entre a Europa e o Império Turco, onde se integrava a actual Bósnia. Ali ficou até à morte, em 1599, de tal modo que é praticamente considerado na Croácia como um poeta nacional.

Durante muito tempo, foi quase ignorado em Portugal, se exceptuarmos a curta referência da Bibliotheca Lusitana (que considera pessoas diferentes Diogo Pires e Flávio Jacobo) e o manuscrito de D. Frei Fortunato de São Boaventura, citado na bibliografia.

Os Padres António dos Reis e Manuel Monteiro apenas referem o seu nome a págs. 33 (nota 26) do 1.º volume do Corpus illustrium poetarum lusitanorum, qui latine scripserunt, publicado em 1745-1748, porque o confundiram com Luis Pires, que é quem é mencionado, como se disse acima, na Epistola ad Ignatium de Moraes, de Pedro Sanches.
Mas a poesia de Diogo Pires está ausente dos oito volumes da obra.

O poeta começou a merecer mais atenção a partir dos anos 1960, nomeadamente com a investigação e a docência do Prof. Américo da Costa Ramalho.

Dedicaram-se especialmente ao estudo do poeta o Prof. Carlos Ascenso André, de Coimbra, e agora o Prof. António M. Lopes Andrade, de Aveiro.

A quê ou a quem dedicou Diogo Pires as suas poesias?
Naturalmente aos amigos, à beleza das mulheres, aos grandes do seu tempo, em especial de Ragusa (onde viveu exactamente metade da sua vida), como era habitual naquela época.
Mas uma grande parte da sua poesia canta a saudade de Portugal e a tristeza do exílio forçado.

Tem inveja de André de Resende (Lúcio), porque este pôde fazer a sua carreira de escritor e poeta em Portugal.

Morreu solteiro, mas nem por isso deixou de cantar a beleza feminina.

Aquilino Ribeiro chamou-o “judeu errante e pinga-amor” no título do pequeno ensaio que lhe dedicou (Portugueses das Sete Partidas, 1969, págs. 193-222).

Foi injusto em fazer pouco do poeta, ele tinha toda a razão para ser sentimental.
Felizmente, o texto de Aquilino não é tão pejorativo como o título faz crer.

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Muito se tem dito e escrito sobre a morte de el-Rei D. Sebastião, ensinado nas nossas escolas que morreu na fatídica Batalha de Alcácer Quibir, naquele dia 4 de agosto de 1578.

Curiosamente, em conversa com alguns letrados marroquinos, no ensino local é referenciado que el-Rei D. Sebastião, o Rei português da Batalha dos 3 Reis (como é denominada em Marrocos), não morreu na batalha mas que seu corpo foi encontrado num rio próximo.

Seja como for, vários autores ao longo dos tempos têm investigado a “morte” de el-Rei D. Sebastião e produzido livros sobre o assunto.

A investigadora Maria Luísa Martins da Cunha defende no terceiro volume de ‘Grandes Enigmas da História de Portugal’ que el-Rei foi preso em Itália, já após a batalha de Alcácer Quibir com a cumplicidade dos espanhóis.

O facto é que el-rei D. Sebastião se apresentou em Roma para reclamar junto ao Papa a “restituíção” do Reino de Portugal cujo trono tinha sido tomado pela dinastia filipina espanhola, por falta de descendentes directos de D. Sebastião.

D. Sebastião empregara uma parte significativa da riqueza do Império Português para equipar uma grande frota e reunir um grande exército.

Este incluía 2.000 voluntários de Castela (liderados por Alonso de Aguilar), 3.000 mercenários vindos da Alemanha e da Flandres (comandados por Martim da Borgonha) bem como 600 italianos inicialmente recrutados para ajudar uma invasão da Irlanda sob a liderança do Inglês Thomas Stukley, bem como o auxílio em armas e munições.

Serve isto para falar na sucessão de falsos sebastião que existiram, três ou quatro, para dor de cabeça dos filipes de Espanha – com início em Filipe I de Portugal desde as cortes de Tomar em 1581 -, que logo mandavam prender e até executar, do último tem-se notícia de um italiano enforcado em 1619.

Mas será que dessas saliências recorrentes e factuais – os falsos sebastião –  não se deve inferir algo?

Na lógica do índice que aponta que não há fumo sem fogo, uma recorrência sucessiva ao longo de um largo intervalo de anos de vários simulacros é sintoma de existência continuada – no caso da existência de Sebastião, rei de Portugal, vivo, algures.

Sucede que este enquadramento teórico abriga algo que só há pouco tempo conheci enunciado como factos: são referidos vários breves emitidos por papas diferentes a reconhecer Sebastião como legítimo rei de Portugal na presença de cardeais, ao longo de cerca de três décadas, e no último declarando-se o rei casado e com descendência [v. 6].

Ora junte-se a isto o retrato da galeria dos Azuis, a que se atribui a data de c. 1600 e de que há notícia existirem cópias.

No total faz pelo menos quatro factos (três breves e um quadro) que provam que Sebastião sobreviveu a Alcácer Quibir, ou então são todos falsos, o que parece absurdo.

Na hipótese de qualquer desses quatro documentos ser verdadeiro ou falso jogando com a máxima incerteza ou ignorância, supondo-os acontecimentos independentes, a probabilidade de serem todos falsos é de cerca de 6 em 100, e ao invés a probabilidade de ser pelo menos um verdadeiro e Sebastião ter sobrevivido a Alcácer Quibir é de cerca de 94 em 100. Quer isto dizer que a balança cega inclina-se 15:1 para o lado de que Sebastião sobreviveu a Alcácer Quibir.

Um breve apostólico ou breve pontifício é um tipo de documento circular assinado pelo Papa e referendado com a impressão do Anel do Pescador, que geralmente tem um comprimento menor e uma importância inferior aos demais documentos pontifícios, como a bula, a encíclica ou a carta apostólica.

Refere em geral actos administrativos da Santa Sé.

Geralmente pelo seu tamanho, não contém nem preâmbulo, nem prefácio e refere-se a um só tema; por exemplo, o Papa Paulo VI anunciou mediante um breve o encerramento do Concílio Vaticano II em 8 de dezembro de 1965.

Os breves surgiram como documentos pontifícios a partir do século XV, durante o pontificado de Eugénio IV e distinguem das bulas, por serem instrumentos destinados a comunicar resoluções com mais rapidez e menos formalismos que as bulas, tendo menores requisitos.

Os minutanti (especialistas membros da Cúria Romana) encarregues da preparação de breves formam um departamento separado sob a presidência de um cardeal equivalente ao antigo ofício de paladino, o Cardeal Secretário dos Breves, tendo como seu substituto o Secretário dos Breves Latinos e Breves aos Príncipes (cujo cargo é de um prelado).

Quando no início do século XX o Secretariado dos Breves foi colocado sob a direcção do Cardeal Secretário de Estado, os escritórios deste departamento foram transferidos para o Palácio do Vaticano e ficaram nas salas desocupadas da antiga galeria de pintura.

BREVE DO PAPA URBANO VIII com referencias aos anteriores BREVES dos PAPAS CLEMENTE VIII E PAULO V

«Urbano VIII por Divina Providencia Bispo de Roma, Servo dos Servos de Deus. A todos os Arcebispos e Bispos e pessoas constituidas com dignidade que vivem debaixo do amparo da Igreja Catholica, em especial aos do Reyno de Portugal e suas conquistas, saude e paz em Jesus Christo nosso Salvador que de todos é verdadeiro remedio e salvaçaõ: Fazemos saber que por parte do nosso filho D. Sebastião Rey de Portugal nos foi aprezentado pessoalmente no Castello de Sancto Angelo duas sentenças de Clemente Outavo e Paulo Quinto nossos antecessores, ambas encorporadas, em que constava estar justificado largamente ser o proprio Rey e nesta conformidade estava sentenciado para lh’o largar Felipe 3.o Rey de Hespanha, ao que não quiz nunca satisfazer; pedindo-nos agora tornassemos de novo a examinar os processos, e constando ser o proprio o mandassemos com effeito investir da posse do Reyno, pois tinha filhos e mulher, e não podia perder seus direitos, que prejudicava a seus herdeiros, o que mandamos brevemente e por extenso vêr como convinha em cazo de tanta importancia; e considerando como nos convem julgar e detreminar a cauza dos Principes christãos, mandando dar vista a Felipe Quarto que hoje vive, cometendo a cauza ao Imperador, e a ElRey de Inglaterra e a ElRey de França, com o que se passou e se resolveu que lhe desse posse do Reyno de Portugal; e hora por parte do dito Rey D. Sebastião nos foi pedido pozessemos o cumpra-se na sentença, e mandassemos passar nosso Breve Appostolico com excommunhão rezervada a nós para que nenhum fiel christaõ lhe impida sua posse, nem tome armas offensivas contra elle e seus soldados e Ministros; e vendo nós com os nossos Cardiaes do nosso Conselho sua justiça, com maduro conselho lh’o concedemos: pelo que vos mandamos que depois da notificação desta a nove mezes primeiros seguintes que assignamos pelas trez canonicas admoestaçoens, dando repartidamente trez mezes por cada canonica admoestaçaõ, termo peremptorio, tanto que vos for apresentado e da minha parte mandado, façaes por vossos religiosos assim Seculares como Regulares publicar-se nos pulpitos das egrejas e praças publicas que …[parte ilegível pela humidade do original]. Dada em esta Curia Romana sob o signal do Pescador aos 20 de outubro de 1630.»

 

 

(em actualização)

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Roma como sede da Igreja Católica era para todos os países católicos um espaço de afirmação do seu poder.

Os italianos cedo de aperceberam disso, investido na nomeação de papas, utilizando o Vaticano como um fonte de informação, receitas e poder no plano mundial.

Dos 262 papas, 210 nasceram na Itália, 16 eram franceses, 12 do antigo mundo grego, 6 da Síria e 3 da Palestina, 5 da Alemanha, 3 da Espanha, 3 de África e 1 de Portugal (João XXI), Inglaterra, Holanda e Polónia. Entre 1522 e 1978 todos os papas foram italianos.

Nos arquivos do Vaticano existe um vastíssimo espólio sobre Portugal, mas também sobre as suas antigas possessões no mundo.

As relações entre Portugal e o Vaticano nem sempre forma pacíficas, ocorrendo ao longos dos séculos frequentes rupturas diplomáticas.

Independência de Portugal

No século XII o último acto do reconhecimento internacional de um país passava pela da Santa Sé.

Em 1143 é reconhecida a Independência de Portugal, mas não pela Santa Sé.

D. Afonso Henriques bem afirmou a sua obediência ao papa e tenha colocado o reino sob a protecção de S. Pedro e da Santa Sé.

A Verdade é que a Santa Sé, só depois de avaliar as vantagens que poderia daí obter deste reconhecimento, assim como verificar a irreversibilidade da própria independência a reconheceu em 1179 (Bula Manifestis Probatum, do Papa Alexandre III).

Portugal passou a integrar o grupo restrito dos reinos cristãos da Europa. Tudo passou pelo dinheiro e assim continuou ao longo dos séculos.

Padroado

Em meados do século XV a Santa Sé delegou em Portugal a administração da Igreja no seus domínios africanos e depois no Oriente.

O padroado português do Oriente só terminou no final do século XX.

D. Sebastião, REI DE PORTUGAL

Foi-nos ensinado na Escola que o nosso Rei D.Sebastião desapareceu na Batalha de Alcácer Quibir e que ficou conhecida pela Batalha dos 3 Reis.

Com o dito “desaparecimento” de D. Sebastião, e sem que este tivesse deixado descendência, a Coroa Espanhola apoderou-se o Trono português através de Filipe I.

A HISTÓRIA QUE, PELOS DOCUMENTOS ENCONTRADOS NO ARQUIVO DO VATICANO se apresenta como VERDADEIRA é que o Rei D. Sebastião NÃO MORREU NEM DESAPARECEU na Batalha de Alcácer Quibir, mas foi afastado meticulosamente pelo Reino de Espanha que finalmente conseguia por vias obscuras e pouco sérias, como lhe era habitual, apoderar-se do Reino de Portugal que muitas derrotas tinha infligido às forças espanholas.

A HISTÓRIA DE D. SEBASTIÃO pode ser LIDA AQUI

Ocupação Espanhola (1580-1640)

Os diversos papas no séculos XVI e XVII estavam em grande parte dependentes dos recursos financeiros espanhóis.

Foi por este motivo que o reconhecimento da restauração da Independência de Portugal (1640) tenha sido um processo muito lento e que exigiu muito dinheiro.

O papado só acedeu a este reconhecimento depois dos portugueses terem várias vezes derrotado as tropas espanholas, e sido assinado um tratado de paz (1468).

Durante este longo período a Santa Sé recebeu rios de dinheiro da Espanha para adiar a decisão.

Barretes cardinalícios

Manietados pela Espanha os papas tentaram por todos os meios impedir a afirmação independente da Igreja Católica em Portugal.

Uma questão diplomática relevante para a época.

Em 1728 D. João V acabou por corta relações com o Vaticano porque o Papa não havia concedido o barrete cardinalício ao Núncio em Lisboa.

O enviado português André de Melo e Castro, retira-se imediatamente de Roma, sendo expulsos de Portugal todos os súbditos do Papa.

As relações só são reatadas dez anos depois, tendo em 1748 o Papa Bento XIV concedido a D. João V o título de Fidelíssimo.

1ª. República

A república implantada em 1910 era profundamente anti-clerical, conduzindo pouco depois ao corte de relações diplomáticas.

Concordata

A implantação de uma ditadura em Portugal (1926), abriu as portas para um novo entendimento com o Vaticano.

Em 1940 era assinada a célebre Concordata.

O catolicismo foi definido como a religião oficial do país, sendo dada à Igreja Católica condições excepcionais de funcionamento.

Guerras Coloniais

Em 1970 o papa Paulo VI recebe no Vaticano os movimentos de libertação que lutavam em África pela independência de Portugal.

O ditador Marcelo Caetano manda regressar a Lisboa o embaixador português na Santa Sé (Vaticano).

Liberdade Religiosa

O derrube do regime vigente, em 1974, instaurou a liberdade religiosa no país.

Um processo que nunca mais parou de se aprofundar desde então.

Entre as diversas confissões religiosas a Igreja Católica continua a ser predominante, embora sem a influência que desfrutou no passado.

Em 2004 Portugal e o Vaticano assinaram uma nova concordata, respeitando o princípio da liberdade religiosa.

 

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Nos séculos XVI e XVII, milhares de portugueses cristãos-novos (judeus) refugiram-se em Itália onde constituíram importantes comunidades em cidades como Veneza, Ferrara, Ancona, Florença e Roma.

A maioria nunca perdeu a sua ligação a Portugal.

Estes portugueses, sobretudo depois da eleição do papa Paulo IV (1555) foram alvo de constantes perseguições.

Os de Ancona terão sido os que mais sofreram.

Henrique Pires (Isaac Cohen) foi queimado nos autos-de-fé que ocorreram entre 7 e 12 de Junho de 1556, o seu filho – o poeta Diogo Pires, natural de Évora (1517-1599) teve que fugir para Dubrovnik que era na altura uma pequena república independente, que fazia a ponte entre a Europa e o Império Turco, onde se integrava a actual Bósnia.

Ali ficou até à morte, em 1599,  de tal modo que é praticamente considerado na Croácia como um poeta nacional.

Durante muito tempo, foi quase ignorado em Portugal, se exceptuarmos a curta referência da Biblioteca Lusitana (que considera pessoas diferentes Diogo Pires e Flávio Jacobo) e o manuscrito de D. Frei Fortunato de São Boaventura.

Os Padres António dos Reis e Manuel Monteiro apenas referem o seu nome a págs. 33 (nota 26) do 1.º volume do Corpus illustrium poetarum lusitanorum, qui latine scripserunt, publicado em 1745-1748, porque o confundiram com Luis Pires, que é quem é mencionado, como se disse acima, na Epistola ad Ignatium de Moraes, de Pedro Sanches.

Mas a poesia de Diogo Pires está ausente dos oito volumes da obra.

O poeta começou a merecer mais atenção a partir dos anos 1960, nomeadamente com a investigação e a docência do Prof. Américo da Costa Ramalho.

Dedicaram-se especialmente ao estudo do poeta o Prof. Carlos Ascenso André, de Coimbra, e agora o Prof. António M. Lopes Andrade, de Aveiro.

As nossas bibliotecas também não têm os seus livros (só na B. da Ajuda se pode encontrar o Cato Minor, de 1596 – mas há outro na de Évora).

Já as bibliotecas italianas têm muitos exemplares, mas todos os estudiosos do poeta tiveram que se deslocar a Dubrovnik.

Há ainda um manuscrito em Dubrovnik, em grande parte ainda inédito, pois só uma parte foi publicada em 1811 por Urbano Appendini.

Foram esses os poemas traduzidos pelo Prof. Carlos Ascenso André na sua Antologia Poética (1983).

Uma constante da vida de Diogo Pires foi a amizade com João Rodrigues, de Castelo Branco, o Amatus Lusitanus.

Estiveram por várias vezes juntos em Itália e depois, cerca de ano e meio, em Ragusa (Dubrovnik) (1557-1558).

 

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Pádua é uma cidade que vive à custa de um Santo que não é de Pádua nem tão pouco italiano.

Santo António é português, nasceu e cresceu em Lisboa, e por ter morrido em Pádua não faz dele um Santo de Pádua, o que aliás acontece com João Paulo II, nascido na Polónia e tendo morrido no Vaticano não faz dele um Santo do Vaticano, mas sim um Santo polaco.

Vem isto a propósito de toda a parafernália que em Pádua, na Basílica do “dito” Santo António de Pádua.

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Quando estava a visitar o local da sua sepultura e na fila para tocar o seu túmulo e mais tarde para ver as suas relíquias apeteceu-me gritar…. SANTO ANTÓNIO É PORTUGUÊS, TUGA, ALFACINHA, NÃO TEM NADA DE PÁDUA NEM DE ITALIANO !!!!

Mas ao redor da Basílica e pela cidade é como se o Santo António fosse deles.

PERGUNTA: O que já fez a Câmara da cidade de Lisboa para reaver o SEU santo?

Em vez de andarem preocupados em destruir tudo o que enalteça a História de Portugual, como destruir calçadas à antiga portuguesa, os jardins da praça do império e sabe-se lá mais o quê…tudo é possível de vereadores dementes da Câmara de Lisboa, deveriam estar a promover um debate internacional e reaver o seu Santo, ou Santo António só serve para os casamentos de circunstância e para a noite da sardinhada?

 

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Poderão perguntar: O que tem Veneza a ver com a História de Portugal?

Resposta: Muito, por 2 factores principais:

  • Portugal foi o responsável pelo declínio da potência económina que era a República Serenissíma de Veneza;
  • Em Veneza esteve preso o Rei D. Sebastião que, como está documentado em escritos papais não morreu em Alcácer Quibir, mas apresentou-se no Estado papal para reclamar o seu Reino de Portugal que Castela “tinha tomado de assalto” através de Filipe I, numa operação que demonstra a sacanagem de Castela para com Portugal. Nnum futuro próximo abordarei este tema

Vamos à ascenção e queda da República Sereníssima de Veneza

Por mais de um milênio, Veneza foi capital da Sereníssima República de Veneza, cujo território, no ano da sua queda (1797), incluía grande parte do nordeste da atual Itália e da costa oriental da península, bem como das ilhas do Adriático.

Tornou-se uma potência comercial a partir do século X, quando sua frota já era uma das maiores da Europa.
Foi uma das cidades mais importantes da Europa, com uma história rica e complexa e um império de influência mundial comandado pelos doges, os líderes da cidade.

Como cidade comercial, tinha várias feitorias (Stato da Mar), como o Senhorio de Negroponte e a cidade de Dirráquio (atual Durrës), assim como ilhas inteiras: Creta, Rodes, Cefalônia e Zante, por exemplo, e controlava várias rotas comerciais no Levante.

O historiador Fernand Braudel classificou Veneza como a primeira capital econômica do capitalismo.

A descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama (1498) deslocou a rota de comércio de especiarias que passava por Veneza para a cidade de Lisboa, tornando-se esta o maior entreposto de especiarias na Europa.

A República Sereníssima de Veneza lutou contra os Otomanos e aliou-se a eles para lutar contra os portugueses, em vão.

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Rainha de Portugal pelo seu casamento com o rei D. Luís I.

Nasceu em Turim a 16 de Outubro de 1847, sendo filha de Victor Manuel, então príncipe do Piemonte, mas que mais tarde, em 1849, foi aclamado rei de Sardenha, e em 1867, rei da Itália.

Sua mãe era a arquiduquesa D. Maria Adelaide Francisca Reinero Elisabete Clotilde, que faleceu em 1854, deixando sua filha, a princesa senhora D. Maria Pia, apenas com 7 anos de idade, entregue aos cuidados da condessa de Vila Marina, que esmeradamente a educou.

Em 1862 foi pedida em casamento, pelo rei D. Luís I, indo a Turim com esse encargo, em especial missão, o visconde da Carreira, que nessa ocasião foi agraciado com o título de conde. Acompanhou-o Luís António de Abreu e Lima, camareiro-mor e official-mor da Casa Real.
O ilustre diplomata ia também encarregado de ajustar o contrato matrimonial.
Chegou a Turim a 3 de Agosto de 1862, sendo o contrato assinado no dia 9 do citado mês.
O rei de Itália dava 500.000 francos de dote a sua filha, 100.000 para o enxoval, e jóias no valor de 250.000.
O dote devia ser entregue ao tesouro português vencendo o juro de 5 % ao ano, pago em trimestres, ou empregado em bens de raiz, dando o rei de Portugal em hipoteca ao dote de sua esposa a parte dos rendimentos do Estado que fosse suficiente para isso.

O casamento realizou-se em Turim por procuração, em 27 de Setembro do mesmo ano de 1862, sendo o rei D. Luís I representado pelo príncipe Carignan de Sabóia, lançando a bênção nupcial o arcebispo de Génova.
No dia 29 embarcou a jovem rainha de Portugal, em Génova, a bordo da corveta Bartolomeu Dias, partindo para Lisboa acompanhada pelas corvetas Estefânia e Sagres, e pelas corvetas italianas Maria Adelaide, Duque de Génova, Itália, Garibaldi, e o vapor aviso Anthion.

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A esquadra chegou a Lisboa a 5 de Outubro, indo esperá-la fora da barra os vapores de guerra Lince e Argos, os vapores de comércio D. Antónia, D. Luís, Açoriano e Torre de Belém.
A corveta Bartolomeu Dias fundeou em frente de Belém, indo logo a bordo o rei D. Luís I, o rei D. Fernando, o conselho de Estado, ministério, etc.
Para o desembarque da rainha, que se efectuou no dia 6, construiu-se um rico e vistoso pavilhão no Terreiro do Paço, representando o templo do Hymineu, tendo na parte do friso as seguintes inscrições feitas por António Feliciano de Castilho.
Do lado do norte:

DA BELLA ITÁLIA ESTRELLA SOBERANA
SEJAES BEM VINDA À PRAIA LUSITANA

do lado do sul:

FILHA DE REIS HEROES, DE REIS HEROES ORIGEM
EM NOVA ITALIA OS CEUS THRONO D’AMOR TE ERIGEM

No dia 6, pelo meio-dia, embarcou o rei D. Luís I no bergantim real, indo a Belém buscar a rainha.
Concluída a cerimónia no Terreiro do Paço, que foi brilhante e entusiástica, dirigiu-se o grandioso cortejo para a igreja de S. Domingos, onde se procedeu à cerimónia da ratificação do casamento e se cantou um solene Te Deum, composição do maestro Manuel Inocêncio dos Santos.
Em comemoração do real consórcio realizaram-se festas durante três dias, havendo brilhantes iluminações, tanto nos edifícios públicos, como em muitas casas particulares, produzindo grande efeito as do Terreiro do Paço e da praça de D. Pedro.
Houve parada, fogos de artifício, récitas de gala no teatro de D. Maria, com o drama histórico em 5 actos, de Mendes Leal, Egas Moniz, e no de S. Carlos, cantando se opera Ernani, de Verdi.

A rainha Senhora D. Maria Pia conservou-se sempre alheia aos acontecimentos políticos durante o reinado de D. Luís I. Só quando se deu a revolta de 19 de Maio de 1870, à noite, indo o marechal duque de Saldanha, à frente dos revoltosos cercar o palácio da Ajuda intimando a demissão do ministério presidido pelo duque de Loulé, é que a varonil soberana afirmou notavelmente a sua energia e coragem proferindo “Se eu fosse o Rei, mandava-o fuzilar!” (V. neste volume, pág. 219 e seguintes, artigo dedicado a D. Luís I).
Mais tarde, a 2 de Outubro de 1873, achando-se a banhos em Cascais, e tendo ido passear com seus filhos ao longo da costa, até ao sitio chamado Mexilhoeiro, correu grande perigo a sua existência. Vendo uma onda arrebatar os príncipes, a heróica rainha lançou-se imediatamente ao mar para os salvar, e seria irremediavelmente vitima da sua dedicação maternal, se não viesse em seu auxilio e dos príncipes o ajudante do faroleiro da Guia, António de Almeida Neves, que conseguiu arrastar para terra a rainha e seus filhos.
Por este acto foi a soberana agraciada com medalha d’ouro concedida ao mérito, filantropia e generosidade, por carta régia de 3 de Outubro de 1873, sendo também recompensado o heróico salvador com uma condecoração e uma pensão vitalícia.

O Inverno de 1876 foi rigorosíssimo, produzindo grandes inundações, que deram origem a enormes desgraças, ficando muitas famílias na miséria.
Por iniciativa da bondosa rainha organizou-se logo uma comissão para angariar donativos, a qual se compunha dos seguintes senhores, alguns dos quais já hoje não existem: Cardeal Patriarca D. Inácio, duque de Palmela, conde de Rio Maior, Francisco de Oliveira Chamiço, Carlos Ferreira dos Santos e Silva, António José de Seixas, Flamiano Lopes dos Anjos, Pereira de Miranda, duque de Loulé, marquês de Ficalho, visconde Ribeiro da Silva, Martens Ferrão, visconde de Valmor, e as senhoras: duquesa de Ávila, condessas de Sousa Coutinho, Rio Maior e Ficalho, viscondessas da Gandarinha e Porto Covo; D. Gabriela de Sousa Coutinho, D. Maria Teresa de Assis Mascarenhas, D. Maria Palha Brandão, D. Capitolina Viana e D. Maria do Patrocínio Barros Lima Eugénio de Almeida. Os donativos recebidos ascenderam a mais de réis 200.000$000, formando a rainha um fundo especial com que depois foi socorrendo muitas famílias vítimas da dureza dos Invernos.
Na sessão da câmara dos deputados de 9 de Janeiro de 1877, o deputado da oposição Osório de Vasconcelos exaltou a iniciativa da rainha, propondo o deputado Barros e Cunha que a câmara «prestando à caridosa iniciativa de que sua majestade a rainha houve por bem usar, em beneficio das vitimas das inundações, a homenagem que lhe deve em nome do povo que representa, resolve que este voto seja lançado na acta das sessões, e que uma grande deputação deponha aos pés da augusta princesa o tributo do seu reconhecimento.»
A câmara dos pares votou também proposta idêntica, na sessão de 8 de Janeiro. A sociedade francesa de L’encouragement au bien conferiu à rainha senhora D. Maria Pia a grande medalha de honra, na sessão de 27 de Maio de 1877.
Quando neste ano de 1877 a fome afligiu os povos do Ceará (Brasil) em consequência das grandes secas que ali houve, a bondosa soberana propôs, e foi aprovado, que do cofre dos inundados se retirasse a quantia de 36.000$000 réis, destinada a socorrer as infelizes vitimas daquela calamidade.

Foi a rainha senhora D. Maria Pia quem fundou na Tapada da Ajuda a Creche Victor Manuel, que se inaugurou em 1 de Novembro de 1878, construindo-se um edifício próprio para aquele fim.

TEATRO BAQUET - INCÊNDIO - GRAVURA

Quando circulou em Lisboa a noticia da lamentável desgraça do incêndio do teatro Baquet do Porto em Março de 1888, a rainha senhora D. Maria Pia partiu imediatamente no comboio só com seu filho numa noite de temporal, vestida de luto, porque de luto estava aquela cidade, para juntar as suas lágrimas às de tantos infelizes, e não se lembrando de que era rainha para só se lembrar de que era mulher, correu pelas vielas mais sórdidas do Porto, e becos escuros, a levar conforto a desgraçados que agonizavam, distribuindo esmolas a todos os infelizes que encontrava.
Ali no Porto foi aclamada como mãe dos pobres e anjo de caridade, titulo que já de há muito tempo havia conquistado pela sua beneficência.

Viu depois falecer seu marido, o rei D. Luís I, em 19 de Outubro de 1889, em Cascais, o que lhe causou profundíssimo desgosto, e em 1 de Fevereiro de 1908 sentiu a dolorosa perda de seu filho, o rei D. Carlos I, e de seu neto, o príncipe real D. Luís Filipe, vitimas da horrorosa tragédia, ao desembarcar em Lisboa, regressando de Vila Viçosa, onde a família real havia passado algum tempo.
Sua majestade a rainha Senhora, D. Maria Pia foi regente do reino por duas vezes: a primeira, em 1902, quando o rei D. Carlos e a rainha Senhora D. Amélia foram visitar o rei de Espanha; e a segunda, em Dezembro de 1904, indo os mesmos soberanos a Inglaterra a convite do rei Eduardo VII.
É grã-mestra da ordem de Santa Isabel, grã-cruz da de N. S.ª da Conceição; condecorada com a ordem das Damas Nobres de Maria Luísa, de Espanha; presidente e protectora de muitas corporações de beneficência do reino, e especialmente da Associação das Creches, etc.

Com a implantação da república, em 5 de outubro de 1910, Sua majestade a rainha Senhora Maria Pia seguiu para o exílio, mas não junto aos restantes membros da família real. Partiu para o seu Piemonte natal, onde viria a falecer no ano seguinte, a 5 de julho de 1911.

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Foi sepultada no panteão real dos Saboias na Basílica de Superga, em Turim.
Momentos antes de expirar, pediu que a voltassem no leito na direção de Portugal, país onde permanecera durante quarenta e oito anos.

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Espera ainda hoje que seja cumprido o seu último desejo, o regresso a Portugal, onde possa descansar em paz junto do marido, dos filhos, dos netos e da restante família.

É o único membro da família real exilada que não voltou para Portugal.

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Se Portugal cedo procurou na Inglaterra uma aliada estratégica contra as investidas de Castela e depois da Espanha, também o fez junto dos italianos. Por esta e outras razões, os naturais de Itália foram sempre aqui protegidos.

Casamentos Reais

Um dos primeiros actos simbólicos desta ligação geo-estratégica foi feita por D. Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal), em 1146, quando casou com Dona Mafalda filha da Casa de Sabóia (nobres da região de Piemonte, Itália). Outras rainhas de Portugal tiveram origem na mesma casa: Maria Francisca Isabel de Sabóia que foi casada com Afonso VI e depois com o seu irmão Pedro II.

Carlos Alberto de Savoia-Carignamo (1798-1849), rei da Sardenha-Piemonte, após ter sido derrotado pelos austriacos em Março de 1849, em Novara, vem refugiar-se na cidade do Porto (Portugal), onde faleceu a 28 de Julho deste ano, na Quinta da Macieirinha, o actual Museu Romântico. O seu filho foi o 1º. rei de Itália – Víctor Manuel II . A princesa D.Maria Pia, filha deste rei italiano, em 1861, casou com D. Luis I rei de Portugal. O Império brasileiro (1821-1889) irá seguir a mesma política de alianças com a Itália.

O último rei de Itália – Vítor Emanuel III, após a proclamação da República em Itália (1946) refugiu-se em Cascais (Portugal) onde viveu durante muitos anos.

Ajuda Militar

Nos séculos XIV e XV, Portugal protegeu os navios mercantes italianos dos piratas e corsários no Atlântico. Entre os séculos XV e XIX, por diversas vezes mandaram expedições militares a Itália para os ajudar na guerra contra o Império Otomano. Os venezianos, na 1ª. metade do século XVI, sentido na expansão dos portugueses pelo Oriente uma séria ameaça ao seu poder económico, apoiaram no Indico a luta dos muçulmanos contra os mesmos.

Italianos em Portugal

Portugal foi durante séculos uma terra de acolhimento para gerações de italianos das mais diversas regiões.

Os Genoveses, Florentinos, Venezianos desde o século XIV tinham em Portugal importantes comunidades de mercadores. Era tal a sua dimensão e prosperidade que, em Lisboa, no ano de 1517, mandaram construir em Lisboa uma igreja própria – a Igreja do Loreto.

Entre finais do século XVI e o século XIX, inúmeros artistas italianos trabalharam em Portugal (pintores, escultores, arquitectos, músicos e cantores).

No século XX criaram em 1936 o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, cuja actividade se centrou no inicio na propaganda política (fascista). Três anos depois é lançada a revista Estudos Italianos em Portugal. Em 1941, os italianos estão também ligados à criação Teatro-Estúdio do Salitre, em Lisboa, um grupo de experimental com grande repercussão no meio teatral da época.

Portugueses em Itália

Roma, Florença, Siena, Pádua, Pisa, Veneza, Génova e muitas outras cidades italianas possuem também testemunhos de uma intima ligação cultural e económica entre os dois povos. A Itália foi sempre para os portugueses uma terra de peregrinações, estudo e de relações diplomáticas no seio da Igreja Católica.

A circulação de portugueses pela Itália, devido a assuntos religiosos foi sempre uma constante ao longo dos séculos. A partir do século XV passaram a ter em Roma estruturas permanentes para os acolher. Ainda hoje o Estado português (laico) continua a financiá-las, por uma questão de tradição.

No século XVI, surge uma outro motivo para os portugueses viajarem até Itália: os estudos artísticos (pintura, escultura e música). Francisco de Holanda, por exemplo, foi um dos muitos bolseiros portugueses que ao longo dos séculos foram estudar para Itália. Partiu para Roma no âmbito da política cultural de D. João III, em 1537. Esta prática manteve-se até aos nossos dias, embora hoje sem a expressão e importância que em tempos existiu e lhe foi dada.

Comunidades de Judeus Portugueses. No século XVI e XVII, milhares de portugueses cristãos-novos (judeus) refugiram-se em Itália onde constituíram importantes comunidades em cidades como Veneza, Ferrara, Ancona, Florença e Roma. A maioria nunca perdeu a sua ligação a Portugal.

Estes portugueses, sobretudo depois da eleição do papa Paulo IV (1555) foram alvo de constantes perseguições. Os de Ancona terão sido os que mais sofreram. Henrique Pires (Isaac Cohen) foi queimado em 1566, o seu filho – o poeta Diogo Pires, natural de Évora (1517-1599) teve que fugir para Dubrovnik (Rugosa), na actual Croácia, para não ser igualmente morto.

Florença. Igreja de São Miniato do Monte (Chiesa di San Miniato al Monte).
Na nave central ergue-se a capela do cardeal D. Jaime de Portugal, cujo túmulo é uma notável obra renascentista (1461-66). (ver Foto)

Pádua.
Igreja de Santo António, onde se veneram as relíquias deste santo franciscano que nasceu e estudou em Lisboa e Coimbra. A difusão mundial do seu culto deve-se aos marinheiros portugueses.

Roma.
Em diversas Igrejas de Roma podem admirar-se obras de ilustres cardeais portugueses: Túmulo de Dom Antão Martins de Chaves, na Basílica de São João de Latrão; O tumulo do cardeal D. Jorge Costa, “o alpedrinha”, na Igreja de Santa Maria do Populo (Chiesa di santa maria del popolo); O túmulo do cardeal D. Pedro Fonseca nas catacumbas do Vaticano; etc.

Nesta cidade, entre os monumentos funerários de portugueses são ainda de destacar no século XVII duas capelas: a Capela Fonseca, na Igreja de S. Lourenzo in Luciano, executada por Bernini (Gabriel da Fonseca foi médico do Papa Inocêncio X); Capela da Sylva, na Igreja de Santo Isidoro, também feita por Bernini (Rodrigo Lopes da Silva, cavaleiro de Santiago e a sua mulher Beatriz da Silveira -Condessa da Silva mandaram construir esta capela para eles e os seus descendentes, trata-se de uma familia de ricos cristãos-novos).

Pisa.
Foi em Itália que trabalhou o primeiro pintor português conhecido – Álvaro Pires. A sua obra está bem documentada em Pisa, Volterra e Florença entre 1411 e 1434. Vasari, o principal biógrafo dos pintores do Renascimento chama-lhe Alvaro di Piero di Portogallo. Na Universidade de Pisa destacaram-se muitos professores portugueses

Viterbo.
Nesta cidade morreu a 20/7/1277, Pedro Julião (1215-1277), mais conhecido por João XXI, o único papa português. Quando visitava as obras de um aposento que mandara fazer, o tecto caiu-lhe em cima e matou-o.

Século XIX / XX

As ligações entre os dois países foram sobretudo políticas e religiosas. A Carbonária italiana de Garibaldi inspirou a carbonária portuguesa que esteve na origem da implantação da República em Portugal (1910). A própria ditadura (1926-1974) inspirou-se na doutrina do Estado Corporativo de Benito Mussolini (ditador Italiano).

Todos os anos muitos milhares de portugueses visitam a Itália em turismo ou integrados em peregrinações religiosas. Número estimado de emigrantes portugueses: 5.741 (dados de 2004).

 

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Tunes (ou Túnis) foi entre o século XIV e princípios do XIX um dos maiores centros de pirataria do Mediterrâneo, com contínuas incursões pelo Atlântico.
Portugal organizou ou participou em muitas expedições armadas contra os seus piratas e corsários. 

Entre as muitas acções do século XVI, destaca-se em 1535, o apoio dado a Carlos V na conquista desta cidade, com uma armada portuguesa comandada por António de Saldanha.
Em Outubro de 1799 uma esquadra portuguesa ataca o porto Tunes.  

A partir de finais do século XV, a Tunísia tornou-se na pátria de exílio para milhares de judeus portugueses e espanhóis que aí se refugiaram devido às perseguições religiosas que eram vítimas.

Entre estes judeus conta-se Abraão Zacuto, astrónomo de D. João II.
Em Tunes, Zacuto escreveu aHistória dos Judeus, desde a Criação do Mundo até 1500, assim como vários tratados astronómicos.
Esta comunidade de judeus portugueses chegou até ao século XX, quando foi devastada por novas vagas de perseguições religiosas.

Na segunda metade do século XX os dois países voltam a cruzarem-se na História.

Após a  independência da Túnisia (1956), este país passou a apoiar activamente a luta contra o colonialismo em África.
Em Janeiro de 1960 realizou-se em Tunes, a IIª. Conferência dos Povos Africanos, onde o presidente tunisino (Bourguina) apelou à luta armada contra a presença dos portugueses em África.
Em Dezembro os seus soldados que estavam no Congo (ex-Zaire) ao serviço da ONU armaram a UPA(antepassado da FNLA), que no dia 15 de Março de 1961 fizeram uma brutal matança de portugueses no norte de Angola.

Milhares de crianças, mulheres e homens foram chacinados, ninguém foi poupado.
Começou desta forma a guerra nas antigas colónias africanas de Portugal. 

Nas últimas décadas a Tunísia é um dos destinos turísticos mais apreciados pelos portugueses.

 

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As relações entre a França e Portugal remontam ao século XI, quando um cavaleiro francês vem para a Península Ibérica e passa a apoiar o desejo de autonomia populações que viviam entre o Douro e o Minho. O seu filho, D. Afonso Henriques será o primeiro rei de Portugal. A partir daqui as relações entre Portugal e a França não pararam de se reforçar, nomeadamente através de casamentos reais e da formação das suas elites culturais.

Ordens Religiosas. 

No século XII estabeleceram-se em Portugal diversas ordens religiosas que eram verdadeiros potentados em toda a Europa. Entre elas sobressai a Ordem de Cister, cuja casa-mãe estava em França. Ao longo dos séculos constituiu um poderoso meio de ligação entre Portugal e este país. 

Casamentos Reais. 

No século XV, destaca-se a figura de Isabel de Portugal, filha de D, João I (1385-1433), casada com Filipe III, o Bom, em 1429. Esta rainha portuguesa teve enorme importância no mecenato artístico na Borgonha. Está sepultada em Dijon. No século XVII, D. Afonso VI e depois o seu irmão D. Pedro II casam-se com uma princesa francesa, filha do Duque de Nemours (Maria Francisca Isabel de Sabóia). No século XIX, D. Carlos casou-se com D. Amélia de Orleães, filha dos condes de Paris, a última princesa da Casa Real de França.

Guerras.

Foram muitas as guerras entre os dois países, a maior parte das vezes como inimigos, mas algumas como aliados. A lógica destas alianças foi quase sempre a seguinte: se Portugal se aproxima da Inglaterra, a França faz o mesmo em relação à Espanha. Se a Espanha se liga à França, Portugal alia-se à Inglaterra. Foi este o verdadeiro equilíbrio do terror que chegou até ao nossos dias. 

Entre as muitas guerras ficaram na memória colectiva as seguintes:

– Séc.XIV : 1383/85: A França apoiou a invasão de Portugal pelos Castelhanos/Espanhóis. Os portugueses receberam o apoio da Inglaterra. 

– Séc. XVI/XVIII: Neste longo período a principal actividade marítima da França foi andar no saque dos navios e populações portuguesas e espanholas, assim como das suas colónias. Os seus piratas e corsários faziam verdadeiras razias na costa portuguesa, dos Açores, Madeira, Cabo Verde e Brasil. 

A França não tinha poder para mais. Foi talvez por isso que se manifestou contra a ocupação espanhola de Portugal (1580-1640) e apoiou, com a Inglaterra, a revolta dos portugueses contra os invasores. Ao enfraquecer a Espanha tornava mais fácil o saque e a eventual conquista das suas colónias. Finda a ocupação, prosseguiu a mesma linha política de aliança com a Espanha, de modo a evitar a reconstrução de Portugal.

– Séc.XVIII: A França por diversas vezes alia-se aos espanhóis (1702-1714, 1762, 1797, etc), Portugal como resposta apoia as incursões dos ingleses em Espanha e França.

– Séc.XIX: 1801-1814. Em 1801 apoiam os espanhóis em nova invasão de Portugal, da qual resultou a usurpação de Olivença. Instalados em Espanha voltam a invadir Portugal entre 1807 e 1813, tendo destruido e roubado o país a mando do ditador Napoleão Bonaparte. Centenas de  milhares de portugueses foram mortos.Só 50 mil morreram à fome durante os cinco meses do cerco de Massena às Linhas de Torres Vedras. Os franceses acabaram por ser derrotados e expulsos com os seus lacaios espanhóis pela população portuguesa e tropas luso-britânicas. Napoleão contou também ao seu serviço como uma Legião Portuguesa (1808 – 1813, que participou nas campanhas assassinas pelas Europa, incluindo a Rússia. 

– Séc.XX: 1916/18. Dado que a Espanha tinha uma posição neutral no conflito, Portugal participa na guerra ao lado da Inglaterra e da França…

 

Comunidade Francesa em Portugal. 

Desde o século  XII que muitos franceses se instalaram em Portugal. Nos séculos XV e XVI a comunidade era muito próspera. Alguns importantes artistas franceses aqui trabalharam. Em Lisboa construiram a Igreja de São Luis dos Franceses (1552 e 1622), junto á qual edificaram um hospital e um colégio para a sua comunidade. A partir do séc. XVIII, verificou-se a vinda de livreiros franceses para Portugal, onde se inclui o nome de Pedro Faure, que viria a fundar a Livraria Bertrand. Durante a Revolução Francesa (1789-1793), vieram também inúmeros exilados políticos franceses, que aqui prosseguem a difusão da sua cultura. O principal fluxo de pessoas era da França para Portugal e não o contrário, uma tendência que se irá alterar no século XX.

Comunidade Portuguesa em França. 

A maioria dos portugueses que íam para França entre o séculos XIII e século XX era para estudar. Pontualmente ocorreram algumas vagas de emigração por razões económicas ou políticas: 

a ) No século XVI muitos capitães, pilotos e cartógrafos e marinheiros portugueses estiveram ao serviço da França, como Pedro Serpa (1525, piloto ao serviços dos normandos), Estêvão Dias (capitão e piloto, conhecido por “Brigas”, em 1526 partiu de Honfleur, na Normandia, para as Molucas pelo Estreito de Magalhães), Pêro Fernandes (D. João III conseguiu afastá-lo de uma nova viagem às Indias Orientais patrocionada por Jean Ango) Jean Alfonse de Saintonge (1484-1544, de origem portuguesa), André Homem (cartógrafo ao serviço de Carlos IX), Bartolomeu Velho, etc. Nesta época foram para França inúmeros Diários de Bordo e mapas portugueses, instrumentos preciosos que permitiram aos piratas e corsários franceses navegarem pelo mundo.

No mesmo ano de 1532, encontrava-se na Flandres um português foragido que se apresentou como piloto, tendo sido muito bem acolhido. D. João de Mascarenhas avisou de imediato D. João III do sucedido, informando o rei da ocorrência de muitos casos similares que “cá no estrangeiro vem muitos destes portugueses que ainda que preguem marinharia falsa como bulas, com serem portugueses lhes dão crédito neste mister de pilotagem”. Ainda durante o reinado de D. João III, o piloto Pero Fernandes foi afastado do envolvimento em nova viagem às Índias Orientais devido à acção do representante da Coroa portuguesa Pero Mascarenhas. É patente a dívida dos monarcas franceses para com os navegantes portugueses que os guiaram na exploração do mundo.

b ) Milhares de judeus portugueses refugiram-se nos século XVI e XVII neste país, constituindo importantes comunidades em BordéusBaiona (Espanha, na fronteira com a França), San Juan de Luz, Biarritz, Bidart, Tartas, Lyon, La Rochelle, Marselha e Rouen

Bordéus, esta comunidade possuia locais próprios de culto, cemitério, dominando o comércio, banca e construção naval. Era muito activa ainda no século XIX.

Ao longo dos séculos membros destas comunidades portuguesas tiveram grande notoriedade pública em multiplos domínios como: Jacob Camille Pizarro (1831 – 1903), pintor impressionista; Pierre Mendes-France (1907 – 1982), político, etc. 

c ) Muitos foram os cientistas, escritores e artistas portugueses que viveram ou se fixaram em França (Ribeiro SanchesAbade Correia da Serra, etc,etc).

d ) Durante a 1ª. Guerra Mundial (1914-1918) e nos anos que se seguiram muitos portugueses fixam-se em França. Nos anos 50 do século XX começou a afluir em massa à França, um novo tipo de emigrantes portugueses. Fugiam a um regime político ditatorial e à miséria que se havia instalado no país.

Cultura

Se a Inglaterra pouca influencia cultural teve em Portugal, o mesmo já não se poderá dizer da França. Foi muito significativa entre o séculos XII e XIV, depois em finais do século XVII, e ao longo de todo o século XIX até às últimas décadas do XX. A influência cultural francesa é hoje muito reduzida, sobretudo nas camadas mais novas da população portuguesa.

Por todas as regiões de França encontram-se testemunhos da presença de Portugal e dos portugueses.  

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Localizada no estreito de Gibraltar, entre Tânger e Ceuta, a povoação remonta ao início da ocupação muçulmana do Magrebe, por volta de 708. Dificilmente acessível por mar, era dominada pela elevação de Seinal. Durante o Califado Almóada, foi um importante porto de embarque de tropas para a península Ibérica. Entretanto, no século XV convertera-se num reduto de corsários.

Como parte da política de expansão ultramarina portuguesa, foi assaltada e conquistada por uma frota de com 220 embarcações, transportando um exército de 25 mil homens sob o comando de D. Afonso V, “O Africano”, após dois dias de combate (23 e 24 de Outubro de 1458).

Na empresa participaram ainda o infante D. Henrique (no comando da Armada do Algarve), o infante D. Fernando, omarquês de Valença (no comando da Armada do Porto) e o marquês de Vila Viçosa. Os ventos desviaram a nau do rei para as águas de Tânger cuja conquista foi cogitada pelo soberano, mas graças à influência do infante D. Henrique, que havia participado no desastre de Tânger em 1437, manteve-se a decisão de atacar Alcácer-Ceguer. A conquista foi possível devido à superioridade da artilharia portuguesa, e à estratégia do rei de Fez, Abd al-Hakk – que em 1437 havia capturado o Infante Santo -, informado da presença da frota portuguesa nas àguas de Tanger, enquanto preparava um ataque a Tlemcen, decidiu deslocar as suas forças para defesa de Tanger.

De imediato foram iniciados trabalhos de recuperação e reforço das defesas. A mesquita da cidade foi transformada em igreja sob a invocação de Santa Maria da Misericórdia, outorgada à Ordem de Cristo por iniciativa do infante D. Henrique.

A retaliação islâmica não se fez esperar. D. Afonso V ainda se encontrava em Ceuta, quando foi informado de que as forças de Abd al-Hakk se preparavam para retomar Alcácer-Ceguer. Afonso V de imediato decidiu acorrer em defesa da praça ameaçada, sendo dissuadido por seus conselheiros. Deliberou-se então desafiar o rei de Fez para uma batalha campal, à maneira daIdade Média, tendo os emissários portugueses sido recebidos a tiros e forçados a retroceder.

A esquadra portuguesa aportou ao largo de Alcácer-Ceguer mas os seus esforços foram em vão, uma vez que os sitiantes não se amedrontaram, não tendo sido possível fazer chegar qualquer tipo de ajuda aos sitiados. Estes, sob o comando de D.Duarte de Menezes – filho do primeiro capitão de Ceuta, D. Pedro de Meneses -, resistiram por 53 dias, infligindo tantas perdas ao inimigo, que este acabou por retirar, a 2 de Janeiro de 1459.

Seis meses mais tarde, a 2 de Julho de 1459, Abd al-Hakk voltou a cercar a cidade. Durante este cerco, D. Duarte de Meneses mandou vir do reino a esposa e os filhos que, com alguma dificuldade, conseguiram furar o cerco e ingressar na praça. Esta atitude do capitão deu novo ânimo à guarnição sitiada que não cedeu as defesas, vindo o assédio a ser levantado em 24 de Agosto de 1459. Como recompensa pelas defesas de Alcácer-Seguer, o soberano elevou D. Duarte de Meneses a conde de Viana (Abril de 1460).

A população da praça chegou a atingir as 800 pessoas, mas estava totalmente dependente do Reino para a sua manutenção. A presença Portuguesa em Arzila e em Tânger, ocupadas em 1471, diminuiu a sua importância estratégica.

Para reforço da sua defesa D. Manuel I (1495-1521), em Junho de 1502, passou ao Mestre de Pedraria Pêro Vaz, seis “in-fólios” com Instruções acerca das obras de Alcácer-Ceguer. Estas descrevem minuciosamente como levantar a couraça (muralha que protegia o acesso à água), e ilustram-na com um dos raros desenhos remanescentes da praça, da autoria do Arquiteto régio responsável pela obra, possivelmente o próprioDiogo Boitaca, que, após um novo projeto em 1509, vistoriou-a pessoalmente em 1514. Neste projeto também foi prevista a construção de um novobaluarte, com dois níveis de canhoneiras, erguido por Francisco Danzilho.

A partir de 1533, D. João III cogitou em abandoná-la, como Azamor e Safim. A evacuação tinha a oposição da Santa Sé.

Em 29 ou 31 de Janeiro de 1549 Mohammed ech-Cheikh, o “Xerife” toma Fez, e reunifica Marrocos. Diz-se que seu primeiro objetivo é tomar Alcácer Ceguer. Por isso D. João III “mandou que em Alcácer, no monte do Seinal, sobranceiro à vila, se fizesse um forte, porque quem fosse senhor dele dominaria a vila e o porto : foi dirigir esta obra o capitão de Ceuta, D. Afonso de Noronha

Em 25 de Julho de 1549, o capitão de Tânger, Pedro de Meneses, tinha-se encontrado com D. Pedro Mascarenhas, que tinha sido enviado pelo rei para fortificar a cidade e ver o Seinal em construção, e vêr as resoluções que se devia tomar. Chegaram os dois ao Seinal em 7 de Agosto, onde foram recebidos por D. Afonso de Noronha. E juntos com D. Bernardino de Mendonça, foram em galés visitar alguns portos para edificação duma fortaleza : o de Santa Cruz, e o do Pé da Rocha, onde desembarcaram para subir ao “forte do Seinal & reconhecendo-o por dentro & por fora, & as baterias que poderia ter, (…) etc. concordarão todos que em qualquer parte que se fizesse era obra assaz custosa, & de mais perigo que proveito, por muitas razões de que huma de muita força era que se não podia fazer fundamento de outra agua para serviço da fortaleza senão da que se recolhese da chuva em cisternas, ou da que se pudesse ter em pipas.3 Por isso o projeto foi abandonado, e Alcácer foi evacuada pouco depois.

A partir de então tornou-se um pequeno burgo insignificante.

No século XX, escavações empreendidas pelos arqueólogos estadunidenses Charles Redman e James Boone entre 1974 e 1978, trouxeram à luz o como a povoação portuguesa se impôs à islâmica. São referidos os exemplos do “hamame” (os banhos islâmicos) transformado em prisão, da mesquita transformada em igreja, e da alcáçova, que fechou a antiga Porta do Mar (“Bab al Bahar“), usada como paço para o capitão, e que teve que ser adaptada ao uso da artilharia. Após a conquista portuguesa, a filosofia defensiva alterou-se, passando a ligação com o mar a ser o fator mais importante, ditando a construção da couraça, que ainda hoje se distingue na paisagem. Vieram ainda à luz os elementos de um completo sistema defensivo, com fosso, baluartes curvos e portas duplamente fortificadas.

Lista de Capitães Portugueses da Praça

  • 23 de outubro de 1458 – 1464 – Duarte de Meneses, Conde de Viana
  • 1464 – 1480 – Henrique de Meneses
  • 1480 – 1488 – Rodrigo (ou Rui) Vaz Pereira
  • 1488 – 1501 – Martim de Sousa e Távora
  • 1501 – 1512 (?) – Rodrigo de Sousa
  • 1516 – 151? – Rui Dias de Sousa, o Cid4
  • 15?? – 15?? – Martinho de Sousa e Távora (c.1450 – ?)
  • 1521 (?) – 1523 (?) – Pedro de Sousa Chichorro, conde do Prado
  • c. 1530 – 1531 – Francisco de Carvalho
  • 1531 – 1545 – Pedro Álvares de Carvalho
  • 1545 – 1549 – Álvaro de Carvalho
  • 15?? – 1550 – Bernardim de Carvalho
  • 1550 (?) – Rui Dias de Sousa
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Poucos portugueses conhecem a história desta entrada na então fortaleza de Fês.

Ela representa, hoje e sempre o emprenho, a entrega e o amor à Pátria por aqueles que a governaram, mesmo que isso custasse a vida de um filho.

Vamos aos factos:

Neste local esteve exposto o corpo de D. Fernando, o Infante Santo, após a sua morte no cativeiro em Fez, em consequência da sua captura na batalha de Tânger de 1437 e à recusa de seu pai, D. Manuel em trocar a vida do seu filho pelas praças do norte de África.

Dizem as crónicas da época que corpo de D. Fernando, despojado de qualquer vestimenta, esteve inicialmente pendurado pelos pés e de cabeça para baixo, tendo sido posteriormente colocado dentro de um ataúde que terã sido fixado à muralha através de duas vigas de madeira que nela se encontravam encastradas.

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A descrição do cativeiro e morte de D. Fernando foi escrita por Frei João Álvares na obra intitulada “Crónica do Infante Santo D. Fernando”.

Frei João Álvares, era o secretário de D. Fernando tendo estado aprisionado com ele em Fez.
Nessa obra, de grande dramatismo, pretendeu Frei João Álvares criar uma imagem de homem santo, envolto em milagres, por vezes com paralelismos com a própria vida de Cristo.
Frei João Álvares seria resgatado em 1448, cinco anos depois da morte de D. Fernando e em 1450 voltou ao Marrocos para buscar relíquias do príncipe, que na época começaca a ser alvo de culto pelos populares tendo sido cognominado, o Infante Santo.

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Hoje, esta porta “Bab” não é de fácil acesso ao público, pois faz parte de um conjunto arquitectónico que integra um Palacete onde se encontra instalada uma Fundação.

Para a visitarem tem de se aguardar pela abertura do Palacet, durante as horas normais de serviço deste, e a título informal pedir a um dos funcionários que deixe visitar este local, ao fundo de um imenso terreiro.

Mais sobre a tragédia do Infante Santo aqui

 

 

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Com uma história riquíssima, por aqui onde passaram várias civilizações e culturas desde a Antiguidade e que remonta pelo menos ao século V A.C., quando os fenícios ou cartagineses aqui fundaram uma colónia que substituiu um assentamento berbere.

Foi uma colónia romana, capital da província da Mauritânia Tingitana, tendo sido depois conquistada pelos vândalos.

Ao longo da Idade Média foi disputada por vários reinos muçulmanos e cristãos de ambos os lados do estreito.

Os portugueses tentaram conquistar a cidade em 1437, durante o período Henriquino, apesar da oposição inicial do rei D. Duarte e da desaprovação do infante D. Pedro, as cortes reunidas em Évora em Abril de 1436 votaram os créditos para a empresa.

Rui de Pina afirma que na armada havia apenas 6 000 homens, número insuficiente para atacar a poderosa praça do Magrebe.

Em setembro o infante D. Fernando embarcou em Ceuta com destino a Tânger e o exército comandado pelo infante D. Henrique tomou, por terra, a mesma direcção. Os mouros defenderam-se comandados por Sala ben Sala, que era o capitão de Ceuta quando João I tomara esta cidade em 1415

Os portugueses, foram derrotados e deixaram ficar o infante D. Fernando como prisioneiro, uma vez que o seu resgate passava pela devolução da praça de Ceuta aos marroquinos, o que não foi aceite pelas Cortes portuguesas. Por este motivo, D. Fernando viria a falecer cativo em Fez, em 1443, às mãos dos mouros. O seu cativeiro é tradicionalmente visto como motivo de santidade, que está na origem do seu cognome de Infante Santo.

Em 1458, antes de atacar Alcácer Seguer, a armada de D. Afonso V esteve dois dias ancorada na baía de Tânger, tendo o rei planeado a sua conquista no que foi contrariado pelo Conselho.

Três vezes tentou atacar a cidade, sempre com sem êxito.

Em 1471, com a tomada de Arzila, os habitantes de Tânger, compreendendo que o objetivo final era a tomada da sua cidade, abandonaram-na. Foi então ocupada por D. João, filho do Duque de Bragança no mesmo ano por ordem de D. Afonso V.

As relíquias de D. Fernando só então foram recuperadas e solenemente transladadas para o Panteão Régio na Batalha, onde ainda hoje repousam, na Capela dos Fundadores.

No domínio eclesiástico, Tânger pertenceu ao bispado unido de Ceuta e Tânger.

No início do século XVI, Tânger permaneceria sempre em pé de guerra, com raros e breves períodos de tréguas.

Surge então o plano de abandono de algumas praças portuguesas de Marrocos exposto por João III de Portugal, em 1532, ao Papa. No entanto, em 1534, num pedido de consulta aos principais conselheiros do Reino, o monarca demonstra a sua vontade em conservar Tânger como base de ataque ao Reino de Fez. As Cortes de 1562-63, reunidas depois do cerco de Mazagão, insistiram pela sua defesa e pediram o reforço da guarnição.

Em 1578, por alturas da expedição que viria a partir de Arzila para Alcácer-Quibir, o rei encontrou em Tânger Mulei Moamede Almotoaquil, o xerife deposto por Mulei Abde Almélique.

Tânger permaneceu em mãos portuguesas até 1661, altura em que, ao abrigo do tratado de paz e amizade firmado com a Grã-Bretanha, a mão da princesa Catarina de Bragança, filha de João IV de Portugal, foi dada em casamento ao rei Carlos II de Inglaterra, levando no seu dote as cidades de Tânger e de Bombaim (na Índia).

Uma esquadra desembarcou ali nesse mesmo ano e a guarnição e quase toda a população portuguesa regressaram ao Reino.

No entanto o domínio inglês sobre a cidade durou pouco tempo. Em 1679 o sultão alauita Moulay Ismail de Marrocos falha na primeira tentativa de conquistar a cidade, mas mantém um grande bloqueio que finalmente leva à retirada inglesa no dia 6 de fevereiro de 1684 — Carlos II considerou que a posse da cidade era inútil e muito onerosa.

Antes de retirarem, os ingleses destruíram a cidade e o seu porto.

O sultão leva a cabo obras de reconstrução, que no entanto não impedem um lento declínio, a ponto de no início do século XIX a população não ultrapassar os 5 000 habitantes. Isso apesar de em 1786 se ter tornado a capital diplomática de Marrocos, onde se instalaram os consulados estrangeiros no sultanato, nomeadamente o espanhol e a primeira legação diplomática dos Estados Unidos (em 1797).

 

 

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TETOUAN

TETOUAN

Tetuão - Marrocos

Apesar da sua pouca importância na História de Portugal, por Tetouan (em português outrora designada por Tetuão) passaram os exércitos terrestres comandados pelo Infante D. Henrique aquando do ataque a Tanger, então dominado pelo Sultão de Fez Abu Zakarya Yahya al-Wattasi, a quem os portugueses chamavam Lazeraque.

O exército português deixou a praça portuguesa de Ceuta a 9 de Setembro de 1437 fazendo o caminho por Tetouan, num total de cerca de 110 quilómetros, e era composto por 2.000 cavaleiros, 1.000 besteiros e 3.000 peões.

Nesta força incluíam-se os 300 ginetes de Rui de Sousa, alcaide-mor do castelo da Vila de Marvão, e seu filho Gonçalo Rodrigues, uma espécie de tropa de elite de intervenção rápida, com grande mobilidade. “… Consistia numa cavalaria ligeira cuja mobilidade se adequava à função de batedor e à prática da “guerra guerreada”, ou seja, o raid militar feito no território inimigo com o objectivo de roubar bens e animais, destruir culturas e emboscar tropas rivais em movimentação”.

Este ataque a Tanger viria a tornar-se uma catástrofe tendo o Infante D. Fernando ficado como refém do Sultão de Fez como garantia que Portugal devolveria a praça de Ceuta, o que não viria a acontecer.

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Depois da Espanha é o país que mais próximo está Portugal.
Ao longo dos séculos simbolizou a terra dos infiéis e dos piratas. 

No século XIII um acontecimento passado em Marrocos incendiará a imaginação de muitos cristãos portugueses. Em 1220 são degolados aqui 5 frades franciscanos. Um jovem nascido em Lisboa – Fernão de Bulhões, o futuro Santo António (1195-1231) -, impressionado por este acontecimento decide ser franciscano e ir pregar para Marrocos. O barco que o havia de levar, por razões desconhecidas, acabou por ir parar à Sicilia (1221).

Marrocos era terra de guerra entre cristãos e muçulmanos, pilhando-se mutuamente ao longo de séculos.

Século XV

A conquista de Ceuta, em 1415, marcou o inicio de uma série de conquistas portuguesas na costa marroquina, onde morreram milhares de portugueses em expedições e guerras ininterruptas. 

Século XVI

Após a expulsão de judeus e muçulmanos de Portugal, em 1497, milhares de portugueses fixam-se em Marrocos. A segunda vaga de refugiados ocorreu durante a ocupação de Portugal pela Espanha (1580-1640).

Durante o reinado de D. Manuel I prosseguem as conquistas em Marrocos: Safim (1508), Azamor (1513), Mazagão (1514). 

No reinado de D. João III, sobretudo depois de 1541, começam a ser abandonadas algumas cidades e fortalezas, devido aos elevados custos da sua manutenção ou pouca importância estratégica. Santa Cruz do cabo de Gué é conquistada pelos mouros em 1541. Azamor e Safim são abandonadas em 1542, Alcácer-Ceguer em 1549 e Arzila no ano seguinte.

D. Sebastião, procurou inverter a política anterior. Em 1571 reconquista Arzila e numa acção aventureira, em 1578 morre junto à cidade Alcácer Quibir, facto que conduziu à ruinosa perda da independência durante 60 anos. Filipe I, em 1589, abandona também Arzila.

Séculos XVII /XVIII

A ocupação de Portugal pela Espanha (1580-1640) traduziu-se na ruína da marinha de guerra portuguesa, o que dificultou a manutenção das praças-fortes em Marrocos e se traduziu no aumento da pirataria muçulmana no Mediterrâneo e no Atlântico.  

Os espanhóis ficam com Ceuta (1640). Os piratas de Argel, Tunes e Tripoli deixam de ter qualquer obstáculo para entrarem no Atlântico. 

A cidade de Tanger é oferecida, em 1661, aos ingleses, como parte do dote da Rainha Catarina de Bragança.

A cidade-fotaleza de Mazagão é abandonada em 1769, sendo a guarnição militar transferida para o Amazonas (Brasil), onde foi fundada uma cidade Vila Nova de Mazagão, próximo da grande ilha de Marajó. 

As relações diplomáticas com Marrocos foram estabelecidas em 1774, quando foi firmado um Tratado de Paz e Comércio, selada pela troca de embaixadores entre os dois países. A partir daí Portugal irá tentar negociar a paz com Tripoli, Tunes e Argel, os principais centros da pirataria no Mediterrâneo.  

A enorme comunidade de judeus existente Marrocos, a maioria dos quais descendentes de portugueses, começa a ser brutalmente perseguida e assassinada, o que provocará a saída de largos milhares de judeus.

Século XIX

No início do século XIX, muitos descendentes de judeus portugueses regressam a Portugal vindos das principais cidades marroquinas (famílias Cardoso-Nunes, De Mattos, Dias, Monteiro, Peres, Pinto, Medina, Miranda, etc), mas também outros que aproveitaram a oportunidade como Abraham Nathan Ben-Saúd (a actual família Bensaúde).

Ao longo do século XIX Marrocos é retalhado por países europeus como a França e a Espanha, onde praticam um impressionante saque. 

Século XX

A partir de finais do século XIX, regista-se um aumento das relações comerciais entre Portugal e Marrocos, acompanhado de um significativo movimento migratório, sobretudo do Algarve.

Durante a 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), quando a França estendeu a Marrocos as leis antisemitas, os consulados de Portugal apoiaram as famílias de judeus portugueses ameaçados de serem  expropriadas dos seus bens.

Após a independência de Marrocos, em 1956, este país passa a dar apoio aos movimentos de libertação que combatem o colonialismo português em África, como a UNITA (Angola). Muitos exilados portugueses refugiaram-se também em Marrocos. Estes factos não impediram que os dois países, com muitos interesses em comum, não continuassem aprofundar as suas relações económicas e culturais.

Nos últimos anos os dois países tem vindo a reforçar os seus laços económicos e culturais. Em 1986 foi fundada a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Marroquina. Em 1994 realizou-se a primeira cimeira Luso-Marroquina. 

Centros Culturais PortuguesesCentro Cultural Português em Rabat .Pólo do Centro Cultural em Casablanca.

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Antigas Cidades e Fortalezas Portuguesas em Marrocos

Um dos aspectos mais visíveis desta presença portuguesa é a impressionante rede de fortalezas que se estendem ao longo de toda a costa:  

1. Ceuta (1415-1640). A cidade, ainda ocupada pela Espanha, conserva inúmeros vestígios portugueses: fortaleza, Igrejas (Mesquita/Igreja de N. Sra. da Assunção,  Sta. M.ª de África, do Espírito Santo, S. Sebastião, Santo António, Convento de N. Sra. do Socorro, etc)

2. Alcácer Seguer (1458-1550). fortaleza, incluindo a couraça e respectiva porta e restos do casario interior.Igrejas.

3. Tanger (1471-1661). Em 1437 os portugueses tentaram esta cidade, mas foram derrotados. Ficou então preso o Infante D. Fernando que veio a morrer cativo, em 1447, na cidade de Fez. Em 1661 foi dada pelos portugueses à Grã-Bretanha, como dote de casamento de uma princesa portuguesa. 

Entre 1912 e 1956 foi considerada uma cidade livre, sendo administrada por vários países, incluindo Portugal. Os vestígios da presença portuguesa estão bem conservados: fortaleza, igrejas e a catedral era dedicada a N. Sra. da Conceição.  

4. Arzila ou Asilah em árabe (1471-1550 -1577-1589). Torre de menagem, muralhas e fosso.

5. Azamor (1513-1541), na margem do rio Oum er-Rbia. Muralhas, casario e ruas interiores (elementos manuelinos).

6. Mazagão ou El Jadida em árabe (1513-1769).  Foi fundada pelos portugueses em 1513 no lugar onde existiu outrora uma fortaleza almóada, acabando por se tornar o seu principal entreposto atlântico. Foi abandonada, em 1769, na sequência de um cerco imposto pelo sultão Sidi Mohammed ibn Abdallah, tendo a sua guarnição sido deslocada para a Amazónia (Brasil), onde construiram uma nova cidade (Nova Mazagão). 

Muitas ruas conservam nomes portugueses (Rua da Carreira, Rua Direita, Rua da Nazaré, Rua do Celeiro, etc). Fortaleza, cisterna, igrejas de Nª Srª da Assunção (estilo manuelino) e Nª Srª da Luz e Palácio da Inquisição. O conjunto fortificações portuguesas, um exemplo precoce de arquitectura militar renascentista, foram inscritas, em 2004, na lista do Património da Humanidade, pela UNESCO .

7. Safi ou Safim (1508-1541). Castelo do Mar“, mandado erguer por D. Manuel I. Catedral, muralhas, casario, ruas interiores e “Castelo da Terra” (elementos manuelinos).

8. Aguz (perto de Safi). fortaleza. 

9. Larache (perto de Rabat).

10. Graciosa (perto de Larache). Fortificações.

11. Santa Cruz do Cabo de Gué -Agadir (1505-1541).

12. Meças. Fortificações 

13. Castelo Real, em frente a Mogador (1506-1510)

14. Mogador (Essaouira). Igreja. Sítio classificado pela UNESCO.

15. Bojador. Situa-se na costa do Saara Ocidental. A primeira passagem pelo Bojador deve-se a Gil Eanes em 1434.Fortificações

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Ceuta

Ceuta

Ceuta

A 21 de agosto de 1415 tropas portuguesas comandadas pelo rei D. João I acompanhado pelos seus filhos Duarte, Pedro e Henrique desembarcaram no que são atualmente as praias de Santo Amaro e conquistam a cidade para Portugal.

Diante das disputas de vários capitães para ficarem com o governo da cidade depois da conquista, Pedro de Meneses apresentou-se ao rei com um pau chamado “aleo”, usado num jogo popular na época, e quando D. João lhe perguntou se era suficientemente forte para tomar a seu cargo a responsabilidade do governo de Ceuta terá respondido: «Senhor, este pau basta-me para defender Ceuta de todos os seus inimigos». Pedro de Meneses foi então nomeado primeiro governador e capitão-geral de Ceuta. O pau (Aleo) ainda hoje se encontra na santuário de Nossa Senhora de África e passou de mão em mão por todos os generais que estiveram no comando da praça jurando defender a cidade tal como o fez Pedro de Meneses.

Num tratado assinado com o rei de Fez, este reconheceu Ceuta como portuguesa. No mundo cristão, a cidade foi reconhecida como possessão portuguesa nos tratados das Alcáçovas (1479) e de Tordesilhas (1494).

Ceuta, cidade no estreito Hercúleo, em frente de Gibraltar, foi uma das principais cidades no tempo dosMouros, tanto em edifícios como em riqueza de mercadorias, que daqui partiam para toda a terra do Sertão. E estava em tanta prosperidade que quantos navios passassem pelo dito estreito, quer do Levante quer do Poente, tinham que amainar as velas, porque toda a nau que isto não fizesse, as galés dos Mouros as seguiam e as tomavam.
— Descrição de Ceuta no início do século XVI por Valentim Fernandes, 1507,

Ceuta tornou-se diocese em 1417 por bula do Papa Martinho V.

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Tias, Lanzarote

Tias, Lanzarote

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José Saramago é incontornável na História de Portugal, goste-se ou não dele.

Pessoalmente não acompanhava muitas das idéias por ele defendidas, mas é disso que se trata quando se fala de democracia, respeitam-se as idéias e gosta-se das pessoas.

Gostei de José Saramago, pela sua obra e pelo que à sua maneira deu de si a Portugal, tendo inclusive tido a capacidade de dar uma estalada de luva ao mais alto dignatário da República, o cidadão Aníbal Cavaco Silva, que como Presidente da República teve de engolir em seco atitudes tomadas.

José de Sousa Saramago (Golegã, Azinhaga, 16 de Novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta,jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem.

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus).

Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.

Depois de ter visitado a terra onde nasceu, venho agora visitar a casa onde produziu algumas das suas obras e partiu para o além.

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Ourique

Ourique

Ourique, Portugal

Foi nos campos que circundam Ourique, que a 25 de Julho de 1134 se desenrolou a chamada “Batalha de Ourique” e que, segundo a tradição foi um milagre ocorrido durante esta batalha que “originou” os 5 escudos da nossa Bandeira.

A batalha foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.

Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 — tornando-o rei de facto, sendo o títulode jure (e a independência de Portugal) reconhecido pelo rei de Leão em 1143 mediante o Tratado de Zamora e, posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III.

A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XIV, depois da batalha. Ourique serve, a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e, portanto, eterna.

A tradição narra que, naquele dia, consagrado a Santiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo rodeado de anjos na figura do Anjo Custódio de Portugal , garantindo-lhe a vitória em combate. Contudo, esse detalhe da narrativa, é semelhante ao da narrativa da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Magêncio a Constantino, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo IN HOC SIGNO VINCES (latim, «Com este sinal vencerás!»).

Este evento histórico marcou de tal forma o imaginário português, que o referencia como um milagre e se encontra retratado no brasão de armas da nação de Portugal: cinco escudetes (cada qual com cinco besantes), representando as Cinco Chagas de Jesus e os cinco reis mouros vencidos na batalha. amparado pela vontade de Deus.”

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A história de Sines tem sido enformada pelo mar.
Da Pré-História aos dias de hoje foram o mar e os seus recursos que definiram a economia, a cultura, a composição e até o caráter das suas gentes.

Em 1460 nasce em Sines, aquele que viria a ocupar um dos mais importantes lugares da História Marítima Mundial: Vasco da Gama, o descobridor do caminho marítimo para a India e o primeiro Vice-Rei da India.

Há evidências da existência de populações humanas na área no concelho desde a Pré-História. Vestígios de alguns desses povoamentos estão hoje a descoberto em estações arqueológicas como a Palmeirinha e a Quitéria.

Os Celtas e Púnicos também terão andado por Sines. A presença celta é apenas uma hipótese, mas a púnica é uma certeza: é púnico o Tesouro do Gaio, descoberto numa herdade do concelho em 1966 e atualmente à guarda do Museu de Sines.

Com os Romanos, o concelho define-se pela primeira vez como centro portuário e industrial. A baía de Sines é o porto da cidade de Miróbriga. O canal da Ilha do Pessegueiro está ligado a Arandis (Garvão). Sob o poder de Roma, Sines e a Ilha são polos “industriais”, com complexos de salgas de peixe. A segunda hipótese de etimologia de Sines é também romana: “sinus” – baía ou “sinus” – seio, que é a configuração do cabo de Sines visto do Monte Chãos.

A Alta Idade Média, em que a região teve ocupação por Visigodos e Mouros, é o período mais obscuro da história de Sines. Há no Museu de Sines cantarias visigóticas que atestam a existência de uma basílica do século VII. Durante a ocupação árabe do sul da península, Sines é praticamente abandonada.

Povoação da Ordem de Santiago a partir o século XIII, Sines adquire autonomia administrativa em 24 de novembro de 1362. Dom Pedro I concede carta de elevação de Sines a vila interessado na sua função defensiva da costa, colocando como condição a construção do Castelo.

A vida do município na Idade Moderna continua a ser marcada pelas funções marítimas. A fundação de Porto Covo, por Jacinto Bandeira, acontece no final do século XVIII, no pressuposto de aí virem a ser construídos dois portos.

No século XIX, com o Liberalismo, o concelho deixa de pertencer à Ordem de Santiago e acaba mesmo por ser extinto, em 1855. Mas a segunda metade do século é, paradoxalmente, de crescimento.

Em meados do século XIX, um jovem médico algarvio escreve a primeira monografia de Sines conhecida, “Breve Notícia de Sines”. A Sines de Francisco Luís Lopes é uma vila com problemas, mas aberta e tolerante.

O século XX começa praticamente com a restauração do município, em 1914. A indústria da cortiça, a pesca e alguma agricultura e turismoconstituem a base da vida de Sines até ao final da década de 60, quando, além da proximidade do mar, Sines pouco se distingue do resto doAlentejo.

O grande complexo industrial criado pelo governo de Marcello Caetano em Sines, em 1970, muda o concelho. A população explode e diversifica-se, a paisagem ganha novas configurações e a comunidade luta para manter a sua integridade e a qualidade de vida, mitigando os impactes negativos da instalação das novas unidades e aproveitando os positivos.

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Setúbal nasceu do rio e do mar. Os registos de ocupação humana no território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos, em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico. Foi visitada por fenícios,gregos e cartagineses, que vinham à Ibéria em procura do sal e do estanho, nomeadamente a Alcácer do Sal, sendo então o rio navegável até esta povoação.

Aquando da ocupação romana, Setúbal experimentou um enorme desenvolvimento. Os romanos instalaram na povoação fábricas de salga de peixe e fornos para cerâmica que desenvolveram igualmente.

A queda do império romano, as invasões bárbaras, a constante pirataria de cabotagem causaram uma estagnação, senão mesmo desaparecimento da povoação entre os séculos VI e XII. Nomeadamente neste último século, não existem quaisquer registos da povoação, ‘entalada’ entre a Palmela cristã e a Alcácer do Sal árabe.

Alcácer do Sal foi conquistada pelos cristãos em 1217, tendo a povoação de Setúbal sido incorporada e passado a beneficiar da protecção da Ordem de Santiago, momento a partir do qual voltou a prosperar.

Em Março de 1249, Setúbal recebeu foral6 , concedido pela Ordem de Santiago, senhora desta região, e subscrito por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, e por Gonçalo Peres, comendador de Mértola.

No século que se seguiu, a realeza e a nobreza de então fixaram residência sazonal em Setúbal. A época dos descobrimentos e conquistas em África trouxe a Setúbal um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V e o seu exército, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.

 

Durante os vários séculos de apagamento da povoação de Setúbal, Palmela e Alcácer do Sal cresceram em habitantes e importância militar, económica e geográfica, fazendo sucessivas incursões no termo de Setúbal, ocupando-o.

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O ano de 2014 marca os 400 anos da primeira publicação, póstuma, da obra Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (Montemor-o-Velho, 1510-14 1 — Pragal 8 de Julho de 1583) que foi um aventureiro e explorador português.

Pertencente à chamada literatura de viagem, próxima do que se poderia chamar crónica de viagem ou diário, Peregrinação é o livro de viagens da literatura portuguesa mais traduzido e famoso.

Foi publicado em 1614, pelos prelos de Pedro Craesbeeck, trinta anos após a morte do autor.

 

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A Diocese do Funchal foi criada em 12 de Junho de 1514 (está a comemorar os seus 500 anos), através da bula Pro excellenti præeminentia do papa Leão X,1 após a elevação da vila do Funchal ao estatuto de cidade pelo Rei D. Manuel (alvará régio de 21 de Agosto de 1508), ficando a recém-criada diocese na dependência da arquidiocese de Lisboa.

Dezanove anos mais tarde, em 31 de Janeiro de 1533, foi elevada à dignidade arquidiocesana, tendo-se tornado, durante vinte e dois anos, a maior arquidiocese metropolitana do mundo, tendo como sufragâneas as dioceses do Império Colonial Português nos Açores, Brasil, África eOriente. Foi seu primeiro (e único) arcebispo D. Martinho de Portugal (com o título de Primaz), após o que, em 3 de Julho de 1551, uma nova reogranização das dioceses de Portugal e do seu império levou à extinção da arquidiocese do Funchal e ao regresso à sua condição de simples diocese dependente da arquidiocese (mais tarde Patriarcado) de Lisboa; as suas sufragâneas seguiram-lhe o destino.

Da diocese funchalense desmembraram-se as seguintes circunscrições eclesiásticas: Diocese de Goa, Diocese de Angra, Diocese de Cabo Verde, Diocese de São Tomé e Diocese de São Salvador da Bahia.

 

 

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O forte ergue-se numa extremidade do porto, sobre a formação rochosa conhecida como ilhéu de São José. É acedido por escadas a partir do molhe, pela estrada da Pontinha. A edificação era pouco valorizada enquanto património histórico, arquitetónico e cultural da Madeira e de Portugal, até recentemente, quando foi adquirido por um particular que vem buscando revitalizá-lo, sustentando ser este o local da primeira fortificação madeirense, à época do seu descobrimento.

De acordo com a historiografia tradicional, foi no Oeste de uma extensa baía, onde existiam dois ilhéus, que João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, descobridores da Madeira (1419), procuraram abrigo antes de desembarcar na ilha coberta por densa vegetação. Por essa razão, teriam desembarcado preliminarmente no menor dos ilhéus, onde ergueram um abrigo provisório, para esse fim tendo talhado na rocha alguns degraus, os quais teriam subsistido até aos nossos dias. Do mesmo modo, ainda pode ser observado, numa das extremidades da rocha, o triângulo destinado à amarração das suas embarcações. Alguns autores entendem, por essa razão, que este ilhéu constitui-se na mais antiga fortificação do arquipélago.

Com a colonização, o Funchal tornou-se o principal porto do arquipélago, movimentando as mercadorias essenciais à economia da ilha, como por exemplo o açúcar (séculos XV, XVI e XVII), o vinho (século XVIII) e, posteriormente, o carvão (séculos XIX e XX). Nesse contexto, a fortificação provisória deu lugar a outra, de caráter permanente, ampliada e reforçada ao longo dos séculos, complementando a defesa proporcionada pelo vizinho Forte de Nossa Senhora da Conceição.

Hoje o Forte é alvo de polémica e de disputa territorial com o Estado Português, por ser designado como Principado da Pontinha

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A Casa Colombo, Museu do Porto Santo, encontra-se instalada num conjunto articulado de construções, hoje uniformizadas por obras do século XVIII e XIX.
Segundo uma tradição oral, longamente difundida, aqui viveu Cristóvão Colombo, aquando da sua passagem pelo Porto Santo, depois do seu casamento com Filipa de Moniz, filha do primeiro Capitão Donatário do Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo.
De inícios do século XVI é uma parede norte do edifício principal, sobrevivente das várias campanhas de obras, onde se abrem duas janelas de perfil gótico.

 

Ler mais sobre a origem portuguesa de Cristovao Colombo aqui

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Cidade Património Mundial, Angra do Heroísmo localiza-se na costa sul da ilha Terceira.

A cidade, teve parte ativa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582.

O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de “Sempre leal cidade“, outorgado por João IV de Portugal.

Foi desta cidade que os Corte Real partiram para a descoberta da Terra Nova, a foz do rio Hudson e a peninsula do Labrador

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Segundo uma teoria de Bochart, o nome Olisipo, designação pré-romana de “Lisboa”, remontaria aosFenícios.

Segundo esta teoria, Olisipo derivaria de “Allis Ubbo” ou “Porto seguro” em fenício, dado o magnífico porto fornecido pelo estuário do Tejo.

Não existe nenhum registo que possa comprovar tal teoria. Segundo Tovar, Olisipo seria uma palavra de origem tartessa sendo o sufixo ipo frequente na região de influência Turdetano-Tartessica.

O prefixo “Oli(s)” não seria único pois surge numa outra cidade Lusitana, de localização desconhecida, que Pomponius Mela dizia chamar-se Olitingi.

Foi daqui desta Lisboa à beira Tejo que partiram muitas das “empresas” que tinham por missão descobrir mundos e as  fontes das especiarias.

A História de Lisboa AQUI

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De destacar em Coimbra o “verdadeiro” Panteão Nacional, onde se encontra sepultado o “PAI” da Nação Portuguesa: D. AFONSO HENRIQUES

Apesar de o local não ser guardado com a devida pompa e circunstância, este é realmente o Panteão Nacional, copiado depois pela República para “homenagear” os seus “heróis”.

Mais sobre o Mosteiro de Santa Clara – PANTEÃO NACIONAL – AQUI

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Tem origem num povoado pré-romano. Na época romanadesignava-se Cale ou Portus Cale, sendo a origem do nome de Portugal. No ano de 868, Vímara Peres, fundador da terra portugalense, teve uma importante contribuição na conquista do território aos Mouros, restaurando assim a cidade de Portucale.

Em 1111, D. Teresa, mãe do futuro primeiro rei de Portugal, concedeu ao bispo D. Hugo o couto do Porto. Das armas da cidade faz parte a imagem de Nossa Senhora. Daí o facto de o Porto ser também conhecido por “cidade da Virgem”, epítetos a que se devem juntar os de “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta“, que lhe foram sendo atribuídos ao longo dos séculos e na sequência de feitos valorosos dos seus habitantes, e que foram ratificados por decreto de D. Maria II de Portugal.

Foi dentro dos seus muros que se efectuou o casamento do rei D. João I com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre. A cidade orgulha-se de ter sido o berço do infante D. Henrique, o navegador.

Mais sobre a cidade do Porto, AQUI

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Conjunto histórico composto pela Alfandega Régia e a Nau quinhentista.

Na cidade de Vila do Conde pode-se visitar a única réplica de uma NAU QUINHENTISTA transformada em “museu” existente em Portugal.

Deste conjunto faz parte também a Alfandega Régia onde chegavam as especiarias e outro tipo de carga que eram transportadas pelas naus.

Toda a informação sobre este conjunto histórico AQUI

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Paço dos Duques de Bragança (tipicamente designado de apenas Paço dos Duques) foi construído no século XV, em Guimarães, por D. Afonso, 1.ºduque de Bragança, e o estilo borgonhês deste palácio reflecte os seus gostos, adquiridos nas viagens pela Europa, ainda que o aspecto actual tenha sido recriado, de forma polémica, durante o Estado Novo.

Toda a informação sobre o Paço dos Duques AQUI

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Castelo de Guimarães localiza-se na freguesia de Oliveira do Castelo, cidade e concelho de Guimarães, no distrito de Braga, em Portugal.

Em posição dominante, sobranceiro ao Campo de São Mamede, este monumento encontra-se ligado à fundação do Condado Portucalense e às lutas da independência de Portugal, sendo designado popularmente como berço da nacionalidade.

Classificado como Monumento Nacional, em 2007 foi eleito informalmente como uma das Sete maravilhas de Portugal.

Mais sobre a história do Castelo de Guimarães, AQUI

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O primeiro documento relativo ao Mosteiro data de 1122.

Pouco mais tarde, em 1131, D. Afonso Henriques concedeu carta de couto ao mosteiro.

As obras do atual edifício tiveram início em 1755, sendo acordadas entre o arquiteto bracarense André Soares e o então abade, Frei Francisco de São José. Na fase final das obras registou-se a chegada ao mosteiro de Frei José de Santo António Vilaça, que ali trabalhou de 1764 a 1770.

A fachada da igreja distingue-se pelas suas grandes dimensões. Nos lados direito e esquerdo estão colocadas as estátuas em tamanho natural do fundador da  Ordem de São Bento – São Bento de Núrcia -, e de Santa Escolástica. 

Com a a extinção das ordens religiosas (1834), o Estado Português alienou o imóvel.

O conjunto da igreja e sacristia encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 31 de Agosto de 1933.

A Câmara de Cabeceiras de Basto está a desenvolver o dossier para apresentação na UNESCO de modo que o Mosteiro de S. Miguel de Refojos venha a ser Considerado Património Mundial da Humanidade.

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